24 de Dezembro de 1882, por
C.H.SPURGEON
no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres
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Depois de Jesus ter nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, vieram alguns magos do oriente a Jerusalém, perguntando: Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Vimos sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. Depois de ouvirem o rei, partiram; e a estrela que tinham visto no oriente foi adiante deles, até que parou sobre o lugar onde o menino estava. Ao verem a estrela, os magos ficaram extremamente alegres. (Mt 2. 12; 9-10)
Vejam queridos amigos, a glória do nosso Senhor Jesus Cristo mesmo em estado de humilhação. Ele nasceu de pais humildes e foi colocado em uma manjedoura envolto em simples faixas, mas os principados e potestades celestiais estão em festa! Primeiro é um anjo que desce e proclama o advento do Rei recém-nascido e, de repente, uma hoste celestial surge cantando glória a Deus. E nem eram apenas os seres espirituais de cima que estavam felizes, pois abaixo desse céu estava uma terra em alvoroço. Uma estrela é escolhida representando todas as outras, como um ente enviado com plenos poderes para representar todos os astros diante de seu Rei. Essa estrela é designada e para acima do seu Senhor e é colocada como seu arauto para os homens, ela é como um porteiro a conduzilos ante a Sua presença, uma espécie de guarda-costas a proteger o Seu berço. Pastores vieram prestar-Lhe as homenagens de pessoas simples, com todo amor e alegria, curvaram-se diante daquela criança misteriosa. Depois disso, de longe, aparecem as mentes mais brilhantes daquela geração. Fazendo uma viagem longa e difícil, finalmente chegam os representantes dos gentios. Os reis Seba e Sabá oferecem presentes: ouro, incenso e mirra[1]. Homens sábios, líderes de seus povos, curvam-se diante dEle e reverenciam o Filho de Deus. Onde quer que estivesse, Cristo é honrado. “Para vós, os que credes, ela é preciosa” (1 Pd 2.7). No dia das pequenas coisas, quando a Causa de Deus é privada de atenção e escondida em meio a coisas desprezadas, ela ainda é gloriosa. Cristo, embora criança, ainda é Rei dos reis; embora entre os bois, ele ainda é destacado por uma estrela.
Amados amigos, se os sábios de antigamente vieram e adoraram a Jesus, não deveríamos nós fazer o mesmo? Meu forte desejo nesta manhã é esse: que todos nós tributemos louvor àquele sobre quem cantamos: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu”[2]. Que aqueles entre nós que estão habituados a adorar possam, hoje, ter uma adoração ainda mais reverente e humilde e com um amor ainda mais intenso. E Deus conceda – oh, que Ele conceda isso
– que aqueles que estão longe espiritualmente, assim como os magos o estavam localmente, possam vir hoje e perguntar: “Onde está aquele que nasceu Rei dos judeus? Pois nós viemos adorá-lO.” Que os pés acostumados às estradas largas, mas não às estreitas, trilhem hoje esse caminho até encontrarem Jesus e se prostrem diante dEle de todo o coração, encontrando nEle a salvação. Esses sábios homens vieram naturalmente, atravessando o deserto, então venhamos nós, espiritualmente, abandonando os nossos pecados. Eles foram guiados pela observação de uma estrela, então que sejamos guiados pelo Espírito divino, pelo ensino de Sua Palavra e todas aquelas luzes que o Senhor dispõe para conduzir os homens a Si mesmo. Apenas nos cheguemos a Ele. Foi bom para eles ver aquele menino Jesus, iluminado pelos fachos de luz de uma estrela, mas você O verá ainda mais glorioso, pois agora, Ele está exaltado acima dos céus, com Sua própria luz revelando a Sua perfeita glória. Não se atrase, pois é Ele mesmo quem diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28).
Nesta manhã, vamos tentar fazer três coisas: primeiro, vamos nos reunir em volta dessa estrela. Que o Espírito do Senhor nos capacite a fazê-lo. Em segundo lugar, vamos absorver a sabedoria desses sábios e, em terceiro lugar, vamos agir como pessoas sábias, ajudados por nossa própria estrela.
I. Primeiro, então, VAMOS NOS REUNIR EM VOLTA DESSA ESTRELA. Que o Espírito do Senhor nos capacite a fazê-lo.
Suponho que cada um tenha sua própria opinião sobre o que essa estrela era. Parece ter sido totalmente sobrenatural e uma estrela ou um cometa comuns. Não era uma constelação nem um alinhamento de planetas, pois não há nada nas Escrituras que suporte essa ideia. Certamente, não se tratou de uma estrela no sentido atual que falamos hoje em dia, pois sabemos que ela se moveu diante dos sábios, desapareceu de repente, e novamente brilhou se movendo diante deles. Não era uma estrela nas esferas superiores do céu, pois tais movimentos não seriam possíveis. Alguns supuseram que os sábios foram na direção em que a estrela brilhava nos céus e seguiram as mudanças de sua posição; mas, nesse caso, não se poderia dizer que ela estava sobre o lugar onde a criança estava. Se a estrela estivesse em seu zênite[3] sobre Belém, ela também estaria em seu zênite sobre Jerusalém; pois a distância é tão pequena que não teria sido possível observar qualquer diferença na posição da estrela entre esses dois lugares. Deve ter sido uma estrela que ocupava uma esfera completamente diferente daquela em que os planetas orbitam. Acreditamos que tenha sido uma aparição luminosa no ar, provavelmente semelhante àquela que guiou os filhos de Israel pelo deserto, que era uma nuvem durante o dia e uma coluna de fogo à noite. Não podemos dizer se foi vista durante o dia ou não. Crisóstomo[4] e os primeiros pais da Igreja são surpreendentemente positivos sobre muitas coisas que as Escrituras deixam em dúvida, mas como esses eminentes teólogos recorreram à imaginação para suas conclusões, não estamos obrigados a segui-los. Continue lendo











