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As Missões Evangélicas

As Missões EvangélicasNº76.

Sermão pregado na manhã de Sábado, 27 de Abril de 1856.

Por Charles Haddon Spurgeon

na Capela de New Park Street, Southwark, Londres.

Em nome da Sociedade Batista Missionária

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(Uma tradução em parceira com a Fireland Missions http://www.firelandmissions.com/)

A palavra do Senhor se espalhava por toda a região” - Atos 13: 49.

Não vou me ater apenas ao texto. Este tem sido um velho costume ao escolher textos quando pregamos. Eu escolhi um texto, porém eu tratarei como um todo, de um assunto que eu tenho certeza que irá prender sua atenção – e este assunto tem feito isso a muito tempo – o assunto das missões evangelísticas. Nos sentimos convencidos de que todos vocês tem a mesma mente sobre este assunto; que proclamar o evangelho ao mundo é o absoluto dever como também o nobre privilégio da Igreja. Não entendemos que Deus irá fazer Seu próprio trabalho sem instrumentos, mas que assim como Ele sempre tem usado meios para o trabalho da regeneração deste mundo, Ele continuará a fazer o mesmo. E que convém à Igreja fazer todo o possível para espalhar a verdade, em todos os lugares onde ela alcance os ouvidos humanos. Nós não estamos divididos sobre este assunto. Algumas igrejas talvez estejam, mas nós não. Nossas doutrinas, embora supostamente levem a uma apatia e preguiça, tem comprovado serem sempre, acima de tudo, práticas. Todos os pais de missões foram homens que tinham zelo e amor pelas doutrinas da graça de Deus. E nós acreditamos que os grandes apoiadores do empreendimento missionário – se este deve ser bem sucedido – devem sempre vir daqueles que detêm a verdade de Deus com firmeza e ousadia, aqueles que possuem fogo e zelo por ela, como também o desejo de espalhá-la por toda a parte.

Mas existe um ponto em que nós temos uma grande divisão de opinião, e este é o motivo pelo qual temos tido tão pouco sucesso em nossos trabalhos missionários. Podem existir alguns que digam que o sucesso tem sido proporcional a atuação, e que nós não poderíamos ter sido mais bem sucedidos. Estou longe de ter esta opinião e eu não acho que eles por si mesmos a expressariam se estivessem ajoelhados diante do Deus Todo-Poderoso.  Nós não temos sido bem sucedidos na amplitude em que esperávamos, certamente não na amplitude apostólica e com certeza nada parecido com o sucesso de Paulo ou Pedro, ou até mesmo daqueles ilustres homens que nos precederam nos tempos modernos – os quais foram capazes de evangelizar países inteiros, trazendo milhares de pessoas para Deus.

Mas agora, qual é a razão para isto? Talvez possamos voltar nossos olhos ao alto e pensar que esta razão encontra-se na soberania de Deus, o qual tem retido Seu Espírito e não tem derramado Sua graça como antes. Estarei preparado para confirmar isto a todos os homens que talvez falem sobre este assunto, pois eu creio que o Deus Todo-Poderoso ordena todas as coisas. Eu creio em um Deus presente em nossas derrotas bem como em nossos sucessos. Um Deus tanto na brisa suave quanto na forte tempestade. Um Deus de maré baixa assim como um Deus de enchentes. Porém, nós devemos procurar a causa disto dentro de casa.  Quando Sião tem dores de parto, ela dá luz à filhos; quando Sião é diligente, Deus é testemunha sobre Seu trabalho; quando Sião é devota, Deus a abençoa. Portanto, não devemos arbitrariamente procurar o motivo de nossos fracassos na vontade de Deus, mas devemos ver também qual é a diferença entre nós e os homens dos tempos apostólicos, e o que torna o nosso sucesso tão insignificante em comparação aos extraordinários resultados da pregação apostólica.

Eu penso ser capaz de mostrar algumas razões pelas quais a nossa santa fé não é tão próspera quanto costumava ser. Em primeiro lugar, nós não temos mais homens apostólicos. Em segundo lugar, os missionários não iniciaram seu trabalho no estilo apostólico. Em terceiro lugar, nós não temos igrejas apostólicas para apoiá-los. E em quarto lugar, nós não temos a influência apostólica do Espírito Santo na mesma medida em que eles tiveram nos tempos passados.

I. Em primeiro lugar, NÓS TEMOS POUQUÍSSIMOS HOMENS APÓSTÓLICOS DESSES TEMPOS. Eu não vou dizer que não temos nenhum, aqui ou ali talvez tenhamos um ou dois, mas infelizmente seus nomes nunca são ouvidos. Eles não começaram diante das multidões e não são famosos como pregadores da verdade de Deus. Nós tivemos um Williams uma vez, um verdadeiro homem apostólico, que foi de ilha em ilha, sem ter sua vida por preciosa. Mas Williams foi chamado para sua recompensa[1]. Tivemos um Knibb[2], que trabalhou arduamente por seu Mestre com fervor seráfico e sem se envergonhar de chamar um escravo oprimido de seu irmão. Mas Knibb também entrou em seu descanso.

Temos um ou dois restantes, preciosos e estimados nomes. Nós os amamos com fervor e nossas orações sempre sobem aos céus em favor deles. Sempre pedimos em nossas orações: “Deus, abençoe aqueles homens como Moffat[3]! Deus, abençoe aqueles que estão labutando intensamente e com sucesso trabalham!” Mas olhe ao seu redor; onde podemos encontrar mais homens como estes? Todos eles são bons homens e não há o que dizer contra eles – eles são melhores do que nós. Nós mesmos somos reduzidos a nada se comparados a eles. Mas ainda precisamos admitir que eles são menores do que seus pais, eles diferem dos grandes apóstolos em muitos aspectos, e isso até mesmos eles reconheceriam prontamente. Não estou falando apenas de missionários, mas de ministérios também. Por isso, entendo que temos que lamentar muito, tanto em relação à propagação do evangelho na Inglaterra, quanto em terras estrangeiras. Devemos lamentar muito pela falta de homens cheios do Espírito Santo e de fogo.

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