A Palavra de Deus: Nosso Arsenal (PARTE 2)

do Livro “Preparado para o combate da Fé”
de C.H.Spurgeon
Crer mais intensamente na Palavra de Deus

Pela graça de Deus firmamos o propósito de crer mais intensamente na Palavra de Deus. Há crença, e crenças. Você crê em todos seus irmãos aqui reunidos, mas em alguns deles tem uma confiança real visto que em uma hora de dificuldade, eles o ajudaram e provaram ser irmãos nascidos para a adversidade. Você tem certeza absoluta que pode confiar nestes, pois os testou pessoalmente. Você tinha fé antes, mas agora sente uma confiança superior, mais firme, mais segura. Creia no livro que foi inspirado do início ao fim. Creia em todo ele, completamente, com todas as forças de seu ser. Deixe que as verdades da Escritura se tornem os principais elementos de sua vida, as principais forças operantes em sua ação. Que os grandes relatos da história do evangelho sejam fatos tão reais e práticos como qualquer outro que encontra no ambiente doméstico ou no mundo lá fora, verdades tão vívidas quanto seu corpo presente, com suas dores e sofrimentos, seus apetites e alegrias. Se pudermos deixar a esfera de ficção e imaginação e entrar no mundo real, encontraremos um veio de poder que nos trará um grande tesouro de fortaleza. Assim, tornar-se “poderoso na Escritura” significa se tornar “poderoso por meio de Deus”.


Citar mais a Bíblia Sagrada

Também devemos decidir que vamos citar mais a Bíblia Sagrada. Os sermões devem estar cheios da Bíblia; adoçados, fortalecidos e santificados com a essência da Bíblia. A espécie de sermões que as pessoas precisam ouvir são os que brotam da Bíblia. Se não gostam de ouvi-los, essa é mais uma razão pela qual devem ser pregados para eles. O evangelho tem a singular faculdade de criar o gosto por ele. As pessoas que ouvem a Bíblia de verdade tornam-se amantes da Bíblia. A mera apresentação de textos em conjunto é uma maneira infeliz de fazer sermões; embora alguns o tenham tentado, e não duvido que Deus os tenha abençoado, uma vez que fizeram seu melhor. É muito melhor apresentar os textos, do que despejar os medíocres pensamentos pessoais em uma torrente estéril. Pelo menos, haverá algo sobre o que se pensar e para lembrar se a Palavra Santa for citada; caso contrário, pode não haver nada.

Contudo, os textos bíblicos não precisam ser apresentados em conjunto, eles devem ser apresentados de maneira adequada para trazer agudeza e sentido à mensagem. Eles são a força do sermão. Nossas palavras são meras bolinhas de papel se comparadas com o tiro de canhão da Palavra. A Escritura é a conclusão de tudo. Não há argumento depois que sabemos que “está escrito”. Para a maioria dos ouvintes, no coração e na consciência, o debate está terminado quando o Senhor fala. “Assim diz o SENHOR” é o fim de qualquer discussão para os cristãos; mesmo os iníquos não podem resistir à Escritura sem resistir ao Espírito que a escreveu. Para ser convincentes devemos falar biblicamente.


Pregar apenas a Palavra de Deus

Também estamos resolvidos a pregar apenas a Palavra de Deus. Em grande parte, a alienação das massas ao ouvir o evangelho se explica pelo triste fato de que nem sempre é o evangelho que ouvem quando se dirigem aos lugares de culto, e tudo o mais fracassa em fornecer o que suas almas precisam. Será que você nunca ouviu falar de um rei que fez uma série de grandes banquetes e convidou muitas pessoas, semana após semana? Ele tinha um bom número de servos encarregados de servir sua mesa; e, nos dias marcados, estes saíram e falaram com as pessoas. Mas, de alguma forma, depois de um tempo a maior parte das pessoas não vinha às festas. O número de convidados que comparecia era decrescente; a grande massa de cidadãos dava as costas aos banquetes. O rei indagou e descobriu que o alimento providenciado não parecia satisfazer os homens que vinham olhar os banquetes e, por isso, não vinham mais. Ele resolveu examinar pessoalmente as mesas e os alimentos servidos. Viu muita coisa fina e muitas peças expostas que não eram de seus armazéns. Olhou a comida e disse: “Mas o que é isso? Como esses pratos chegaram aqui? Não são do meu suprimento. Meus bois cevados foram mortos, mas não vejo carne de animais engordados, e sim carne dura de gado magro e faminto. Os ossos estão aqui, onde está a gordura e o tutano? O pão também é de má qualidade, onde está o meu que é feito do melhor trigo? O vinho está misturado com água, e a água não é de um poço limpo”.

Um dos presentes respondeu: “Ó rei, achamos que o povo estaria farto de tutano e gordura, assim lhes demos osso e cartilagem para pôr seus dentes à prova. Achamos também que estariam cansados do melhor pão branco, por isso assamos uns poucos em nossas casas, nos quais deixamos o farelo e a casca dos cereais. É opinião dos doutos que nosso alimento é mais adequado a esses tempos do que aquele que vossa majestade prescreveu há tanto tempo. Em relação aos vinhos com borra, o gosto dos homens não é esse na época atual; além disso, um líquido tão transparente como a água pura é uma bebida leve demais para homens que estão acostumados a beber do rio do Egito, cujo gosto é do barro que vem das montanhas da Lua”.

Assim, o rei entendeu porque as pessoas não vinham aos banquetes. Será que esse é o motivo pelo qual a casa de Deus tem se tornado tão desagradável para uma grande parcela da população? Creio que sim. Será que os servos do Senhor têm picado seus restos de miscelâneas e pequenas máculas para com isso fazer uma carne cozida para os milhões de fiéis, e, por isso, estes se afastam? Ouça o resto da minha parábola. O rei indignado exclamou: “Esvaziem as mesas! Joguem todo esse lixo para os cães. Tragam os barões da carne, mostrem minha comida real. Tirem essas bugigangas do salão e aquele pão adulterado da mesa e lancem fora a água do rio barrento”. Eles fizeram como o rei mandou, e se minha parábola estiver certa, logo houve um rumor pelas ruas de que verdadeiras delícias reais eram oferecidas ali, o povo encheu o palácio e o nome do rei tornou-se de grande excelência por toda terra. Vamos experimentar esse plano. Quem sabe logo estaremos nos regozijando em ver o banquete do Mestre cheio de hóspedes. Continuar lendo