Sermão pregado numa terça a noite do inicio do ano de 1858
Por Charles Haddon Spurgeon
Na Capela de New Park Street, Southwark, Londres
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“Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” Amós 3:3.
A expressão, “andar junto”, é comumente usada nas Escrituras como uma representação de comunhão. “Enoque andou com Deus: e já não era; pois Deus o tomou para si.” Comunhão, em seu sentido completo, implica em atividade. Não é meramente contemplação, é ação, e, portanto, na medida em que andar é um exercício ativo, e andar com um homem é ter comunhão com Ele, comunhão ativa com Ele, vemos como andar vem a ser a imagem da verdadeira comunhão com Cristo. Um velho puritano, certa vez disse, “Não dizem se Enoque retornou a Deus e depois O deixou, mas Ele ‘andou com Deus’”. Através de toda essa jornada, Ele teve Deus como Companheiro e viveu em perpétua amizade com seu Criador.
Há, também, outra ideia contida no termo “andar junto”. Não é apenas atividade, mas continuidade. Logo, a verdadeira comunhão com Cristo não é um mero espasmo – não é apenas uma emoção num momento de êxtase – mas se é o trabalho do Espírito Santo e se é desfrutada pela alma saudável, será algo contínuo.
Isso também leva ao progresso, pois, ao andar junto, nós não levantamos nossos pés e os abaixamos no mesmo lugar, mas seguimos adiante cada vez mais próximos do fim da nossa jornada. E aquele que tem verdadeira comunhão com Cristo progride. É verdade que Cristo pode seguir em direção a excelência, pois Ele já atingiu a perfeição, mas quanto mais próximo chegarmos dessa perfeição, mais amizade temos com Jesus – e a menos que progridamos, a menos que busquemos ser mais semelhantes à uma criança na fé, mais instruídos em sabedoria e mais aplicados em servir – a menos que busquemos ter mais zelo e fervor, perceberemos que, em tal momento de inércia, perdemos a Presença do Mestre, pois é somente seguindo ao Senhor que prosseguimos em andar com Ele. Isso, portanto, irá abrir seus olhos para ver como andar com uma pessoa é uma excelente imagem para comunhão com Ele e como o termo, “andar com Deus”, é a melhor expressão para a amizade com Deus.
Consequentemente, nosso texto implica pela sua própria forma na ideia de que dois não podem andar juntos a menos que concordem. E isso nos ensina, portanto, que a menos que estejamos em concordância com Cristo, não podemos nos ater ao doce estado de comunhão com Ele.
Nós devemos, antes de mais nada, notar o acordo aqui mencionado. Devemos, em segundo lugar, tentar notar a necessidade desse acordo. E então, em terceiro, devemos convidar todos os Cristãos a buscar esse acordo com Cristo pra que possam ter completa comunhão com Ele.
Eu não estou me dirigindo tanto ao mundo exterior quanto ao interior da Igreja. Quando pregamos o evangelho da Salvação, o pregamos ao mundo. Mas a comunhão é como o Santo dos Santos! A salvação, por si só, parece ser o Santo Lugar, mas a comunhão é o Lugar Interior, que é onde há o véu, e em que ninguém a não ser os Cristãos tem permissão para entrar.
