O Sermão do Palácio de Cristal – Sermão Nº 154-155

Nº 154-155

SERVIÇO de JEJUM E ORAÇÃO REALIZADO NO PALÁCIO DE CRISTAL, SYDENHAM, LONDRES, QUARTA-FEIRA, 7 DE OUTUBRO DE 1857,

PELO REV. C. H. SPURGEON.

PARA QUASE 24.000 PESSOAS REUNIDAS

(Essa foi a maior congregação reunida no ministério de Spurgeon para ouvir um único sermão)

Sendo o dia nomeado por Proclamação para um jejum solene, humilhação e oração perante o Deus Todo Poderoso, a fim de obter perdão pelos nossos pecados e implorar por Sua bênção e assistência em nosso armamento para a restauração e tranqüilidade na Índia.[2]

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Exposição das Doutrinas da Graça – Sermão Nº 385

Exposição das Doutrinas da Graça por [Charles Haddon Spurgeon, Projeto Spurgeon]Nº 385

Exposição pronunciada na quinta-feira, 11 de abril de 1861.

Pelo Rev. C. H. Spurgeon

Como abertura de uma série de conferências, pronunciadas por diversos pregadores convidados por ocasião da abertura do Tabernáculo Metropolitano, em Newington, Londres

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Os trabalhos se iniciaram, sob a presidência de C.H.Spurgeon, as 15:00 horas, com o cântico do hino nº 21:

Salvos do poder condenatório do pecado,

Tremenda maldição da Lei,

Cantos sacros começaremos,

Onde Deus conosco começou.

 

Cantaremos a vasta, imensurável Graça,

A qual, desde antanho

Seus filhos eleitos abraçou,

Como ovelhas em seu aprisco.

 

A base de eterno amor

Sustentará o alicerce da misericórdia;

Terra, inferno ou pecado, igualmente

Em vão conspirarão.

 

Cantai, vós, pecadores comprados por sangue,

Saudai o grande uno e trino Deus,

Contai quão firme já era a aliança,

Antes mesmo que o tempo começasse o seu curso.

 

Não sentiríeis a culpa do pecado,

Nem o dulçor do amável perdão

Se vossos indignos nomes

Não estivessem arrolados para a vida celestial.

 

Oh! Que doce e exultante canto,

A romper a abóbada celestial,

Quando, bradando a graça, as hostes redimidas

Contemplarão o mover de suas lápides!

 

O Rev. George Wyard, de Deptford, fez uma oração.

O Rev. C. H. Spurgeon, dando início aos trabalhos, disse:

Nós já nos reunimos sob este teto para definir a maior parte das verdades de que consistem as peculiaridades desta Igreja. Na noite de ontem, nos esforçamos por demonstrar ao mundo que nós reconhecemos de coração a unidade essencial da Igreja do Senhor Jesus Cristo. E agora, nesta tarde e noite, é nossa intenção, por meio dos lábios de nossos irmãos, demonstrar as coisas que são verdadeiramente recebidas entre nós, e especialmente aqueles grandes pontos que tão amiúde foram atacados, mas que ainda são tidos e mantidos – verdades que nós provamos, em nossa experiência, serem cheias de graça e de verdade. Minha única função nesta ocasião é apresentar os irmãos que se dirigirão a vós outros, e o farei tão brevemente quanto possível, fazendo como que um prefácio a suas comunicações.

A polêmica que tem prosseguido entre os calvinistas e os arminianos é sumamente importante, mas não envolve a questão crucial da santidade pessoal de tal forma que torne a vida eterna dependente de se esposar um ou outro desses sistemas teológicos. Entre os protestantes e os papistas há polêmicas dessa natureza, de modo que aquele que é salvo, por um lado, pela fé em Jesus, não ousa concordar que seu oponente, do lado oposto, possa ser salvo no que depender de suas próprias obras. Ali, a polêmica é por vida ou morte, porque gira sobre a Doutrina da Justificação pela Fé, a qual Lutero apropriadamente chamou de “a doutrina de verificação”, pela qual uma Igreja permanece ou cai. A polêmica, novamente, entre o crente em Cristo e o Sociniano, é uma que concerne a um ponto vital. Se o Sociniano estiver correto, estamos em abominável erro, e nós de fato somos idólatras – como haveria de habitar em nós a vida eterna? E se estamos corretos, nossa maior caridade não nos permitiria imaginar que um homem pode entrar no Céu sem crer na real divindade do Senhor Jesus Cristo. Há outras polêmicas, portanto, que atingem o centro, e tocam a própria essência da questão.

Eu entendo, porém, que todos estamos livres para admitir que, conquanto John Wesley, por exemplo, em tempos recentes defendeu com zelo o arminianismo, e por outro lado, George Whitefield com igual fervor lutou pelo calvinismo, nenhum de nós deve estar preparado, seja em que lado estivermos, para negar a santidade de um ou de outro. Não podemos fechar nossos olhos para o que cremos ser o crasso erro de nossos oponentes, e devemos nos achar indignos do nome de homens honestos, se pudermos admitir que eles estejam certos em todas as coisas, e nós também o estejamos! Um homem honesto tem um intelecto que não o permite crer que “sim” e “não” podem ambos subsistir ao mesmo tempo e serem ambos verdadeiros. Não posso dizer “é”, e meu irmão, à queima-roupa, dizer “não é”, e ambos estarmos corretos quanto ao assunto! Estamos dispostos a admitir – de fato, não ousamos dizer o contrário – que a opinião neste assunto não determina o estado futuro ou mesmo o presente, de qualquer homem!

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A Agonia no Getsêmani

No. 1199

Sermão pregado no Domingo, 18 de Outubro de 1874.

Por Charles Haddon Spurgeon.

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

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LEIA OS “SERMÕES DA PAIXÃO DE CRISTO”

“E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.” (Lucas 22:44)

Quando nosso Senhor terminou de comer a Páscoa e celebrar a ceia com seus discípulos, foi com eles ao Monte das Oliveiras, e entrou no jardim do Getsêmani. O que o induziu a selecionar esse lugar para que fosse a cena de sua terrível agonia? Porque haveria de ser arrastado ai por seus inimigos de preferência a qualquer outro lugar? Por acaso é difícil que entendamos que assim como num jardim a auto-complacência de Adão nos arruinou, também em outro jardim as agonias do segundo Adão deveria nos restaurar? O Getsemani ministra as medicinas para curar os males que foram a consequência do fruto proibido do Éden. Nenhuma flor que tenha florescido nas ribeiras do rio repartido em quatro braços foi alguma vez tão preciso para nossa raça como foram essas ervas amargas que com dificuldade cresciam as margens do enegrecido e sombrio ribeiro de Cedrom o foram.

Por acaso nosso Senhor também não pode se lembrar de Davi, quando naquela memorável ocasião, saiu da cidade escapando de seu filho rebelde, segundo está escrito: “também o rei passou o ribeiro de Cedrom, e passou todo o povo na direção do caminho do deserto.” (2 Samuel 15:23), e ele e seu povo subiram descalços e com a cabeça descoberta, chorando em alta voz enquanto subiam? Eis aqui, Um mais grande que Davi abandonando o templo e se acha desolado, e deixa a cidade que havia rejeitado suas advertências, e com um coração cheio de tristeza atravessa o pestilento ribeiro,  para buscar na solidão um alívio para suas angústias. Mais ainda, nosso Senhor queria que nós víssemos que nosso pecado havia mudado tudo ao redor Dele em aflição, converteu suas riquezas em pobreza, sua paz em duros trabalhos, sua glória em vergonha, e assim também o lugar de seu retiro pleno de paz, onde em santa devoção tinha estado tão próximo do céu em comunhão com Deus, nosso pecado transformou no foco de sua aflição, o centro de sua dor. Ali onde seu deleite tinha sido maior, ali estava chamado a sofrer sua máxima aflição.

Também pode ser que nosso Senhor tenha escolhido o jardim porque, necessitado de qualquer recordo que o ajudasse no conflito, sentia o refrigério que lhe viria ao lembrar-se das horas passadas transcorridas ali com tanta quietude. Ali tinha orado, e obtido força e consolo. Essas enroladas e retorcidas oliveiras o conheciam muito bem; não havia no jardim uma só folha sobre a que Ele não houvera se ajoelhado. Ele havia consagrado esse lugar para comunhão com Deus. Não é nenhuma surpresa, então, que tenha preferido essa terra privilegiada. Assim como um enfermo escolheria estar em sua própria cama, assim Jesus escolheu suportar sua agonia em seu próprio oratório, onde as lembranças dos momentos de comunhão com Seu Pai estariam de maneira vivida diante Dele.

Porem, provavelmente, a principal razão para ir ao Getsêmani foi que era um lugar muito conhecido e frequentado por Ele, e João nos diz: “e também Judas, o que o entregava, conhecia aquele lugar.” Nosso Senhor não desejava se esconder, não precisava ser perseguido como um ladrão, ou ser buscado por espias. Ele foi valorosamente ao lugar onde seus inimigos conheciam que Ele tinha o costume de orar, pois Ele queria ser tomado para sofrer e morrer. Eles não o arrastaram ao pretório de Pilatos contra sua vontade, mas sim que foi com eles voluntariamente. Quando chegou a hora de que fosse traído, ali Ele estava, num lugar onde o traidor poderia o encontrar facilmente, e quando Judas o traiu com um beijo, sua face estava pronta para receber a saudação traidora. O bendito Salvador deleitava-se no cumprimento da vontade do Senhor, ainda que isso implicasse a obediência até a morte.

Chegamos assim até a porta do jardim do Getsêmani, portanto, entremos; porem, primeiro, tiremos os sapatos, como Moises quando viu a sarça ardendo com fogo que não se consumia. Certamente podemos dizer com Jacó: “Que terrível é esse lugar!” Temo diante da tarefa que tenho em minha frente, pois, como meu débil discurso poderia descrever essas agonias, para as quais os fortes clamores e as lágrimas seriam escassamente uma adequada expressão? Quero, juntamente com vocês, repassar os sofrimentos de nosso Redentor, porem, oh, que o Espírito de Deus nos impeça qualquer pensamento fora de lugar ou que nossa língua expresse uma só palavra que seja depreciativa para Ele, seja em Sua humanidade imaculada ou em sua gloriosa Deidade.

Não é fácil quando se está falando de Alguém que é por sua vez Deus e homem, manter a linha exata da expressão correta; é tão fácil descrever o lado divino como se estivéssemos entrincheirados no humano, ou retratar o lado humano às custa do divino. Por favor, perdoem de antemão qualquer erro. Um homem precisa ser inspirado, ou limitar-se nada mais às palavras inspiradas, para poder falar adequadamente em todo momento sobre o “grandioso mistério da piedade,” Deus manifestado em carne. Especialmente quando esse indivíduo tem que refletir sobre Deus manifesto tão claramente na carne sofredora, que as características mais frágeis da humanidade se convertem nas mais notórias. Oh Senhor, abra Tu meus lábios para que minha língua possa  falar as palavras corretas. Continue lendo

O Hospital de Cristo – Sermão N°2260

O Hospital de Cristo por [Charles Haddon Spurgeon, Projeto Spurgeon]

Nº 2260

Pregado na noite de Domingo, 9 de Março de 1890.

Por Charles Haddon Spurgeon,

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

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“Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.” Salmo 147:3

Tantas vezes que temos lido este Salmo, invariavelmente tem nos causado uma grande impressão o contexto no qual se encontra este versículo, e especialmente sua conexão com o versículo seguinte. Leiam os dois textos de forma direta: “Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas. Conta o número das estrelas, chama-as a todas pelos seus nomes”.  Quanta condescendência e grandeza! Quanta piedade e onipotência! Quem conduz esses mundos poderosos em órbitas quase imensuráveis, é também o Médico das almas humanas, e se inclina aos corações quebrantados, e com Seus próprios dedos cheios de ternura, fecha a ferida aberta e liga ela com emplasto de amor. Pensem nele; e se eu não puder falar, como desejo fazer, sobre o maravilhoso tema da condescendência, ajudem-me com seus pensamentos para eu fazer reverência ao Criador das estrelas, que é, ao mesmo tempo, o Médico dos corações quebrantados e dos espíritos feridos.

Estou igualmente interessado na conexão de meu texto com o versículo que lhe precede: “O SENHOR edifica a Jerusalém, congrega os dispersos de Israel”. A igreja de Deus não poderia estar melhor edificada do que quando é construída com homens de corações quebrantados. Tenho orado a Deus secretamente muitas vezes, ultimamente, pedindo-lhe que Se agrade de reunir dentre nós um povo que tenha uma profunda experiência, que conheça a culpa do pecado, e que seja quebrado e reduzido ao pó, baixo um sentido de sua própria incapacidade e indignidade. Estou persuadido que, sem uma dolorosa experiência do pecado, raramente haverá muita fé nas doutrinas da graça, e haverá pouco entusiasmo em louvar o nome do Salvador. A Igreja necessita ser edificada com homens que tenham sido abatidos. A menos que conheçamos em nossos corações nossa necessidade de um Salvador, nunca seremos o suficientemente dignos de anunciar Ele. O pregador que nunca foi convertido, o que pode dizer a respeito? E quem não há estado nunca na masmorra, quem não tenha estado nunca no abismo, quem não tenha se sentido deixado longe da presença de Deus, como poderia consolar a muitos dos que estão perdidos e sujeitados com as cadeias da desesperação? Que o Senhor quebrante muitos corações, e que logo os feche, para que com eles edifique a igreja e more nela!

Neste momento, abandonando o contexto, venho ao texto em si, e desejo falar dele para que todo aquele que está aqui atribulado  possa obter consolo, se Deus Espírito Santo nos fala nele. Considerem, primeiro, aos pacientes e suas enfermidades:  “Ele sara os quebrantados de coração.” Considerem, posteriormente, ao Médico e Sua medicina, e por um momento voltem seus olhos à Ele, que faz a obra de salvação. Logo, vou considerar o tributo ao grandioso Médico que encontramos neste versículo: “Ele sara os quebrantados de coração, e ata suas feridas.” Por último, e como modo de aplicação prática, consideraremos o que devemos fazer por Ele, que sara os quebrantados de coração.

I. Então, em primeiro lugar, considerem AOS PACIENTES E SUA ENFERMIDADE. Eles sofrem de quebrantamento de coração. Tenho ouvido de muitos que tem morrido por causa dessa enfermidade. No entanto, aqui há alguns que vivem com um coração quebrantado, e que vivem tanto melhor porque seu coração foi quebrantado. Vivem uma vida diferente e mais elevada do que a levaram antes que esse bendito golpe despedaçasse seu coração.

Existe muitos tipos de corações partidos, e Cristo é eficaz para sarar a todos eles. Não vou rebaixar nem estreitar a aplicação de meu texto. Os pacientes desse grandioso Médico são aqueles cujos corações são quebrantados pela aflição. Seus corações são quebrantados pela decepção. São quebrantados pelo combate. São quebrantados de dez mil maneiras, pois este mundo quebra os corações; e Cristo é muito eficaz sarando todo tipo de corações quebrantados. Eu animo a todas as pessoas, ainda que seu quebrantamento de coração não seja de natureza espiritual, que busquem a Quem sara aos quebrantados de coração. O texto não diz: “aos quebrantados espiritualmente de coração”, portanto, não colocarei nenhum advérbio ali onde não há nenhum na passagem. Venham aqui, os que estão cansados e sobrecarregados; venham aqui, todos os que sentem dor, não importa qual seja sua aflição; venham aqui, todos os que têm corações quebrantados com um quebrantamento de qualquer natureza, pois Ele sara aos quebrantados de coração.

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A Gloriosa Relação entre a Predestinação e o Convite do Evangelho – Sermão Nº1762

Nº1762

Sermão pregado no Exerter Hall, Londres

Por Charles Haddon Spurgeon

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Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. (João 6:37)

Estas duas sentenças têm sido consideradas como representativas de dois aspectos da doutrina cristã. Permitem-nos vê-la de dois pontos de vista – em direção a Deus e em direção ao homem. A primeira sentença contém o que alguns chamam de alta doutrina. Se por ‘alta ” eles querem dizer ‘gloriosa para com Deus’ concordo plenamente com eles; pois é uma grande e divina verdade o que o Senhor Jesus declara nestas palavras: ‘Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim.’  Alguns têm identificado este lado da verdade como Calvinista; mas enquanto é verdade que Calvino a ensinou, também o fizeram Agostinho, Paulo e o próprio Senhor, de quem são estas palavras.  No entanto, não discutirei com aqueles que vêm nesta sentença uma declaração da grande verdade da graça da predestinação. A segunda sentença estabelece uma abençoada e encorajadora doutrina evangélica, sendo na verdade uma promessa e um convite: ‘O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.’  Esta é uma declaração sem nenhuma forma de limites: tem sido entendida como deixando a livre graça de Deus aberta ao livre arbítrio do homem, de tal sorte que quem porventura se agradar dela pode vir e ter certeza de que não será recusado. Não temos permissão para reduzir o sentido de qualquer uma destas frases, nem existe nenhuma necessidade de fazê-lo. A primeira sentença parece-me dizer que Deus escolheu um povo, e entregou este povo a Cristo, e que este povo deve ir e irá a Cristo, e será assim salvo. A segunda verdade declara que todo homem que vem a Cristo será salvo, uma vez que não será lançado fora, o que implica dizer que ele será recebido e aceito.  Estas são duas grandes verdades; vamos levá-las conosco, pois ambas se contrabalançam entre si. Continue lendo

Amado, porem afligido – Sermão Nº 1518

Nº 1518

Sermão pregado a uma audiência de damas inválidas

por Charles Haddon Spurgeon,

em Mentone, França,

sem data registrada

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“Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.” João 11:3

Aquele discípulo a quem Jesus amava não está de nenhuma forma relutante ao registrar que Jesus também amava a Lázaro: Não existem ciúmes entre aqueles que são eleitos pelo Bem amado. Jesus amava Maria, Marta e Lázaro: é algo feliz quando uma família inteira vive no amor de Jesus. Era um trio favorecido, e, no entanto, como a serpente entrou no Paraíso, assim também a aflição entrou na tranquila casa de Betânia.

Lázaro estava enfermo. Todos eles sentiam que se Jesus estivesse ali, a enfermidade fugiria de Sua presença; então, que outra coisa deveria fazer, senão notificar e Jesus sua tribulação? Lázaro encontrava-se às portas da morte, logo, suas amorosas irmãs reportaram imediatamente sua aflição a Jesus, dizendo-lhe: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.”

Desde ai, essa mesma mensagem tem sido enviada muitas vezes a nosso Senhor, já que em muitíssimos casos, Ele tem escolhido Seu povo em forno de aflição. Do mestre se diz: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si”, então, nesse assunto não é algo extraordinário que os membros sejam conformados a sua Cabeça. Continue lendo

Agora e Depois: Entendendo como entendemos e como entenderemos a realidade espiritual – Sermão Nº1002

Nº1002

Um sermão pregado

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

“Agora vemos como em espelho, obscuramente; mas então veremos cara a cara.” 1 Coríntios 13:12

Neste capítulo, o apóstolo Paulo fala de caridade – ou do amor – nos termos mais sublimes. Considera que é uma graça muito mais excelente do que qualquer dos dons espirituais que acabava de mencionar. É fácil ver que tinha boas razões para a preferência que lhe concedia.  Esses dons, os senhores observarão, eram distribuídos entre homens piedosos e cada indivíduo recebia sua porção única, de tal maneira que alguém tinha algo que o outro precisava; mas esta graça da caridade pertence a todos aqueles que passaram da morte para a vida. A prova de que são discípulos de Cristo se encontra no amor que lhe têm tanto a Ele como aos irmãos. Além disso, aqueles dons tinham o propósito de equipá-los para o serviço, com a finalidade de que cada membro do corpo fosse útil para os demais membros do corpo; porem esta graça é para proveito pessoal: é uma luz no coração e uma estrela no peito de cada pessoa que a possui. Esses dons, ademais, eram de uso temporal; seu valor estava limitado à esfera em que eram exercidos; porém esta graça da caridade cresce em todo tempo e em todo lugar; e não é menos essencial para nosso futuro eterno que para nosso bem-estar presente.

A todo custo procure os melhores dons, meu caro irmão, assim como o artista desejaria ter habilidade em todos seus membros, e estar alerta com todos seus sentidos, mas sobre tudo, aprecie o amor; assim como esse mesmo artista quisesse cultivar o gosto refinado que vive e respira em seu interior, que é o manancial secreto de todos seus movimentos, a faculdade que impulsiona sua habilidade. Aprendam a estimar este sagrado instinto do amor mais que todos os mais seletos dons. Sem importar quão pobre possam ser em matéria de talentos, o amor de Cristo deve habitar ricamente em ti. Continue lendo

Lançai Fora o Medo – Sermão Nº 930

Nº 930

Pregado na noite de domingo de 10 de abril de 1870

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

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“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.”

 Isaías 41:10.

Se não houvesse nada no sermão desta noite, irmãos, no texto já haveria o suficiente para satisfazer sua boca com coisas boas, de forma que sua juventude possa ser renovada como a da águia. Que o Espírito Santo estenda a vocês uma mesa no deserto. E que Ele possa dar a vocês o apetite para se alimentar, pela fé, desses manjares reais, os quais, assim como a comida que Daniel e seus companheiros se alimentaram, os tornarão bem favorecidos diante de Deus e dos homens.

Para quem são ditas estas palavras? Pois não devemos tomar da Escritura de Deus mais do que dos tesouros do homem. Não temos mais direito de tomar para nós uma promessa que não nos pertence do que temos de tomar de outro homem sua carteira. Essas palavras foram evidentemente ditas pelo profeta, em nome de Deus, para os escolhidos Dele. Leia o verso oito “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo.”

E novamente, no nono verso – “Tu és o meu servo, eu te escolhi.” Então, se você ou eu tivermos de encontrar qualquer coisa que seja graciosa e confortável aqui, ela virá a nós, não nas pisadas do mérito, mas sobre o terreno da Graça Soberana. Não será nossa porque nós escolhemos Cristo, mas porque Ele nos escolheu. Nosso Pai celestial tem nos abençoado com todas as bênçãos espirituais de acordo com a Sua escolha por nós em Cristo Jesus desde antes da fundação do mundo[1]. A escolha eterna é o poço do qual flui toda a nascente da misericórdia. Feliz és tu, minha alma, se a Divina Graça inscreveu seus nomes no livro eterno de Deus! Vocês podem vir a este texto como uma criança que vai à própria mesa de seu pai, e podem tirar dela toda forma de conforto para sustentar seu espírito. Continue lendo