Pregado na manhã de Domingo, 6 de janeiro de 1867, po
C. H. SPURGEON
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.
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“… SENHOR, teu Deus, cujos olhos estão continuamente sobre ela, desde o princípio até o fim do ano.” Deuteronômio 11.12
Os israelitas haviam permanecido por um tempo no Egito, uma terra que só produzia alimento para seus habitantes pelo trabalhoso processo de irrigar seus campos. Eles haviam convivido com os filhos de Cam enquanto observavam com olhos ansiosos as cheias do rio Nilo e haviam participado dos incessantes trabalhos pelos quais as águas eram armazenadas em reservatórios e, posteriormente, liberadas gradualmente para irrigar as diversas plantações. Moisés lhes diz neste capítulo que a terra da Palestina não era de todo como o Egito; era uma terra que não dependia tanto do trabalho dos habitantes, como da boa vontade do Deus do céu. Ele chama isso de terra de colinas e vales, uma terra de nascentes e rios, uma terra dependente não dos rios da terra, mas da chuva do céu, e ele conclui caracterizando-a da seguinte forma: “terra cuidada pelo SENHOR, teu Deus, cujos olhos estão continuamente sobre ela, desde o princípio até o fim do ano.”
Observe aqui um tipo de condição do homem natural e espiritual. Neste mundo em termos temporais e em todos os outros aspectos, o homem meramente carnal tem que ser sua própria providência, e responsabilizar-se por suprir todas as suas próprias necessidades. Portanto, seus cuidados são sempre muitos, e frequentemente eles se tornam tão pesados que o levam ao desespero. Ele vive uma vida de cuidado, ansiedade, tristeza, inquietação e decepção; ele habita no Egito e sabe que não há alegria, conforto ou provisão se não desgastar sua alma em consegui-los. Mas o homem espiritual habita em outro país; sua fé faz dele um cidadão de outra terra. É verdade que ele suporta os mesmos trabalhos e experimenta as mesmas aflições que os ímpios, mas ele lida com essas situações de uma maneira diferente, pois isso chega a ele como desígnios de um Pai misericordioso e vão embora por ordem da sabedoria amorosa. Pela fé, o homem piedoso lança seu cuidado sobre o Deus que cuida dele e, assim, caminha sem se preocupar, porque sabe que é filho da bondade do céu, para quem todas as coisas trabalham juntas para o seu bem. Deus é seu grande guardião e amigo, e todas as suas preocupações estão seguras nas mãos da graça infinita. Mesmo no ano da seca, o crente habita em pastagens verdes e deita-se ao lado das águas tranquilas, contudo, quanto aos ímpios, ele permanece no deserto e ouve as murmurações daquela maldição: “Maldito o homem que confia no homem, que faz daquilo que é mortal a sua força e afasta do SENHOR o coração. Ele é como um arbusto no deserto, não perceberá quando vier bem algum”.
Você questiona minha afirmação, que Canaã é um tipo adequado da condição atual do cristão? Frequentemente tenho insistido nisso, que é um tipo muito melhor do crente militante aqui do que do santo glorificado na Nova Jerusalém. Canaã é, às vezes, usada por nós em nossos hinos como a imagem do céu, mas dificilmente é assim; a rápida reflexão mostrará que é muito mais, distintamente, a imagem do estado atual de cada crente. Enquanto estamos sob a convicção de pecado, somos como Israel no deserto, não temos descanso para os nossos pés, porém quando colocamos nossa confiança em Jesus, somos quando o povo atravessou o rio e deixamos o deserto para trás: “nós, os que temos crido, que entramos no descanso”, pois “ainda resta um repouso sabático para o povo de Deus”. Os crentes entraram na salvação consumada que nos é fornecida em Cristo Jesus. As bênçãos de nossa herança estão em grande medida já em nossa posse; o estado de salvação não é mais uma terra de promessa, mas é uma terra possuída e desfrutada. Temos paz com Deus e somos, agora mesmo, justificados pela fé. “Amados, somos filhos de Deus”. As bênçãos da aliança são, neste momento, na verdade, nossas, assim como as porções da terra de Canaã se tornaram realmente de posse das várias tribos. É verdade que há um inimigo em Canaã, um inimigo a ser expulso – o pecado interior, que está enraizado em nossos corações como em cidades muradas; concupiscências carnais, que são como as carruagens de ferro com as quais temos que fazer a guerra – mas a terra é nossa; neste momento, temos em nossa posse o patrimônio pactuado e os inimigos que nos roubariam dela serão, pela espada da fé e pelo poder da oração, completamente erradicados.
O cristão, como Israel em Canaã, não está mais sob o governo de Moisés; ele se desvinculou de Moisés de uma vez por todas. Moisés foi engrandecido e honrado quando subiu ao topo da colina, e com um beijo dos lábios de Deus foi levado aos céus. Mesmo assim, a lei foi ampliada e tornada honrosa na pessoa de Cristo e deixou de reinar sobre o crente; e como Josué era o líder dos israelitas quando eles entraram em Canaã, assim é Jesus, nosso Líder agora. É Ele quem nos conduz de vitória em vitória, e não embainhará a sua espada até que tenha tomado para si, e nos tenha dado, a nós, seus seguidores, a plena posse de toda a santidade e felicidade que os compromissos da aliança nos asseguraram. Por estas e muitas outras razões, é claro que os filhos de Israel em Canaã estavam tipicamente na mesma condição que nós estamos agora que, tendo acreditado em Jesus, têm a nossa cidadania no céu.
Amados, aqueles de vocês que se encontram em tal estado irão apreciar esse texto. É a essas pessoas que o texto se dirige. Os olhos do Senhor, teu Deus, estão sempre sobre ti, ó crente, do início ao fim do ano. Vocês que confiam em Jesus, estão sob a orientação do “grande Josué”, vocês estão lutando contra o pecado e alcançaram a salvação, deixaram para trás o deserto da convicção e do medo, entraram na Canaã da fé e agora os olhos de Deus estão sobre vocês e sobre a sua condição desde o início até o fim do ano. Que o Espírito Santo nos abençoe; e nós, primeiro, aceitaremos o texto como o encontrarmos; segundo, examinaremos o texto atentamente; terceiro, apagaremos partes do texto; e, quarto, extrairemos lições práticas do texto. Continue lendo








