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	<title>Projeto Spurgeon</title>
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	<description>Proclamando a Cristo Crucificado</description>
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		<title>As Missões Evangélicas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 21:35:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nº76. Sermão pregado na manhã de Sábado, 27 de Abril de 1856. Por Charles Haddon Spurgeon na Capela de New Park Street, Southwark, Londres. Em nome da Sociedade Batista Missionária  BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOBI PARA &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/05/as-missoes-evangelicas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/As-Missões-Evangélicas.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7296" alt="As Missões Evangélicas" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/As-Missões-Evangélicas-723x1024.jpg" width="284" height="401" /></a>Nº76.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na manhã de Sábado, 27 de Abril de 1856.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">na Capela de New Park Street, Southwark, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>Em nome da Sociedade Batista Missionária</b><b></b></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/ebook_missoes_evangelicas_spurgeon.pdf"> BAIXE EM PDF</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/As%20Missoes%20Evangelicas%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/As%20Missoes%20Evangelicas%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI PARA KINDLE</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><span style="color: #ff0000;"><em><b>(Uma tradução em parceira com a Fireland Missions </b><a href="http://www.firelandmissions.com/"><span style="color: #ff0000;">http://www.firelandmissions.com/</span></a>)</em></span></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>&#8220;<i>A palavra do Senhor se espalhava por toda a região</i>&#8221; -<i> Atos 13: 49</i>.</b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não vou me ater apenas ao texto. Este tem sido um velho costume ao escolher textos quando pregamos. Eu escolhi um texto, porém eu tratarei como um todo, de um assunto que eu tenho certeza que irá prender sua atenção – e este assunto tem feito isso a muito tempo &#8211; o assunto das missões evangelísticas. Nos sentimos convencidos de que todos vocês tem a mesma mente sobre este assunto; que proclamar o evangelho ao mundo é o absoluto dever como também o nobre privilégio da Igreja. Não entendemos que Deus irá fazer Seu próprio trabalho sem instrumentos, mas que assim como Ele sempre tem usado meios para o trabalho da regeneração deste mundo, Ele continuará a fazer o mesmo. E que convém à Igreja fazer todo o possível para espalhar a verdade, em todos os lugares onde ela alcance os ouvidos humanos. Nós não estamos divididos sobre este assunto. Algumas igrejas talvez estejam, mas nós não. Nossas doutrinas, embora supostamente levem a uma apatia e preguiça, tem comprovado serem sempre, acima de tudo, práticas. Todos os pais de missões foram homens que tinham zelo e amor pelas doutrinas da graça de Deus. E nós acreditamos que os grandes apoiadores do empreendimento missionário – se este deve ser bem sucedido – devem sempre vir daqueles que detêm a verdade de Deus com firmeza e ousadia, aqueles que possuem fogo e zelo por ela, como também o desejo de espalhá-la por toda a parte.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas existe um ponto em que nós temos uma grande divisão de opinião, e este é o motivo pelo qual temos tido tão pouco sucesso em nossos trabalhos missionários. Podem existir alguns que digam que o sucesso tem sido proporcional a atuação, e que nós não poderíamos ter sido mais bem sucedidos. Estou longe de ter esta opinião e eu não acho que eles por si mesmos a expressariam se estivessem ajoelhados diante do Deus Todo-Poderoso.  Nós não temos sido bem sucedidos na amplitude em que esperávamos, certamente não na amplitude apostólica e com certeza nada parecido com o sucesso de Paulo ou Pedro, ou até mesmo daqueles ilustres homens que nos precederam nos tempos modernos – os quais foram capazes de evangelizar países inteiros,<b> </b>trazendo milhares de pessoas para Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas agora, qual é a razão para isto? Talvez possamos voltar nossos olhos ao alto e pensar que esta razão encontra-se na soberania de Deus, o qual tem retido Seu Espírito e não tem derramado Sua graça como antes. Estarei preparado para confirmar isto a todos os homens que talvez falem sobre este assunto, pois eu creio que o Deus Todo-Poderoso ordena todas as coisas. Eu creio em um Deus presente em nossas derrotas bem como em nossos sucessos. Um Deus tanto na brisa suave quanto na forte tempestade. Um Deus de maré baixa assim como um Deus de enchentes. Porém, nós devemos procurar a causa disto dentro de casa.  Quando Sião tem dores de parto, ela dá luz à filhos; quando Sião é diligente, Deus é testemunha sobre Seu trabalho; quando Sião é devota, Deus a abençoa. Portanto, não devemos arbitrariamente procurar o motivo de nossos fracassos na vontade de Deus, mas devemos ver também qual é a diferença entre nós e os homens dos tempos apostólicos, e o que torna o nosso sucesso tão insignificante em comparação aos extraordinários resultados da pregação apostólica.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu penso ser capaz de mostrar algumas razões pelas quais a nossa santa fé não é tão próspera quanto costumava ser. Em primeiro lugar, <i>nós não temos mais homens apostólicos</i>. Em segundo lugar, os <i>missionários não iniciaram seu trabalho no estilo apostólico</i>. Em terceiro lugar, <i>nós não temos igrejas apostólicas para apoiá-los</i>. E em quarto lugar, <i>nós não temos a influência apostólica do Espírito Santo</i> na mesma medida em que eles tiveram nos tempos passados.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>I. </b>Em primeiro lugar, NÓS TEMOS POUQUÍSSIMOS HOMENS APÓSTÓLICOS DESSES TEMPOS<b>. </b>Eu não vou dizer que não temos nenhum, aqui ou ali talvez tenhamos um ou dois, mas infelizmente seus nomes nunca são ouvidos. Eles não começaram diante das multidões e não são famosos como pregadores da verdade de Deus.<b> </b>Nós tivemos um Williams uma vez, um verdadeiro homem apostólico, que foi de ilha em ilha, sem ter sua vida por preciosa. Mas Williams foi chamado para sua recompensa<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Misso%CC%83es%20Evangelicas%20(PRONTO).doc#_ftn1">[1]</a>. Tivemos um Knibb<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Misso%CC%83es%20Evangelicas%20(PRONTO).doc#_ftn2">[2]</a>, que trabalhou arduamente por seu Mestre com fervor seráfico e sem se envergonhar de chamar um escravo oprimido de seu irmão. Mas Knibb também entrou em seu descanso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Temos um ou dois restantes, preciosos e estimados nomes. Nós os amamos com fervor e nossas orações sempre sobem aos céus em favor deles. Sempre pedimos em nossas orações: “<i>Deus, abençoe aqueles homens como Moffat<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Misso%CC%83es%20Evangelicas%20(PRONTO).doc#_ftn3"><b>[3]</b></a>! Deus, abençoe aqueles que estão labutando intensamente e com sucesso trabalham!</i>” Mas olhe ao seu redor; onde podemos encontrar mais homens como estes? Todos eles são bons homens e não há o que dizer contra eles – eles são melhores do que nós. Nós mesmos somos reduzidos a nada se comparados a eles. Mas ainda precisamos admitir que eles são menores do que seus pais, eles diferem dos grandes apóstolos em muitos aspectos, e isso até mesmos eles reconheceriam prontamente. Não estou falando apenas de missionários, mas de ministérios também. Por isso, entendo que temos que lamentar muito, tanto em relação à propagação do evangelho na Inglaterra, quanto em terras estrangeiras. Devemos lamentar muito pela falta de homens cheios do Espírito Santo e de fogo.</p>
<p style="text-align: justify;"> <span id="more-7295"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, nós não temos homens com o <i>zelo apostólico</i>. Convertido da maneira mais singular, por uma intervenção direta do céu, Paulo, a partir daquele momento se tornou um homem zeloso. Ele sempre tinha sido zeloso em seu pecado e em suas perseguições, mas depois que ele ouviu a voz do céu: &#8220;<i>Saulo, Saulo por que me persegues?</i>&#8221; (<i>Atos 9:4</i>), ele recebeu o poderoso serviço de um apóstolo e foi enviado como um vaso escolhido aos gentios. Dificilmente você poderá conceber a profundidade e a terrível seriedade que ele expressou. Se Paulo comia ou bebia, ou fazia qualquer outra coisa, ele fazia tudo para a glória de Deus. Ele nunca desperdiçava uma hora que fosse. Ou ele utilizava seu tempo trabalhando com suas próprias mãos para suprir suas necessidades, ou então, levantando suas mãos na Sinagoga, no Areópago ou em qualquer lugar onde ele pudesse chamar a atenção da multidão. Seu zelo era tão sério e tão ardente que ele não podia – como infelizmente nós fazemos – conter-se dentro de um pequeno raio de ação, mas pregava a Palavra em toda parte. Não foi o suficiente para Paulo ser o apóstolo da Psídia. Ele tinha que ir também a Panfília. Não era suficiente que ele fosse o grande pregador da Panfília e Psídia, mas ele tinha que ir também a Atália. E quando ele havia pregado em toda a Ásia, ele precisava embarcar para a Grécia e pregar lá também.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu creio que não apenas uma vez, Paulo ouviu em seu sonho os homens da Macedônia dizendo: &#8220;<i>Venha e nos ajude</i>&#8220;, mas todos os dias e horas ele ouvia o clamor em seus ouvidos de multidões de almas: &#8220;<i>Paulo, Paulo, venha e nos ajude</i>&#8221; (<i>Atos 16:9</i>). Ele não poderia conter a si mesmo de pregar. &#8220;<i>Ai de mim</i>&#8221; ele disse &#8220;<i>se eu não pregar o evangelho. Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Cristo</i>&#8221; <i>(1Coríntios 9:16</i>; <i>Gálatas 6:14</i>).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Oh! Se você pudesse ver Paulo pregando, você não teria ido embora como você faz com alguns de nós – nós que com meia convicção não deixamos claro o que dizemos. Os olhos de Paulo pregavam o sermão sem seus lábios, e seus lábios não pregavam de maneira fria e indiferente, mas cada palavra vinha com um poder avassalador sobre os corações de seus ouvintes. Ele pregava com poder, porque ele estava sob um sincero zelo. Você teria convicção quando visse que ele era um homem que sentia ter um trabalho a fazer e tinha que fazê-lo, e que ele não poderia conter-se a não ser que o fizesse. Ele era o tipo de pregador a quem você esperaria ver descendo das escadas do púlpito direto para seu caixão e então estaria diante de Deus, pronto para sua prestação de contas. Onde estão os homens como estes? Eu confesso que eu não posso reivindicar tal privilégio, e eu raramente ouço um sermão isolado que traga o mesmo nível de seriedade, profundidade e ardente anseio pelas almas dos homens.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia nós não temos os olhos como os olhos de nosso Salvador, que chorava por Jerusalém. Temos pouquíssimas vozes como que a voz apaixonada e sincera que parecia perpetuamente clamar: &#8220;<i>Venham a mim, e eu lhes darei descanso</i>&#8221; (<i>Mateus 11:28</i>); &#8220;<i>Jerusalém, Jerusalém,  quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram</i>&#8221; (v. <i>Mateus 23:37</i>). Se os ministros do evangelho fossem <i>mais calorosos no seu exercício da pregação</i>; se ao invés de darem conferências e devotar uma grande parte de seu tempo a atividades políticas e literárias, eles pregassem a Palavra de Deus e a pregassem como se estivessem lutando por suas próprias vidas. Ah meus irmãos, nós poderíamos esperar um grande sucesso. Mas não podemos esperá-lo enquanto fazemos nossos trabalhos de forma dividida, sem ter aquele zelo, aquela seriedade, aquele profundo propósito que caracterizava aqueles homens do passado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Portanto, novamente, eu penso que em nossos dias nós não temos homens que conseguem pregar como Paulo  <i>em relação a fé que eles têm</i>. O que Paulo fez? Ele foi a Filipos. Ele conhecia uma alma lá? Não, nenhuma. Ele tinha a verdade de seu Mestre e ele acreditava no poder desta mensagem. Ele foi sozinho e despido de pompa, ostentação e coisas chamativas. Ele não foi a um púlpito com uma almofada macia discursar em uma respeitável congregação. Não! Ele andava pelas ruas e começava a pregar para as pessoas. Ele foi a Corinto e Atenas sozinho, sem nenhuma ajuda, para anunciar ao povo o Evangelho do Deus bendito. Por quê? Porque ele tinha fé no Evangelho e acreditava que ele salvaria pessoas e destronaria os ídolos. Ele não tinha dúvida do poder do Evangelho. Mas hoje em dia meus irmãos, nós não temos fé no Evangelho que pregamos. Quantos existem que pregam o evangelho receosos de que este não salvará almas e por isso adicionam pequenos artifícios de si mesmos a fim de – imaginando que irão – ganhar homens para Cristo! Temos conhecido homens que acreditam nas doutrinas calvinistas, mas que pregam o calvinismo de manhã e o arminianismo à noite, porque eles estão receosos que o evangelho de Deus não converterá os pecadores. Por isso, eles fabricam outro evangelho por si mesmos. Eu defendo que, um homem que não acredita que o evangelho que ele prega é capaz de salvar as almas humanas, não acredita no evangelho de maneira alguma. Se a verdade de Deus não salvará as almas humanas, as mentiras do homem menos ainda. Se a verdade de Deus não trará os homens ao arrependimento, eu estou certo que não existe nada no mundo que o fará.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando acreditarmos que o Evangelho é poderoso, então veremos seu poder. Se eu vir a este púlpito e dizer: &#8220;<i>Eu sei que o que eu prego é a verdade</i>&#8221; – o mundo diria que eu estou sendo um egoísta. &#8220;<i>Um jovem dogmático</i>&#8220;, é o que dirão. Ah, e esse jovem quer ser dogmático, ele se regozijar nisto, e ele o considera como um título especial, pois ele acredita firmemente naquilo que prega. Deus me proibiu de subir as escadas do púlpito <i>cambaleando</i> para ensinar alguma coisa que eu não tenha certeza, algo que eu esperava que pudesse salvar pecadores, mas que eu não estivesse totalmente certo. Quando eu tenho fé na minha doutrina, estas doutrinas prevalecem, pois a confiança é que obtém a vitória. Aquele que tem coragem o suficiente para alcançar o padrão e defendê-lo, estará certo o suficiente para encontrar seguidores. Aquele que diz: &#8220;<i>Eu sei</i>&#8221; &#8211; e declara isto com ousadia em nome de seu Mestre, sem contenda, muito em breve encontrará homens que ouvirão o que ele tem a dizer e estes dirão: &#8220;<i>Este homem fala com autoridade e não como os escribas e fariseus</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Esta é uma das razões porquê nós não somos bem sucedidos: Não temos fé no Evangelho. Enviamos homens instruídos para a Índia a fim de confundir os eruditos Brâmanes. Bobagem! Deixe os Brâmanes falarem do que eles gostam, nós temos algum assunto para discutir com eles? &#8220;<i>Oh, mas eles são tão intelectuais e tão inteligentes</i>&#8220;. O que nós temos a ver com isto? Não estamos buscando ser inteligentes para refutá-los. Deixe os homens do mundo combaterem seus erros metafísicos. Nós devemos apenas dizer: &#8220;<i>Esta é a verdade: Aquele que crê será salvo e aquele que não crer será condenado</i>&#8221; (<i>Marcos 16:16</i>). Não temos o direito de descer do elevado fundamento do testemunho da autoridade divina. E até que nos sustentemos neste fundamento, e saiamos como devemos sair, vestidos com o cinto da divindade – não pregando o que talvez seja verdade, mas afirmando aquilo que Deus certamente revelou – nós não veremos sucesso. Precisamos de uma fé mais profunda em nosso Evangelho, precisamos ter a certeza do que pregamos. Irmãos, penso que não temos a fé de nossos pais. Eu mesmo sinto-me como um pobre novato no assunto da fé. Às vezes eu julgava que poderia crer em qualquer coisa, mas agora uma pequena dificuldade vem sobre mim, eu me intimido e sinto medo. É quando eu prego com incredulidade em meu coração que eu prego sem sucesso, mas quando eu prego com fé e posso dizer: &#8220;<i>Eu sei que meu Deus disse que na hora certa<b> </b>Ele me dará o que eu devo pregar, e sem me importar com a estima dos homens, eu pregarei o que eu creio ser verdade</i>&#8220;; aí é que Deus, o dono da fé, a coroa com Sua própria coroa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez: nós não temos autonegação o suficiente e esta é uma das razões porquê não prosperamos. Longe de mim dizer algo contra a autonegação destes dignos irmãos que deixaram seus países para atravessarem tempestuosos abismos para pregarem a Palavra. Nós cremos que eles são homens que devem ser tidos em honra. Mas eu ainda pergunto, onde está aquela mesma autonegação dos apóstolos nos dias de hoje? Eu penso que uma das maiores desgraças que sobrevieram a igreja nestes últimos dias foi aquela última missão para a Irlanda. Os homens foram aceitos na Irlanda, mas como homens de grande valor, bravos, homens ousados – eles voltaram – isto é tudo o que podemos falar sobre o assunto. Por que eles não foram lá de novo? Porque eles disseram que os irlandeses os &#8216;ridicularizaram&#8217;. Agora, você consegue imaginar Paulo pegando uma lupa do seu bolso e olhando o pequeno homem enquanto este lhe diz: &#8220;<i>Eu não irei pregar lá porque os irlandeses me ridicularizaram</i>&#8220;? &#8220;<i>O quê?</i>&#8220;, Paulo pergunta. &#8220;<i>Ele é um pregador?! Que pequena edição de ministro, certamente, isso é o que ele é!</i>&#8221; &#8220;<i>Oh! Eles jogaram pedras em nós, você não tem ideia de como eles nos trataram mal!</i>&#8220;<b> </b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Conte isto para o apóstolo Paulo. Tenho certeza que você ficaria envergonhado em fazê-lo. &#8220;<i>Oh! Mas em alguns lugares a polícia interferiu e nos ameaçou dizendo que nós apenas criamos tumulto</i>&#8220;. O que Paulo teria respondido?<i> &#8211; &#8220;A polícia interferiu!&#8221; </i>Eu não acho que temos algum direito de nos importarmos com os governos. Nossa obrigação é pregar a Palavra, e se nós devemos ser presos, fiquemos lá. Pelo menos lá não seremos machucados.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">&#8220;<i>Oh! Mas eles poderiam ter matado alguns de nós</i>&#8220;. E só isso teriam feito. Onde está aquele zelo que não tem sua vida por preciosa a fim de ganhar a Cristo? Creio que a morte de poucos de nossos ministros teria prosperado o cristianismo. No entanto, apesar do luto que guardaríamos e eu mesmo em primeiro lugar, digo que o assassinato de uma dúzia deles teria sido um maior motivo para tristeza do que o abate de centenas de nossos homens em uma luta bem sucedida pelo território nacional. Eu consideraria o meu próprio sangue derramado mais proveitoso neste esforço tão santo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Como o evangelho prosperou antigamente? Não tiveram alguns que entregar suas vidas por isso? Não tiveram outros que caminhar para a vitória sobre seus corpos assassinados? Não deve ser assim agora? Se vamos retroceder porque estamos com medo de sermos mortos, somente o céu sabe quando o evangelho será pregado em todo o mundo, nós não. O que os outros missionários fizeram? Acaso não enfrentaram a morte em suas formas mais terríveis, e pregaram a Palavra em meio a incontáveis perigos? Meus irmãos, repetimos outra vez, não estamos criticando, porque nós mesmos poderíamos ter errado da mesma maneira, mas estamos certos de que nisto não somos como Paulo. Ele foi a um lugar onde o apedrejaram e o arrastaram como morto. Por acaso ele disse: &#8220;<i>De agora em diante eu não irei onde eles me tratarão mal</i>&#8220;? Não, pois ele disse: &#8220;<i>Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio</i>&#8221; &#8211; <i>2 Coríntios 11:24-25</i>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Estou certo de que não temos a mesma autonegação dos apóstolos. Somos meros soldados de meia tigela e guerreiros de salão. Quando vou para minha própria casa e penso quão confortável e feliz eu sou, digo a mim mesmo: &#8220;<i>Quão pouco eu faço por meu Mestre! Me envergonho por não negar a mim mesmo por Sua verdade e ir a todos os lugares pregando Sua Palavra</i>&#8220;. Olho com pena para as pessoas que dizem: &#8220;<i>Não pregue tão frequentemente, você matará a si mesmo</i>&#8220;. Oh meu Deus! O que Paulo teria dito de algo assim? &#8220;<i>Tome cuidado com seu físico, você é muito imprudente, você está demasiadamente entusiasmado</i>&#8220;. Quando eu comparo a mim mesmo com um dos homens do passado, digo: &#8220;<i>Oh, que aqueles homens que chamam a si mesmos cristãos sejam desmascarados, estes que buscam impedir nossa obra de fé e trabalho de amor por causa de nossa pequena consideração ao </i>&#8216;<i>físico</i>&#8216;<i> &#8211; físico este que oferece tudo o que tem para a pregação da Palavra de Deus</i>&#8220;. Mas eu ouço alguns sussurrando: &#8220;<i>Você deve fazer uma pequena concessão</i>&#8220;. Meu querido amigo, eu faço todas as concessões. Eu não estou criticando aqueles irmãos, eles são boas pessoas, nós todos somos &#8220;<i>homens honestos</i>&#8220;. Mas eu somente direi que em comparação com Paulo, nós somos menos que nada, somos vaidade, pequenas criaturas anãs e insignificantes, que dificilmente podem ser notadas se comparadas com aqueles gigantes do passado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Algum de meus ouvintes talvez sugira que esta não é a única causa, e ele objeta: &#8220;<i>Penso que você deveria desculpá-los, visto que os ministros de hoje não podem fazer milagres</i>&#8220;. Bem, tenho considerado isto também e certamente é uma desvantagem, mas, penso que não uma das maiores, pois se isto fosse, Deus não teria permitido que ela existisse. Ele deu este presente para a Igreja em sua infância, mas agora não se faz mais necessário. Nós erramos em atribuir demais aos milagres. Qual era um deles? Onde quer que os apóstolos fossem eles podiam falar a língua do povo. Bem, com o tempo que levaria para Paulo andar daqui até o Norte da Índia, nós poderíamos aprender aquele idioma, e poderíamos chegar lá em pouquíssimo tempo com os meios de transporte que são disponíveis hoje em dia – assim não se ganharia muito. Então, novamente, a fim de fazer o Evangelho conhecido entre o povo, era necessário que milagres fossem operados, para que todo mundo falasse sobre isto. Mas agora, existe uma imprensa para nos auxiliar. O que eu estou dizendo hoje, dentro de seis meses estará sendo lido além dos montes Apalaches nos Estados Unidos, e assim também com outros ministros, o que eles dizem e o que eles fazem rapidamente pode ser impresso e distribuído em todo lugar. Portanto existem hoje facilidades para se fazer conhecido que não estão muito atrás do poder dos milagres.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez, nós temos uma grande vantagem sobre os apóstolos. Onde quer que eles fossem, eles eram perseguidos, e às vezes condenados a morte. Mas hoje em dia, embora ocasionalmente ouvimos do massacre de um missionário, o ocorrido é muito raro. O assassinato de um inglês em qualquer lugar, provocaria o envio de uma tropa de guerrilheiros para recompensar esta ofensa com castigo. O mundo respeita um homem inglês onde quer que ele vá, ele tem selo do grande César sobre ele, ele é o verdadeiro cosmopolitano &#8211; o cidadão do mundo. Isto não poderia ser dito dos pobres judeus desprezados. Talvez Paulo tivesse algum respeito por ele ser cidadão romano, mas eles não tinham nenhum respeito pelos outros. Hoje em dia, não podemos ser condenados à morte sem que isto gere muita polêmica. O assassinato de dois ou três ministros na Irlanda provocaria um tumulto em todo o país, o governo teria que se impor, as autoridades locais ficariam em pé de guerra, e então nós poderíamos pregar com uma escolta armada ao nosso redor, e assim percorrer todo o território, desafiando os sacerdotes, assustando o anticristo e expulsando as superstições para sempre de volta aos seus covis.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>II. </b>Em segundo lugar, NÓS NÃO FAZEMOS NOSSO TRABALHO NO ESTÍLO APOSTÓLICO<b>. </b>Por que isto? Porque, em primeiro lugar, existe uma reclamação universal que não há pregações o suficiente por parte dos ministros e missionários. Eles estão sentados interpretando, estabelecendo escolas e fazendo isto aqui e acolá. Nós não temos nada para criticar sobre este fato, mas este não é o trabalho ao qual eles devem se dedicar. Seu ofício é pregar, e se eles pregassem mais, eles poderiam esperar por mais sucesso.<b> </b>Um missionário chamado Chamberlain pregou uma vez em certo lugar. Anos mais tarde, discípulos foram encontrados neste lugar, e eles foram originados deste único sermão. Williams pregava onde quer que ele fosse e Deus o abençoava. Moffat pregava em todos os lugares onde ia e seu trabalho era reconhecido.<b> </b>Hoje em dia temos nossas igrejas e nossas casas impressoras onde uma grande soma em dinheiro é gasta. Elas estão fazendo bem, mas não estão fazendo <i>o bem</i>. Nós não estamos usando os meios que Deus ordenou e, portanto, não podemos esperar progresso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Alguns dizem que existe pregação demais na Inglaterra hoje em dia. Bem, é a tendência dos tempos caluniar a pregação, mas é “<i>a loucura da pregação</i>” que mudará o mundo. Não cabe aos homens dizerem: “<i>Se você pregasse menos, você poderia estudar mais</i>”. É requerido muito estudo quando se tem uma igreja estabelecida, mas eu compreendo que os apóstolos não precisavam de nenhum estudo, eles se erguiam e entregavam as simples verdades primordiais da religião, não pegando um texto, mas indo por entre todos os itens da fé. Então eu penso que, em trabalhos evangelísticos itinerantes, não estamos presos à falar extensivamente sobre apenas um assunto, pois para isso precisamos estudar. Mas devemos achar proveitoso propagar toda a verdade por onde quer que formos. Portanto, devemos sempre encontrar palavras para entregar e verdades prontas para ensinar ao povo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, eu considero que um grande erro tem sido cometido em <i>não se afirmar a divindade de nossa missão</i> e não permanecer firme na verdade – que é uma revelação não para ser comprovada pelos homens, mas para se crer – sempre apresentando que “<i>quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado</i>”. Sou muitas vezes afligido quando leio sobre nossos missionários travando disputas com os brâmanes. Às vezes é dito que um missionário derrotou um brâmane porque ele manteve a calma. É desta maneira que o evangelho tem obtido grande fama – através de disputas. Penso, que o evangelho foi rebaixado por meio de controvérsias. Penso que o missionário deveria dizer: “<i>Eu venho te dizer o que o Único Deus do céu e da terra tem dito; e eu te aviso antes de anunciar isto, que se você crer será salvo e, se não crer, será condenado. Eu venho te dizer que Jesus Cristo, o Filho de Deus, se tornou carne para morrer pelo miserável e indigno homem, para que através da Sua mediação, morte e sofrimento, o povo de Deus pudesse ser liberto. Agora, se você me ouvir, você dará ouvidos a Palavra de Deus, mas se você não ouvir, eu irei sacudir a poeira dos meus pés contra você e vou para algum outro lugar</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Olhem para a história de todos os impostores, pois ela nos mostra que a alegação de autoridade assegura certo nível de avanço. Como Maomé veio a ter uma religião tão forte em seu tempo? Completamente sozinho ele foi para praça e disse: “<i>Eu recebi uma revelação do céu</i>”. Era mentira, mas ele persuadiu os homens a acreditarem nele. As pessoas olhavam para sua face e viam que ele os olhava sinceramente como que acreditando no que dizia, e cinco ou seis se uniram a ele. Ele provou o que disse? Não. “<i>Você deve</i>”, ele disse, “<i>acreditar no que eu digo ou não haverá paraíso para você</i>”. Existe poder neste tipo de coisa. Em todos os lugares onde ele foi, sua afirmação era crida, não no patamar da razão, mas em sua autoridade a qual ele declarava ter vindo de Alá. Depois de um século em que ele proclamou sua mentira, mil espadas brilharam em suas bainhas e as palavras dele foram proclamadas em toda a África, Turquia, Ásia e até mesmo na Espanha. O homem reivindicava autoridade, ele reivindicava divindade, logo, ele tinha poder. Pense novamente no crescimento dos Mórmons. O que tem sido a sua força? Simplesmente isto: A afirmação de poder do céu. Esta declaração é feita e as pessoas acreditam. Agora eles têm missionários em quase todos os países habitáveis do mundo e o livro de Mórmon é traduzido em muitas línguas. Embora nada pudesse ser um engano mais visível, uma falsificação menos hábil e muita mentira sobre a própria base; ainda assim esta simples pretensão de poder, foi o meio de trazer poder.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Agora, meus irmãos, <i>nós temos poder</i>, nós somos ministros de Deus, pregamos a verdade de Deus. O grande Juiz do céu e da terra nos falou a verdade. Que relação tem conosco disputarmos com os vermes do pó? Por que deveríamos temer e tremer diante deles? Vamos nos levantar e dizer: “<i>Somos os servos do Deus vivo, nós lhes contamos o que Deus tem nos falado e os alertamos que se vocês rejeitarem nosso testemunho, será melhor para Tiro e Sidom no dia do julgamento do que para vocês</i>”. Se o povo jogar isto fora, nós fizemos o nosso trabalho.  Não temos que fazer os homens acreditarem, nós temos que testificar de Cristo em todos os lugares, pregando e proclamando o evangelho a todos os homens. Mas existe uma passagem na Bíblia que parece militar contra o que eu disse, se a tradução comum for verdade &#8211; a passagem que diz que Paulo “<i>disputava na escola de um certo Tirano</i>”. Mas esta passagem é melhor traduzida em inglês por ele “<i>dialogava na escola de um certo Tirano</i>” (v. <i>Atos 19:9</i>). Albert Barnes diz que “<i>disputava não é uma tradução feliz</i>”, pois não existe tal ideia sendo transmitida nesta palavra. Jesus, quando pregava, “<i>dialogava</i>”. Quando o homem veio e disse a Ele: “<i>Mestre, o que eu devo fazer para herdar a vida eterna?</i>” Jesus “<i>dialogou</i>” com ele (<i>Lucas 10:25</i>).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando outro lhe disse: “<i>Senhor, fale para o meu irmão que reparta comigo a herança</i>”, Cristo não disputou com ele mas “<i>dialogou</i>” (<i>Lucas 12:13</i>). Seu estilo habitual era falar com o povo e raramente debatia com os homens. Nós podemos largar todos os livros que foram escritos em defesa do cristianismo se quisermos pregar somente Cristo. Se, ao invés de defender os postos de avanço, disséssemos: “<i>Deus cuidará deles</i>”, e ao mesmo tempo atacássemos o inimigo, então pelo Espírito Santo de Deus nós avançaríamos em todos os aspectos. Oh igreja de Deus! Acredite que tu és invencível e serás invencível, pois, porque estás tremendo e temendo, tu estás arruinada. Levante tua cabeça e diga: &#8220;<i>Eu sou filha de Deus, eu sou a noiva de Cristo</i>&#8220;. Não pare para tentar provar isto, mas afirme e marche pela terra, e assim reis e príncipes se prostrarão diante de ti, porque tu tens retomado tua antiga coragem e tens assumido tua antiga glória.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu tenho mais um comentário a fazer aqui com relação ao estilo no qual nós trabalhamos. Eu temo que não tenhamos o suficiente <i>do método divino de itinerância</i>. Paulo foi um grande itinerante: Ele pregava em um lugar e quando havia doze convertidos lá, imediatamente ele abria uma igreja. Ele não parava até que tivesse quinhentos convertidos, mas quando ele tinha doze ele partia para outro lugar. Uma santa mulher o recebeu, ela tinha um filho e uma filha, eles foram salvos e batizados – ai está outra igreja. Então ele vai adiante, onde quer que ele vá o povo acredita e é batizado. Onde quer que ele conheça uma família que creia, ele ou seus companheiros batizam toda a casa e tomam seus caminhos sempre formando igrejas e nomeando anciões sobre elas. Nós hoje em dia, vamos e nos estabelecemos em um lugar, fazemos uma base ali e trabalhamos ao redor dela pouco a pouco, e pensamos que este é o meio de se obter êxito. Não! Saqueiem todo o continente, tentem grandes coisas e grandes coisas serão feitas. Mas eles dizem que se você apenas passar por um lugar, ele será esquecido como uma chuva de verão que molha tudo mais não muda nada. Sim, mas você não sabe quantos eleitos de Deus podem estar ali, e você não tem nenhum direito de parar em um só lugar. Vá em frente. Os eleitos de Deus estão em todo o lugar. Eu afirmo que se eu não pudesse rodar por este país – a Inglaterra – eu não poderia suportar pregar. Se eu sempre pregasse <i>no mesmo lugar</i>, muitos de vocês se tornariam endurecidos ao evangelho. Eu amo ir por aqui e por ali, e em todos os lugares. <i>Minha</i> grande ambição é que eu pudesse ir a todo o país bem como manter meu quartel general em um só lugar. Eu creio firmemente que a itinerância é o grande plano de Deus. Devemos ter ministros e pastores fixos, mas aqueles que são como os apóstolos deveriam itinerar mais longe do que eles itineram.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>III. </b>Porem, eu tenho uma terceira coisa a dizer que vai acertar em cheio o alvo no tocante a muitos de nós; isso é, que NÃO TEMOS IGREJAS APOSTÓLICAS<b>.</b> Oh, se vocês tivessem visto uma igreja apostólica, quanta diferença veriam ao compará-la com uma de nossas igrejas! Tão diferente, quase diria eu, quanto a luz é das trevas. Tão diferente quanto um ribeiro seco pelo intenso verão é de um poderoso rio que flui, sempre cheio, sempre profundo e cristalino e sempre correndo para o mar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Hoje, onde está nossa <i>devoção</i> se comparada a deles? Eu creio que nós sabemos alguma coisa do poder da oração aqui, mas eu não penso que oramos como eles oravam. “<i>Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração,dando glória a Deus</i>” (<i>Atos 2:46-47</i>). Como regra não existia na membresia da igreja quem fosse frio ou indiferente, mas eles davam suas almas por completo a Deus. E quando Ananias e Safira dividiram o valor, eles foram feridos com a morte pelo seu pecado. Oh! Se nós orássemos tão profundamente e tão sinceramente quanto eles oravam teríamos muito mais êxito. Qualquer medida de sucesso que nós tivemos até aqui foi inteiramente devido a resposta a suas orações sob a soberania de Deus. E onde quer que eu vá, eu falo com orgulho que eu tenho um povo de oração. Permita que outros ministros tenham um povo tão devoto, permita que os missionários tenham muitas orações da Igreja, e assim também todas as outras áreas, e então Deus irá abençoá-los, e haverá maior avanço do que jamais se teve.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Nós não temos a <i>generosidade</i> apostólica. Nos dias dos apóstolos eles davam tudo o que tinham. Isto não era exigido deles, logo não é exigido agora. Ninguém pensa em exigir tal coisa, todavia, nós temos corrido para o outro extremo e muitos acabam não dando nada. Os homens que tem milhares e dezenas de milhares são tão eternamente apegados as suas famílias, que embora <i>tendo</i> condições, não dão nada além do que a empregada que senta ao seu lado. É um dito comum que os membros das igrejas cristãs não dão de acordo com sua riqueza. Nós damos porque isto é elegante e respeitável. A grande maioria de nós dá – eu espero – porque ama a causa de Deus, mas muitos de nós dizemos: &#8220;<i>Existe um pobre pedreiro que trabalha duro toda a semana e somente ganha o suficiente para manter sua esposa e família: ele dará um xelim. Agora, eu ganho tantas libras por semana &#8211; eu sou um homem rico &#8211; quanto eu deveria dar? Por este motivo eu vou dar dois ou três xelins</i>&#8220;. Outros dizem: &#8220;<i>Eu darei dez xelins esta manhã</i>&#8220;. Agora, se eles medissem sua riqueza em comparação com o pedreiro, eles veriam que ele dá tudo o que lhe resta depois de seu sustento, enquanto eles – se comparado – não dão nada.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Meus irmãos, nós não somos meio-cristãos e este é o motivo pelo qual não podemos ter um meio-sucesso. Somos cristãos mas eu questiono se somos por completo. O Espírito de Deus não entrou em nós para nos dar aquela vida, fogo e alma que vocês possuíam naqueles tempos antigos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>IV.</b> Mas, finalmente, como o resultado das demais coisas que vimos anteriormente e talvez até certo ponto como a causa delas também: NÓS NÃO TEMOS O ESPÍRITO SANTO NA MESMA MEDIDA QUE OS APÓSTOLOS.  Eu não vejo um motivo qualquer do porquê nesta manhã, se Deus desejasse, eu não poderia levantar e pregar um sermão que seria o meio de conversão de todas as almas neste lugar. Eu não vejo motivo pelo qual eu não poderia pregar amanhã um sermão, que seria o meio de salvação de todos que o ouvissem, se Deus o Espírito fosse derramado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A palavra é capaz de converter na amplitude que Deus o Espírito quiser aplicá-la. E eu não consigo ver nenhuma razão pela qual, se hoje temos conversões de alguns ou mesmo de pequenos grupos, não haveria um tempo em que centenas e milhares viriam a Deus. O mesmo sermão pelo qual Deus abençoa dez pessoas, se Ele quisesse, poderia abençoar cem. Estou certo que nos últimos dias quando Cristo vier e começar a trazer o reino para Si, todos os ministros de Deus terão tanto sucesso quanto Pedro teve no dia de Pentecostes. Tenho certeza que o Espírito Santo é capaz de fazer a Palavra ter êxito, e o motivo pelo qual nós não prosperamos, é que não temos o Espírito Santo nos assistindo com o mesmo poder e influência como eles tinham. Meus irmãos, se tivéssemos o Espírito Santo sobre nossos ministérios, isso teria pouco haver com o nosso talento. Os homens podem ser pobres e leigos, suas palavras podem ser débeis e sem gramática, talvez não haja um período de pregadores ilustres ou os gloriosos trovões de Thomas Chalmers; mas se existisse o poder do Espírito os assistindo, o mais humilde evangelista teria mais êxito, do que os mais pomposos teólogos<b> </b>ou mais eloquentes pregadores.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">É a extraordinária <i>graça</i>, não o talento, que traz sucesso; poder espiritual extraordinário, e não poder mental extraordinário. Poder mental pode encher um templo, mas poder espiritual enche a Igreja. Poder mental pode ajuntar uma congregação mas o poder espiritual salvará vidas. Nós precisamos de poder espiritual. Oh! Nós conhecemos alguns diante de nós que nos fazem sentir um nada por causa do seu talento, mas que não tem nenhum poder espiritual e quando falam não tem o Espírito Santo com eles; mas conhecemos outros, homens dignos e sinceros, que falam a língua do seu povo e que se levantam para pregar entre seu povo, e o Espírito de Deus reveste cada palavra com poder – corações são quebrados, almas são salvas e pecadores nascem de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Espírito do Deus vivo! Nós precisamos de Ti. Tu és a vida, a alma, Tu és a fonte do êxito do teu povo. Sem Ti eles não podem fazer nada, mas Contigo eles podem fazer qualquer coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Portanto, tenho tentado mostrar a vocês o que eu compreendo ser a causa da nossa parcial falta de êxito. E agora, permitam-me, com toda a sinceridade, que eu pleiteie com vocês em nome de Cristo e do Evangelho do Santo Cristo, que vocês se mexam para renovar seus esforços a fim de propagarem a verdade d&#8217;Ele, e orem com maior sinceridade para que Seu Reino venha e Sua vontade seja feita tanto na terra como no céu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ah meus amigos! Se eu pudesse lhes mostrar as dezenas de milhares de espíritos que estão neste exato momento andando em total escuridão; se eu pudesse levá-los ao aposento sombrio do inferno e mostrar-lhes as centenas de milhares de almas pagãs em tortura indizível, que não ouviram a Palavra, mas estão sendo justamente condenados por seus pecados. Parece-me que vocês poderiam perguntar-se: “<i>Fiz algo para salvar essas milhares de almas infelizes? Eles foram condenados, posso eu dizer que estou livre do seu sangue?</i>” Oh! Deus de misericórdia, se o revestimentos dos bancos desta igreja estiverem limpos do sangue destes indivíduos, eu terei uma eterna razão para Te adorar no céu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Oh! Igreja de Cristo! Tu tens uma grande razão para questionar a ti mesma se estás absolutamente limpa nesta questão. Vós, filhos de Deus que dizeis tão frequentemente: “<i>Sou eu o guardador do meu irmão?</i>” (v. <i>Gênesis 4:9</i>). Vós sois tão parecidos com Caim, não perguntais a vós mesmos se Deus irá requerer de suas mãos o sangue de seus companheiros.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Oh! Existe uma verdade que diz: “<i>Se o atalaia </i>[...] <i>não tocar a trombeta, </i>[eles perecerão]<i> porém o sangue requererei das mãos do atalaia</i>” (v. <i>Ezequiel 33:6</i>). Ah! Deveria haver mais de nós que estivessem pregando aos pagãos. Porém, possivelmente, estamos insensíveis fazendo pouco ou nada.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Existem muitos de vocês, na verdade todos vocês, que deveriam estar fazendo muito mais do que vocês têm feito, tanto pelos propósitos evangelísticos como pela propagação do evangelho de Cristo. Oh! Coloquem esta interrogação em seus corações: Eu poderia dizer para um espírito condenado, caso ele me encontrasse no inferno: “<i>Pecador, fiz tudo que podia por você?</i>” Eu temo que alguns teriam que dizer: “<i>Não, eu não fiz, esta é a verdade. Eu poderia ter feito mais, eu poderia ter trabalhado mais, mesmo que eu fosse mal sucedido. Mas eu não fiz</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ah meus amigos, creio que há uma grande razão para alguns de nós suspeitarem se realmente acreditamos em nossa religião. Um infiel uma vez se encontrou com um cristão e disse “<i>Por anos você tem passado por mim no caminho de casa ao trabalho. Você acredita que existe um inferno onde os espíritos dos homens são lançados, não é?</i>”.“<i>Sim, eu creio</i>”, diz o cristão. &#8220;<i>E você acredita que a não ser que eu creia em Cristo eu serei enviado para lá?</i>&#8221; retrucou o infiel. O crente respondeu &#8220;<i>Sim</i>&#8220;, mas o infiel retrucou: &#8220;<i>não, você não acredita, eu tenho certeza, porque se você acredita nisto, você deve ser o desgraçado mais desumano a passar por mim, dia após dia, sem nunca me contar ou me alertar a respeito disto</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu realmente creio que há alguns cristãos que são de fato culpados neste assunto. Deus poderá perdoá-los, o sangue de Cristo pode até mesmo lavá-los, mas eles são culpados. Alguma vez você já pensou no enorme valor de uma única alma? Meus ouvintes, se houvesse apenas um homem não salvo na Sibéria e todo o resto do mundo fosse salvo,<b> </b>se Deus movesse nossas mentes valeria a pena que todas as pessoas da Inglaterra fossem atrás desta única alma. Você alguma vez já pensou no valor de uma alma?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ah! Vocês não têm ouvido os uivos e gritos do inferno. Vocês não têm ouvido as poderosas canções e a adoração dos glorificados. Vocês não têm noção do que a eternidade é, senão vocês saberiam o valor de uma alma. Vocês que têm sido quebrantados pela convicção, humilhados pelo Espírito e levados a clamar por misericórdia através da aliança de Jesus, vocês sabem um pouco do quanto uma alma é valiosa, mas muitos dos meus ouvintes não. Poderíamos pregar descuidadosamente ou orar friamente, se soubéssemos quão precioso é este assunto com o qual estamos preocupados? Não, com certeza nós seríamos zelosos em dobro para que Deus se agradasse em salvar pecadores. Estou certo que o atual estado das coisas não permanecerá por muito tempo, nós não estamos fazendo praticamente nada. O cristianismo está em baixa. As pessoas pensam que nunca seremos melhores e que é claramente impossível fazer maravilhas nestes dias. Mas, estamos nós em uma pior condição do que as nações católicas romanas estavam quando um homem – Lutero – pregou? Então Deus pode encontrar um Lutero hoje. Nós não estamos em um pior estado do que quando Whitefield começou a pregar, e ainda Deus pode encontrar Seus Whitfields hoje. É uma ilusão supor que não podemos ter tanto êxito quanto eles tiveram. Se Deus nos ajudar, nós teremos. Se Deus nos ajudar pelo Seu Espírito, nós veremos coisas maiores do que estas. De qualquer maneira, nunca deixaremos a Igreja de Deus descansar se não a vermos prosperar, mas iniciaremos um protesto sincero e caloroso<b> </b>contra a frieza e inércia dos tempos. E enquanto nossas línguas se moverem em nossas bocas, protestaremos contra a flacidez e a falsa doutrina tão desenfreada em todas as igrejas. E então aquela feliz dupla reforma; uma reforma na doutrina e no Espírito, será trazida em conjunto. Deus sabe o que diremos então: &#8220;<i>Quem são estes que vêm voando como nuvens e como pássaros às suas janelas?</i>&#8221; E muito antes o brado de Cristo será ouvido. Ele, ele mesmo, descerá do céu e ouviremos isto sendo dito e cantado: &#8220;<i>Aleluia! Aleluia! Aleluia! O Senhor Deus onipotente reina</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVIFÍCO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeongems.org/vols1-3/chs76.pdf">http://www.spurgeongems.org/vols1-3/chs76.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 76 — Volume 2 do <i>The New Park Street Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Thiago McHertt, em nome da <i>FIRELAND MISSIONS</i></p>
<p style="text-align: justify;">Revisão: Armando Marcos</p>
<p style="text-align: justify;">Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>CONFIRA O SITE DE NOSSA PARCEIRA E APOIE ESSA MISSÃO</b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>Fireland Missions – Missão evangelistica na Europa</b></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.firelandmissions.com/">http://www.firelandmissions.com/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a><b><i></i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;">
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Misso%CC%83es%20Evangelicas%20(PRONTO).doc#_ftnref1">[1]</a> <b>John Willians</b> (1796 – 20 de Novembro de 1839) foi um missionário inglês enviado pela Sociedade Missionária de Londres ao trabalho em diversas ilhas no Pacífico, entre elas as ilhas da Polinésia, Samoa e Ilhas Cook; em 1839, em Vanuatu, porem, ele  e seu colega James Harris foram mortos e comidos pelos canibais. (Wikipédia)</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Misso%CC%83es%20Evangelicas%20(PRONTO).doc#_ftnref2">[2]</a> <b>William Knibb</b> (07 de setembro de 1803 &#8211; 15 de Novembro 1845) foi um ministro Batista Inglês e missionário a Jamaica , é principalmente conhecido por seu trabalho para libertar os escravos das colônias. (Wikipédia)</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div>
<p style="text-align: justify;"><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Misso%CC%83es%20Evangelicas%20(PRONTO).doc#_ftnref3">[3]</a> <b>Robert Moffat</b> (21 de dezembro de 1795 &#8211; 9 de Agosto de 1883) foi um congregacionalista missionário escocês para a África pela Sociedade Missionária de Londres, e sogro de David Livingstone. Em 1856, ano desse sermão, Moffat estava trabalhando na região de Kuruman, África do Sul.</p>
</div>
</div>
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		<title>Segurança Garantida em Cristo</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 21:18:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[NO. 908 Sermão pregado na manhã de Domingo, 2 de Janeiro de 1870 Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOBI PARA KINDLE “Eu sei em quem tenho crido, e &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/05/seguranca-garantida-em-cristo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Segurança-Garantida-em-Cristo-.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7293" alt="Segurança Garantida em Cristo" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Segurança-Garantida-em-Cristo--723x1024.jpg" width="280" height="397" /></a>NO. 908</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na manhã de Domingo, 2 de Janeiro de 1870</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/ebook_seguranca_garantia_cristo_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Seguranca%20Garantida%20em%20Cristo%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Seguranca%20Garantida%20em%20Cristo%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI PARA KINDLE</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>“Eu sei em quem tenho crido, e estou seguro que é poderoso para guardar meu depósito para aquele dia.”</b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>2 Timóteo 1:12.</b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">No estilo dessas palavras apostólicas há uma certeza sobremaneira revigorante nessa época entregue a dúvida. Em certos círculos da sociedade é raro encontrar-se hoje em dia com alguém que creia em algo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O filosófico, o correto, o que está na moda em nossos dias é duvidar de tudo que geralmente é aceito; certamente quem sustém algum credo, do tipo que seja, são catalogados pela escola liberal como dogmáticos antiquados, como pessoas superficiais de um intelecto deficiente e mui defasados com respeito a sua época.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Os grandes homens, os homens de pensamento, os homens de cultura elevada e gosto refinado consideram que é sábio suspeitar da revelação; e escarnecem qualquer solidez de crença. Os condicionais &#8220;se&#8221; e &#8220;mas&#8221;, os &#8220;talvez&#8221; e os &#8220;porventura&#8221; são o deleite e o supremo dessa época. Havia de nos surpreender que os homens encontrem que tudo é incerto quando recusam submeter seus intelectos as declarações do Deus da verdade?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Note espantado, então, a edificante e até mesmo surpreendente segurança do apóstolo: “<i>Eu sei</i>,” afirma ele. E isso não basta: <i>“Estou seguro”</i>, acrescenta. Fala como alguém que não pode tolerar nenhuma dúvida. Não há nenhuma dúvida acerca de se têm crido ou não. “<i>Eu sei em quem tenho crido</i>.” Não há nenhuma vacilação acerca de se teria razão para crê-lo. “<i>Estou seguro que é poderoso para guardar meu depósito</i>”. Não há nenhum titubeio com respeito ao futuro; está tão seguro em relação aos anos por vir como o está quanto ao momento presente. “<i>É poderoso para guardar meu depósito para aquele dia.”</i> Bem, agora, a certeza que é somente um produto da ignorância e que não vem acompanhada de nada parecido a reflexão, resulta ser muito desagradável. Mas no caso do apóstolo, sua confiança não está fundamentada na ignorância, mas no conhecimento: “<i>eu sei</i>”, afirma ele. Há certas coisas que Paulo tem apurado, e ele sabe são um fato, e sua confiança está baseada nessas verdades que têm sido indagadas. Além disso, sua confiança não era fruto do descuido, pois acrescenta: “<i>estou seguro</i>”, como se houvesse fundamentado o assunto e foi persuadido a aceitá-lo; como se houvesse meditado largamente a respeito, e o teria pesado, e a força da verdade lhe tivesse convencido plenamente de maneira a ser persuadido.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando a certeza é o resultado do conhecimento e da meditação, se torna sublime, como sucedeu com o apóstolo, e sendo sublime, se torna influente. Neste caso, deve haver influído certamente no coração de Timóteo e na mente de dezenas de milhares de pessoas que examinaram esta epístola ao longo destes 19 séculos.  Incentiva os mais tímidos quando veem que outros são preservados e confirma os indecisos quando veem que outros permanecem firmes. As palavras do grande apóstolo, que ressoam com som de trombeta esta manhã: “<i>eu sei&#8230; e estou seguro”, </i>não podem senão nos ajudar a encorajar e dar ânimo a muitos de nós em nossas dificuldades e ansiedades. Que o Espírito Santo faça não apenas que admiremos a fé de Paulo, mas que a imitemos e que alcancemos o mesmo grau de confiança.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Alguns falam confiadamente <i>porque não estão seguros</i>. Quão frequentemente temos observado que o alarde e as bravatas são apenas manifestações externas de uma trepidação interior, são apenas dissimulações adotadas para esconder a covardia! Tal como assobiam os colegiais para renovar o ânimo quando atravessa o cemitério localizado junto a uma igreja, assim algumas pessoas falam com muita segurança porque não estão seguras, e fazem uma ostentação pomposa de fé porque desejam corroborar a presunção de que — como é seu único consolo — é sobremaneira apreciada por elas.<br />
Bem, agora, no caso do apóstolo, cada sílaba que ele pronuncia tem como base um peso sumamente real de confiança que as mais categóricas expressões não poderiam exagerar. Sentado ali dentro do calabouço como prisioneiro por Cristo, aborrecido por seus compatriotas, desprezado pelos doutos e ridicularizados pelos rudes, Paulo confrontou o mundo inteiro com uma santa valentia que não conhecia nenhuma covardia, com um valor que era produto da profunda convicção de seu espírito. Vocês podem tomar estas palavras e dar a cada uma delas toda a ênfase possível, pois são as expressões verazes de um espírito inteiramente sincero e valente. Que desfrutássemos nós também de uma confiança assim e que a declarássemos com plena convicção, pois nosso testemunho daria glória a Deus e levaria consolo aos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Esta manhã, para nossa instrução e conforme o Espírito Santo nos ajude, vamos considerar, primeiro, <i>o encargo em questão: o que Paulo confiou a Cristo</i>; em segundo lugar, o feito que está mais além de toda dúvida, quer dizer, <i>que Cristo foi poderoso para guardá-lo</i>; em terceiro lugar, <i>a certeza desse fato</i>; e como o apóstolo foi capaz de dizer: “eu sei&#8230; e estou persuadido”, e em quarto lugar, <i>a influência dessa segurança quando </i>governa no coração.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>I. </b>Primeiro então, queridos amigos, falemos uns poucos minutos sobre O ENCARGO EM QUESTÃO.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O encargo foi, em primeiro lugar, <i>o depósito que o apóstolo fez de todos seus interesses e preocupações na mão de Deus em Cristo</i>. Alguns têm dito que Paulo falava aqui de seu ministério, mas há muitas razões para concluir que isso é um erro. Uma grande gama de expositores, que por cabeça dos quais mencionaremos Calvino, pensam que o único tesouro que Paulo depositou na mão de Deus era sua salvação eterna. Nós não duvidamos de que isso constituiu a maior parte do valor inestimável do depósito, mas pensamos também que como o contexto não limita o sentido, não pode ficar restringido ou confiando a uma só coisa. Parece-nos que todos os interesses temporais e eternos do apóstolo foram depositados, mediante um ato fé, na mão de Deus em Cristo Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O apóstolo entregou <i>seu corpo</i> ao cuidado benevolente do Senhor. Paulo havia sofrido muito nesse frágil tabernáculo. Naufrágios, perigos, fome, frio, nudez, prisões, açoites com varas e apedrejamento haviam empregado sua fúria contra ele. Paulo esperava que não passaria muito tempo antes que seu corpo mortal se visse preso a crueldade de Nero. Ninguém poderia dizer o que lhe sucederia então, se seria queimado vivo para iluminar os jardins de Nero, ou se seria despedaçado pelas feras para fazer uma festa romana, ou se converteria em vítima da espada do carrasco, mas, independentemente da forma em que pudesse ser chamado a oferecer-se em sacrifício a Deus, Paulo entregou seu corpo a custódia Daquele que é a ressurreição e a vida, estando completamente persuadido de que ressuscitaria de novo no dia do advento do Senhor, sem que seu corpo sofresse nenhuma perda devido a tortura ou ao desmembramento. Paulo esperava uma feliz ressurreição, e não pedia nenhum embalsamento melhor para seu corpo que o que o poder de Cristo lhe garantia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O apóstolo entregou a Cristo naquela hora <i>seu caráter e reputação</i>. Um ministro cristão deve esperar perder sua reputação entre os homens. Ele tem que estar disposto a sofrer todo tipo de vitupérios por causa de Cristo. Mas, por outra parte, pode estar seguro de que jamais perderá sua honra real se corre o risco pela causa da verdade e é colocado na mão do Redentor. O Dia declarará a excelência dos retos, pois revelará tudo o que estava oculto e sacará à luz o que estava encoberto. Haverá uma ressurreição de caracteres assim como de pessoas. Cada reputação que tenha sido ofuscada pelas nuvens do vitupério por causa de Cristo, se tornará gloriosa quando os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai. “Que os ímpios digam o que querem de mim” ”—disse o Apóstolo”— “eu confio meu caráter ao Juiz dos vivos e mortos”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Da mesma maneira, colocou nas mãos de Deus <i>a obra de toda sua vid</i>a. Os homens diziam, sem dúvida, que Paulo havia cometido um grave erro. Aos sábios segundo o mundo Paulo deve de haver-lhes parecido que estava completamente louco. De haver-se convertido em rabino, quanta eminência lhe esperava! Como fariseu, poderia ter levado uma vida respeitada e honrada entre seus compatriotas. E se tivesse preferido seguir as filosofias gregas, sendo um varão de tal vigor mental, poderia ter rivalizado com Sócrates ou com Platão. Mas ao invés disso, preferiu unir-se a um grupo de homens comumente considerados como fanáticos ignorantes que transtornavam o mundo. “Ah, bem!”— disse Paulo—  “deixo a recompensa e o fruto de minha vida inteiramente a meu Senhor, pois Ele justificará,  ao final, minha eleição de servir debaixo do estandarte de Seu Filho, e o universo inteiro saberá que não fui um fanático equivocado que trabalhou por uma causa sem sentido”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">De igual maneira o apóstolo consignou nas mãos de Deus em Cristo <i>sua alma</i>, sem importar qual fosse o perigo que corresse pelas tentações que lhe rodeavam. Paulo sentia-se seguro nas mãos da grandiosa Fiança, independente de quão grandes foram as corrupções que se alojavam em seu interior e os perigos que estavam a espreita. O apóstolo transferiu ao Depositário divino todos seus poderes mentais, suas faculdades, suas paixões, instintos, desejos e ambições. Ele entregou sua natureza inteira ao Cristo de Deus para que a preservasse em santidade ao longo de toda sua vida, e o transcurso de sua vida justificou amplamente sua fé.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Paulo entregou sua alma para ser guardada na hora da morte, para que então fosse fortalecida, sustentada, consolada, reforçada e guiada através das rotas desconhecidas, em sua ascensão através do misterioso e o inexplorado até o trono de Deus, o Pai.  Ele entregou seu espírito a Cristo para ser apresentado sem mancha nem ruga, nem nada parecido no último grande dia. Ele fez, de fato, um depósito integral de tudo o que ele era, de tudo o que tinha e de tudo o que lhe concernia, para a custódia de Deus em Cristo, para encontrar em seu Deus um fiel guardião, um defensor seguro e um depositário confiável.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Então este era o encargo ao que o apóstolo se referia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas juntamente com isso, o encargo em questão incluía a <i>habilidade do Senhor para cumprir com essa custódia</i>. O apóstolo não duvidava de que Cristo houvesse aceitado o ofício de depositário daquilo que lhe havia entregado. A dúvida nunca foi com respeito à fidelidade de Cristo para o que lhe havia confiado. O apóstolo nem sequer disse que confiava que Jesus seria fiel; considerava que essa asseveração era supérflua. Não havia nenhuma dúvida com respeito à disposição de Cristo para guardar a alma confiada a Ele; considerava que não era necessário fazer uma declaração nesse sentido. Mas a pergunta que muitos faziam era em relação ao poder do Redentor que foi crucificado de guardar o que lhe havia sido confiado. Oh, disse o apóstolo: “<i>eu sei e estou seguro que é poderoso para fazer isso</i>”. Observem, meus queridos amigos, que a pergunta não é a respeito do poder do apóstolo para guardar-se a si mesmo; ele não faz essa pergunta. Muitos de vocês têm se preocupado por saber se são capazes de resistir à tentação; não necessitam debater o tema; é claro que à parte de Cristo vocês são sumamente incapazes de perseverar até o fim. Respondam a essa pergunta de imediato com uma negação categórica e não voltem a fazê-la nunca mais. A pergunta não era se o apóstolo seria encontrado com mérito em sua própria justiça no dia do juízo, pois ele havia descartado fazia tempo essa justiça própria. Paulo não toca nesse ponto. A pergunta é esta: “<i>É Jesus capaz de guardar-me</i>?”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Apeguem-se a isso, meus irmãos, e suas dúvidas e temores rapidamente desaparecerão. Em relação a seu próprio poder ou mérito, escrevam “<i>desesperança</i>” de imediato sobre sua fronte. Considerem a criatura como completamente morta e corrupta, e, portanto, apoiem-se sobre esse braço cujos músculos nunca cedem, e descansem todo seu peso sobre essa onipotência que sustém as colunas do universo. Ai está o ponto; apeguem-se a Ele e vocês não perderão sua alegria. Vocês se confiaram a Cristo. A grande pergunta agora não é sobre o que vocês podem fazer, mas acerca do que <i>Jesus é capaz de fazer</i>, e podem ter a segurança de que Ele é poderoso para guardar o que se lhe foi confiado.</p>
<p style="text-align: justify;"> <span id="more-7291"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O apóstolo faz avançar nossos pensamentos até certo período definido: a custódia da alma até o que Ele chama de “<i>aquele dia</i>”. Eu suponho que o chama “<i>aquele dia</i>” porque era o dia mais ardentemente esperado pelos cristãos e o dia de que mais se falava. Falar da vinda de Cristo e de seus resultados era um tópico tão usual de conversação que o apóstolo não disse: “<i>o advento</i>”, mas que disse simplesmente “<i>aquele dia</i>”. Aquele dia com o que os crentes estão familiarizados com que qualquer outro dia. Aquele dia, o dia da morte, se assim o querem, quando a alma se apresenta diante de seu Deus. O dia do juízo, se lhes parece, aquele dia quando se abram os livros e seu conteúdo seja lido. Aquele dia, o fim de tudo, o selado do destino, a manifestação da sorte eterna de cada um de nós. Aquele dia por o qual todos os demais dias foram feitos. Cristo Jesus é poderoso para guardar-nos contra aquele dia. Quer dizer, então Ele é capaz de nos colocar a destra de Deus, de colocar nossos pés sobre a rocha quando outros se afundam no abismo sem fundo; de coroar-nos quando outros são amaldiçoados; de nos embelezar no paraíso quando os pecadores são lançados no inferno.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Este é o tema a considerar: pode o Grandioso Pastor das almas preservar a seu rebanho? Ah, irmãos! Se vocês nunca exploraram essa pergunta, não me surpreenda que tivessem que fazê-la. Quando estão muito abatidos e estão débeis, e o coração e a carne estão fraquejando, quando a enfermidade nos leva a beira da tumba e vislumbram a eternidade, essa pergunta pode ocorrer a qualquer pessoal reflexiva: minha confiança no Cristo de Deus é válida? Ele será capaz, no artículo da morte, quando meu espírito se estremecer ao seu desvestido, será Ele capaz então de elevar-me? E na hora mais terrível, quando o som da tromba despertar os mortos, encontrarei que, em verdade, que a Grandiosa Vítima pelo pecado é capaz de defender-me? Seu mérito será suficiente, não tendo eu nenhum mérito próprio? Somente Seu sangue me limpará de dez mil pecados? Nada pode igualar jamais em importância a este assunto: é um assunto que há de ser considerado com a mais indispensável urgência.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>II.</b> É uma feliz circunstância que possamos passar a nosso segundo ponto, para refletir por um momento NO FATO QUE ESTÁ MAIS ALÉM DE TODA DÚVIDA, quer dizer, <i>que Deus em Cristo é poderoso para guardar o que temos depositado nEle</i>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A confiança do apóstolo era que Cristo é um depositário capaz. Então Paulo quis dizer, primeiro, que <i>Jesus é capaz de guardar a alma de cair no pecado condenatório</i>. Eu suponho que este é um dos maiores temores que jamais poderia perturbar o verdadeiro crente. Por acaso não oraram nunca clamando pela morte antes que apartar-se de Cristo? Eu o fiz, e em minha alma tenho cantado amargamente aquele verso—</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Ah, Senhor! Com um coração como o meu,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> A menos que Tu me sustenhas firmemente, </i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Sinto que vou declinar e que o farei,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>E que vou me apartar de Ti ao final.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Agora, cristão perturbado, lembre que seu Senhor é poderoso para guardar-lhe <i>debaixo de toda forma de tentação possível</i>. Ah, você diz, o apóstolo Paulo não tinha as tribulações que eu tenho. Eu creio que as tinha; mas ainda se não as tivesse tido, Jesus as experimentou: e Cristo tem a habilidade de guardar-te frente a elas: Escuto que alguém diz: “eu sou o único em minha casa que tem sido chamado pela graça, e todos os demais se opõem a mim; sou um ser solitário na casa de meu pai”? Pois bem, Paulo se encontrava precisamente em sua condição. Ele era um hebreu de hebreus, e era visto por sua gente com o ódio mais extremo porque havia saído de entre deles para seguir o Crucificado. Contudo, Paulo sentia que Deus era poderoso para guarda-lo, e você pode estar de seguro de que ainda que seu pai e sua mãe lhe abandonem, e seus irmãos e suas irmãs o zombem, Aquele em que você confia lhe guardará firme na fé.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ah” —disse outro— “Mas você não sabes em que consiste esforçar-se contra os prejuízos de uma educação hostil a fé em Jesus; quando busco crescer na graça, as coisas que aprendi em minha meninice se interpõem com violência e me servem de obstáculo.” E por acaso o apóstolo não se encontrava no mesmo caso? No tocante a lei, ele havia sido fariseu, educado na mais rigorosa seita, instruído nas tradições que eram opostas a fé de Cristo, e, contudo, o Senhor o guardou fiel até o final. Nenhum de seus velhos prejuízos foi sequer capaz de ofuscar a simplicidade do Evangelho de Cristo. Deus é poderoso para guardar você também, apesar dos seus prejuízos pré-existentes. “Ah” — disse um— “mas eu sou vítima de muitos pensamentos céticos. Com frequência sofro de dúvidas de ordem mais sutil”. Você pensa que o apóstolo nunca conheceu essa tribulação? Ele não desconhecia filosofia grega, que consistia em um punhado de perguntas e ceticismos. Ele deve Ter experimentado essas tentações que são comuns as mentes reflexivas; e contudo, disse: “<i>estou seguro que é poderoso para guardar meu depósito</i>”;  então, acredite em mim, que o Senhor Jesus é igualmente poderoso para guardar-se.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Sim”—disse outro—“mas eu tenho muitas tentações no mundo. Se não fosse cristão, prosperaria muito mais. Tenho oportunidades agora diante de mim por meio das quais eu poderia obter logo alguma folga econômica em breve, e talvez até riqueza, se não fosse entorpecido por minha consciência”. Não se esqueça de que o apóstolo estava em um caso semelhante. O que ele não poderia ter tido? Um homem de sua condição na vida — sendo seu nascimento e sua linhagem altamente vantajosa — um homem de seus poderes mentais e de sua grande energia poderia ocupar qualquer posição atrativa; mas quantas coisas eram para ganância, as estimava como perdas por amor de Cristo; e estava disposto a ser menos que nada porque o poder da graça divina o mantinha fiel a sua profissão. Mas você me diz que é muito pobre e que a pobreza é uma prova muito severa. Irmão, você não é tão pobre como Paulo. Eu suponho que algumas agulhas para fabricação de suas tendas, uma velha capa e alguns pergaminhos constituíam toda sua riqueza. Este apóstolo era um varão sem uma casa, um homem sem um só palmo de terra que pudesse considerar sua; mas a pobreza e a carência não podiam abatê-lo. Cristo era poderoso para guardá-lo até mesmo assim.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Ah”—você diz—“mas ele não tinha minhas paixões violentas e corrupções.” Mui certamente tinha todas, pois o ouvimos exclamar: “<i>Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.</i><i> Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte</i>?”. Paulo foi tentado tal como você o é, no entanto, ele sabia que Cristo era poderoso para guarda-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Oh cristão trêmulo, nunca duvide deste ato que reanima a alma: que seu amoroso Salvador é poderoso para guardar-lhe.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas o apóstolo não confiava meramente que Cristo o guardaria desta maneira do pecado, mas confiava que o mesmo braço <i>o preservaria de cair no desespero</i>. Paulo estava sempre lutando contra o mundo. Houve épocas quando em que não contou com nenhum colaborador. Os irmãos frequentemente mostraram ser falsos, e os que foram fiéis eram frequentemente tímidos. Encontrou-se no mundo como uma ovelha rodeada de lobos. Mas Paulo não era covarde. Ele tinha seus temores, pois era mortal, mas se sobrepunha a eles, pois era sustentado divinamente. Que postura sempre mantinha! Nero podia erguer-se diante dele — um monstro horrível para que o homem nem sequer sonhasse com ele — mas o valor de Paulo não cede. Uma turba judaica pode rodeá-lo e arrastá-lo para fora da cidade, mas a mente de Paulo permanece tranquila e serena. Eles podem colocá-lo no tronco depois de açoitá-lo, mas seu coração encontra um alívio apropriado em um hino ao invés de um gemido; ele é sempre valente, sempre invencível, confiante na vitória. Ele cria que Deus o guardaria, e foi guardado. E você, meu irmão, minha irmã, ainda que sua vida pudesse ser um conflito muito severo e algumas vezes pense que vai renunciar a Ele no desespero, você nunca vai se aposentar do conflito sagrado. Ele que o trouxe até aqui, irá levá-lo até o fim, e o fará mais que vencedor, pois Ele é poderoso para lhe proteger do desfalecimento e do desespero.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O apóstolo queria dizer também, sem dúvida, <i>que Cristo era poderoso para guardá-lo do poder da morte</i>. Amados, este é um grande consolo para nós que morreremos em breve. Para o apóstolo a morte era algo muito presente. “<i>Cada dia morro</i>”, ele disse.  No entanto, estava muito convencido de que a morte seria ganho ao invés de perda para ele, pois estava seguro que Cristo ordenaria de tal maneira a todas as coisas que a morte somente seria como um anjo que o admitiria à vida eterna. Estejamos seguros disto também, pois Aquele que é a ressurreição e a vida não nos abandonará. Meus irmãos e irmãs, não se afundem na servidão por culpa do medo da morte, pois o Salvador vivente é poderoso para guardá-los, e o fará. Rogo-lhes que não ponham tanto seu olhar nas dores, nos gemidos e na luta da agonia; olhem mais para esse Amigo benigno, que, havendo suportado as agonias da morte antes de vocês, pode identificar-se com seus sofrimentos, e quem, posto que vive para sempre, pode proporcionar-lhes a ajuda disponível. Lancem seus cuidados sobre Ele, e não tenham mais medo de morrer para ir a cama quando a noite cai.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O apóstolo está seguro também de que <i>Cristo é poderoso para preservar sua alma no outro mundo</i>. Pouco é revelado na Escritura por meio de uma descrição detalhada desse outro mundo. Poder-se-ia dar espaço a imaginação, mas pouco se poderia comprovar. Isto é o que sabemos: que o espírito volta a Deus que o deu; e no instante seguinte a morte a alma do justo está no paraíso com Cristo; isto também está claro. Contudo, conhecendo os detalhes ou não, temos a certeza de que a alma está segura com Cristo. Seja qual for o perigo que nos espere em nossa jornada desde esse planeta até a morada de Deus, proveniente dos espíritos malignos, seja qual for o conflito no último momento. Jesus é poderoso para guardar o depósito que lhe temos confiado. Se eu tivesse que guardar a mim mesmo, certamente poderia tremer alarmado ante a expectativa da região desconhecida, mas Aquele que é o Senhor da morte e do inferno, e possui as chaves do céu, pode seguramente guardar minha alma nessa terrível viagem através do mar sem trilhas. Tudo está bem; tudo dará certo para os justos, mesmo na terra da sombra da morte, pois o domínio de nosso Senhor se estende até lá, e tratando-se de Seus domínios, estamos seguros.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Finalmente, Paulo cria que <i>Cristo era poderoso para preservar seu corpo</i>. Recordem minha declaração que Paulo confiou a Deus, em Cristo, tudo o que era e tudo o que tinha. Nós não devemos menosprezar este corpo; ele é o embrião do corpo na qual temos de morar eternamente; será ressuscitado da corrupção para incorruptibilidade, mas será o mesmo corpo. Despojado da debilidade para o poder, da desonra para glória, não perde nunca sua identidade. A maravilha da ressurreição não deixará de cumprir-se. Poderia parecer que é algo impossível que o corpo que se apodreceu na tumba, e, que talvez possa ter sido espalhado no pó da terra, ou que tenha absorvido pela vegetação, ou que tenha sido digerido por animais, ou que haja passado por incontáveis ciclos de transformações, seja ressuscitado de novo; contudo, por impossível que pareça, o Senhor Jesus Cristo o realizará. Tem ser tão fácil reconstruir uma segunda vez como criar a partir do nada pela primeira vez. Olhem a criação, e vejam que nada é impossível para Deus. Pensem na Palavra, sem a qual nada do que foi feito se fez, e de imediato já não falarão mais de dificuldades. Para o homem poderia ser impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em sua plenitude, meus irmãos, na integridade de Sua humanidade, espírito, alma e corpo; em tudo o que é essencial a sua natureza para sua felicidade, para sua perfeição, em cada parte e seu poder, se vocês colocaram tudo nas mãos de Cristo, serão guardados para aquele dia, quando sejam feitos a Sua imagem, e experimentem em suas próprias pessoas o poder em quem confiam neste dia devotamente por sua fé.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>III.</b> Em terceiro lugar, prosseguiremos a considerar A SEGURANÇA DESTE FATO, ou como o Apóstolo Paulo a alcançou.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Não pode falar assim”—disse alguém—“eu não posso falar: ‘eu sei&#8230; e estou seguro’; estou muito agradecido porque posso dizer: ‘espero, confio, penso’”. Queridos amigos, a fim de ajudá-los a avançar, notaremos como o apóstolo Paulo alcançou tal segurança. Tal como se adverte nesse texto, uma importante ajuda para ele era <i>seu hábito de fazer sempre da fé o ponto mais proeminente de consideração</i>. A fé é mencionada duas vezes nas poucas linhas que estamos analisando. “Eu sei em quem <i>tenho crido</i>, e estou seguro que é poderoso para guardar <i>meu depósito</i> para aquele dia”.<b> </b> Paulo sabia o que era a fé, quer dizer, uma entrega de suas coisas valiosas a custódia de Cristo. Ele não disse: “<i>Tenho servido</i> a Cristo.” Não, não disse: “<i>estou crescendo a semelhança de Cristo</i>, portanto, estou seguro que serei guardado.” Não, ele ressalta de maneira proeminente em seu pensamento o fato de que havia crido, e então, que havia depositado sua própria pessoa em Cristo. Deus queira, queridos amigos, que vocês estejam sujeitos a dúvidas e temores, ao invés de escavar em seus corações para encontrar evidências e sinais de crescimento na graça e na semelhança de Cristo, e assim sucessivamente, queiram fazer primeiro uma investigação concernente a um ponto que é muito mais vital, quer dizer: Vocês têm crido?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Querido coração ansioso, comece sua busca nesse ponto. Você confia em Cristo? Se você confia nEle, ainda que os sinais sejam escassos e as evidências escuras por um tempo, o que crê nEle tem vida eterna, “o que crê e é batizado será salvo”. As evidências virão, os sinais serão aclarados em seu devido tempo, mas todos os sinais e evidências entre aqui e o céu não valem nem um centavo para uma alma quando chega ao conflito real com a morte e o inferno. Assim, deve ser a fé simples que saia totalmente triunfante. Essas outras coisas são suficientemente boas em tempos melhores, mas em tratar-se de saber ser está  seguro ou não, tem que chegar a isto: “Tenho confiado com todo o meu coração Naquele que veio a este mundo para salvar pecadores, e ainda que eu fosse o principal dos pecadores, eu creio que Ele é poderoso para me salvar”. Vocês alcançarão a segurança se possuem claridade com respeito a sua fé.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A seguinte ajuda para alcançar a segurança, segundo deduzo do texto, é essa: <i>o apóstolo mantinha de modo extremamente clara sua visão de um Cristo pessoal</i>. Observem como mencionou três vezes o seu Senhor. “Eu sei <i>em quem</i> tenho crido, e estou seguro que <i>é</i> poderoso para guardar meu depósito para aquele dia”. Não disse: “Conheço as doutrinas que creio”. Seguramente o fazia, mas isso não era o mais importante. Não disse: “Estou seguro a respeito a forma das sãs palavras que sustenho”. Estava suficientemente seguro quanto a isso, mas isso não constituía seu fundamento. Nenhuma simples doutrina pode ser jamais o sustento da alma.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O que pode fazer um dogma? O que pode fazer um credo? Irmãos, essas coisas são como as medicinas que precisam de uma mão que as ministrem. Necessitam de um médico que as receite. De outra forma, poderiam morrer com todos esses preciosos remédios à mão. Vocês precisam de uma pessoa em quem confiar. Nenhum cristianismo é tão vital—segundo entendo— tão influente, tão verdadeiro, tão real, como o cristianismo que trata com <i>a pessoa do Redentor vivente</i>. Eu o conheço, eu sei que Ele é Deus, eu sei que Ele é meu; eu não confio meramente em Seu ensino, mas nEle mesmo; não dependo tanto de Suas leis, regras, ou ensinos, como dEle mesmo como pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Amado irmão, é o que você está fazendo agora? Tem entregue sua alma em depósito a esse bendito varão que também é Deus, e que está assentado a destra do Pai? Pode vir em fé a Seus pés, e beijar as pegadas dos cravos, e logo pode observar Seu rosto amado e dizer: “Ah, Filho de Deus, eu confio no poder de Teu braço, na preciosidade de Teu sangue, no amor de Teu coração, no predomínio de Sua intercessão, na certeza de Tua promessa, na imutabilidade de Teu caráter, eu confio em Ti e somente em Ti”?  Você obterá essa segurança sem problemas agora. Mas, se começa a desperdiçar sua compreensão real da pessoa de Cristo e vive meramente de dogmas e doutrinas, você estará muito longe da segurança real.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Além disso, irmãos, o apóstolo alcançou esta plena segurança através <i>de um crescente conhecimento</i>. Não disse: “Estou seguro de que Cristo me salvará independentemente do que sei sobre Ele”, mas que começa dizendo: “Eu sei”. Que nenhum cristão entre nós descuide dos meios previstos para obter um conhecimento mais pleno do Evangelho de Cristo. Quisera eu que essa época produzisse cristãos mais reflexivos e estudiosos. Tenho medo de que muito do que vocês pudessem recordar do sermão, ou da leitura em público, não aprendem muito da palavra de Deus e nem dos inumeráveis livros instrutivos que homens piedosos nos legaram. Os homens se dedicam ao estudo em diversas escolas e universidades com o intuito de obter um conhecimento dos clássicos e das matemáticas, mas não deveríamos ser ainda mais diligentes para poder conhecer a Cristo, poder estudá-Lo e tudo o que é concernente a Ele, e não seguir sendo crianças, mas que possamos ser homens maduros no conhecimento? Muitos dos temores dos cristãos seriam afugentados se soubessem mais. A ignorância não é nenhuma bem-aventurança no cristianismo, mas sim uma miséria; e o conhecimento santificado e acompanhado da presença do Espírito Santo é como asas graças as quais podemos passar por cima das névoas e das trevas e adentrarmos na luz da plena segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O conhecimento em Cristo é a mais excelente das ciências; procure ser um mestre nisso, e você estará a caminho da plena segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Além disso, segundo se desprende do texto, <i>o apóstolo adquiriu sua segurança por um exame cuidadoso, assim como pelo conhecimento</i>. “Eu sei&#8230; e estou seguro”. Como já disse, a persuasão é o resultado do argumento. O apóstolo havia meditado sobre esse assunto; havia meditado sobre os prós e os contras; tinha pesado cuidadosamente cada dificuldade, e sentia a força preponderante da verdade que limpava o caminho de toda dificuldade. Oh, cristão, se sob a orientação do Espírito Santo familiarizasse mais sua mente com a verdade divina, terás uma maior segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu creio que a doutrina que apresenta maiores dificuldades para nossa mente é aquela que temos estudado menos na Palavra. Indaguem-na e a observem. As divisões entre os cristãos em nossos dias não são tanto o resultado de uma diferença real de opinião, como a carência de um pensamento preciso. Creio que estamos nos aproximando mais e mais na nossa teologia e que, em geral, ao menos nas igrejas dissidentes da Inglaterra, todos os ministros evangélicos pregam uma teologia muito similar; mas alguns não são cuidadosos de seus términos e palavras e as usam incorretamente, e assim parecem pregar doutrinas equivocadas quando em seus corações tem uma intenção que é suficientemente correta. Que chegássemos a ser mais reflexivos, cada um de nós, pois disso proveriam mil benefícios. Pensando na deidade de Cristo, considerando a veracidade da promessa divina, meditando sobre os alicerces do pacto eterno, refletindo no que Cristo tem feito por nós, deveríamos chegar afinal, pelo ensino do Espírito, a estar plenamente persuadidos do poder de Cristo para guardar o encargo sagrado que Lhe temos confiado.  Dúvidas e temores se dissipariam como nuvens varridas pelo vento. Quantos cristãos são como o avarento que nunca se sente tranquilo com respeito à segurança de seu dinheiro, ainda quando trancou o cofre com chave, e assegurado o quarto que o guarda, e trancou a casa com o ferrolho, e fechou as trancas de cada porta! No meio da noite, ele pensa que ouve uns passos, e desce, tremendo, para inspecionar seu quarto de segurança. Havendo inspecionado o quarto e provado todas as barras ferro que estão nas janelas, e não tendo descoberto nenhum ladrão, teme que o ladrão, teme que o ladrão possa ter ido e vindo e roubado o precioso tesouro. Então abre a porta de seu cofre forte, observa, e espia, encontra que sua bolsa de ouro está segura, e que essas escrituras e esses títulos estão seguros também. Ele os coloca à parte, fecha a porta, tranca-a com a chave, fecha os ferrolho e os passadores do quarto em que está o cofre forte com todos os seus pertences; mas enquanto se retira para seu leito, imagina que um ladrão acaba de entrar. Assim, dificilmente desfruta de um sono profundo e reparador. A segurança do tesouro do cristão é de um tipo completamente diferente. Sua alma não está sob as trancas ou ferrolhos, nem sob a fechadura nem a chave que ele mesmo tinha fornecido, mas que há transferido tudo o que tem ao Rei eterno, imortal, invisível, o único Deus sábio, nosso Salvador, e tal é sua segurança que desfruta o sonho do amado, descansando tranquilamente, pois tudo está bem.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Se Jesus pudesse falhasse conosco, poderíamos usar pano de saco perpetuamente, mas como Ele é imutável em Seu amor e onipotente em Sua força, podemos por as vestes de louvor. Crendo como cremos que o eterno amor não pode abandonar, nem abandonará uma alma que se apoia em seu poderio, triunfamos no coração e encontramos que a glória já começou aqui embaixo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>IV.</b> Agora, para concluir, qual é A INFLUÊNCIA DESSA SEGURANÇA quando penetra na mente?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Visto que meu tempo se esgota, somente direi que, como no caso do apóstolo, <i>essa seguramça nos capacita para resistir todo o opróbrio que poderíamos encontrar por servir o Senhor</i>.  Diziam que Paulo era um néscio. “Bem” — “não me envergonho, porque eu sei em quem tenho crido; e estou disposto a ser considerado um néscio”. Os ímpios podem rir de nós agora, mas seu riso acabará em breve, e o ganhador sempre é o que rirá ao final. Sintam-se perfeitamente confiantes que tudo está seguro, e podem permitir que o mundo ria de vocês até que sua face doa. Que importa o que pensam os mortais? O que significa o que o universo inteiro pense se Deus ama nossas almas? Meus queridos amigos, quando vivam na plena segurança do amor de Deus, se voltaram indiferentes as opiniões dos seres carnais. Andarão por ai cumprindo com seu serviço celestial com o olhar fixo unicamente na vontade de seu Senhor, e o juízo dos que se oponham e censuram lhes parecerá indigno da menor consideração. Se duvidam e possuem medo, será muito difícil que o logrem; mas se estão serenamente confiantes em que Ele é poderoso para guarda-los, se atreverão a enfrentar a contenda mais dura sem temor, já que sua armadura é suficientemente sólida para resistir.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A segurança lhes proporcionará <i>uma serenidade interior que os habilitará para prestar mais serviço</i>. Uma pessoa que está sempre se preocupando pela salvação de sua própria alma tem poucas energias para servir a seu Senhor.  Mas quando a alma conhece o significado das palavras de Cristo: “<i>Está consumado</i>”, volta toda sua força nos canais de serviço por amor a esse Salvador tão bendito. Oh, vocês que duvidam, e que, portanto, se inquietam e se preocupam, e fazem a pergunta: “Amo ao Senhor ou não? Sou Seu ou não o sou?”, como desejaria que esse suspense terminasse para vocês. Oh, vocês, que temem diariamente que depois de tudo pudessem ser desprezados, vocês perdem sua força para servir a seu Deus. Quando estão seguros de que Ele é poderoso para guardar o que você tem depositado nEle, então sua humanidade inteira, motivada pela gratidão, se gasta e é gastada na causa do seu Senhor. Que Deus os faça homens com plenitude de vigor, dando-lhes plenitude de segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Aqueles que não são salvos neste lugar poderiam muito bem invejar aqueles que são. O que me atraiu a Cristo— não ouvi falar de outros que tenham sido trazidos dessa maneira, mas isso me trouxe a Cristo principalmente — foi a <i>doutrina da segurança dos santos</i>.  Enamorei-me do Evangelho através dessa verdade. “Como!” – pensei – “estão de fato seguros aqueles que confiam em Jesus? Não perecerão jamais e nada os arrebatará da mão de Cristo?”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Todo o mundo valoriza a segurança. Alguém não asseguraria sua vida se pensasse que há dúvida com respeito à segurança da companhia Seguradora. Sentindo que havia perfeita segurança se eu me entregava ao Redentor, assim o fiz, não lamento até hoje ter entregado minha alma a Ele. Jovens, não podem fazer nada melhor nas etapas iniciais de sua vida que confiar seu futuro ao Senhor Jesus. Muitos filhos em casa aparentam serem excelentes, muitos adolescentes antes de abandonar a casa de seu pai são amigáveis e de caráter louvável; mas este é um mundo rude, e ele logo arruína as graças que têm sido nutridas ao abrigo da vida doméstica.  Alguns bons garotos frequentemente se convertem em homens maus; e garotas que eram muito amáveis e puras no lar se têm sabido que se tornaram mulheres muito perversas. Oh filhos, seus caracteres estarão seguros se os confiam a Jesus. Eu não digo que serão ricos se confiam em Cristo; nem digo que prosperarão a maneira dos homens, mas o que digo é que serão felizes na verdade, no melhor sentido dessa palavra, e que sua santidade será preservada por haver-se confiado a Jesus. Eu oro pedindo que sejam conduzidos a desejar entregar-se a Deus, especialmente qualquer de vocês que está a ponto de abandonar a casa paterna, o que está estabelecendo algum negócio por conta própria. Este primeiro domingo de ano novo é um tempo apropriado para começar retamente! Oh, que o Espírito Santo sussurre suavemente a seus ouvidos algumas razões que os persuadam a entregar-se a Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu lhes digo novamente: meu testemunho é que não podem fazer uma coisa mais sabia, ou melhor. Oh, eu desejaria que vocês conhecessem a felicidade que minha alma conheceu ao descansar em meu Senhor! Eu não deixaria de ser um cristão, ainda se em troca pudesse ser convertido em um rei ou um anjo. Nenhum caráter pode ser para mim tão apropriado ou tão feliz como o de alguém que depende humildemente do amor fiel do meu Senhor redentor. Oh, venham e confiem Nele, amados e jovens amigos! Vocês que são maiores, necessitam que lhes fale quanto já estão se aproximando tanto da tumba? Vocês estão sem Cristo agora? Quão pronto poderiam estar no inferno? Vocês que são mais jovens, eu lhes digo que apanhem esta hora passageira, e que este seja o dia da qual cantem em anos posteriores—</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Está feita! A grande transação foi feita;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Eu sou do meu Senhor, e Ele é meu;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Ele me atraiu, e eu O segui,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Encantado de confessar a voz divina. </i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>O alto céu, que ouviu o voto solene.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Esse voto renovado haverá de ouvir cada dia,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Até eu cair na última hora da vida,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>E bendiga na morte um laço tão querido”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<div style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Porção da Escritura lida antes do sermão: 2 Timóteo 1.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><i><br clear="all" /> </i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon908.pdf">http://www.spurgeon.com.mx/sermon908.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 908 — Volume 16 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: César Augusto Vargas Américo</p>
<p style="text-align: justify;">Revisão: Armando Marcos</p>
<p style="text-align: justify;">Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a><b><i></i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Deus Ama o Que Dá com Alegria</title>
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		<pubDate>Tue, 07 May 2013 21:28:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nº 835 Sermão pregado na noite de quinta-feira, 27 de agosto de 1868 Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOBI   &#8220;Porque Deus ama ao que dá com alegria.&#8221; &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/05/deus-ama-o-que-da-com-alegria/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" align="center"><img class="alignleft  wp-image-7282" alt="capa Deus Ama o que dá com alegria" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/capa-Deus-Ama-o-que-dá-com-alegria-723x1024.jpg" width="286" height="405" />Nº 835</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na noite de quinta-feira, 27 de agosto de 1868</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/ebook_deus_ama_da_alegria_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Deus%20Ama%20Ao%20que%20D%C3%A1%20com%20Alegria%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Deus%20Ama%20Ao%20que%20D%C3%A1%20com%20Alegria%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i> </i></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><b><i><br />
&#8220;Porque Deus ama ao que dá com alegria.&#8221; 2ª Coríntios 9:7</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b>Eu desejo, ardentemente, cumprir meu ministério, especialmente, no tocante ao dever de pregar-lhes todas as partes da Palavra de Deus, e não ser encontrado culpado de limitar-me somente a um conjunto de tópicos, pois isto, certamente, poderia ser prazeroso, mas não seria de muito proveito para vocês. Se eu pudesse escolher, me encantaria pregar continuamente sobre a doutrina do amor eterno e imutável de Deus. Para mim, seria um deleite estender-me, cada domingo e certamente em cada sermão, na simples doutrina da justificação do pecador diante de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas na Escritura encontramos outras coisas além destas. Nem todos os temas registrados na Palavra de Deus estão ali para nosso consolo. Nem tudo são promessas; não encontramos somente palavras de alento para mentes fracas e espíritos desconsolados. Há outras palavras além daquelas que são úteis para consolar: palavras de direção e palavras de ensino. Se recusássemos estas palavras, se nunca tivessem uma participação no curso de nosso ministério, então alguma grave enfermidade brotaria na igreja, já que não se lhes teria fornecido uma relevante porção do &#8220;<i>pão necessário</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, pareceu-me apropriado falar-lhes esta noite sobre este tema, e com maior razão agora que não teremos uma coleta. Não estou pedindo nada a vocês e, por isso, me sinto em inteira liberdade de ressaltar a instrução deste texto. Vocês verão que meu claro objetivo é extrair o ensino da Palavra, sem nenhum propósito interno. Minha meta é promover esse resultado que Deus mesmo quer trabalhar em vocês, mediante as palavras sob nosso minucioso exame. Relembrem que são palavras de indubitável inspiração, e por isso são dignas de toda aceitação, como qualquer outra frase saída da boca divina o é.</p>
<p>Irmãos, na igreja de Deus há várias formas de serviço. Alguns receberam o dom de edificar a outros; esses estão obrigados a instruir com diligência seus ouvintes, e a explicar-lhes as Escrituras. A outros lhes é dado evangelizar, abrir um terreno fresco e ganhar o não convertido; esses estão obrigados a não deixar que sua mão descanse, mas devem plantar a semente pela manhã e pela tarde. Muitas pessoas na família de Deus não têm a capacidade de serem professores na igreja nem tampouco ganhadores de almas, mas são chamadas a adornar a doutrina de Deus, seu Salvador, em todas as coisas, por meio dos deveres de uma vida humilde e tranquila. Tais pessoas devem ter o cuidado de que suas conversas sejam sempre dignas do Evangelho de Cristo e apropriadas para a família da fé; e sua oração sincera deve ser que a pregação dos demais possa ser ilustrada por eles em seu andar diário e em seu falar.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma parte considerável da igreja de Deus é chamada para um serviço ainda mais difícil, ou seja, <i>o serviço do sofrimento.</i> Deus recebe glória inclusive do fogo da aflição, quando Seu povo entoa Seus merecidos louvores desde a cama da enfermidade. Ele recebe honra tanto do leito do enfermo como do púlpito, e aqueles servos que são chamados a estar confinados em um hospital são soldados tão aceitáveis quanto aqueles a quem Ele ordena que saiam à frente da batalha. Cada um de nós deve esperar seu turno na tribulação, em conformidade com o propósito de Deus. Quando nos ordena que o façamos, devemos tomar nossa cruz com alegria e seguir ao nosso Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Também a toda à igreja e a cada membro é dado, em sua medida, <i>servir a Deus, ofertando</i>. Alguns têm a capacidade de dar abundantemente de suas riquezas, pois são mordomos ricos. Estão obrigados a fazê-lo, todavia não devem ofertar simplesmente porque estão obrigados, mas devem sentir que é um privilégio dar tudo o que puderem, pois Ele lhes deu tudo e Ele é tudo para eles. O cristão mais pobre não está isento deste privilégio. Se possuir pouco, Deus aceita segundo o que tenha, e não segundo o que não tenha, e se é tão pobre que nem sequer pode ofertar cinco centavos, ainda pode dar a Deus parte de seu tempo, pode oferecer a Deus a capacidade recebida para ensinar as crianças, ou para distribuir literatura cristã, ou para qualquer outra forma de serviço que, convenientemente, se encontre dentro de seu alcance.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ninguém deve deixar de dar a Deus de alguma maneira, pois todos recebemos bênçãos e todos devemos ofertar. Damos a Ele nossas orações, nossos louvores, todos nossos esforços possíveis, mas todos devemos ser doadores, e prestando atenção ao texto, também devemos ser doadores alegres.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês devem ter notado que o apóstolo Paulo fala sobre dar ao longo de todo o capítulo nove, mas neste ponto se põe a falar de doar como esse ato é percebido aos olhos de Deus, e o grande argumento que utiliza, a arma principal é: &#8220;<i>Deus ama ao que dá com alegria</i>&#8220;, disto eu entendo que quando estamos falando do serviço cristão, sempre devemos vê-lo em seu aspecto para Deus. O apóstolo havia falado do que os homens de Acaia pensavam da benevolência, e do que os membros de outras igrejas valorizariam nos coríntios, pois Paulo havia se gloriado deles. Mas logo reconsidera e afirma que o verdadeiro juízo de uma boa obra não é o que a igreja ou o mundo possa pensar dela, mas sim a estima em que Deus a tem. <i>&#8220;Deus&#8221;,</i> diz o apóstolo, &#8220;<i>ama ao que dá com alegria</i>&#8220;. Esse é o ponto.</p>
<p style="text-align: justify;">Amado leitor, você é um cristão que professa sua religião. Você serve em sua igreja conforme este modelo? Poderá perguntar-me: &#8220;Que quer dizer?&#8221; Quero dizer o seguinte: quando você vai à casa de Deus, vai ali para adorar a Deus? Quando você ensina na escola dominical, o faz simplesmente para ter uma participação com seus companheiros cristãos, ou ensina como se fosse para Deus? Você fala, meu irmão, em nome de Deus; acaso não se descobre pregando algumas vezes de alguma outra maneira que não é como para Deus? Meu querido amigo, você que se envolve orando ativamente na reunião de oração, acaso nunca se perguntou alguma vez: &#8220;Minha oração foi do agrado daqueles que a escutaram?&#8221;. Você esquece que a oração deve ser vista como para Deus, e que todo o serviço do cristão não é para o homem, não é para a igreja – ainda que tenha suas repercussões em ambas as direções – mas sim que sua principal orientação e relação é para Deus. Fazer tudo como para o Altíssimo é o mais importante dos deveres. Você não deve viver neste mundo:<b><i><span id="more-7281"></span> &#8220;Despreocupado, eu mesmo um moribundo,<br />
Sendo estimado por homens moribundos.&#8221;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Você jamais deve se perguntar: “O que pensará de mim o senhor Fulano de Tal?”, ou, “Serei louvado ou encontrarei a censura?&#8221;. Mas deve dizer: &#8220;Posto que sirvo a meu Deus e não a meus colegas, os homens, o que me dirá o grandioso Senhor? O que Ele dirá do meu serviço? Como este será visto diante de Seus olhos? Será ouro, prata, pedras preciosas ou será consumido pelo fogo como madeira, feno e palha?&#8221;. Esta é a verdadeira maneira de trabalhar e viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Observem então, antes de retomar meu texto e de entrar de cabeça em seu ensino, que se trate de serviço, ou de ensino, ou de sofrimentos, ou de ofertas, o ponto mais importante é fazer tudo para Deus, e se a igreja se aplica a isso, então encontrará sua força; servirá a Deus de uma maneira mais nobre e mais aceitável, pois Ele é Espírito, e aqueles que o servem, ao servi-Lo em espírito e em verdade, O servirão mais valorosa, abundante, e de forma mais aceitável por meio de Jesus Cristo.</p>
<p>Isto está relacionado à parte externa do texto. &#8220;<i>Deus ama ao que dá com alegria</i>&#8220;. Já que dar é uma parte do serviço cristão, então aprendemos que a maneira correta de fazê-lo é a forma em que o próprio Deus o aceitará, e consiste em dar com alegria. &#8220;Deus ama ao <i>que dá com alegria</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pretendo me estender em cada um dos pontos, senão que primeiro colocarei muito brevemente <i>o que significa ser um doador alegre;</i> em segundo lugar, <i>por que o Senhor ama ao que dá com alegria; </i>e logo, em terceiro lugar, será necessário que digamos uma palavra ou duas sobre <i>por que, nós que somos Seu povo, devemos dar com alegria.</i></p>
<p><b>I.</b> Em primeiro lugar, O QUE SIGNIFICA SER UM QUE DÁ COM ALEGRIA?</p>
<p>O resto do versículo descreve o que não significa, e assim nos ajuda a ver o que se quer descrever. &#8220;<i>Não com tristeza, ou por necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria</i>.&#8221; &#8220;<i>Não com tristeza</i>&#8220;, não dando como se desejassem evitá-lo, e, por conseguinte, dando o menos possível, contando cada centavo, e considerando-o <i>tão</i> valioso como uma gota de seu sangue. Devemos dar com despreocupação, espontaneidade, liberdade e prazer; isto é dar com alegria.</p>
<p>Para alcançar satisfação, <i>uma pessoa deve dar proporcionalmente</i>, pois os que dão com alegria calculam quanto devem dar, quanto se pode esperar de suas mãos, como bons mordomos. Quem recebe uma boa renda daria de má vontade se não desse mais que alguém que somente recebe a décima parte dessa renda. Quem tem poucos gastos e vive com pouco, se não dá mais que outro que tem uma família muito grande e altas saídas de dinheiro, não pode se dizer que dá com alegria. Evidentemente, daria de má vontade se não desse proporcionalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito foi dito sobre dar um décimo – dízimo – do ingresso ao Senhor. Sou do parecer que se trata de um dever cristão que ninguém deveria questionar nem por um instante. Se se tratava de um dever sob a lei judaica, é agora um dever muito maior sob a dispensação cristã. Mas é um grande erro supor que o judeu dava o dízimo somente. O judeu dava muito, muito, muito mais que isso. O dízimo era o pagamento que <i>devia</i> realizar, mas depois disso vinham todas as ofertas voluntárias, todas as várias doações em diversas épocas do ano, de tal forma que, talvez, ele dava um terço, ou certamente algo muito mais aproximado a isso, do que o dízimo. E é estranho que em nosso tempo, os seguidores de ídolos, tais como os hindus, também deem essa proporção de seus ingressos, envergonhando assim totalmente a falta de liberalidade de muitos que professam serem seguidores de Jesus Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, eu não gosto de estabelecer a respeito nenhuma regra para o povo de Deus, pois o Novo Testamento do Senhor não é um grande livro de regras; não é um livro apegado à letra, pois a letra mata, senão que é o livro do Espírito, que nos ensina melhor a alma da liberalidade e não seu corpo, e em vez de escrever leis sobre pedras ou papel, escreve leis em nossos corações.</p>
<p style="text-align: justify;">Queridos amigos, deem como propuseram em seu coração, e o façam proporcionalmente, segundo a prosperidade que o Senhor lhes deu. E não calculem quanto devem dar em função do que seria respeitável que fosse dado, ou do que outras pessoas esperam que vocês deem, senão como sob o olhar do Senhor, pois Ele ama ao que dá com alegria; e como o que dá com alegria é o que dá proporcionalmente, vocês devem ter o cuidado de, como bons mordomos, somente prestar contas ao grandioso Rei.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, eu disse que aquele que dá com alegria é também o que<i> dá voluntariamente</i>, aquele que não necessita ser &#8220;sangrado&#8221;, como dizemos às vezes; aquele que não necessita que o bisturi seja usado nele constantemente; não como a jovem uva, que deve ser pressionada e apertada para que seu suco seja tirado, porque não está madura, mas como um cacho cheio de suco revigorante. Nós devemos ser como o favo de mel, gotejando constantemente o mel virgem, extremamente contentes se nossos dons puderem ser aceitos por meio de quem é o altar, e que torna aceitáveis a Deus tanto o ofertante como a oferta. Não deveríamos necessitar de que nos fosse pregado, nem sermos exortados, nem devemos ser pressionados mediante chamamentos públicos ou solicitações privadas. Deveria ser dito de nós, o mesmo que se dizia da igreja de Corinto: &#8220;<i>QUANTO à ministração que se faz a favor dos santos, não necessito escrever-vos</i>.&#8221; Então, seja um que dá proporcionalmente, e seja aquele que dá voluntariamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Um homem que dá a Deus alegremente <i>transcendeu o espírito de um servo, de um escravo.</i> O escravo traz seu quinhão, que está obrigado a pagar, e o põe aos pés do capataz, e continua seu caminho na miséria. Mas o filho amado, tão satisfeito de dar a seu Pai o que pode, coloca sua pequena oferta no tesouro de seu Pai, na medida do possível, sem ser observado pelos homens; contempla o sorriso do Pai e continua cheio de alegria o seu caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês não estão sob a lei, mas sob a graça; portanto, não devem dar nem fazer coisa alguma para Deus como por compulsão, como se escutassem o velho chicote mosaico estalando perto de seus ouvidos. Vocês não devem se encurvar diante do Senhor como o filho de Agar, a escrava, como recém-chegados da Arábia e dos tremores do Sinai; vocês têm de avançar alegremente como alguém que veio do Monte Sião, como o filho da promessa: como Isaque, cujo nome significa riso; alegrando-se porque vocês são capacitados, favorecidos e privilegiados para fazer tudo por Quem os amou até a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Aquele que dá com alegria é um que <i>dá de todo coração,</i> e há uma maneira de dar de todo o coração, especialmente quando a oferta é a de seu tempo ou de seu serviço. Alguns dão para Deus seu tempo aos domingos, mas estão meio adormecidos. Alguns Lhe dão seus esforços na escola, ou nas aulas, ou na pregação nas ruas, mas não parecem colocar nunca toda a alma em seus compromissos. O que a igreja necessita, hoje em dia, é de um serviço mais alegre, de maior entrega. Por acaso vocês não sentem um arrepio quando escutam a pregação de alguns homens: uma palavra hoje e outra palavra amanhã; e o gélido sermão é expresso de maneira tão suave (quando poderiam falar suficientemente alto, se quisessem) que vocês mesmos podem testemunhar que não puderam sacudir suas almas com o tema que pretendiam gravar nelas? Com tais pregações, as congregações se tornam &#8220;gradualmente menores e menos atraentes&#8221;, porque estão sob a convicção de que o pregador não tem nada a dizer que considere digno, pois, do contrário, falaria claro e com ousadia.</p>
<p style="text-align: justify;">Oh, se todos os ministros de Cristo, todos os diáconos, os anciãos, os professores da escola dominical, os pregadores nas ruas e os missionários na cidade fossem fervorosos, que pessoas tão diferentes seriam! Se o serviço fosse todo alegre no sentido de ser intenso, cheio de força, envolvendo toda a humanidade do homem, que tempos de avivamento, brilhantes e alegres, poderíamos esperar, pois neste sentido &#8220;<i>Deus ama ao que dá com alegria</i>&#8220;. Esse que dá com alegria, não desempenha seu serviço para cumprir simplesmente com o dever, ou porque é um assunto de rotina e chegou a hora, e as pessoas estão esperando, mas sim o faz porque gosta de falar do amor de Jesus, porque lhe encanta tratar de ganhar almas, porque desfruta ao declarar todo o conselho de Deus, porque gosta de ver o rosto dessas amadas crianças, orar por elas, juntá-las e ensiná-las sobre o Salvador que verteu o Seu sangue pelos pecadores. Ali, onde há um serviço prestado com a entrega da alma, deve haver bênção; mas se não servirmos ao nosso Senhor com alegria e, por conseguinte, não o fizermos de todo coração, Deus não amará esse serviço, e não se obterá nenhum resultado dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma coisa sei: o que dá com alegria <i>sempre deseja poder dar dez vezes mais do que dá.</i> O que faz com alegria sempre anseia ter maior capacidade para fazer mais. Um pregador alegre gostaria de ter mil línguas, e nenhuma delas teria descanso. Amados, acaso não se lembram de ter desejado alguma vez poder afastar-se desta vida monótona e alçar uma vida espiritual mais elevada? Nunca leram a vida de Henry Martyn, um polido erudito, um homem de muitos estudos e grande reputação, que abandonou tudo por Cristo e foi para a Pérsia e ali morreu sem ter visto um só convertido e, contudo, estava tão contente de viver e morrer em terras tão longínquas por seu Senhor? Nunca leram sobre David Brainerd, que viveu longe em meio aos índios, trabalhou arduamente e, em sua velhice, ensinou um garoto negro a ler, e dava graças a Deus porque quando já não podia pregar, contudo podia ensinar esse menino, e assim fazer algo por seu amado Senhor que havia feito tanto por ele? Ai, nunca leram, ou consideraram, até mesmo a são Francisco Xavier, católico romano como era? Contudo, que homem, quão consagrado, quão zeloso! Com todos os seus erros e equívocos, percorria mar e terra, penetrava nos bosques, tendo enfrentado a morte mil vezes, para poder pregar por todas as partes as pobres doutrinas extraviadas nas quais cria. Assim como odeio seu ensinamento, admiro seu zelo que somente posso chamar de milagroso.</p>
<p>Quando penso em homens como esses, e quero censurar seus erros, somente posso censurar-me a mim mesmo que nem sequer posso pensar, ou unicamente posso pensar em levar uma vida como a que eles viveram. Oh, que pudéssemos aprender o segredo da completa consagração! Oh, que pudéssemos receber o veemente anseio e o desejo de uma dedicação perfeita de nosso ser a nosso Senhor e Mestre! Então, nosso lutar diário brilharia com a glória da santidade. Então, reluziríamos como serafins ao mesmo tempo em que nos esforçamos como homens comuns aqui embaixo. Então, ensinaríamos, pregaríamos, oraríamos, trabalharíamos e ofertaríamos com tal espírito e uma divina unção tal, que o mundo se perguntaria de onde procedem e de onde aprendemos essas sagradas artes. É esta alegria, entrega, sinceridade, intensidade, fogo da alma, o que Deus ama. Oh, se tivéssemos isso! Oh, se pudéssemos alcançar isso, pois Deus ama a tais fazedores e doadores.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>II.</b> Em segundo lugar, POR QUE DEUS AMA AO QUE DÁ COM ALEGRIA?</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrem que esta frase não se refere a todos os homens. Está dirigida aos membros de uma igreja cristã. Deus ama a todos, mas tem uma complacência especial por aqueles a quem, por Sua graça, ensinou a serem pessoas que contribuem com alegria. Uma pessoa que contribuísse alegremente, mas não fosse cristã, não se impactaria com o que está sendo dito aqui. Ainda assim seria alguém com quem Deus está irado todo dia. É de homens salvos, homens cristãos, homens unidos à igreja cristã que se diz &#8220;<i>Deus ama ao que dá com alegria</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora notem, primeiramente, que Deus ama ao que dá com alegria, <i>pois Ele fez o mundo com o plano de dar alegremente,</i> e um grande artista ama tudo o que é consistente com seu plano. Eu digo que Deus criou todo o mundo sobre este plano. Vou mostrar a vocês. Olhem para o sol. Que esplendor luminoso! Que gloriosa criação de Deus! Por que é brilhante? Porque presenteia sua luz. Por que é glorioso? Porque espalha seus raios por toda a parte. Imaginem que o sol dissesse: &#8220;Já não darei mais a minha luz&#8221;, onde ficaria seu brilho? Se dissesse: &#8220;Não espalharei mais meus raios&#8221;, onde ficaria seu esplendor? É na magnífica generosidade desse grande pai do dia que sua glória se torna mais forte. Para nós é o mais grandioso dos astros porque dá com generosidade essa força revigorante que é calor, luz e vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Contemplem a lua, a formosa rainha da noite; por que nos deleitamos com ela? Porque toda a luz que recebe do sol, ela nos entrega fielmente. Se não projetasse sua luz, quem falaria dela? Se fosse um luzeiro egoísta, e absorvesse para si todos os raios do sol, se fosse um círculo avarento que confinasse e armazenasse cada raio de sol dentro de si, que coisa seria ela? Provavelmente, nem sequer saberíamos de sua existência, exceto quando, como uma mancha negra, passasse entre nós e algum luzeiro brilhante. Mas como ela espalha seus raios sobre a pobreza da meia-noite, nos deleitamos e damos graças a Deus por esse rastro de beleza.</p>
<p style="text-align: justify;">E aquelas estrelas que centelham e que nos parecem tão diminutas, acaso seu brilho e seu esplendor não provêm daquilo que dão? &#8220;<i>Uma estrela é diferente de outra em glória&#8221;,</i> porque uma estrela difere de outra estrela no que é capaz de entregar.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso acontece com os corpos celestes; agora voltemos aos corpos terrestres.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhem para esta terra sob nossos pés; em que consiste sua excelência senão naquilo que produz? Existem lugares na terra que são sublimemente solitários, tais como o Grande Saara. Esses terrenos não dão nada, logo, o que são? Desertos. E quem os exalta? Se vocês forem àquela terra uma vez tão abençoada, Palestina, e caminharem sobre aquele solo que produz tão pouco, acaso não se poderia pensar que está maldito? E por qual razão? Porque todos os elementos de sua fertilidade estão sem uso e não são cultivados para o bem do homem.</p>
<p>Mas, onde estão os países alegres? Onde estão os países onde os habitantes se regozijam e louvam à mãe pátria? Acaso não são essas férteis colinas e planícies que sorriem com colheitas superabundantes, produzidas pelos depósitos da terra, fazendo com que os homens celebrem e se alegrem? Qual é a terra mais seleta de nossa raça, a chamada <i>Beulá<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Deus%20Ama%20Ao%20que%20d%C3%A1%20com%20alegria%20(PRONTO).doc#_ftn1"><b>[1]</b></a></i> das nações? Não é a terra que monopoliza; não é a terra sedenta, que absorve tudo e não produz nada; não é o terreno faminto que o agricultor ara, mas que nega a espiga de trigo e não permite a colheita da cevada.</p>
<p style="text-align: justify;">Caminhem por todo esse imenso mundo e considerem por um minuto. Há milhares de anos, antes que nossa raça estivesse neste planeta, é provável que existissem extensos bosques se mexendo sob os raios do sol, e que faziam? Destinavam-se a cair e morrer, mas por quê? Para formar vastos depósitos, nos quais a mãe terra armazenou o carvão durante muito tempo, até que veio o homem e rompeu o cadeado, tomando posse dos abundantes depósitos de carvão que ajudam as nossas artes e ciências, nos aquecendo e nos alegrando nas profundidades do Inverno, de tal maneira que nos regozijamos ao comprovar como aquilo que foi armazenado um dia pela generosa natureza, é entregue no dia seguinte de forma gratuita, para uso nosso. Vamos, não há uma só árvore que cresça que não esteja dando perenemente. Não há uma flor que brote, que não possua doçura ao derramar sua fragrância no ar. Todos os rios vão para o mar, e o oceano alimenta as nuvens, e as nuvens esvaziam seus tesouros, e a terra converte a chuva em fertilidade, e assim é uma cadeia sem fim de generosidade doadora.</p>
<p style="text-align: justify;">A generosidade é a rainha suprema na natureza. Não há nada neste mundo que não viva para dar, exceto o homem ganancioso, e tal homem é como um fragmento de cascalho em uma máquina; não se encaixa no universo. O homem é uma roda que corre em direção oposta às rodas da grande maquinaria de Deus. O homem é um cavalo empinando em um jugo. É alguém que não fará o que estão fazendo a seu lado as demais forças do mundo. É um monstro; não está feito inteiramente para este mundo. Não se deu conta do movimento dos astros. Não mantém o passo com a marcha das eras. Está fora de época; está fora de lugar; está completamente fora da ordem de Deus. Mas o que dá com alegria está sintonizado com a música das esferas celestes. Está sincronizado com as leis naturais do grandioso Deus e, portanto, Deus o ama, pois vê Sua própria obra nele.</p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, considerem que Deus ama ao que dá com alegria, <i>porque a graça colocou a tal homem em ordem com as leis da redenção, bem como com as leis da natureza.</i> E quais são estas leis? Nós que somos chamados &#8220;calvinistas&#8221;, nos deleitamos em afirmar que toda a economia do Evangelho é a da graça. Tudo é pela graça do princípio ao fim, e não se trata de um assunto de dívida ou de recompensa. A salvação não é algo que os homens possam ganhar ou merecer, mas sim o resultado e o exercício da graça imerecida recebida de Deus. Se há eleição, é uma eleição livre que não procede nunca de nenhuma bondade em nós. Se há redenção, &#8220;<i>graças a Deus por seu dom inefável!</i>&#8220;, se há um chamado, se há justificação, se há santificação, em tudo vemos a obra imerecida do grandioso Doador. Deus não poupa, não é avarento, não dá de má vontade. Ele dá com liberalidade e não se restringe em nenhuma coisa boa. Deus se manifesta na obra da graça como um maravilhoso doador.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, o homem cristão, ou o que professa ser cristão que não é doador ou, sendo doador, não é um doador alegre, está fora de ordem com o sistema que gira em torno do pacto da graça e a cruz de Cristo; está fora de sintonia com o sangue e as feridas de Jesus; está fora de ordem com os propósitos eternos do Altíssimo; não flui junto à corrente da graça divina; deveria estar sob a lei, ainda que nisso, em verdade, nem sequer cumpre com a letra; mas como o espírito do Evangelho é todo liberdade, graça, amor e abundância, o homem não está em harmonia com ele, e não o entende por completo. Então, devido ao fato de o doador alegre, feito assim pela graça divina, estar em sintonia com a redenção e com a natureza, conforme a sua medida e o seu chamamento, é exaltado pelo Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, Deus ama ao que dá com alegria, <i>porque Ele ama as coisas que fazem Seu povo feliz;</i> e Ele entende muito bem que o espírito de abnegação e de amor para com os outros é a mais segura fonte de felicidade que pode ser encontrada no peito humano. Aquele que vive para si mesmo é infeliz. Quem unicamente se regozija no prazer egoísta, não tem senão limitados canais para sua felicidade; mas quem se deleita em fazer aos demais felizes, e quem se deleita em glorificar a Deus, e pode negar sua própria carne e seus próprios desejos para honrar ao seu Senhor e bendizer ao mundo, esse é o homem feliz; e como Deus se deleita na felicidade resultante, por isso se deleita em dar com alegria, que é a causa.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, Deus se deleita naquele que dá com alegria, porque <i>em tal crente Ele vê a obra de Seu Espírito.</i> Requer-se muita graça para converter os homens em doadores alegres. Com alguns, a última parte de sua natureza que chega à santificação é o seu bolso. A graça de Deus abre caminho na moralidade de seu negócio e nas atividades da casa, mas essas pessoas não parecem reconhecer que a riqueza deve ser consagrada tanto como seu coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Amados, eu sei que há alguns membros do povo de Deus que consideram de maneira muito sagrada tudo o que possuem, como algo que não é próprio, e que, não como uma teoria, mas sim como um assunto de prática diária, fazem dinheiro para Cristo, e dão dinheiro a Cristo e nunca estão tão felizes como quando podem fazer algo mais do que estão acostumados a fazer para adiantar Seu reino de acordo à sua capacidade. Todavia, por outro lado, há outros de um temperamento totalmente diferente, nos quais a graça de Deus golpeou forte antes de obter uma resposta; que sabem muito bem o que deveriam fazer, mas acham que o fecho de sua bolsa é difícil de abrir, e os dedos utilizados para dar estão quase paralisados; sendo que, realmente, quando chegam a dar um centavo, parece-lhes um esforço tão grande de abnegação como quando outros que, de acordo a sua proporção, deram muito mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, o Senhor não gosta de ver que Seu povo acaricia o mundo desta maneira. Ele gosta de ver que superaram os elementos terrenos, que estão chegando a amar o espiritual mais que o carnal, a amá-Lo acima deles mesmos, e a buscar os tesouros que estão no céu e não os tesouros que estão na terra. Estou certo de que o Espírito de Deus se contrista quando vê que os que foram comprados com o sangue vão atrás do dinheiro igual aos que pertencem ao mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O Espírito se contrista e, com frequência, retira sua influência consoladora quando vê Seus servos caindo ao nível torpe, morto e embrutecido dos homens do mundo, cujo clamor é: &#8220;<i>O que comeremos, ou o que beberemos, ou o que vestiremos?&#8221;</i>  Ele quer que Seu povo busque primeiro o Seu reino e a Sua justiça. Ele quer que se deleitem n’Ele, e não nas criaturas que definham a carne e o sangue. Ele quer que bebam de ribeiros mais puros que os rios lodosos da terra. Ele quer que busquem riquezas melhores do que esses tesouros egípcios que perecem com o uso, e dos quais nos separaremos muito em breve.</p>
<p>No entanto, há uma razão pela qual Deus ama ao que dá com alegria, a qual devo considerar com mais detalhes, a dizer, <i>porque Ele mesmo dá com alegria.</i> O homem ama geralmente o que é semelhante a ele mesmo. Nós nos gratificamos dessa maneira. Geralmente, nossos afetos se encaminham para um objeto que é de alguma forma consistente com nosso próprio caráter. Agora, <i>o Senhor é o mais alegre de todos os doadores</i>. Quero que pensem nisso por um momento. &#8220;Aquele que<i> não poupou nem a seu próprio Filho</i>.&#8221; Oh, que dom foi esse! Mães, vocês poderiam dar seus filhos? Pais, vocês poderiam não poupar seus filhos? Bem, talvez pudessem fazê-lo por seu país, mas não poderiam fazê-lo por seus inimigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Deus, aquele que dá com alegria, não poupou nem a Seu próprio Filho, entregando-o por todos nós, como diz a palavra. E desde então, que doador alegre tem sido! Deu-nos sem que fosse necessário pedir a Ele. Nós não Lhe pedimos que fizesse o pacto da graça. Não Lhe pedimos que nos escolhesse. Não Lhe pedimos que nos redimisse. Todas estas coisas foram feitas <i>antes</i> que nós nascêssemos. Não Lhe pedimos que nos chamasse por Sua graça, pois, não conhecíamos o valor desse chamado, e estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas Ele nos deu livremente por esse amor ilimitado que nós nem havíamos buscado. A graça que previne veio a nós, superando em velocidade a todos os nossos desejos, inclinações e orações. Primeiro, ela nos fez orar; deu-nos o espírito de súplica, pois do contrário nunca teríamos orado. Ele nos deu a vontade de vir a Ele, pois do contrário teríamos permanecido afastados. Então Ele foi um doador alegre para nós.</p>
<p style="text-align: justify;">E quando nos aproximamos d’Ele com nossos corações quebrantados, <i>quão alegremente nos concedeu o perdão</i>! Como correu e teve compaixão de nós, nos abraçando e beijando! Quão alegremente nos conduziu ao banquete com músicas e danças, pois Seu filho que era morto, reviveu, e o que se havia perdido, fora encontrado!</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>&#8220;Muitos dias passaram desde então,<br />
Muitas mudanças nós vimos,&#8221;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Mas não houve nenhuma mudança n’Ele, pois sempre foi um doador alegre. Temos necessitado da Sua graça diariamente, e Ele tem nos proporcionado com liberalidade, sem nos reprovar. Quando pedimos a Ele um ovo, nunca nos deu um escorpião; quando pedimos pão, nunca nos deu pedra. Ele nos deu Seu Santo Espírito.</p>
<p style="text-align: justify;">Oh, <i>a generosidade de Deus na providência para alguns de nós</i>! Não faz muito tempo, éramos muito pobres, mas a Ele lhe agradou dar-nos tudo o que houvéssemos podido desejar. Alguns presentes aqui estiveram enfermos, e se perguntaram sobre o que aconteceria com suas pequenas famílias para as quais eram o único sustento; mas Deus, que dá com alegria, os proveu, os restabeleceu, e os enviou novamente a seus trabalhos, cheios de saúde e força. Outros experimentaram caminhos estreitos, mas os braços eternos os sustiveram, e ainda que os leõezinhos necessitem e tenham fome, contudo vocês, tendo buscado o Senhor, não tiveram falta de nenhum bem. Ele dá com alegria.</p>
<p>Ah, pobres pecadores, vocês que não são salvos, quisera eu que vocês soubessem o quanto Deus se compraz em dar de Sua misericórdia. Ele é o doador mais alegre do universo. Não pensem que Ele poupará algo a vocês. Se vocês vêm até Ele buscando o perdão do pecado, Ele está pronto para perdoá-los abundantemente. Se buscarem Seu rosto, não terão que gritar como se Ele estivesse surdo ou não os quisesse escutar. Ele ouvirá os gritos do penitente; Ele prestará atenção aos desejos daqueles que abandonam seus pecados e encontram a Cristo. Se vocês simplesmente confiam no Senhor Jesus, descobrirão que Ele é o mais alegre doador e o melhor amigo que jamais sonharam.</p>
<p>Irmãos e irmãs, logo descobriremos que Deus é um doador alegre. Alguns de nossos amigos O conheceram desta forma durante esta semana. Eles rogaram, pois se encontravam enfermos, para que Ele os sustentasse. Então, Deus fez a cama deles na enfermidade, e os sustentou com Seus amáveis braços; e logo, pediram a Ele que lhes desse uma abundante entrada ao reino de Seu amado Filho, e Ele lhes concedeu. Ele os ajudou para que dessem testemunho de Sua fidelidade. Deus lhes abriu as portas que eram pérolas; não lhes negou as harpas de ouro, nem o trono do próprio Cristo, senão que, como um doador alegre, deu as boas-vindas a Seu banquete eterno, a Seu pobre povo cansado e o fez sentar à Sua destra.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo Ele fará conosco, pois Ele é um doador alegre, e quer que Seu povo seja assim, pois naqueles que são semelhantes a Ele, Ele se vê a Si mesmo em miniatura: da maneira que o sol se vê a si mesmo em cada gota de orvalho, e os céus são refletidos em cada charco. Oh, que Deus nos conceda graça para que sejamos no futuro doadores mais alegres do que fomos no passado!</p>
<p style="text-align: justify;"><b>III.</b> Vou concluir, unicamente, com uma frase ou duas relativas ao MOTIVO PELO QUAL, NÓS QUE AMAMOS AO SENHOR NESTA CASA, DEVEMOS TRATAR ESPECIALMENTE DE SER DOADORES ALEGRES A QUEM DEUS AMA.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muitas razões, mas esta noite necessitamos estabelecê-las imediatamente. Uma é que, <i>tudo o que temos devemos a Ele.</i> Soube de um homem que fracassou nos negócios, que em seus melhores momentos havia ajudado a alguns de seus trabalhadores a abrir seus próprios negócios e eles prosperaram. Diziam: &#8220;Oh, eles o ajudarão; ele os ajudou tanto em seus dias de prosperidade, que eles o ajudarão.&#8221; Eu não sei se o ajudaram ou não, mas isto sim sei, que quem nos tomou quando estávamos nus, pois assim viemos ao mundo; quem nos levantou quando estávamos mais que nus, quando estávamos sujos e éramos imundos, pois assim estávamos pelo pecado e por nossa depravação original; Ele que nos tirou do lixão, sim, e nos resgatou do fogo mesmo, e nos fez o que somos, e nos envolveu em Sua justiça e nos deu de Sua misericórdia, Ele merece tudo e mais que tudo o que possamos Lhe dar. Oh, o que faremos para exaltar nosso Salvador? O que não faremos? Senhor, como tudo é devido a Ti, toma tudo, e que Te dêmos tudo sem reservas.</p>
<p style="text-align: justify;">Recordem, continuamente, amados irmãos, que <i>vocês são salvos</i>: vocês, que poderiam ter sido condenados; vocês, que durante um tempo não queriam ser salvos. <i>Vocês</i> são salvos; seus pecados foram apagados; a justiça de Cristo é agora sua roupa real. E mais, você é salvo, e o Espírito Santo mora em você. Você é sacerdote, você é rei para Deus. Você é um herdeiro do céu: o sangue imperial corre por suas veias. Você é um dos pares do céu, um príncipe de sangue. Oh, acaso você não viverá acima das vidas dos demais? Acaso não buscará consagrar, com essas elevadas dignidades, e essas bênçãos que não têm preço, e esses favores assombrosos, seu espírito, sua alma, seu corpo, seu tudo a Ele, que é seu Pai, seu céu, seu Deus?</p>
<p style="text-align: justify;">Irmãos, vocês podem estar desejosos de serem doadores alegres, <i>quando recordarem que o tempo de dar logo estará terminado.</i> Não existe o doar nos céus; ao menos o tesouro favorito de Deus, que é o bolso do homem pobre, não estará pedindo que o encha. Não haverá filhos da necessidade lá; não haverá pés pequeninos que necessitem de sapatos, não haverá mãozinhas frágeis que necessitem de pão, não haverá mulheres famintas nem homens necessitados; não será necessário construir igrejas; não será necessário enviar missionários; barcos que os transportem além dos mares não serão requeridos; não haverá ministros de Cristo que tenham necessidade de sua ajuda. Estarão além de todos esses chamados e se houvesse algo que lamentar no céu, seria que lá estes deveres devem cessar para sempre. Oh, então doem como doadores alegres enquanto podem!</p>
<p style="text-align: justify;">E, por último, nós <i>temos necessidade de um Deus doador</i>. Sendo assim, (Sugestão: Então, por tudo o que nos deu) sejamos doadores alegres. Recordem essa história que a senhora Stowe narrou tão bem. Temo que não a possa repetir da mesma maneira e, seguramente, não com suas palavras, mas é mais ou menos assim:</p>
<p style="text-align: justify;">Havia um comerciante, diz ela, que tinha prosperado sobremaneira nos negócios. Havia construído uma casa no campo, a ampliou e cultivou seus jardins com um grande custo. Quando foi ao seu escritório, foi visitado por alguém que fazia uma coleta para alguma sociedade, e ele respondeu à sua solicitação: &#8220;realmente não posso me dar ao luxo de dar-lhe algo; há tanta gente que me pede, que não o posso faz.&#8221; Pois bem, ele era um homem que, usualmente, tinha sido muito generoso, e um pouco mais tarde sentiu um peso em sua consciência ao pensar que tinha começado a poupar no que o Senhor lhe dava.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela noite, quando a esposa e a família se retiraram para descansar, sentou-se a meditar junto à lareira e disse para si mesmo: realmente me pergunto se foi uma boa decisão construir esta casa; acarretou-me muitos gastos; são necessários novos móveis; subi a um novo nível na sociedade e os gastos aumentaram e minhas filhas necessitam de vestidos novos; tudo está em um nível de maior luxo, e, contudo, eu estou limitando o que dou ao Senhor. Creio que não agi bem; sinto-me muito intranquilo.</p>
<p style="text-align: justify;">Supõe-se que enquanto pensava em tudo isto, adormeceu, mas se foi assim, que bom para ele, pois subitamente a porta se abriu, e entrou no quarto um estranho muito manso e humilde, que se aproximando lhe disse: &#8220;Senhor, venho para pedir sua ajuda para uma sociedade que envia o Evangelho aos gentios; eles estão morrendo, morrendo por falta de conhecimento; você é rico, poderia dar-me alguma ajuda para enviar-lhes a Palavra da vida?&#8221; O comerciante lhe respondeu: &#8220;Você deve me desculpar, realmente, pois meus gastos são demasiado elevados, e devo recortá-los; não estou em condições de lhe dar nada; devo dizer que não&#8221;. O estranho lhe dirigiu um olhar pesado e disse: &#8220;Talvez você pense que a obra está demasiado longe, e não dá porque o dinheiro será enviado além-mar. Então direi a você que há uma escola muito pobre em uma parte da cidade, muito próxima ao seu escritório, e está a ponto de fechar por falta de fundos, e ali estão as crianças pobres que a frequentam, os vagabundos destas ruas, ignorantes do caminho correto; poderia me dar uma contribuição para essa causa?&#8221; O comerciante se incomodou um pouco por estas perguntas insistentes e respondeu: &#8220;Poupe-me o problema; não tenho dinheiro, não posso lhe dar nada&#8221;. O estranho limpou uma lágrima de seu olho e disse: &#8220;Então devo pedir-lhe pelo menos algo para a sociedade bíblica; isso, como você pode imaginar, jaz na raiz de tudo; propaga a Palavra de Deus e, seguramente, se você não tem para a sociedade missionária, ou para a escola de pobres, poderá dar algo para a propagação da própria Palavra de Deus&#8221;. &#8220;Não&#8221;, respondeu o comerciante, &#8220;já lhe disse que não posso&#8221;, e então, o aspecto do estranho pareceu mudar, e ainda que seguia sendo manso e humilde, contudo, ao mesmo tempo, seu rosto se tornou majestoso. Havia uma glória em sua face e, apesar disso, havia sulcos de dor, e lhe disse, suave, mas severamente: &#8220;Há cinco anos, sua filhinha, com seus formosos cachos, estava consumida pela febre e você orou na amargura da sua alma para que a filha amada de seu coração não fosse arrebatada de sua presença e, consequentemente, você fosse livrado desse duro golpe. Quem ouviu essa oração e lhe devolveu sua filha?&#8221; O comerciante cobriu seu rosto com suas mãos e sentiu vergonha. &#8220;Há dez anos&#8221;, disse a mesma voz, “você estava em grandes dificuldades; as dívidas o sufocavam; estava à beira da falência; seu cabelo havia embranquecido pela preocupação. A quem você acudiu nessa hora de problemas? Quem o escutou e proporcionou amigos que o ajudaram através de suas dificuldades quando outros comércios estavam fracassando, e homens mais ricos que você estavam quebrando por todos os lados? Quem fez isso por você?”. “Também”, disse outra vez o estranho, &#8220;há quinze anos você sentiu a carga de seus pecados, e caminhava de baixo para cima espremendo suas mãos por temor, clamando: ‘Deus, tem misericórdia de mim!’. Seu coração estava muito sobrecarregado. Quem falou com você nessa hora a palavra de perdão que cancelou todos os seus pecados? Quem tomou todas as suas iniquidades sobre Si?&#8221;. O comerciante soluçou muito forte e tremeu quando a voz lhe disse: &#8220;Se você não me pede mais nada, eu também não lhe pedirei nada mais&#8221;. O homem caiu sobre seu rosto diante do grandioso visitante e disse: &#8220;Toma tudo, meu bendito Senhor; perdoa minha vergonhosa ingratidão, e ajuda-me para que no futuro eu não Lhe negue nada&#8221;. Se foi um sonho ou não, não sabemos, mas é certo que esse comerciante se converteu em um dos príncipes cristãos da América, e deu para a causa de Cristo como jamais alguém havia dado.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<i>Deus ama ao que dá com alegria</i>&#8220;, e vocês sabem o que Ele lhes pede. Prossigam em seu caminho, comerciantes, e deem com generosidade conforme Deus lhes dá. Prossigam em seu caminho, lojistas, e espalhem como podem, pois Deus primeiro lhes proporciona os meios. Prossigam em seu caminho, vocês obreiros e vocês trabalhadoras esforçadas, e deem de acordo com sua capacidade. Deem, vocês, ricos, porque são ricos, e deem vocês, pobres, porque não se tornarão mais pobres, mas pode ser que, sim, se tornem mais pobres se não oferecem a Deus Sua porção. Mas, primeiro, já Lhe deram seu coração? Colocaram sua confiança em Jesus? Se isso ainda não aconteceu, este sermão não é para vocês; mas se seu coração pertence ao meu Senhor, e vocês foram lavados em Seu precioso sangue, então que meu texto fique gravado profundamente em seus ouvidos, e ainda mais profundamente em seus corações: &#8220;<i>Deus ama ao que dá com alegria</i>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>Porções da Escritura lidas antes do sermão: <i>2ª</i> Coríntios 9; e 11: 18-33</b>.</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon835.html">http://www.spurgeon.com.mx/sermon835.html</a></p>
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 835 — Volume 14 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Rosangela Cruz<br />
Revisão: Joaquim Avelino Júnior e Armando Marcos<br />
Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a><b><i></i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p style="text-align: justify;"><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Deus%20Ama%20Ao%20que%20d%C3%A1%20com%20alegria%20(PRONTO).doc#_ftnref1">[1]</a> <b>Beulá</b>: referência a uma palavra hebreia que aparece em Isaías 62:4, em que diz que Jerusalém não será como uma desamparada, mas tal qual uma mulher casada, próspera (N.R)</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um Apelo Urgente Por Uma Resposta Imediata</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Apr 2013 23:35:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nº. 2231 Sermão pregado na noite de Domingo, 10 de maio de 1891 Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newingon, Londres E destinado para leitura no dia 22 de Novembro de 1891 BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/04/um-apelo-urgente-por-uma-resposta-imediata/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spur-1.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7275" alt="capa_model_spur (1)" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spur-1-723x1024.jpg" width="286" height="405" /></a>Nº. 2231</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na noite de Domingo, 10 de maio de 1891</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newingon, Londres</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">E destinado para leitura no dia 22 de Novembro de 1891</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/ebook_apelo_urgente_resposta_imediata_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Um%20Apelo%20Urgente%20Por%20Uma%20Resposta%20Imedia%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Um%20Apelo%20Urgente%20Por%20Uma%20Resposta%20Imedia%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI P/ KINDLE</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #ff0000;"><b>(COM CARTA DO SR. SPURGEON AOS LEITORES DESSE SERMÃO ANEXA)</b></span></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Agora, pois, se haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se não, declarai-mo, para que eu vá, ou para a direita ou para a esquerda”. (Gênesis 24.49)</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O capítulo de onde o texto é extraído está repleto de particularidades. Há um extraordinário paralelismo entre Eliezer procurando uma esposa para Isaque e os ministros de Cristo procurando almas para Jesus. É mais que uma alegoria. É, de fato, uma parábola bastante instrutiva de como devemos lidar com as almas de homens e mulheres para o nosso Senhor. Assim como Abraão enviou seu servo para buscar uma noiva para seu filho, nós também somos comissionados a buscar aqueles que serão trazidos a Igreja para, finalmente tomarem assento na festa das bodas, como noiva de Cristo, no País de Glória celestial!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Podemos até pra perceber Eliezer orando por todo o caminho. Nem por um momento passou por sua mente qualquer dúvida sobre a interferencia de Deus nos assuntos humanos, mas com coragem e simplicidade procurou saber Sua vontade. Assim, depois de apresentar seu pedido, o encontramos confiando tranquilamente e aguardando em silêncio, “<i>para saber se o Senhor havia feito próspera a sua jornada, ou não</i>”. Embora seus esforços tenham sido coroados com sucesso, ele continuou reconhecendo que o cumprimento da sua missão de forma tão rápida foi resposta de oração. Foi a direção de Deus e não sua própria perspicácia ou sabedoria que lhe conferiu êxito. Também é assim com todo verdadeiro ministro do Novo Testamento. Ah, se não orarmos por vocês, meus caros ouvintes, nossa pregação será uma hipocrisia! Nunca devemos falar de Deus aos homens no poder da <i>persuasão</i>, a menos que falemos dos homens a Deus no poder da <i>oração</i>! Não foi sem muita oração e muitos suspiros do meu coração que vim aqui falar pra vocês esta noite. Acredito ter sido enviado com a missão de encontrar alguns que foram escolhidos por Cristo dentro do propósito e Aliança divinos e peço ao meu Senhor que haja muitos destes aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Era assim que este servo fiel orava ao Deus do seu senhor. Enquanto orava, percebia como Abraão era leal ao senhor dele. Evidentemente, percebeu que a missão em que estava não era propriamente sua, mas que fora o instrumento escolhido para fazer a vontade do seu senhor. A expressão “meu senhor” é o refrão deste capítulo. A palavra “senhor” ocorre 22 vezes. Nao era o desejo de Eliezer ser independente de Abraão ou do seu filho. Ao contrãrio, Seus pensamentos foram os do seu senhor – suas palavras foram em louvor do seu senhor – seus feitos em nome do seu senhor. Ele não se pertencia, mas era servo de outro. Esta também é a <i>nossa</i> posição. Ai do ministro que perde de vista a verdadeira relação entre ele próprio e seu Senhor, ou que começa a pensar em servir aos seus próprios interesses em vez dos interesses Daquele que o chamou e o enviou! Meus irmãos e irmãs, nós não nos pertencemos; somos escravos de Cristo. Que nosso coração se mantenha sempre fiel a Ele! Que nossos lábios sempre Lhe profiram louvor! Que nossa vida sempre testemunhe a devoção que temos para com o nosso Senhor! Nada do que temos é propriamente nosso – tudo é Dele; Seu absoluto domínio sobre nós é o nosso maior prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">George Herbert fala da “fragrância Oriental” que reside nas palavras “meu Senhor”. De fato, este é um nome cheio de aroma suave e de santa alegria. Sendo assim, até mesmo o <i>aqui e agora </i>se torna um Céu para servi-Lo! Mas, o que será visto em Sua face quando Sua noiva for trazida para casa em segurança?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;" align="left"><b>“<i>ó Jesus, Tu prometeste”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>A quantos seguem a Ti</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Que onde estiveres em Glória,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Teus servos estarão ali!</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>E Jesus, eu prometi,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Servir-Te até o final.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Dá-me a graça de seguir-Te</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Senhor e Amigo leal.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;">Observem como o atento Eliezer <i>aproveitou a oportunidade para obedecer às ordens do seu senhor</i>. Seu amor a Abraão o fez cumprir, sem demora, a incumbência que lhe foi confiada. Quando Rebeca veio ao poço ele iniciou uma conversa da mesma forma que o Senhor Jesus fez, tempos depois, com a mulher samaritana no poço de Jacó: pediu que lhe desse de beber. As duas cenas ao lado do poço poderiam quase compor figuras complementares. Em seguida, Eliezer mui habilmente, descobriu seu nome e foi convidado por Rebeca a hospedar-se em casa do seu pai. Sinto um regozijo especial sempre que tomo conhecimento da visita de um servo de Deus à uma casa quando ele é o meio de ganhar alguns membros daquela família para seu Senhor! Devemos sempre ter o objetivo de fazer das nossas visitas uma bênção para aqueles a quem visitamos. Isto conta muito a favor do homem que é capacitado a proceder assim. Se compreendermos que estamos a serviço do nosso Mestre o tempo todo, devemos dar um bom testemunho diante de todos com quem entramos em contato o tempo todo, deixando bem claro que velamos pelas almas como quem há de prestar contas delas. Que possamos fazer isso com alegria e não com tristeza.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Tem algo mais neste homem que é digno de nota. Ele <i>levou sua tarefa a sério e seguiu com um objetivo definido, direto ao alvo</i>. Não tinha vários propósitos, mas apenas um. Ele não foi até ali com outra finalidade a não ser a de encontrar uma esposa para Isaque. Por isso, embora estivesse confortavelmente acomodado e fosse chamado, por Labão, de “o abençoado do Senhor”, não estava satisfeito. Ele levava tão a sério sua missão que nem mesmo se alimentou até que a houvesse esclarecido por completo. Como todo verdadeiro servo de Cristo, ele pôs os negócios do Senhor à frente do seu bem-estar e conforto e, até, da necessidade de alimento. Quando um homem começa a pensar mais em seu alimento do que em fazer a vontade de Deus, ele deixa de ser um ministro fiel! Imitemos a diligência do servo de Abraão aqui. Eliezer disse a Betuel e a Labão o que tinha ido fazer ali e, antes que terminasse seu discurso, voltou-se a eles e lhes disse claramente: “Agora, qual a resposta de vocês à mensagem do meu senhor? Não posso continuar em suspense. Se vocês usarão de benevolência e de verdade para com o meu senhor, digam-me. Se não, digam-me, para que eu volte pela direita ou pela esquerda”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>I. </b>Observem, inicialmente, que ELE expôs cuidadosamente SUA SITUAÇÃO. Vocês não devem esperar que os homens se decidam sobre uma questão que não lhes foi apresentada. Nosso jovem e bom irmão que vai ao púlpito clamando: “Creia, creia”, mas não diz aos seus ouvintes em que devem crer não conseguiu muita coisa! Vocês não podem pedir as pessoas para comprarem algo que vocês não têm para lhes oferecer. Eliezer abriu sua bolsa, expôs seus produtos e procurou fazer negócios em nome do seu senhor. O que ele falou aos seus ouvintes interessados?</p>
<p style="text-align: justify;"><b> <span id="more-7274"></span></b></p>
<p style="text-align: justify;">Para começar, <i>disse que seu senhor era grande</i> e lhes deu alguma idéia de quão rico ele era ao repassar a lista de suas posses: rebanhos e manadas, prata e ouro, camelos e jumentos, servos e servas. Fez elogios ao seu senhor como eu também procuraria fazer ao meu. As palavras são insuficientes para falar da Sua grandeza! Este mundo é Dele e todos os mundos que Ele fez. “<i>A prata é Minha e o ouro é Meu, diz o Senhor dos Exércitos</i>”. Ele reivindica todas as coisas na terra, animadas e inanimadas. “<i>Toda fera do campo é Minha e o gado aos milhares sobre as montanhas</i>”. Nenhum outro pode se igualar a Ele. <i>“Quem mediu as águas na concha das mãos e tomou a medida dos céus? Quem recolheu numa medida o pó da terra e pesou os montes com pesos e os outeiros em balanças</i>”? Ele é tão grandioso que todas as coisas são pequenas comparadas a Ele. “<i>Eis que, as nações são como uma gota de um balde e são como o pó miúdo da balança: eis que, Ele levanta as ilhas como uma coisa pequeníssima</i>”. Não é, de fato, um glorioso Senhor para ser servido? “<i>Quão grande é a Sua bondade e como é grande a Sua beleza</i>”!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Depois de falar do seu senhor, <i>ele lhes disse que o filho do seu senhor era seu herdeiro. </i>Esse foi um ponto muito importante no negócio. O servo falou sobre como o seu senhor pôs tudo o que tinha nas mãos do seu filho – que as promessas eram para ele e que toda a herança seria dele. Eliezer também tratou o filho como “senhor”, da mesma forma que tratava o pai. De igual modo <b>Eu</b> também desejo glorificar a Deus e magnificar Cristo Jesus, Seu unigênito e Bem-Amado Filho. É a vontade do Pai “que todos os homens honrem ao Filho, assim como honram ao Pai”. Ele é herdeiro de Seu Pai –conquistou o título na Sua parábola dos lavradores maus. Quando nos encontramos em negócios do nosso Senhor, procuramos aqueles que se tornarão “herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em seguida, Eliezer <i>procurou alguém disposto a deixar seu lar para encontrar-se com o filho do seu senhor e tornar-se um com ele. </i>Disse que o filho do seu senhor necessitava de uma esposa e que ele tinha vindo para procurar-lhe uma. Para isso, era necessário ser uma pessoa disposta a embarcar numa longa e arriscada viagem e ser peregrina numa terra estranha junto com seu marido. Não poderia ser outra a não ser aquela que ofereceria a si mesma ao Deus de Israel e que teria participação plena com Isaque nas bênçãos da Aliança. Assim é o meu caso agora. O Senhor Deus, o Criador dos Céus e da terra, tem toda sorte de coisas boas para conceder aos filhos dos homens pecadores. Não há medida para a Graça e o amor de Deus. Ele quis tomá-los para serem Seu povo a fim de ser o Deus de vocês. Ele recebe a todos quantos desejam abandonar tudo e se unir ao Seu Filho Unigênito, o Senhor Jesus, que, para a nossa salvação, desceu do Céu, tomou nossa natureza e viveu nela; que tomou nossos pecados e morreu por nós para que pudéssemos ser perdoados e salvos para sempre. O Filho deve ver o fruto do trabalho da Sua alma. Deve existir almas que serão eternamente salvas através da fé Nele. Ele não pode morrer em vão! Ele deve ter um povo que Lhe será como noiva e com quem Ele próprio se deleitará por todo o sempre. A questão é: há algum destes <i>aqui</i>? Há alguém que se renderá ao Seu doce amor, que se confiará a Ele como Rebeca se confiou a Isaque – que sairá do mundo para viver uma vida separada com Ele? Esta é a incumbência a que viemos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eliezer acrescentou que <i>esperava ter encontrado a pessoa certa</i>. Acreditava que Rebeca era essa pessoa porque havia posto em oração diante de Deus e ela veio como resposta, fazendo exatamente como ele pedira. Neste momento meu coração está em festa por ter a esperança de que agora, encontrei a pessoa certa. Sempre me pergunto por que algumas pessoas estão aqui. Muitas vezes, vem algum fugitivo da casa de campo do seu pai ao Tabernáculo, no Dia do Senhor. Ele veio a Londres para pecar e nem imaginava que sua vinda foi para ser salvo, mas aqui a Palavra de Deus o prendeu! Apareceu por aqui um marinheiro que passou um ou dois dias no porto e a última coisa que ele poderia pensar era que seria convertido! Mas ele veio aqui e encontrou a vida eterna! A vinda de vocês aqui em tal número, a forma como me olham e a vontade de ouvir o que tenho a dizer, me encoraja e me inspira a entregar a mensagem do meu Mestre sem medo! Certamente Deus pretende abençoar vocês! Se Ele dá o ouvido para ouvir, não dará o coração quebrantado? E se Ele lhes levou a ficar tão ansiosos para ouvir minha mensagem, não são vocês, vocês mesmos, as pessoas que Ele elegeu para estarem unidas ao Seu Filho amado para sempre?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Depois de expor sua missão fielmente, Eliezer <i>pressiona por uma</i> <i>resposta</i>. “Se hás de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, diga-me. Se Rebeca vai comigo para ser a esposa de Isaque, diga-me”. Da mesma forma eu coloco para vocês. Se estão dispostos a crer no Senhor Jesus Cristo, prontos para abandonar o mundo e todas as suas tentações e vir a Ele, <i>falem</i> isso! Digam-me. Deixe-nos saber se você chegou ao momento da virada. Lembram-se de como os embaixadores romanos exigiram daqueles que vinham a eles, uma tomada de posição quanto a submeter-se a Roma ou declarar-lhe guerra? Quando pediram tempo, os embaixadores desenharam um círculo ao redor deles e disseram: “Antes de saírem desse circulo vocês tem que decidir se são pela paz ou pela guerra”. Eu desenharia um circulo aqui, ao redor de alguns de vocês e diria: “Sua porção deve ser ou salvação ou condenação”. Vocês estão hesitando e titubeando por tempo demais. Não saiam desse lugar até que tenham decidido por um caminho ou por outro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Bem embaixo da cúpula da Catedral de São Paulo, há um local que, certa vez, ficou marcado em mim – deve ter sido há 40 anos. Ali, um operário ocupado diligentemente no topo da cúpula caiu e, obviamente, foi ao chão em pedaços. Cheguei a ver as marcas da sua talhadeira no lugar onde ele morreu. Eu gostaria de saber se existem marcas nesses bancos onde almas foram perdidas, onde alguns tem negociado com Deus, recusado Sua graça, resistido ao Seu Espírito e descido estrada abaixo? Quisera Deus que, em vez disso, houvesse alguma marca onde a Graça de Deus operou salvação eficaz! Eu creio que, neste lugar, não há um único banco ou assento nos corredores que, legitimamente, não esteja marcado como um lugar onde almas foram salvas. Voces já perceberam um dos amigos que vem falar aqui nas noites de segunda-feira dizer: “O terceiro acento depois daquele pilar era o lugar onde eu estava quando a Luz de Deus me alcançou”. E outro diz: “Cristo me encontrou num banco de trás na galeria superior”, e, assim por diante, até terem apontado para quase todas as partes do edifício como lugar onde Deus chamou alguém por Sua Graça! Espero que alguns de vocês estejam, agora, sentados no lugar onde foram predestinados para nascer de novo para a vida eterna!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>II. </b>Em segundo lugar, está claramente posto diante de vocês que, quando Eliezer expôs seu caso, ELE QUERIA RECEBER UMA RESPOSTA FAVORÁVEL. Eu poderia quase dizer que ele <i>esperava</i> por tal resposta. Depois daquela orientação maravilhosa e da recepção acolhedora, cresceram as esperanças de que sua missão seria, sem mais demora, levada a um desfecho satisfatório.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Se lhe fosse dada uma resposta favorável, <i>isso o permitiria cumprir sua missão</i>. Ao passo que, se a resposta fosse contrária ele não poderia cumprir as ordens do seu senhor. Se nenhuma alma for salva através desta pregação, eu não posso continuar em minhas atividades. “Bem”, pode dizer alguém, “um homem pode pregar muito fielmente e mesmo assim não ter nenhuma alma salva”. Sim, um pescador pode pescar e nunca fisgar nenhum peixe, mas não há muito de pescador nele. Assim, se não existem almas salvas, talvez eu pudesse encontrar alguma maneira de satisfazer minha consciência, mas até agora, eu desconheço. Nunca procurei por um grande consolo e espero nunca procurar. Comigo é assim: “Dá-me filhos ou morrerei”. Se vocês não forem salvos e trazidos a Cristo, eu sinto como se devesse desistir de pregar pra vocês. Não posso ficar aqui desferindo golpes no ar. Se meus ouvintes não são convertidos, perdi meu tempo, perdi o exercício da mente e do coração! Sinto como se tivesse perdido minha esperança e minha vida, a menos que encontre para meu Senhor alguns daqueles comprados por Seu sangue – e preciso encontrar alguns deles através deste sermão.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Acho que Eliezer ansiava por uma resposta favorável porque <i>seria resposta à sua oração.</i> Possivelmente vocês não têm orado por si mesmos, mas nós temos orado por vocês. Não que saibamos o seu nome ou o seu caso, mas, frequentemente, vamos em oração em secreto por uma causa assim como a sua e podemos dizer que conduzimos vocês, em súplica sincera, diante de Deus. Talvez existam pessoas piedosas em casa que estão orando para que vocês sejam abençoados enquanto estão aqui. É comum ver pessoas que vem se juntar à Igreja e dizem: “meu marido não é convertido”, ou, “minha filha não é convertida”. Você conseguiria que eles viessem e ouvissem a palavra? Eu pergunto. “Oh, sim, senhor, eles virão e ouvirão”! Bem, eu disse, se você levá-los para a batalha, onde há bastante tiroteio, muito provavelmente eles poderão ser feridos. Oramos sempre para que quando alguns de vocês forem persuadidos a vir e ouvir a Palavra de Deus, o Espírito de Deus os domine; que vocês caiam feridos por Sua espada afiada ou recebam uma flecha entre as articulações da armadura!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A principal razão, no entanto, deste bom homem querer encontrar uma resposta agradável sobre Rebeca era porque <i>iria alegrar o filho do seu senhor</i>. “Oh”! Ele pensou, “quanta alegria lhe darei se levar comigo a mulher certa, a esposa que Deus lhe designou! Ele já perdeu a mãe, Sara, e está definhando de luto. Mas se eu puder levar de volta uma pessoa que irá preencher esse lugar no terno coração dele, ficarei alegrarei”. Quanto a nós, nosso interesse é alegrar o coração de Cristo! Seu coração foi perfurado com uma lança, depois de ter sido quebrado em meio à grande angústia – e não há nada que vá revigorá-Lo mais do que uma alma que se entrega aos Seus cuidados. Quem fará isso aqui? Há alguém nesta casa que está dizendo agora: “eu pertencerei a Cristo daqui por diante; confiarei Nele, porque Ele me amou e Se entregou por mim”? Feliz mensageiro! Estar aqui, contar a história Dele e dizer: Meu Senhor está esperando por vocês num país distante. Fui enviado para convidá-los a compartilhar com meu senhor de tudo o que Ele tem. Se seus corações estão dispostos a aceitá-Lo, Ele Se dá por vocês. A única queixa dele é: “vocês não vêm a Mim para ter vida”. E declara: “aquele que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. Qualquer “aquele” que vem a Ele será recebido e abençoado por Ele! Eliezer estava certo de que seu senhor trataria Rebeca com benevolência e verdade, por isso pediu ao pai e ao irmão dela para “tratarem com benevolência e com verdade” para com ele. Estou certo de que meu Senhor tratará a vocês com “benevolência e verdade” – Ele não poderia agir de outra forma! Se vocês conhecessem o coração Dele ou tivessem um vislumbre da Sua beleza, não hesitariam mais. Será que vocês não Lhe darão uma resposta favorável e não Lhe dirão: “sim, nós trataremos ao teu Senhor com benevolência e com verdade e entregaremos nossos corações a Ele de uma vez por todas”?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Penso também, que Eliezer começou a acreditar que <i>seria para o benefício de Rebeca</i> ir para o seu senhor. Ele viu o rosto dela junto ao poço. Agradou-lhe o jeito da moça e pensou: “se eu consegui-la para Isaque, ela estará resolvida na vida; ela será senhora e rainha de uma grande família; ela terá um marido feliz e tudo quanto o seu coração puder desejar”. É assim que penso de alguns aqui que nunca encontraram paz. Digo a mim mesmo que se eu pudesse levá-los a Cristo, quão felizes vocês seriam! Se vocês viessem e confiassem Nele teriam conquistado uma fortuna eterna. Se vocês se entregassem a Ele, seria o fim do pecado, o fim da dúvida, o fim do medo e o fim do terror. Vocês estariam salvos! Seu senso moral, que agora é tão precário, se ergueria numa espiritualidade sólida, pois vocês seriam santificados através da habitação do Espírito. Sabendo que é isto o que contece, eu poderia fazer algo melhor por vocês do que conduzi-los a Jesus?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">John B. Gough conta a história de como ele foi trazido de uma estação ferroviária para falar. Era noite e o coche que lhe foi enviado tinha uma janela quebrada. Ele notou que o homem que entrou no coche colocou um lenço sobre a cabeça enquanto sentava tapando o buraco da janela. Depois disto colocou a própria cabeça para vedar a janela, e Gough então lhe perguntou: “você está com resfriado na cabeça”? “Não”, ele disse, “mas há um buraco desagradável nessa janela de vidro e eu temo que <i>o senhor</i> possa pegar um resfriado. Estou enfiando minha cabeça no buraco para protegê-lo, pois o senhor me ensinou a ser um homem e um cristão”. Tamanha gratidão como essa foi muitíssimo tocante. Tenho certeza de que, se pudermos trazer alguns a Cristo, eles ficarão muito gratos. Se pudermos conduzí-los a Jesus, eles se sentirão como se não pudessem fazer o bastante por nós. Portanto, poderíamos pleitear com muitos que agora são nossos filhos queridos em Cristo e dizer: “Deem-nos uma resposta favorável e digam ‘sim’ para a oferta do Filho do nosso Senhor”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>III. </b>O destaque do texto agora é que ELIEZER ESTAVA DETERMINADO A OBTER UMA RESPOSTA. Diz ele: “Agora, pois, se haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se não, declarai-mo”. Eles lhe dariam a resposta quer fosse sim ou não. “Se não, declarai-mo”. Posso pedir pra cada um aqui dizer “sim” ou “não” ao convite para se entregar a Cristo? Se você for se entregar diga “eu me entregarei”. Caso contrário, diga deliberadamente: “não me entregarei”. Eu gostaria de poder tomar um homem indeciso pela mão e lhe dizer: “Agora, me diga o que fará”. Posso imaginar que alguns de vocês diriam: “Bem, me dê um tempo para refletir sobre o assunto!” e eu lhes diria: “Você já teve tempo para refletir. Seus cabelos já estão ficando grisalhos.” Apesar de toda a nossa súplica, as pessoas dizem: “Ah, mas eu não gosto de tomar decisão às pressas!” Se lhe pedi que fosse honesto, é porque eu espero que não leve tanto tempo para responder! Por que você hesitaria tanto em aceitar a Cristo, então? Eu sou como o servo de Abraão – eu preciso ter uma resposta!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Podemos, acertadamente, pressionar os homens a se decidirem se tememos que sua resposta seja “Não”? Acho que sim, porque conforme a natureza do caso, não responder significa uma negação. Quantos dos nossos ouvintes têm deste modo virado as costas para Cristo por anos, através do simples procedimento de não lhe dar resposta alguma? “Estamos ouvindo o que o senhor diz” – eles murmuram, “e lhe agradecemos por dizer estas coisas”; mas, apesar disso, saem e continuam em seus caminhos – se esquecem do tipo de homens que são! Tal resposta é uma recusa – não é menos recusa pelo fato de vocês poderem argumentar: “Mas nós não dissemos ‘Não’, senhor. Na verdade, talvez, qualquer desses dias possamos dizer ‘Sim’”. Por enquanto, vocês rejeitam a proposta e recusam entregar-se ao Senhor! A questão é: vocês crerão no Senhor Jesus Cristo? A ausência de uma resposta afirmativa significa: “Não, não creremos”. Estou certo de que é isso que acontece em todos os casos. Nenhum argumento pode ser levantado sobre isso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas se vocês me responderem categoricamente: “Não, nós não receberemos Cristo, não vamos crer Nele nem nos tornaremos cristãos. Não abandonaremos nossos velhos caminhos – pretendemos continuar neles”; bem, mesmo sentindo dor, agradeço pela resposta porque agora podemos conversar a respeito! É melhor do que não responder nada, pelo menos <i>agora</i> temos alguma coisa para trabalhar. <i>Uma resposta desfavorável pode ser considerada</i>, enquanto que a ausência de resposta desorienta todos os nossos esforços para ajudá-lo. É muito mais esperançoso encontrar oposição do que indiferença. É importantíssimo para um capitão, quando o navio está no mar, saber para onde está sendo levado. Quando nos encontramos com aqueles que rejeitam claramente a Cristo, imediatamente, reconhecemos nossa posição. Se você diz, “Não, eu não sou um cristão nem quero ser”, está sendo honesto e eu preciso que você pense sobre isso agora.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Você gostaria de morrer neste estado de espírito? Você pode morrer aí onde está sentado! Você é sábio para tomar decidir a respeito? Você acha que aquela é uma decisão que pode justificá-lo diante do tribunal de julgamento de Deus? Certamente você terá que comparecer ali! Após a morte, você levantará novamente quando a trombeta do arcanjo soar e, tão certo quanto está aqui, você terá que comparecer diante do Grande Trono Branco onde Cristo se assentará como Juíz! Como vai ficar a posição que você assumiu agora, à luz daquele tremendo Dia? Rogo-lhe que pense sobre isto. Espero que mude sua decisão como muitos outros homens têm feito ao considerarem calmamente a magnitude do assunto em questão e a terrível consequência que advém de rejeitar Aquele que agora é o Salvador, mas que um dia se assentará como o Juíz!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Estamos bastante determinados a pressioná-los para que tomem alguma decisão, já que uma resposta desfavorável nos liberará para irmos a outros. Vejam, Eliezer diz: “<i>Se não, declarai-mo, para que eu vá, ou para a direita ou para a esquerda</i>”. Não pensem que se vocês rejeitarem a Cristo Ele perderá os efeitos da Sua morte! “Ele verá o fruto do penoso trabalho da Sua alma e ficará satisfeito”. Se <i>vocês</i> não vierem a Ele, outros virão. Se vocês O rejeitarem, Ele tem um povo que O aceitará, por Sua onipotente Graça. Ó senhores, se vocês que ouvem o evangelho não aceitarem meu Senhor, nós iremos e traremos os publicanos e meretrizes – e eles entrarão no Reino dos Céus diante de vocês! Filhos de pais piedosos, filhos das escolas dominicais, se vocês não crerem, serão lançados nas “<i>trevas exteriores</i>” onde haverá “<i>choro e ranger de dentes</i>” – enquanto o povo a quem vocês desprezaram – infiéis e libertinos, a escória da sociedade, aceitará o Salvador e viverá!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Oh, conjuro-vos a que não pensem que <i>a sua recusa ao convite do evangelho vai deixar alguma lacuna nas fileiras dos remidos! </i>Nosso Salvador, em Sua parábola das bodas do filho do rei predisse o que acontecerá. O rei disse aos seus servos: “<i>As bodas estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, pelos caminhos e a tantos quantos encontrarem, convidem para o casamento</i>”. Saíram aqueles servos pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons: e o casamento estava repleto de convidados. Eu gostaria de instá-los a que se rendam ao Senhor, a fim de que sejam encontrados na ceia das bodas do Cordeiro. Não brinquem com assuntos eternos. Se vocês querem brincar de bobo, usem fichas ou seixos, não suas almas que viverão para sempre em felicidade ou em desgraça!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Minha insistência ganha força quando penso que se você me der a resposta direta: “Não, eu não sou cristão e não me interesso em ser um”, talvez consiga ver mais claramente, enquanto fala, a terrível decisão a que chegou. <i>Uma resposta desfavorável pode lhe assustar</i> e, finalmente, levá-lo a se arrepender da sua tolice e reverter sua decisão! Se você colocar num papel: “<i>eu não sou cristão e não me interesso em ser um</i>”, poderia ficar ainda mais assustado. Eu o desafio a fazer isso. Depois de escrito ponha sobre a lareira e observe. Será muito melhor fazer isto, mesmo sendo terrível, do que continuar nesse estado de suspense ímpio, indiferente quanto a estar salvo ou perdido, indeciso quanto a estar com Cristo ou contra Ele e ainda, no mais íntimo do seu ser, estar morto em delitos e pecados! Foi nisso mesmo que, certa ocasião, eu instei com os que estavam indecisos a irem as suas casas, escreverem num papel a palavra “Salvo” ou a palavra “Perdido” e assinarem seus nomes em baixo. Certo homem, ao entrar em sua casa, pediu um lápis e um papel. Quando sua esposa o inquiriu sobre a razão disto ele respondeu que iria fazer o que o pastor disse e escrever “Perdido”. Mas ela se recusou a buscar o papel se fosse para esse fim.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Então, ele mesmo conseguiu um papel e escreveu o P maiúsculo. Nesse momento, sua filhinha subiu na cadeira que estava por trás dele e disse: “Não, papai, o senhor não deve fazer isso! Eu preferiria morrer ao senhor ter de fazer isso” – e enquanto ela falava, suas lágrimas caíram sobre as mãos dele. O que meu sermão não conseguiu fazer, aquelas lágrimas fizeram. Aquele homem forte curvou-se e rendeu-se a Cristo – quando se levantou naquela saleta pegou a caneta e mudando o P em S, escreveu: “Salvo”. Ele foi salvo porque foi confrontado com o fato de que estava perdido. Sua resposta doentia surpreendeu tanto a ele quanto a sua filha. Que Deus opere a mesma mudança em vocês, tanto por amor a vocês mesmo quanto por amor aos seus entes queridos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quero pressioná-los a darem algum tipo de resposta porque eu prometi ao meu Senhor, assim como Eliezer, que procuraria por vocês e também porque <i>uma resposta desfavorável me desobrigará do juramento </i>que fiz. Se eu conseguir de vocês um “Não” como resposta, isso significa que não irão comigo ao Filho do meu Senhor e estarei livre. Foi assim com o servo de Abraão – ele e seu senhor concordaram desde o princípio. Quando os homens dizem “Não”, os rogos não têm mais utilidade e a pregação do Evangelho não tem poder sobre eles, então devemos deixá-los e levar as boas novas a outros, assim como Paulo e Barnabé, na antiguidade, disseram aos judeus irados em Antioquia: “<i>Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios</i>”. Rogo-vos, não ponham Cristo longe de vocês! Eu insisto que me deem uma resposta definitiva. Faço minhas as palavras de Eliezer quando disse: “<i>se haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se não, declarai-mo, para que eu vá, ou para a direita ou para a esquerda</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Agora eu quero argumentar com você sobre esse assunto. Prezado amigo, <i>você está correndo perigo de morte eterna</i>. Enquanto você está hesitando a vida está indo embora. Durante os últimos meses, quantos de nossos queridos amigos partiram por causa de influenza e outras causas! Esta congregação tem padecido de enfermidades, família após família, como jamais tive conhecimento. É possível que vocês estejam imunes? Conjuro-vos, portanto, a não agirem como se tivessem tempo de sobra. Possivelmente você não terá mais outra semana para viver! O tique-taque do relógio parece dizer: “Agora, agora, agora, agora, agora, agora.” Para alguns de vocês, há um alarme no relógio que proferirá este aviso quando tocar: <i>“Agora ou nunca, agora ou nunca, agora ou nunca</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Afinal de contas, o assunto que temos em mãos não é do tipo que exige grande debate. Se eu vou acreditar ou não nas Verdades de Deus não deve ser tema de discussão. Se eu vou receber o dom de Deus ou não, não deve ser algo a ser discutido, se eu estiver em meu juízo perfeito. Se, estando perdido, eu quero ser salvo; se, tendo sido proclamado a mim o Evangelho da vida eterna, eu deveria aceitá-lo pela fé – bem, não precisarei perguntar aos sábios o que deverei responder, nem preciso ir aos Tribunais consultar os juízes sobre a minha resposta. É algo tão simples que nem exige discussão. Quem vai escolher ser condenado? Quem recusará a vida eterna? Certamente há questões que devem ser decididas imediatamente.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Esta espera insignificante não tem feito bem a vocês até agora. Um camponês queria atravessar o rio, mas achou que era fundo. Resolveu ficar sentado e esperar até que as águas passassem. Ele esperou, mas o rio continuava fundo apesar de toda sua espera. Com essa demora, as dificuldades no caminho de vocês para aceitar a Cristo não ficam por menos. Se vocês olharem adequadamente para o assunto, verão que não existem grandes dificuldades no caminho, nem sequer havia tantos obstáculos como na imaginação de vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Outro camponês, certa manhã, precisou atravessar a movimentada rua Cheapside, em Londres, mas ficou bastante atordoado com o tráfego de carros, táxis e transeuntes. Ele disse que tinha certeza de que não poderia atravessar a rua. Assim, esperaria até que o movimento diminuísse. Durante todo o dia o trafego permaneceu o mesmo. Ele não teria percebido muita diferença naquele fluxo de pessoas apressadas, a menos que tivesse esperado até a noite. Amigos, vocês têm esperado até encontrarem uma “ocasião conveniente” para se tornarem cristãos e, apesar de toda a demora de vocês, o caminho ainda não está claro. Há vinte anos alguns de vocês estiveram tão perto de se decidirem por Cristo quanto vocês estão agora. Não, vocês pareciam estar mais perto. Então pensei: “Alguns deles crêem em Jesus e rendem seus corações a Ele”. Mas vocês disseram que o tempo não era suficiente. E agora, é? O dia sem obstáculos está mais próximo? É a época mais adequada? Não, de fato, não melhorou nada.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Deixe-me dizer que eu creio que a espera de vocês não apenas lhes fez mal, na verdade lhes causou um grande dano. Houve tempos em que parecia fácil para vocês renderem-se às pressões do Espírito Divino. Certamente não está sendo mais fácil <i>agora</i>. Na verdade, está até mais difícil. Às vezes eu penso que Deus trata os homens da mesma forma que Benjamin Franklin tratou o homem que estava à toa em sua livraria e, por fim, pegou um livro e perguntou: “quanto custa?” Franklin respondeu: “Um xelim<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Um%20Apelo%20Urgente%20Por%20Uma%20Resposta%20Imediata%20%20(PRONTO).doc#_ftn1">[1]</a>”. “Um xelim?” Perguntou o homem. “Sim, um xelim” – respondeu Franklin. Ele não ia dar o preço. Depois de ficar mais uns dez minutes ali o homem disse: “Sr. Franklin, quanto o senhor quer pelo livro?” “Dois xelins”, respondeu. “Não”, disse o homem, “o senhor está brincando!” “Eu não estou brincando” falou Franklin, “o preço é dois xelins”. O homem esperou e sentou-se um tempo, pensando. “Eu quero o livro”, falou pausadamente, no entanto, não pagarei dois xelins. “Quanto o senhor quer por ele?” “Três xelins.” “Bem”, disse o homem, “por que o senhor fica aumentando o preço?” Ao que Franklin respondeu: “Veja, você desperdiçou tanto o meu tempo que seria mais vantagem eu ter recebido um xelim de início que três xelins agora”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Às vezes, se os homens vêem a Cristo ao primeiro convite, esta vinda é doce e fácil. Veja como criancinhas muitas vezes se entregam a Cristo e como é pacífica a sua entrada no descanso da fé! Mas, quando as pessoas esperam, quando postergam crer, quando violam suas consciências, quando esmagam todos os levantes de santos pensamentos dentro deles, torna-se muito mais difícil crerem em Cristo do que fora quando Ele lhes foi pregado pela primeira vez. Por isso, venho a vocês, mais uma vez, para dizer: “<i>se vocês vão usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, digam-me. Se não, digam-me, e digam-me agora</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Bem”, fala um, “eu estou feliz por você ter falado conosco. Vou pensar a respeito”. Não, amigo, eu não quero dizer isto. Eu não quero que você pense depois. Você já teve tempo suficiente pra pensar! Eu oro pra que o Espírito de Deus possa conduzi-lo a uma decisão imediata. “Bem, suponho que poderemos considerar o assunto durante a semana?” você pergunta. Não. Isso não satisfará nem a meu mestre nem a mim. Quero uma resposta <i>agora</i>. Eu sou como um mensageiro levando uma carta onde está escrito: “o portador esperará por uma resposta”. Certa vez quando estive numa cidadezinha de interior, ao deitar, falei para meu anfitrião: “Tenho que estar em Londres amanhã. Não chegarei ao meu trabalho a tempo, a menos que você me acorde às seis horas para que eu consiga pegar um trem com facilidade.” Bem, meu hospedeiro era um irlandês e ele me acordou às <i>cinco</i> horas. Quando sentei na cama perguntei: “Que horas são?” Ele disse: “você tem apenas mais uma hora pra dormir”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O resultado foi que perdi meu trem. Se ele tivesse me acordado na hora certa e dissesse: “Você tem que levantar agora”, eu teria me vestido de uma vez, mas como ele disse que eu tinha apenas mais uma hora pra dormir, certamente eu dormi aquela hora e a outra porque estava muito cansado. Os mesmos princípios aplicam-se a vocês. Se eu lhes digo pra irem pra suas casas e pensarem sobre tudo isso durante a semana, estarei lhes dando uma semana para permanecerem em rebelião contra Deus! E eu não tenho o direito de fazer isto. Estarei lhes dando uma semana para continuarem incrédulos – e aquele que é incrédulo está correndo o perigo de ruína eterna, pois, “<i>aquele que crê não será condenado</i>”. Pior que tudo isso, a semana poderá conduzi-los a muitas outras semanas, à meses, quem sabe até, anos – talvez por toda uma eternidade de angústia. Não posso lhes dar nem cinco minutos! Deus, Espírito Santo, fala através de mim, agora, às almas que Deus escolheu desde a fundação do mundo! Ele diz: “<i>Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração</i>”. O Espírito Santo diz: “<i>Hoje, ainda hoje</i>”. “<i>Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?</i>” A pergunta para vocês: vocês serão de Cristo? “<i>Se haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se não, declarai-mo</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A melhor resposta que você pode dar está nos versos que seguem o texto. “<i>Labão e Betuel responderam e disseram: Isto procede do SENHOR, não podemos falar-vos mal ou bem. Eis que Rebeca está diante de ti; tomai-a</i>.” Oh, eu gostaria que alguns de vocês respondessem assim ao meu apelo neste dia! Isto também procede do Senhor! Foi Ele quem me deu essa mensagem; foi Ele quem o trouxe para ouvir isto! Certamente você não será encontrado lutando contra Deus! Seu coração está aberto a Ele – Ele vê o menor desejo que você tem em relação a Ele. Expire seu desejo, agora, e diga “Meu coração está diante de Ti – <i>toma-o</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i> </i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i> </i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>“Toma meu pobre coração e faze-o estar</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Eternamente fechado a todos menos a Ti!</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Sela meu peito para que eu mostre</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Aquele penhor de amor para sempre ali”.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;">Ele não demorará a aceitar aquilo que Lhe é oferecido! Ele o tomará agora e o guardará para sempre!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">         “Como é que isso acontece?” alguém pode perguntar. O plano é muito simples: Jesus Cristo tomou sobre Si os pecados de todos que ainda hão de confiar Nele. Venha e descanse em Seu sacrifício expiatório. Entregue-se a Ele completamente e sem reservas e Ele salvará você. Tome-O como seu Salvador por um simples ato de fé. O âmago da questão é que eu, estando perdido, lanço-me a Cristo para me salvar. Acredito que o ato de fé foi muito bem demonstrado na declaração de um pobre imbecil. Disseram que ele era um idiota, mas eu acho que ele tinha mais compreensão que muitos homens que se vangloriam de sua inteligência. Alguém lhe perguntou: “João, você tem uma alma?”. Ele respondeu: “Não, não tenho nenhuma”. “Por que, João? Como pode isso?”. Ele disse: “uma vez eu tive uma alma, mas a perdi. Então, Jesus a encontrou e eu deixei que Ele a guardasse”. Aqui está a filosofia da salvação por completo. Você perdeu sua alma. Cristo a encontrou! Deixe que Ele cuide dela! Deus os abençoe! Amém.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;" align="left"><b><i>Porção das Escrituras lida antes do sermão </i></b><b><i>— Gênesis 24.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><b>hinos do “nosso hinário” – 508, 670, 568, 658.</b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><br clear="all" /> </b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>CARTA DO SR. SPURGEON AOS LEITORES DESSE SERMÃO:</b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;">PREZADO LEITOR – Este sermão é um apelo urgente aos indecisos. Se você está nesta condição eu gostaria, através desta carta, insistir no apelo de maneira mais pessoal. Sou um homem doente que escapou por pouco das mãos da morte e sinto que as coisas da eternidade não devem ser tratadas com leviandade. Para ser salvo ao final é necessário que nossa sabedoria seja salva imediatamente. Se eu tivesse deixado para tratar assuntos da minha alma no leito de enfermidade, não teria prestado a devida atenção ali porque estava delirando e a minha mente não tinha condições de decidir sobre qualquer assunto. Antes que a nuvem baixe sobre sua mente preste atenção a Palavra do Senhor. Rogo-lhe, prezado leitor, que faça isto, pois não tem como você dizer quando a sua vida vai acabar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Fico muito feliz ao ouvir falar de almas que estão sendo salvas, pela Graça de Deus, através destes sermões. Oro ao Senhor que me dê um projeto extenso e profundo para que, na alegria de ver corações renascidos, milhares sejam alcançados através desta pregação e que ela seja meio de vida dentre os mortos. Este é um enorme pedido, mas o Senhor disse: “<i>Abre bem a tua boca e eu a encherei</i>.” Portanto, eu abriria a minha boca em oração por você, prezado leitor, e por milhares como você. Você não deseja, do fundo do coração, que o Senhor ouça a petição do Seu servo?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Vosso, para servir como restaurador de forças,</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mentone, 14 de novembro de 1891.<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Um%20Apelo%20Urgente%20Por%20Uma%20Resposta%20Imediata%20%20(PRONTO).doc#_ftn2">[2]</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>C. H. SPURGEON.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i><br clear="all" /> </i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeongems.org/vols37-39/chs2231.pdf">http://www.spurgeongems.org/vols37-39/chs2231.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 2231 — Volume 37 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Eliete Rocha</p>
<p style="text-align: justify;">Revisão: Armando Marcos</p>
<p style="text-align: justify;">Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a><b><i></i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
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<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Um%20Apelo%20Urgente%20Por%20Uma%20Resposta%20Imediata%20%20(PRONTO).doc#_ftnref1">[1]</a> N.T. Xelim era uma moeda inglesa de prata que representava 1/20 da libra esterlina.</p>
</div>
<div>
<p style="text-align: justify;"><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/Serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/Um%20Apelo%20Urgente%20Por%20Uma%20Resposta%20Imediata%20%20(PRONTO).doc#_ftnref2">[2]</a> Spurgeon viria a falecer em 31 de janeiro de 1892, tendo cumprido sua missão de Eliezer para outros e para com seu Senhor também (Nota do Revisor)</p>
</div>
</div>
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		<title>O Remédio Universal</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Apr 2013 20:50:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nº 834 Sermão pregado na manhã de Domingo de 4 de outubro de 1868, Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOBI “Pelas suas pisaduras fomos curados.” Isaías 53:5 Recebi &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/04/o-remedio-universal/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spur1.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7266" alt="capa_model_spur" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spur1-723x1024.jpg" width="294" height="417" /></a>Nº 834</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na manhã de Domingo de 4 de outubro de 1868,</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/ebook_remedio_universal_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/O%20Remedio%20Universa%20-%20Charles%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/O%20Remedio%20Universa%20-%20Charles%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b><i>“Pelas suas pisaduras fomos curados.” Isaías 53:5</i></b><b></b></p>
<p style="text-align: justify;">Recebi em um dia desta semana um breve comunicado que dizia o seguinte: “<i>Se busca um remédio para uma fé débil e insegura, especialmente para quando Satanás remove o desejo de orar</i>”. Avidamente desejoso de prescrever alguns remédios para tais enfermidades e para quaisquer outros males que pudessem aborrecer o povo do Senhor, comecei a considerar quais eram os remédios sagrados para um caso como esse, e só pude me lembrar de um: <i>“As folhas da árvore eram para saúde das nações</i>”. Nosso Senhor Jesus é uma árvore de vida para nós, e todas as folhas – suponho que o Espírito Santo quis dizer os atos, as palavras, as promessas e as leves aflições de Jesus – são para a cura de Seu povo. Logo veio à minha mente o seguinte texto: “<i>Pelas suas pisaduras<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/O%20Rem%C3%A9dio%20Universal%20(PRONTO).doc#_ftn1"><b>[1]</b></a> fomos curados</i>.” Não somente Suas feridas sangrentas nos curam, mas mesmo as contusões de Sua carne; não somente a obra dos cravos e da lança nos cura, mas a tarefa cruel da vara e do chicote.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre toda essa multidão de crentes, não há ninguém aqui que está completamente livre de algumas enfermidades espirituais; alguém poderia dizer: “Minha enfermidade é uma fé débil”; outro poderia confessar: “Minha doença é entregar-me a pensamentos fantasiosos”; outro poderia exclamar: “Meu mal é a frieza do meu amor”; e uma quarta pessoa poderia ter que lamentar sua impotência na oração.</p>
<p style="text-align: justify;">Um remédio universal não bastaria para curar todas as enfermidades em um plano natural, no instante em que o médico começa a proclamar que sua medicina cura tudo, vocês podem supor sagazmente que não cura nada. Mas nas coisas espirituais não sucede da mesma maneira, pois há uma panaceia, isto é, há um remédio universal que é fornecido pela palavra de Deus para todas as enfermidades espirituais a que o homem pode estar sujeito, e esse remédio está contido nas poucas palavras do meu texto: “Por suas pisaduras fomos curados”.<b><br />
</b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>I.</b> Então, esta manhã irei convidá-los a considerar, antes de mais nada, A MEDICINA QUE ESTÁ PRESCRITA AQUI: as chicotadas do nosso Salvador. Não se trata de acoites que deviam ser aplicados às nossas próprias costas, nem de torturas infligidas em nossas mentes, mas a dor que Jesus suportou por conta daqueles que confiam Nele. O profeta entendia aqui, sem dúvida, que a palavra “pisadura” significava, primeiro, literalmente, esses chicotes reais que caíram sobre os ombros de nosso Senhor, quando foi flagelado pelos judeus e quando foi posteriormente açoitado pelos soldados romanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a intenção das palavras vai muito mais além disso. Não há dúvida de que, com seu olho profético, Isaías viu os chicotes que vinham empunhados pela mão invisível do Pai, que não caia sobre a carne de Jesus, mas sobre sua natureza mais nobre e íntima, quando Sua alma era açoitada pelo pecado, quando a justiça eterna foi o lavrador e cavava sulcos profundos em Seu espírito, quando o chicote era descarregado com uma força terrível, uma, e outra e outra vez mais sobre a alma bendita Daquele que se fez maldição por nós, para que Nele fossemos feitos justiça de Deus. Eu entendo que o termo “pisaduras” abrange todos os sofrimentos físicos e espirituais de nosso Senhor, com referência especial a esses castigos de nossa paz que a precederam ou, antes, que causaram Sua morte expiatória pelo pecado; é por essas feridas que nossas almas são curadas. <span id="more-7265"></span>“Mas, por quê?” Você dirá. Pois bem, primeiro, porque nosso Senhor – como ser sofredor – não era uma pessoa privada, mas sofria como um indivíduo público e como um representante designado. Seus pecados, em certo sentido, concluem em você mesmo, porém os pecados de Adão não podiam terminar nele, pois perante Deus, Adão representava a raça humana, e tudo o que ele fizesse, acarretaria seus efeitos terríveis sobre todos os seus descendentes. Agora, nosso Salvador é o segundo Adão, a segunda cabeça federal e representante dos homens, e tudo o que Ele fez, tudo o que Ele sofreu, seria para proveito de todos os seus representados. Sua vida santa é a herança de Seu povo, e Sua morte cruel, com todas as suas dores e ansiedades, pertence àqueles que Ele representava, pois eles efetivamente sofreram n’Ele e n’Ele ofereceram  uma vindicação à justiça divina. Nosso Senhor foi designado por Deus para ocupar o lugar de Seu povo. Havia sido emitido o decreto que sancionava Sua substituição, de tal maneira que quando Ele tomou a frente como o representante dos homens culpados, Deus o aceitou, havendo-o escolhido antecipadamente para esse fim específico.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, então, amados, não devemos esquecer nunca que tudo o que Jesus suportou e lhe sobreveio não foi em caráter de um indivíduo privado, mas o que lhe recaiu foi como o grandioso representante público de todos que n’Ele creem. Daqui que os efeitos de Suas dores se apliquem a nós e com suas feridas sejamos curados. Seu sangue, Sua paixão e Sua morte fazem expiação por nossa conta e nos livram da maldição, enquanto que Suas contusões, Suas dores pulsantes e Seus açoites, constituem um remédio incomparável que alivia nossas enfermidades —<i><br />
</i></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Contemple como cada uma de Suas feridas<br />
destila um bálsamo precioso,<br />
sara as cicatrizes que o pecado deixou,<br />
e cura todas as nossas doenças mortais”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Tão pouco jamais esqueçamos de que nosso Senhor não era meramente homem,  pois, do contrário, Seus sofrimentos não serviriam para a multidão de pessoas que agora estão curadas por suas feridas. Ele era Deus e era também homem, e o mais misterioso e mais maravilhoso de todos os feitos é que Deus se manifestou em carne, e visto pelos anjos, e que na carne o Filho de Deus real e certamente morreu e que foi enterrado, e que permaneceu três dias no sepulcro. A encarnação, com sua sequela posterior de humilhação, deve ser crida e aceita como um disposição sempre memorável de condescendência; o Salvador se humilha desde o mais excelso trono da glória até a cruz da mais profunda aflição. Nem os querubins, nem os serafins podem medir essa poderosa distância, as asas da imaginação se esgotam ao tentar cobrir essa tremenda distância. Vocês tem que considerar que cada açoite que caiu sobre nosso Emanuel, não caiu simplesmente sobre um homem, mas sobre Um que é co-igual e eterno com o Pai. Ainda que a Deidade não sofreu, contudo, estava em uma união tão intima com a humanidade que infundiu um poder sobrenatural em Seu corpo humano, sem dúvida, lhe proporcionou um valor prodigioso superabundante diante de seus cruéis adversários humanos. Ah, com que Rocha contamos como nosso apoio— um Substituto coberto de contusões— um Substituto designado e aceito por Deus, mas, também, o Substituto mesmo é Deus sobre todas as coisas, bendito para sempre, e portanto, é capaz de suportar por nós o que nunca poderíamos suportar, exceto permanecendo para sempre no buraco mais profundo do inferno!</p>
<p style="text-align: justify;">Irmãos, todos nós cremos que os sofrimentos de nosso Salvador nos livram da maldição, já que Ele foi apresentado diante de Deus como nosso substituto por tudo o que devíamos à Sua lei divina. Mas a cura é uma obra que é realizada internamente, e o texto me conduz a falar do efeito das feridas de Cristo em nosso caráter e nossa natureza, ao invés do resultado produzido em nossa posição diante de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos que o Senhor nos tem perdoado e justificado por meio do precioso sangue de Jesus, mas a pergunta em questão esta manhã é: como essas dores e aflições nos ajudam a livrar-nos da enfermidade do pecado que uma vez reinava em nós? No entanto, é necessário que eu mencione primeiro o <i>poder justificador do sangue de Jesus</i>, porque aparte a nossa fé em Jesus como um substituto e como alguém divino, apenas Seu exemplo não seria capaz de curar o pecado. Os homens têm estudado o exemplo de Cristo e o admiram, mas continuam sendo tão vis como antes. Têm reconhecido Sua beleza, mas não se apaixonaram por Sua pessoa. Somente quando eles confiam n’Ele como um ser divino, é que eles chegam a sentir, posteriormente, a potência desses poderosos acordes de amor que Seu exemplo sempre lança em torno dos espíritos perdoados. Têm aprendido a amar a Jesus e sua admiração se torna logo em algo prático, mas a mera admiração, além de amor n’Ele e fé n’Ele, é somente uma fria e estéril luz lunar que não produz nenhum fruto de santidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Amados, os açoites de Jesus operam sobre nosso caráter principalmente devido ao que vemos n’Ele: um homem perfeito que sofreu por ofensas que não eram Suas, vemos n’Ele um glorioso Senhor, que, por amor a nós se fez pobre, sendo rico; reconhecemos n’Ele o paradigma perfeito de afeto abnegado, vemos n’Ele uma fidelidade que nunca poderia ser sobrepassada quando, através das dores de sua morte, foi até o fim com o propósito de Seu coração: a salvação de Seu povo; e ao observá-lo e estudar Seu caráter tal como é revelado por suas aflições, nos vemos comovidos por Ele, e somos destronados dos males espirituais que nos governavam e, por meio do poder do Espírito, a imagem de Jesus Cristo fica estampada em nossa natureza. Morto, Jesus nos justifica, ensanguentado, Jesus nos santifica. Seus açoites cruéis são nossa purificação; Suas contusões são golpes contra nossos pecados; Suas feridas mortificam nossas lascívias. Isto é suficiente, pois, sobre o medicamento que nos cura: é o sacrifício substitutivo de Cristo segundo é entendido em nossas mentes e amado em nossos corações, e especialmente são esses incidentes de opróbrio e crueldade que cobriram Sua morte com uma escuridão muito profunda e que revelaram a paciência e amor do Substituto.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b><b>II.</b> Agora vou lhes pedir, por alguns breves instantes, que contemplem AS CURAS ILIMITÁVEIS OBTIDAS POR ESTA MEDICINA NOTÁVEL.</p>
<p style="text-align: justify;">Contemplem dois quadros. Observem o homem sozinho, sem o Salvador ferido, e logo contemplem o homem que foi curado pelas feridas de seu Salvador. Eu lhes peço que observem o homem, originalmente e longe do Salvador. Nu, o homem é expulso do Jardim do Éden, convertido em herdeiro da maldição. Em seu interior jaz oculto o câncer letal do pecado. Se vocês gostariam de ver como o mal que habita em todos nós cresce na superfície, poderiam contemplar prontamente todo seu horror perto de sua casa; uma ou duas ruas poderiam conduzi-los ao carnaval do pecado; ainda, que talvez, seria melhor que não vissem uma cena tão corrupta. Nos infernos dos jogos, nas tavernas onde se encontram os beberrões e se reúnem os ladrões em meio a juramentos, de blasfêmias e de linguagem obscena e atos lascivos, é ali onde o pecado espreita como um monstro plenamente desenvolvido. No homem natural, educado e moral, o pecado aparentemente dorme como uma víbora enrolada; é algo que, na aparência, não é digno de ser temido, algo suave e indefeso como um pobre verme; mas quando se permite ao homem fazer o que quer, prontamente sente o dente da víbora e as presas envenenadas penetrando em todo seu sangue, e vocês veem a prova de seu veneno letal em pecados notórios e abundantes; os homens são cobertos com manchas visíveis da iniquidade, de tal maneira que o olho espiritual pode ver no caráter a lepra plenamente estendida, e todo tipo de abominações piores que a podridão das enfermidades mais mortais da carne que brotam constantemente de suas almas. Se pudéssemos ver o pecado tal como é considerado diante dos olhos do Eterno que tudo discerne, estaríamos mais impressionados ante o espetáculo do pecado que ante uma visão do inferno, pois há algo no inferno que a pureza aprova, uma vez que é a vindicação da justiça; é a justiça triunfante; mas no pecado mesmo há abominação e somente abominação; é algo que não concorda com o sistema inteiro do universo; é um jorro nocivo e perigoso para toda a vida espiritual; é uma praga, é uma peste cheia de perigos para todo aquele que respira. O pecado é um monstro, é algo abominável, é algo que Deus não está disposto a olhar e Seus olhos puros só o podem contemplar com um supremo aborrecimento. Um mar de lágrimas é o meio adequado através do qual o cristão deveria olhar para o pecado.</p>
<p style="text-align: justify;">Se quiser ver o que o pecado pode fazer, apenas tem que olhar com olhos iluminados dentro do <i>seu próprio coração</i>. Ah, quanta malícia mora ali! Você odeia o pecado, meu irmão; eu sei que tu odeias desde que Cristo te visitou como a aurora do alto; mas, apesar de todo teu ódio pelo pecado, há de reconhecer que todavia espreita em seu interior. Tu que odeia a inveja, se descobre invejoso, você se acha abrigando severos pensamentos para com Deus, tu que O ama e entregaria sua vida por Ele; se vê prontamente irado contra seu próprio amigo a quem cujo chamado entregaria alegremente todo seu ser a teu favor. Sim, por culpa do poder do pecado fazemos aquilo que não queremos fazer e o pecado nos degrada e envelhece; não podemos olhar para nosso interior sem nos vermos sobrecarregados da baixeza da qual descende nossos pensamentos secretos. Se desejar ver o pecado ansiosamente em toda sua plenitude, venha e observe o abismo insondável. Escute as abominações blasfemas. Se você tem algum valor, escute os gritos misturados de miséria e paixão que sobem de Tofete, da morada dos espíritos perdidos. Lá o pecado está maduro, aqui está verde. Aqui vemos sua escuridão como sombras de entardecer, mas no abismo é dez vezes noite. Aqui espalha tochas, mas lá suas insaciáveis conflagrações queimam para sempre pelos séculos do séculos. Ah, se tivéssemos graça para sermos livres do pecado agora, essa liberdade nos salvaria da ira vindoura! O pecado, na verdade, é o inferno, é o inferno em embrião, é o inferno em essência, é o inferno ardendo, é o inferno emergindo da concha; o inferno é apenas o pecado manifestado e desenvolvido plenamente. Chegue às portas do Tofete e entenda quão maligna é a enfermidade para qual o céu proveu o remédio dos flagelos do Unigênito.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, amados, eu disse que lhes mostraria o remédio, mas somente falei debilmente da enfermidade mesma para fazer-lhes ver, em contraste, a grandeza da mudança. Observem amados, vocês que tem crido em Jesus, observem que mudança tem sido operada em vós os açoites; que diferentes são desde a amada hora em que se prostraram aos pés d’Ele! Na verdade, no seu caso, no lugar da sarça tem crescido o cipreste, e no lugar da urtiga tem crescido a murta. Vocês, que antes eram cegos escravos de Satanás, agora são filhos felizes de Deus. As coisas que uma vez amaram, ainda que Deus as abominasse, vocês agora as odeiam de todo o coração; suas mentes e a mente de Deus agora concordam em relação a luz e as trevas; vocês agora não substituem uma pela outra. Quão transformados estão! São novas criaturas; estão vivos entre os mortos. E o que operou isso? O que, senão a fé no Crucificado e a contemplação de Suas feridas?</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, querido amigo, a cura está muito longe de ser perfeita em ti; se tu quiseres contemplar a perfeita saúde espiritual, olhe para lá, para aqueles exércitos vestidos todos com mantos brancos e jubilosos são sem mancha diante do trono de Deus; pesquise-os exaustivamente e comprovará que eles são sem mancha; deixe que até mesmo o olho Daquele que tudo vê esteja sobre eles, mas não se descobre nem mancha nem ruga nem coisa semelhante. Como é isso? Foram lavadas essas vestiduras até se tornarem brancas como a neve, tendo sido tão imundas uma vez? Eles respondem com música jubilosa: “<i>Temos lavado nossas roupas e as temos embranquecido no sangue do Cordeiro.</i>” Pergunte-lhes de onde veio a vitória sobre o pecado que reinava sobre eles—</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Eles, numa só voz,<br />
Atribuem suas vitórias ao Cordeiro<br />
E suas conquistas a Sua morte.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Todos eles vão lhe dizer que tem recebido cura perfeita e que hoje a desfrutam diante do trono de Deus, é o resultado da paixão do Salvador. <i>“Por suas pisaduras</i>”, dizem milhares de milhares com uma só voz que é tão potente como o trovão e que é tão doce como os harpistas que tocam suas harpas: “<i>Por suas pisaduras fomos curados</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>III.</b>  Agora, amados irmãos, quero, que notem o detalhe, mais uma vez, mui brevemente, para não lhes cansar, AS DOENÇAS QUE ESTA PODEROSA MEDICINA CURA. Não vou tentar ler uma lista completa das doenças, pois são mais numerosas do que se pode contar, mas ainda que sejam muitíssimas, não existe uma só que não possa ser curada pelos açoites de Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero recordar-lhes primeiro que a grande raiz de todo o mal — <i>a maldição que </i>caiu sobre o homem através do pecado de Adão— foi eficazmente suprimida. Jesus a assumiu, e se fez maldição por nós, e agora não pode cair nenhuma maldição sobre nenhum daqueles por quem Jesus morreu como um Substituto. São os benditos do Senhor, sim, e serão benditos sem se importar que o inferno os amaldiçoe. A maldição esgotou sua fúria, como uma tempestade que uma vez ameaçava varrer tudo que estava em seu caminho, mas que agora tem sido amenizada, a ira divina passou e está sendo substituída por chuvas de misericórdia, alegrando os corações sedentos. Irmãos, Cristo já nos curou de maneira sumamente eficaz da maldição de Deus que pairava sobre nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas devo falar agora das enfermidades que temos sofrido e que temos lamentado, e que ainda turbam a família de Deus. Uma das primeiras enfermidades que foi curada pelos açoites de Cristo foi <i>a mania do desespero. </i>Ah, recordo muito bem quando eu pensava que não havia esperança para mim. Meu coração se perguntava: “Como é possível que meus pecados pudessem ser perdoados de maneira consistente com a justiça de Deus?” Pranteava na minha alma essa pergunta, uma, e outra, e mais uma vez, mas não podia encontrar nenhuma resposta do interior; e inclusive quando lia a palavra— embora a resposta estivesse diante dos meus olhos — não a percebia para essa grande pergunta. Mas, amados, quando entendi pela primeira vez que Jesus Cristo tomou o lugar daqueles que n’Ele creem, e que, se eu confiasse n’Ele, todos os meus pecados seriam  perdoados por terem sido castigados na pessoa de meu bendito Substituto, então já não teria mais motivo de desespero; depois, escutei a palavra do Evangelho, e senti “<i>Há esperança para mim, inclusive para mim.</i>” Quando entendi que não se esperava nada de mim para minha salvação, mas que tudo deveria vir de Jesus, que eu não devia ser ferido, nem deveria ser conduzido a sofrer, mas que Ele havia sido golpeado e derramou sangue por minha causa, e que minha vida devia ser encontrada em Sua morte e minha cura em Suas feridas, então nasceu a esperança— uma ávida esperança— e minha alma acudiu ao Pai, ao Deus de amor com expectativas amorosas.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Não sucedeu o mesmo com vocês? Amados, puderam ter alguma vez uma consoladora confiança em Deus sem ter visto as feridas de Jesus? Se estiverem cobertos de uma paz que não provém das contusões de Cristo, eu te imploro para se livrar delas, pois é uma presunção que seguramente irá destruí-los. A única paz segura, sólida e permanente que jamais possuiria um palpitante peito humano que jaz dolorosamente sob a opressão do pecado, é aquela paz que surge de olhar para o bendito Filho de Deus que derramou seu sangue sobre o madeiro para que fossemos salvos por intermédio d’Ele. Os açoites de Cristo são o verdadeiro remédio contra <i>a mania do desespero</i>.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, se experimentamos uma dureza de coração e se mostra uma enfermidade da alma bem conhecida como <i>o coração de pedra</i>, não podemos obter a brandura, exceto se estivermos aos pés da cruz, sim, ao menos que permaneçamos sempre ali.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu mesmo me sinto insensível às coisas espirituais (e me envergonho dizer que não é um sentimento incomum), quando quero orar, mas não consigo, quando quero me arrepender sem poder fazê-lo, quando “se você sente alguma coisa é unicamente a dor de descobrir que não se pode sentir,” descubro sempre que não posso flagelar-me para me tornar sensível através das ameaças de Deus ou dos terrores da lei; mas se me volto para cruz como um pobre ser culpado, assim como fiz anos atrás, e se creio que o Redentor quitou todos os meus pecados, por mais obscuros que sejam, e se acredito que Deus não pode me condenar e não o fará, por mais endurecido que esteja, ah! O sentido do perdão comprado com sangue dissolve em um instante o coração de pedra. Eu não creio que haja algo que possa derreter o gelo dentro de nós tão eficazmente nem que possa desfazer as grandes geleiras de nossa natureza interior tão rapidamente, como o amor de Jesus Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">Oh, homem, isso te amolecerá! Criará uma alma no interior das costelas da morte. Há uma energia secreta dentro do coração sobre a qual está colocado o dedo da mão crucificada, que faz a alma despertar de sonhos fatais. Cristo tem a chave da Casa de Davi, e Ele pode abrir a porta de tal maneira que nem o homem nem o diabo podem fechá-la, e desse coração aberto virão pensamentos piedosos, aspirações celestiais, paixões sagradas e resoluções de natureza celestial. O melhor remédio para a indiferença se encontra nos açoites de Jesus. Oh crente, se olhares as gotas de suor sangrento, não te derreterás? Se vês Jesus sendo beijado pelo traidor, se o observas quando é arrastado pelos soldados, caluniado por testemunhas falsas, julgado por adversários cruéis, esbofeteado pelos soldados, profanado pelos cuspes, se tu o vês sendo perseguido pelas ruas de Jerusalém, e logo atado à viga transversal, se contemplá-lo derramando o sangue de Sua vida bendita por amor a nós, Seus inimigos, se toda essa tragédia não te comove, o que mais poderia? Oh Deus do céu, se não sentimos nenhuma ternura na presença de Teu Filho moribundo, nossas almas foram construídas com aço endurecido pelo inferno!</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes os crentes estão sujeitos <i>à paralisia da dúvida. </i>E como acaba de falar agora meu amigo em seu clamor por um remédio, essa paralisia poder vir acompanhada de <i>uma rigidez da articulação do joelho da oração</i>; e quando essas afeições se juntam, depois sofremos uma enfermidade complicada que não é fácil de prescrever; mas para o Senhor é fácil fazê-lo, pois aqui está o remédio: <i>“Por suas pisaduras fomos curados</i>.” O sangue de Cristo é letal para a incredulidade. Uma visão do Crucificado deixa a incredulidade muda, de tal maneira que não pode expressar nem sequer uma só palavra de questionamento, conquanto que a fé começa a cantar e regozijar-se ao ver o que fez o filho Jesus e ver como Ele morreu. Quem não oraria ao ver o sangue de Jesus sobre o propiciatório? A consideração do novo caminho vivente que Cristo abriu com Seu sangue, uma visão do véu do corpo do Salvador rasgado por Sua morte, no mínimo há de induzir os homens à oração. Penso que poderia brandir argumentos que poderiam ser abençoados para conduzir os homens a se colocarem de joelhos, tal como o perigo de um espírito desprovido de oração, a influência enriquecedora do propiciatório, os deleites da comunhão com Deus, e muitas outras coisas, mas depois de tudo, se a cruz não põe o homem de joelhos, nada o fará; e se a contemplação dos sofrimentos de Jesus não nos constrange a nos achegarmos a Deus em oração, certamente o próprio remédio principal teria falhado.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem algum santos que sofrem de <i>sonolência da alma</i>: a ferida de Cristo é o melhor para os vivificar; a falta de vida perece na presença de Sua morte, e as rochas se rompem quando a Rocha da Eternidade é vista como um esconderijo para nós—</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Quem pode pensar, sem admirar?<br />
Quem pode ouvir, sem sentir nada?<br />
Ver expirar o Senhor da vida,<br />
E, com tudo, conservar um coração de ferro?”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas pessoas estão sujeitas a <i>febre de orgulho, </i>mas uma visão de Jesus<b> </b>em sua humilhação, sofrendo tal contradição de pecadores, tende a torná-los humildes. O orgulho baixa sua crista quando ouve o grito: “<i>Eis aqui o homem</i>!” Na companhia de alguém tão grandioso que suporta tão grande escárnio, não existe lugar para vaidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Alguns estão cobertos com <i>a lepra do egoísmo, </i>mas se houvesse algo que pudesse impedir que o homem leve uma vida egoísta é a vida de Jesus, que salvou outros, mas a si mesmo não pode salvar-se. Os avarentos e glutões e quem busca a si mesmo não ama o Salvador, pois toda Sua conduta os reprova.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Há alguns a quem muitas vezes lhes sobrevém <i>o ataque de raiva, </i>mas que outra coisa poderia proporcionar mais mansidão de espírito que a visão d’Aquele que foi como um cordeiro mudo perante Seus tosquiadores, que não abriu Sua boca diante da blasfêmia e da censura?</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Se alguns de vocês sentem <i>a agonizante tuberculose do mundanismo, ou o câncer da avareza</i><i>— </i>pois enfermidades tão repugnantes como essas são normais em Sião<i>— </i>os gemidos e aflições do Varão de Dores, familiarizado com o sofrimento, comprovarão ser o remédio. Assim como as sombras se desvanecem diante do Sol, assim também todos os males fogem diante do Senhor Jesus.<b> </b>Mestre, ata-nos à Tua cruz; não temeremos nenhum naufrágio fatal se estamos sujeitos. Ligados por cordas às pontas do altar, nenhuma enfermidade pode se achegar ali, pois o sacrifício purifica o ar. Salvador, se somente pudéssemos ter Tua cruz diante dos nossos olhos, poderíamos atravessar ilesos o inferno, apesar do vapor pestilento. Não seria possível que toda a blasfêmia dos demônios e dos mais vis homens poderia contaminar nossos espíritos, nem sequer por um momento, se Teu sangue fosse aspergido sempre sobre as tábuas dos nossos corações, e Sua profunda humilhação estivesse sempre presente em nossas mentes. O barulho dos açoites nos conduz a cair doentes, mas a doce lembrança da paixão e do bendito absorver do mistério da morte do Senhor, seguramente lançará fora de nós todos os males e impedirá que retornemos às trevas novamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>IV.</b> Agora devo prosseguir com um quarto ponto. Observem cuidadosamente AS PROPRIEDADES CURATIVAS DA MEDICINA DE QUE ESTAMOS FALANDO.<b></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Vocês ouviram em detalhes sobre algumas das enfermidades, assim como também da sua cura em grande escala; agora observem as propriedades curativas da medicina; este remédio divino faz todo tipo de bem em nossa constituição espiritual. Quando as contusões de Jesus são apropriadamente consideradas, freiam a desordem espiritual.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>O homem é conduzido a ver que o Senhor sofre por Ele, e uma voz fala a suas paixões desenfreadas: “Até aqui chegaram, mas não passarão daqui. Aqui no Calvário, suas ondas altivas serão contidas.” Meus pés quase resvalaram e meus passos estiveram muito perto de deslizar, mas a cruz de meu Senhor esteve diante de mim como uma barreira sumamente eficaz para deter minha queda. Muitos homens têm avançado em seu mal com grande velocidade e sem nenhum freio que pudesse detê-los, até que uma visão do Homem, do Homem crucificado, apareceu diante de seus olhos, e foram conduzidos a fazer uma bendita pausa.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Leiam a vida memorável do coronel Gardiner, pois o que ocorreu com ele, literalmente, tem ocorrido espiritualmente a dezenas de milhares de pessoas: eles estavam alistadas no serviço do pecado e vendidos a Satanás, mas uma visão do bendito Salvador imolado pelos pecadores os obrigou a fazer uma pausa e, a partir desse momento, não se atrevem mais a pecar. Agora, é algo grandioso que um médico encontre um remédio que mantenha a enfermidade contida dentro de certos limites para que não alcance a pior etapa de malignidade; e isso é o que a cruz de Cristo faz: ata com cadeias a fúria da paixão profana. Que poder tão milagroso tem as dores de Jesus sobre o crente!<b> </b>Ainda que sua corrupção esteja ainda no interior, já não pode ter mais domínio sobre ele, pois já não está mais debaixo da lei, mas sim debaixo da graça. O fato mais feliz é que o pecado será em breve totalmente abolido, mas pará-lo até que ele seja erradicado não é de nenhuma forma algo trivial.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>A continuação, essa medicina <i>aviva todos os poderes do homem espiritual para resistir à enfermidade. “</i>Por suas pisaduras fomos curados,” porque uma visão de Jesus Cristo vivifica nossa natureza nascida de novo. Proíbe-nos viver no pobre ritmo agonizante que é tão natural à nossa preguiça. Não podemos ter Cristo diante de nossos olhos e prosseguir nosso caminho para o céu adormecidos como se a obra espiritual fosse somente um sonho, um mero joguinho de crianças. Aquele que verdadeiramente tem ido ao pretório onde Cristo foi açoitado, e viu as torrentes de sangue que brotavam quando golpeavam seus ombros feridos, e sentiu que todos deveriam ser merecidamente para ele, experimenta que seu pulso espiritual é vivificado e que toda sua vida espiritual é sacudida. Este fogo tem ajudado a queimar o pecado para lançá-lo fora de seu ninho. Este poder dentro da alma tem montado uma contraofensiva e tem feito retroceder os poderes da iniquidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Os açoites de Jesus Cristo tem também outro efeito curativo; <i>restauram a força que o homem perdeu por causa do pecado. </i>Há um poder restaurador nessa medicina sagrada. Ela leva meus pés desobedientes de volta ao caminho que abandonei, e o caminho de volta passa pela cruz. Ela restaura minha alma, e o alimento que me proporciona é sua própria carne e sangue. Depois de que o pecado nos conduziu à enfermidade e a enfermidade nos conduziu à debilidade, não há um medicamento restaurador debaixo do céu que seja igual a viver em um constante sentido cotidiano dos sofrimentos vicários de Jesus Cristo. Anima-nos Seu doce amor tão claramente demonstrado em Seus tormentos no Gólgota; sentimos que com um Salvador que sempre cuida de nós, não necessitamos ficar temerosos.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Esta medicina também <i>alivia a agonia da convicção. </i>A angustia do coração desaparece quando vemos que Jesus leva o castigo de nossa paz. Quem se aproxima da cruz de Cristo e confia n’Ele, sente que ainda que o pecado esteja presente nele e se lamente por isso, existe um motivo de regozijo porque entende que Cristo venceu Seus inimigos, e os levou cativos, atados às rodas de Seu carro.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b> “Vencerei”, diz e não sente a intensidade da luta presente. “Meus pecados foram tirados para sempre,” diz, pois Jesus morreu, e não há espaço para o remorso, o terror ou o desespero. Beba do vinho marinado do amor expiatório e não recordes mais da tua miséria, oh, tu, herdeiro da imortalidade que está carregado de pecado!</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Mas o melhor de tudo é que as feridas de Cristo tem <i>o poder de erradicar o pecado. </i>Arranca-o da raiz, destrói as bestas no seu covil; mata o poder do pecado em nossos membros. Eu não sei quão perto da perfeição o crente pode ser levado nessa vida, mas Deus não quer que eu estabeleça algum grau baixo de graça como o nível de tudo o que um santo pode alcançar desse lado da tumba. Eu não ousaria limitar o poder de meu Senhor no tocante a quanto o crente pode submeter-se ao pecado, inclusive nessa vida, mas eu não espero ser perfeito nunca até me livrar dessa carapaça mortal; no entanto, o grandioso resultado é glorioso; nossa herança é a perfeição absoluta; seremos libertados da mais mínima tendência ao mal; não restarão mais em nós possibilidades de pecar tanto quanto as que existem em nosso Senhor mesmo. Seremos tão puros como o próprio santo Deus trino, tão imaculado como o Salvador sempre livre do pecado; e tudo isso será por meio das pisaduras de nosso Senhor. Depois de tudo, a santificação é pelo sangue de Cristo. O Espírito Santo a realiza, mas o instrumento é o sangue. Ele é o Médico, mas os sofrimentos de Cristo são o remédio. O pecado não é destruído nunca exceto pela fé em Jesus. Todas suas meditações sobre o mal do pecado, e todos teus temores ante seu castigo, e todas suas humilhações de alma e prostrações, nunca matarão o pecado. É na cruz que Deus construiu uma força poderosa na qual qualquer pecado é enforcado para sempre, e o mata; está ali, no Gólgota, mas unicamente ali. O grande lugar da execução, o Tyburn<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/O%20Rem%C3%A9dio%20Universal%20(PRONTO).doc#_ftn2">[2]</a> de nossas iniquidades, está ali onde Jesus morreu.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Crente lutador, você deve recorrer às agonias de teu Senhor, e deves aprender a ser crucificado juntamente com Ele para o pecado, pois do contrário nunca conhecerás a arte de dominar suas baixas paixões nem de ser santificado em espírito. Eu tentei descobrir, desta maneira, a força curativa que está na ferida de Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> V.</b> Agora, em quinto lugar, e brevemente – temo que vocês<b> </b>irão pensar que são muitas divisões e muito pesadas, mas não<b> </b>posso  evitar— quero que revisem por alguns instantes OS MODOS DE<b> </b>ATUAR DESTA MEDICINA.<b> </b>Como atua? Bem, brevemente, seu efeito sobre a mente é esse: o pecador que ouve sobre a morte do Deus encarnado é conduzido pela força da verdade e pelo poder do Espírito Santo, a <i>crer</i> no Deus encarnado.<b> </b>No instante em que o pecador crê, o machado é posto na raiz do domínio de Satanás. Tão prontamente como aprende a confiar no Salvador designado, sua cura inicia-se efetivamente e ele será levado em breve à perfeição.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Depois da fé vem <i>a gratidão. </i>O pecador diz: “eu confio no Deus encarnado para minha salvação. Eu creio que Ele me salvou.” Bem, qual é o resultado natural? Posto que a alma esteja agradecida e cheia de gratidão? Como poderia não exclamar: “<i>Bendito seja Deus por este dom inefável</i>? <i>Bendito seja Seu amado Filho que entregou Sua vida por mim!” </i>Se o sentido de tal favor não gerasse gratidão, não seria algo natural nem absoluto; seria mesmo algo desprovido de toda humanidade. A emoção que se segue à gratidão é <i>o amor. </i>Ele fez tudo isso por mim? Estou sob tais obrigações? Então devo amar Seu nome.</p>
<p style="text-align: justify;">O próprio pensamento que segue o amor é <i>a obediência. </i>Que farei para agradar meu Redentor? Como posso cumprir Seus mandamentos e honrar Seu nome? Não vê que o pecador está sendo curado mui rapidamente? Sua enfermidade consistia que ele estava totalmente em discordância com Deus, e resistia à lei divina, mas agora, olhe! Com lágrimas nos olhos lamenta tê-Lo ofendido alguma vez; geme e sofre por ter feito crucificar um amigo tão amado, por ter submetido a tais dores, e pergunta, com amor e sinceridade: “Que posso fazer para mostrar que me desprezo pelo meu passado, e que amo a Jesus a partir de agora”? Em seguida avança e arde um ódio contra os pecados que mataram o Senhor. “Meus pecados mataram a Cristo? Foi minha iniquidade que o cravou na cruz? Então vou me vingar dos meus pecados; não vou perdoar a nenhum deles. Ainda que o pecado faça ninho no meu peito, eu vou arrancá-lo dali, e se entrincheirar de tal maneira que eu não posso tirá-lo fora exceto tendo que perder um olho e um braço, terá que sair dessa forma, pois não vou abrigar nenhum desses pecados malditos dentro de meu espírito.” O selo sagrado e a ardente indignação do homem emitem agora uma ordem de quebrantamento e o indivíduo examina detalhadamente sua natureza para descobrir algum pecado, clamando enquanto isso: “<i>Examina-me, oh Deus, e conhece o meu coração, prova-me nas minhas inquietações, e vê se há em mim caminho de perversidade, e guia-me ao caminho eterno</i>”.<b></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Agora amados, não veem que as dores de Jesus podem trabalhar ativamente em todas as faculdades saudáveis da nossa nova natureza, e ainda que o pecado permaneça em nosso interior, há uma vitalidade que acompanha a natureza nascida de novo que certamente lançará fora esses poderes vis, e, pela graça de Deus, fará com que o homem seja apto para participar da herança dos santos em luz?</p>
<p style="text-align: justify;"><b> VI.</b> Quase não é necessário que agregue algo mais, exceto comentar, em sexto lugar, que esta medicina merece ser recomendada para todos vocês, devido a SUA NOTÁVEL E FÁCIL APLICAÇÃO.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Eu lhes mostrei como funciona, e quais males cura e a quem cura. Agora, há alguma matéria médica<a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/O%20Rem%C3%A9dio%20Universal%20(PRONTO).doc#_ftn3">[3]</a> que seria curativa, mas cuja administração é tão difícil e vem acompanhada de tanto risco em sua operação, que raramente é utilizada, se é que alguma vez chega a ser; mas a medicina prescrita no texto é muito simples em si mesma, e é recebida de maneira simples: tão simples é sua recepção que se houvesse uma mente disposta a fazê-la, poderia ser recebida por qualquer de vocês neste preciso instante, pois o Espírito Santo de Deus está presente para ajudar essa mente.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Então, como é que o homem é curado pelas feridas de Cristo? Primeiro, <i>ouve acerca da ferida</i>. Agora, vocês têm ouvido frequentemente sobre os açoites do meu Senhor. Continuando, a fé vem pelo ouvir; isto é, o crente crê que Jesus é o Filho de Deus, e confia n’Ele para que salve sua alma.<b> </b>Então, havendo crido, o passo seguinte é que sempre que o poder de sua fé comece a cambalear, deve voltar a ouvir de novo, ou deve recorrer a algo que é ainda melhor: depois de ter ouvido para beneficio, deve recorrer à contemplação; deve acudir até a mesa do Senhor para receber ajuda por meio dos sinais externos, deve ler a Bíblia, para que a letra da palavra refresque sua memória enquanto seu espírito, e deve buscar com frequência uma ocasião de quietude como teve Davi quando se prostrou diante do Senhor, e não deu espaço para nenhuma outra coisa a não ser as coisas celestiais; deve ver a Cristo gemendo no jardim, deve visualizá-lo sobre a cruz sangrenta, sofrendo, e assim deve obter todo o benefício que se pode extrair dos açoites do Crucificado.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>Tudo o que podes fazer, pobre pecador, é simplesmente confiar e serás curado; tudo o que você tem que fazer, oh rebelde santo, é contemplar e crer novamente. Amados, devemos deixar que a velha imagem seja selada de novo sobre nossa alma; devemos limpar o quadro, por assim dizer, pois ele estava com o rosto voltado para a parede; agora temos que desvirá-lo outra vez e estudá-lo novamente. Renova sua velha amizade com o doce amante da alma, regressa ao amor de seu noivado, vá ao Calvário, permaneça no Getsêmani, viva com Jesus onde quer que Ele esteja; sozinho, considerando, meditando, refletindo naquilo que Ele fez por ti. Este é o simples modo de aplicação.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> VII.</b> Tudo o que tenho a dizer para concluir é que a medicina é tão eficaz, e já está preparada, e é oferecida gratuitamente, lhes suplico QUE A TOMEM.<b> </b>Tomem-na irmãos, vocês que já conhecem seu poderoso efeito há muitos anos. Não permitam que continuem as rebeliões, antes, aproximem-se dos açoites de novo. Tomem-na, vocês que duvidam, para que não caiam no desespero; acheguem-se aos açoites outra vez. Tomem vocês que estão começando a confiar em si mesmos e a serem altivos. Vocês tem necessidade de prostrar o rosto em terra aos pés do seu Senhor. E, oh, vocês, que nunca creram n’Ele, nesta clara manhã após a chuva, que o Senhor lhes conceda que também possam vir, confiar n’Ele e por Ele viver.</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b>“Oh” — me escreveu alguém essa semana —“eu tenho crido que Jesus morreu por mim, mas isso não me impede de pecar de todas as maneiras possíveis. Nosso ministro disse que se cremos que Jesus morreu por nós, seremos salvos.”<b> </b>Não, não, isso não é o Evangelho, e essa crença não é a fé, absolutamente. Não me surpreende que alguma pobre criatura tivesse provado um evangelho assim e descobriu que falhou. Não diz esse homem que Cristo morreu por todos e em seguida, declarar que, se tu crer que morreu por você (o que necessariamente deve fazer se Ele morreu por todos) então isso te salvará e, no entanto, existem dezenas de centenas de pessoa que evidenciam que isto não as salva, mas elas podem acreditar na redenção universal, porém continuam vivendo como antes?</p>
<p style="text-align: justify;">A fé consiste em confiar em Jesus Cristo. Essa é a única fé salvadora. Não se pode confiar n’Ele sem ser curado; não podes colocar tua confiança em Cristo e seguir sendo tal como era, pois há um poder em Cristo que é aplicado pela fé, que muda o caráter e converte o pecador em um novo homem para louvor e glória de Deus. Que o Senhor os abençoe por Sua misericórdia. Amém.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>_______________________________________<br />
</b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon834.html">http://www.spurgeon.com.mx/sermon834.html</a></p>
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 834 — Volume 14 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Cesar Augusto Vargas Americo<br />
Revisão: Marcus Paolo Diel Rios<br />
Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: justify;" valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div></div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/O%20Rem%C3%A9dio%20Universal%20(PRONTO).doc#_ftnref1">[1]</a> A palavra “stripes” que aparece na versão King James em inglês, é traduzida de diversas maneiras em diferentes versões: ‘pisaduras, ’ ‘feridas, ’ ‘machucados, ‘açoites, ’ etc. Temos usado essas palavras indistintamente ao longo de nossa tradução. (NOTA de Allan Roman)</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/O%20Rem%C3%A9dio%20Universal%20(PRONTO).doc#_ftnref2">[2]</a> Tyburn: lugar onde se efetuavam as execuções e enforcamentos públicos</p>
</div>
<div>
<p style="text-align: justify;"><a title="" href="file:///C:/Users/Armando/Desktop/Projeto%20Spurgeon/serm%C3%B5es%20a%20lan%C3%A7ar/O%20Rem%C3%A9dio%20Universal%20(PRONTO).doc#_ftnref3">[3]</a> Matéria médica: conjunto de corpos orgânicos da qual se obtém os medicamentos</p>
</div>
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		<title>Os Dois Efeitos do Evangelho</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 13:19:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[nº26 Sermão pregado na manhã de Domingo, 17 de Maio de 1855 por Charles Haddon Spurgeon No Exeter Hall, Strand BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOBI &#8220;Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/04/os-dois-efeitos-do-evangelho/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spurx.jpg"><img class=" wp-image-7248 alignleft" alt="capa_model_spurx" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spurx-212x300.jpg" width="259" height="361" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">nº26</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na manhã de Domingo, 17 de Maio de 1855<br />
<i>por Charles Haddon Spurgeon<br />
</i>No Exeter Hall, Strand</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/ebook_dois_efeitos_evangelho_spurgeon.pdf"><strong style="font-style: normal; line-height: 24px; text-decoration: underline;">BAIXE EM PDF</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Os%20Dois%20Efeitos%20do%20Evangelho%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Os%20Dois%20Efeitos%20do%20Evangelho%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>&#8220;Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo?” 2 Coríntios 2:15-16</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Estas são palavras de Paulo expressas em próprio nome e em nome dos apóstolos. São verdadeiras no que concerne a todos aqueles que são eleitos pelo Espírito, preparados e enviados a vinha para pregar o Evangelho de Deus. Sempre admirei o versículo 14 deste capítulo, especialmente quando recordo os lábios que as pronunciarão: “<i>E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Imaginemos a Paulo, já um ancião, nos dizendo: &#8220;<i>Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um</i>”, que depois foi arrastado como morto, o homem dos grandes sofrimentos, que havia passado através de mares de perseguições; pensemos quando disse, no fim de sua carreira ministerial: <i>“Mas graças a Deus, que faz que sempre nos triunfemos em Cristo</i>!” Triunfar quando se naufragou, triunfar apesar de ter sido flagelado, triunfar havendo sido torturado, triunfar ao ser apedrejado, triunfar em meio ao escárnio do mundo! Triunfar ao ser expulso de uma cidade e ter que sacudir o pó dos seus pés! Triunfar em todo momento em Cristo Jesus!</p>
<p style="text-align: justify;"> Agora, se alguns dos ministros de nossa época falassem desse modo, não daríamos muita importância as suas palavras, pois gozam do aplauso do mundo. Sempre podem ir em paz para suas casas. Alguns crentes os admiram, e não possuem inimigos declarados; contra eles nem sequer um cão moveria sua língua, tudo é seguro e agradável. Se dizem, “<i>Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo</i>”, não nos comovem; mas se alguém como Paulo fala, tão pisoteado, tão torturado e tão afligido, podemos considerá-lo um herói. Aqui está um homem que tinha verdadeira fé em Deus e no caráter divino de sua missão.</p>
<p style="text-align: justify;"> E quão doce é, meus irmãos, o consolo que Paulo aplicava a seu próprio coração no meio de todas as suas calamidades. Dizia que, apesar de tudo, Deus “<i>por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento</i>.” Ah! Com este pensamento um ministro pode dormir tranquilo em seu leito: “<i>Deus manifesta em todo lugar a fragrância de seu conhecimento</i>.” Com isso, pode fechar seus olhos quando acabar sua carreira e abri-los no céu: “Deus, através de mim, manifestou em todo lugar a fragrância de seu conhecimento”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Sigam, pois, as palavras do meu texto, que vou expor dividindo-o em três partes. Nossa primeira observação será que, ainda que o Evangelho seja uma “<i>boa fragrância” em todo lugar, produz, contudo, efeitos diferentes em pessoas diferentes</i>: “<i>Para estes somos cheiros de morte, para aqueles fragrância de vida</i>.” Nossa segunda observação será que os <i>ministros do Evangelho não são responsáveis pelo seu sucesso, </i>porque está escrito: “<i>Para Deus somos fragrância do seu conhecimento entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo</i>.” E em terceiro lugar, <i>a carga do ministro do Evangelho não é leve, </i>o seu dever é muito pesado. O Apóstolo mesmo disse, “<i>e para estas coisas quem é idôneo</i>?”.</p>
<p style="text-align: justify;"> <b>I.</b> Nossa primeira observação é que O EVANGELHO PRODUZ EFEITOS DIFERENTES. Pode parecer incrível, mas é estranhamente certo que há poucas coisas boas no mundo das que não se desprendam algum mal. Observemos como brilha o sol, seus raios amolecem a cera e endurecem a argila; no trópico fazem com que a vegetação seja extremamente exuberante, e que amadureçam os mais ricos e escolhidos frutos e se deem as flores mais belas, mas quem não sabe que naqueles lugares prosperam os piores repteis e as mais venenosas serpentes da terra?</p>
<p style="text-align: justify;"> Assim acontece com o Evangelho. Embora seja o sol da justiça para o mundo, ainda que seja o melhor presente de Deus e nada pode ser comparado a imensidão dos benefícios que concede a raça humana, apesar de tudo, devemos confessar que, às vezes, é “<i>cheiro de morte para morte</i>.” Mas não devemos culpar disso o Evangelho; a culpa não é da verdade de Deus, mas daqueles que não aceitam recebê-la. É “<i>cheiro de vida para vida</i>” para todo aquele que a ouve com um coração aberto para recebê-la. E é somente “<i>morte para morte”</i>, para o homem que odeia a verdade, que a difama, que zomba dela, e tenta opor-se ao seu avanço. Em primeiro lugar, pois, vamos falar desse caráter.</p>
<p style="text-align: justify;"> <b>1.</b> O Evangelho é para <i>alguns</i> homens, &#8220;<i>cheiro de morte para morte.</i>” Agora, isto depende em grande parte do que é o Evangelho; porque há algumas coisas chamadas &#8220;Evangelho&#8221;, que são &#8220;<i>cheiro de morte para morte</i>&#8221; para todos aqueles que as ouvem. O pregador John Berridge dizia que pregou a moralidade até que não houvesse um só homem moral; porque o modo mais seguro de prejudicar a moralidade é a pregação legalista. A pregação das boas obras e a exortação aos homens à santidade como meio de salvação são muito admiradas na teoria, mas na prática se demonstram, não somente que são ineficazes, mas, e isso é o pior, que às vezes se convertem em “<i>cheiro de morte para morte</i>”.<span id="more-7246"></span></p>
<p style="text-align: justify;"> Assim tem sido comprovado; e creio que mesmo o grande Chalmers confessou que durante anos e anos antes de conhecer ao Senhor, não pregou outra coisa a não ser moralidade e preceitos, mas nunca viu a nenhum beberrão convertido pelo mero feito de lhe mostrar os males da embriaguez. Nem viu a nenhum blasfemo que deixasse de blasfemar porque lhe dissera quão odioso era seu pecado. Quando começou a pregar o amor de Jesus, quando pregou o Evangelho como é em Cristo, em toda sua claridade, plenitude e poder, e a doutrina que “<i>pela graça somos salvos por meio da fé; e isto não vem de nós, pois é dom de Deus</i>” foi quando conheceu o sucesso. Quando pregou a salvação pela fé, multidões de beberrões jogaram fora seus copos e os blasfemos freiaram suas línguas, os ladrões se fizeram honrados, e os injustos e ímpios se inclinaram para o cetro de Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;"> Mas devem reconhecer como lhes disse antes, que ainda que o Evangelho produza geralmente o melhor dos efeitos em quase todos aqueles que o ouvem, seja afastando-os do pecado ou fazendo-lhes abraçar a Cristo, e isto é, contudo, um feito grande e solene, e sobre o qual dificilmente sei como falar nesta manhã que, para muitos homens, a pregação do Evangelho de Cristo é “<i>morte para morte</i>”, e ao invés de produzir bem produz mal.</p>
<p style="text-align: justify;"> E o primeiro sentido é o seguinte: <i>Muitos homens se endurecem em seus pecados ao ouvirem o Evangelho.</i> Oh, que verdade mais terrível e solene é que, de todos os pecadores, alguns pecadores do santuário são os piores. Aqueles que podem mergulhar no pecado, e tem consciência mais tranquila e o coração mais duro, se encontram na própria casa de Deus. Eu sei bem que um ministro fiel servirá de estímulo aos homens, e as advertências severas de um Boanerges muitas vezes lhes fazem estremecer. Igualmente, estou consciente que a Palavra de Deus faz as vezes que seu sangue se coagule em suas veias; mas sei também – porque os tenho visto – que há muitos que convertem a graça de Deus em libertinagem, e até mesmo fazem da verdade de Deus um pretexto para o diabo, e profanam a graça de Deus para justificar seu pecado. A tais homens eu encontrei entre aqueles que ouvem as doutrinas da graça em toda sua plenitude. São os que afirmam: “Sou eleito, por isso posso blasfemar, sou um dos que foram escolhidos por Deus antes da fundação do mundo, assim posso viver da maneira que quiser”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Tenho visto um homem que, em cima de uma mesa de bar e segurando uma garrafa em sua mão, dizia: “Companheiros! Eu posso fazer e dizer mais que qualquer de vocês, eu sou um desses que estão redimidos pelo precioso sangue de Jesus”; e em seguida bebeu sua garrafa de cerveja e começou a cantar diante dos demais, enquanto cantava canções vis e blasfemas.  Aqui está um homem para quem o Evangelho é “cheiro de morte para morte”. Ouve a verdade, mas a perverte; toma aquilo que está posto por Deus para o seu bem e o utiliza para suicidar-se. A faca que foi lhe dada para abrir os segredos do Evangelho, volta-se contra seu próprio coração. A mais pura de todas as verdades e a mais elevada de todas as moralidades é convertida para encobrir seus vícios, e faz dela um andaime que o ajuda a construir o edifício de suas maldades e pecados.</p>
<p style="text-align: justify;"> Há alguém aqui como esse homem, que gosta de ouvir o <i>Evangelho,</i> como vocês o chamam, e não obstante viva impuramente? Que podem dizer que são filhos de Deus, e apesar disso se comportam como vassalos que servem a Satanás? Saibam bem que vocês são mentirosos e hipócritas, porque a verdade não está de maneira alguma em vocês. “<i>Qualquer que é nascido de Deus, não peca</i>.” Aos eleitos de Deus não lhes permitirá cair permanentemente em pecado; eles nunca “converterão a graça de Deus em libertinagem”, mas em tudo o que depende deles, se esforçarão para permanecerem perto de Jesus. Tenham isto por seguro: “<i>Pelos seus frutos os conhecereis</i>.” “<i>Assim também, toda árvore boa dá bons frutos, mas a árvore podre dá maus frutos. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons</i>.” No entanto, essas pessoas estão continuamente pervertendo o Evangelho em maldade. Pecam com arrogância pelo mero feito de ouvirem o que eles consideram serem desculpas para seus vícios.</p>
<p style="text-align: justify;"> Não encontro outra coisa debaixo do céu, que possa extraviar tanto os homens, como um Evangelho distorcido. Uma verdade distorcidada é, geralmente, pior que uma doutrina que todos sabem ser falsa.  Igual que o fogo, um dos elementos mais úteis pode causar o mais intenso incêndio, assim é o Evangelho, que é o melhor que possuímos, pode converter-se na mais vil das causas. Este é um sentido na qual o Evangelho é “<i>cheiro de morte para morte</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;"> <b>ii.</b> Mas há algo mais. É um feito que <i>o Evangelho de Jesus Cristo aumentará a condenaçãode alguns homens no dia do juízo final</i>. De novo me espanto ao dizer, porque é um pensamento extremamente horrível para aventurar-se a falar dele; que o Evangelho de Cristo vai fazer do Inferno para alguns homens um lugar ainda mais terrível do que poderia ter sido. Todos os homens seriam lançados no inferno se não fosse o Evangelho. A graça de Deus irá redimir “<i>uma grande multidão, da qual não se pode contar</i>”; guardará um exército incontável que será salvo pelo Senhor com salvação eterna; mas, ao mesmo tempo, aqueles que a rejeitam lhes fará mais terrível a condenação. E aqui está o porquê:</p>
<p style="text-align: justify;"> Primeiramente, porque <i>os homens pecam contra uma luz superior, e a luz</i> que possuímos é uma excelente medida para nossa culpa. O que um nômade pode fazer sem que para ele seja delito, para mim pode ser o maior dos pecados, pois estou melhor instruído; e o que alguém pode fazer em Londres com impunidade – me refiro a um pecado contra Deus que não seja excessivamente grande – poderia me parecer a maior das transgressões, porque desde minha juventude fui instruído na piedade. O Evangelho vem sobre os homems como a luz do céu. Que errante deve andar o que se extravia na luz! Se o cego cai em uma vala, podemos nos compadecer, mas se um homem com a luz em seus olhos se joga do precipício e perde sua alma, não é impossível a compaixão?</p>
<p style="text-align: justify;"><b> <i>&#8220;Como merecem o inferno mais profundo<br />
Aqueles que menosprezam os gozos do céu!<br />
Que cadeias de vingança deverão sentir<br />
Os que burlam do amor soberano!&#8221;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Repito-lhes que a condenação de todos vocês aumentará, a menos que encontrem a Jesucristo o Salvador; porque ter a luz e não haver andado por meio dela será a essência mesma da <i>condenação</i>. Este será o vírus da culpa: “<i>que a luz vem ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más.”</i></p>
<p style="text-align: justify;"> A condenação de vocês será também maior se <i>vocês se opõem ao Evangelho</i>. Se Deus tem um plano de misericórdia e o homem se levanta contra Ele, não será grande o seu pecado? Não foi imensa a culpa que caiu sobre homens como Pilatos, Herodes e os judeus? Oh! Quem pode imaginar a condenação daqueles que gritaram: “<i>Crucifica-o! Crucifica-o!</i>” E que lugar do fogo do inferno arderá com força suficiente para o homem que difama o ministro de Deus, para o que fala mal do seu povo, que odeia a verdade, e que, se pudesse, apagaria da terra todo rastro de piedade? Queira Deus ajudar o blasfemo e ao infiel! Deus salve suas almas, se me dessem a escolher entre todos os homens, jamais escolheria ser como um desses.</p>
<p style="text-align: justify;"> Vocês pensam, senhores, que Deus não levará em conta o que os homens dizem: Um maldisse a Cristo, chamando-o de charlatão. Outro declarou – sabendo que mentia – que o Evangelho é falso. Um terceiro tem proclamado suas máximas licenciosas, e depois apontou à palavra de Deus dizendo: “Há coisas piores nela!” E outro tem insultado os ministros de Deus ridicularizando suas imperfeições. Creem que Deus esquecerá de tudo isso no último dia? Quando seus inimigos se apresentem diante Dele, Ele os tomará pela mão  e dirá: “Outro dia chamaste meu servo de cão, e guspiste sobre ele, e por isso pensa que te darei o céu?” Não; se o pecado não foi lavado pelo sangue de Cristo, dirás: “Vá embora, maldito, ao inferno de que zombava!; abandona o céu que você desprezava, e aprenda que, mesmo que você disse que não havia Deus, esta destra te ensinará enternamente a lição que há sim um Deus, porque aquele que não me descobriu por minhas obras de benevolência, saberá de mim por meus feitos de vingança; assim pois te digo: Aparta-te!” Aqueles que tem se oposto a verdade de Deus, o castigo lhes será aumentado. Agora, não é esta uma visão solene de que o Evangelho é para muitos “<i>cheiro de morte para morte</i>”?</p>
<p style="text-align: justify;"><b>iii.</b> Consideraremos ainda outro sentido. Creio que <i>o Evangelho faz alguns seres deste mundo mais desgraçados do que pudessem ter sido. </i>O bêbado poderia beber e se alegrar em sua embriaguez com maior alegria, se não ouvisse: <i>“Todos os bêbados têm a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre</i>.&#8221; Quão jovialmente o transgressor do Domingo excitaria durante todo o dia se a Bíblia não dissesse: “<i>Lembra-te do dia de sábado para o santificar</i>!” E quão felizmente poderia lançar-se em sua carreira louca o libertino e o licencioso se não estivesse dito: “<i>E aos homens está ordenando morrer uma vez, e depois vem o juízo</i>!” Mas a verdade coloca amargura em suas copas; os avisos de Deus congela a corrente de sua alma. O Evangelho é como o esqueleto na festa egípcia: ainda que durante o dia riem dele, pela noite tremem como folhas de álamo branco, e quando as sombras do entardecer caem sobre eles, se estremecem ao menor sussurro. Diante do pensamento de sua condição futura, sua alegria se torna em tristeza, e a imortalidade, ao invés de ser um presente para ele, é , só de pensar nisso, o tormento de sua existência. As doces palavras de amor da misericórdia não são para eles mais harmoniosas que o estrondo do trovão, pois sabem que a menosprezam. Sim, tenho conhecido alguns que foram tão desagraciados por causa do Evangelho, recusando-se a abandonar seus pecados, estando a ponto de se suicidarem. Oh! Que pensamento terrível! O Evangelho é “<i>cheiro de morte para morte”</i> para quantos que estão aqui hoje assim? Quem está ouvindo agora a palavra de Deus para ser condenado por ela? Quem sairá daqui para ser endurecido pela voz da verdade? Assim será para todo homem que não crê nela; porque para aqueles que a recebem é “<i>cheiro de vida para vida</i>”, mas para os incrédulos é uma maldição, e “<i>cheiro de morte para morte.”</i></p>
<p style="text-align: justify;"><b> 2.</b> Mas, bendito seja Deus, o Evangelho tem um segundo poder. Além de ser “<i>morte para morte</i>”, é “<i>cheiro de vida para vida”</i> Ah meus irmãos, alguns de nós, poderíamos falar, se isso nos foi entregue esta manhã, do Evangelho de “cheiro de vida” para nós. Olhemos novamente para trás, naquela hora em que estávamos “<i>mortos em delitos e pecados</i>.” Em vão todos os trovões do Sinai, em vão os avisos dos atalaias: dormíamos num sono moral de nossas culpas, e nem um anjo poderia nos despertar. E contemplemos também, com alegria, aquela hora em que entramos pela primeira vez dentro dos muros de um santuário e, para nossa salvação, ouvimos a voz da misericórdia.</p>
<p style="text-align: justify;"> Com alguns de vocês isso ocorreu a poucas semanas. Eu sei onde estão e quem são; faz poucas semanas ou alguns meses, tambem vocês estavam longe de Deus, mas tem sido levados a amá-lo. Lembre meu irmão cristão, aquele momento em que o Evangelho foi para você “<i>cheiro de vida</i>”, quando o separou dos seus pecados, renunciou a suas concupisciências, e se voltando para Palavra de Deus, a recebeu de todo o coração. Ah, aquela hora, a mais doce de todas! Nada pode se comparar a ela. Conheci uma pessoa que durante quarenta ou cinquenta anos havia permanecido completamente surda; uma manhã, sentada na porta de sua casa, enquanto passavam alguns veículos diante dela, creu ter ouvido uma música melodiosa. Não era música, era somente o ruído das carruagens. Seu ouvido se abriu repentinamente, e aquele som comum lhe pareceu como música celestial, porque era a primeira vez que ouvia em tantos anos. De forma semelhante, a primeira vez que nossos ouvidos se abriram para ouvir as palavras de amor, a segurança de nosso perdão, ouvimos a palavra como nunca havíamos ouvido antes até então; nunca nos pareceu tão doce, e talvez, ainda sobre estes momentos, olhamos para trás e dizemos:</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> &#8221;Que horas de paz eu desfrutei, então!<br />
Quão doce é sua memória, todavia!&#8221;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Quando pela primeira vez foi “<i>cheiro de vida</i>” para nossas almas. Assim, pois, meus amados, se alguma vez foi “cheiro de vida”, <i>sempre o será;</i> porque não está escrito que seja cheiro de vida para morte, mas “<i>cheiro de vida para vida</i>.” Ao chegar a este ponto, devo dirigir outro golpe aos meus antagonistas os arminianos; não posso remediá-lo. Eles argumentam que, às vezes, o Evangelho é cheiro de vida para morte. Dizem-nos que um homem pode receber vida espiritual, e não obstante, morrer eternamente; quer dizer, pode ser perdoado e, depois, castigado; pode ser justificado de todo pecado, e, no entanto, suas transgressões podem ser carregadas de novo sobre suas costas. Dizem que um homem pode ter nascido de Deus, e não obstante morrer, pode ser amado por Deus, e apesar disso, Deus pode odiá-lo amanhã.</p>
<p style="text-align: justify;"> Oh! Não posso suportar o falar de tais doutrinas cheias de mentiras; que creiam nelas os que querem. Pois a meu respeito, creio tão profundamente <i>no amor imutável de Jesus,</i> que suponho se um crente estivesse no inferno, o mesmo Cristo não estaria muito tempo no céu sem gritar: “Ao resgate! Ao resgate!” Oh, se Jesus Cristo estivesse na glória e de sua coroa faltasse uma de suas pedras preciosas, qual Satánas a possuisse no inferno, este diria: “Olhe, Príncipe da luz e da glória, tenho em meu poder uma de suas joias!” E segurando-lhe no alto, gritaria:” Você deu a sua vida por este homem, mas não tem poder suficiente para salvar a si mesmo; Você o amou uma vez, mas onde está seu amor? De nada lhe serve porque depois você o odiou!” E como riria malevolamente daquele herdeiro do céu, dizendo: “Este homem foi redimido; Jesus Cristo o comprou com seu sangue.” E o jogando nas profundezas do inferno com grandes gargalhadas diria: “Toma redimido”! Olhe como posso roubar o Filho de Deus!”. E com alegria maligna continuaria repetindo: “Este homem foi perdoado, contemplem a justiça de Deus! É castigado depois de haver recebido perdão. Cristo sofreu por seus pecados e, não obstante, eu o possuo; porque Deus o tem castigado duas vezes!” Vocês creem que se poderá dizer isso alguma vez? Ah! Não. É “<i>cheiro de vida para vida</i>” e, não cheiro de morte para morte.</p>
<p style="text-align: justify;"> Sigam com esse evangelho indigino; preguem onde queiram; mas meu Senhor disse: “<i>Eu dou as minhas ovelhas a vida eterna.</i>” Vocês dão as suas ovelhas vida temporal, e elas a perdem, mas Jesus disse: “<i>Eu lhes dou a VIDA ETERNA,</i> <i>e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão</i>”.  Quando falo deste tema, geralmente fico cheio de fervor, porque creio que há poucas doutrinas tão importantes como da perseverança dos santos; porque se um dos filhos de Deus vier a perecer, ou se soubesse que isso pudesse acontecesser , chegaria a conclusão imediata que eu poderia ser um deles, e suponho que a cada um de vocês passaria o mesmo, e neste caso, onde estão a alegria e a felicidade do Evangelho?</p>
<p style="text-align: justify;"> De novo repito que o evangelho arminiano é uma concha sem conteúdo; uma árvore sem fruto; que permaneçam com ele aqueles que lhe agrada. Não discutiremos com eles. Deixem que continue pregando. Deixem que sigam dizendo aos pobres pecadores que, se creem em Jesus, serão condenados depois de tudo; que Jesus Cristo os perdoará e que, apesar disso, o Pai os enviará para o inferno. Sigam pregando o Evangelho de vocês, porque quem o escutará? E se alguém der ouvidos, lhe serve de algo ouvi-lo? Digo-lhes que não, porque se depois de me converter, estou no mesmo lugar onde me converti, de nada me serve ter sido convertido. Mas aqueles a quem Ele ama, os ama até o fim.</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> &#8221;Uma vez em Cristo, nEle para sempre;<br />
Nada poderá me separar de Seu amor.&#8221;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b>É &#8220;<i>cheiro de vida para vida.</i>&#8221; Não somente &#8220;vida para vida&#8221; nesse mundo, mas &#8220;<i>vida para vida</i>&#8221; <i>eternamente</i>. Todo o que possua a vida, receberá a vindoura: “<i>graça e glória de Jeová. Não deixará de fazer o bem aqueles que andam em integridade.</i>” Me vejo obrigado a deixar esse ponto, mas se meu Senhor o toma em suas mãos e fizer destas palavras “<i>cheiro de vida para vida</i>” nessa manhã, me alegrarei de tê-las pronunciado.</p>
<p style="text-align: justify;"> <b>II.</b> Nossa segunda afirmação é que O MINISTRO NÃO É RESPONSÁVEL POR SEUS ÉXITOS. É responsável do que prega e de su vida e ações, mas não é responsável das demais coisas. Se eu prego a Palavra de Deus, mas nenhuma alma se salve, o Rei me dirá apesar de tudo: <i>“Bem está, servo bom e fiel!</i>” Se não deixo de pregar, e ninguém quer escutar, Ele dirá: “<i>Você lutou o bom combate, recebe tua coroa”.</i> Ouçam as palavras do texto: “<i>Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Isto será visto claramento se lhes digo como o ministro do Evangelho é nomeado na Bíblia. Às vezes é chamado <i>embaixador. </i>Agora, qual é a responsabilidade do embaixador? É enviado a um país como um agente diplomático, leva os termos de paz em conferências, usa todo seu talento para servir ao seu senhor, intenta demonstrar que a guerra vai contra os interesses de difirentes países, se esforça para promover a paz, mas os outros reis a rejeitam com arrogância. Quando retorna para seu país, seu senhor lhe pergunta: “Por que não promovestes a paz?” “Porque”, contesta o embaixador, “lhes expus as condições e não quiseram ouvi-las.” “Bem”, dirá aquele, “cumpristes o teu dever, não vou lhe culpar se a guerra continua.”</p>
<p style="text-align: justify;"> Em outras partes, o ministro do Evangelho é um <i>pescador. </i>Como é natural, um pescador não é responsável pela quantidade de peixes que pesca, mas sim pela maneira como pesca. Isto é uma benção para alguns ministros, porque nunca pescaram nada, e nem sequer atrairam algum peixe próximo de suas redes. Passam todas suas vidas pescando com ganchos elegantes e anzóis de ouro e prata, sempre utilizaram frases elaboradas e belas, mas apesar de tudo o peixe não mordeu a isca, mas nós, que somos de uma classe mais rude temos colocado o anzol na boca de muitas centenas. Não obstante, se armamos a rede do Evangelho no local apropriado, ainda que não pesquemos nada, o Senhor não achará em nós falta alguma. Nos perguntará: “Pescador, cumpriste teu trabalho? Lançastes a rede ao mar em tempos de tormenta?” “Sim, meu Senhor, assim o fiz.” “E o que tens pescado?” “Somente um ou dois peixes.” “Bem, poderia ter-lhe mandado multidões se assim fosse a minha vontade, a culpa não é sua.  Em minha soberania, dou ou nego segundo minha boa vontade, mas no que diz respeito a você, tem feito um bom trabalho, por isso aqui está sua recompensa.”</p>
<p style="text-align: justify;"> Algumas vezes o ministro é chamado de <i>semeador. </i>E nenhum agricultor faz o semeador ser responsável pela colheita, toda sua responsabilidade consiste em semear e em semar a semente adequada. Se a planta em boa terra então é bem-aventurado, mas se cai no meio do caminho e as aves do céu a comem, quem culpará o semeador? Poderia prevenir-se? Não, ele cumpriu com seu dever, espalhou as sementes amplamente e ali as deixou. De quem é a culpa? Do semeador, é claro que não. Desta forma, meus amados, se um ministro for para o céu somente com um punhado sobre seus ombros, seu Senhor lhe dirá: “Segador, uma vez fostes semeador”! Onde recolhestes teu fruto? “Senhor, eu semeei sobre a rocha, e não cresceu, somente um grão numa manhã de domingo foi levado pelo o vento de um lado para o outro, até que caiu em um coração preparado. E este é meu único fruto” “Aleluia!”, ressoaram os seres angelicais, “um fruto entre as rochas é para Deus mais valiosa do que milhares em uma boa terra, e este semador sentará tão perto do trono quanto aquele que vem inclinado com seus muitos frutos, provenientes de uma terra fértil.” Creio que, se há graus na glória, não será proporcional ao nosso sucesso, mas a qualidade de nossos esforços.</p>
<p style="text-align: justify;"> Se procedemos corretamente, e se com todo nosso coração nos esforçamos para cumprir com nossos deveres de ministros, ainda que não vejamos jamais nenhum resultado, receberemos a coroa. Mas quanto mais feliz é o homem de quem se dirá no céu: “Brilha eternamente, porque foi sábio e ganhastes muitas almas para a justiça.” Sempre tem sido para mim a maior alegria crer que quando entrar no céu,contemplarei em dias futuros suas portas abertas, e por elas verei entrar um querubim voando que, olhando para minha face, passará sorridente diante do trono de Deus, e depois de haver se inclinado diante Dele, e uma vez prestada a homenagem e adoração, virá apertar minha mão, ainda que não nos conheçamos, e se haverão lágrimas no céu, então, chorarei ao ouvi-lo dizer: “Irmão, dos teus lábios ouvi a palavra, tua voz me admoestou pela primeira vez do meu pecado, e eis-me aqui contigo, o instrumento da minha salvação.” E enquanto as portas permanecerem abertas, uma após outras almas redimidas chegarão, e por cada uma dessas, uma estrela, uma joia preciosa na coroa da glória, por cada uma delas outra honra e outra nota no hino de louvor. “<i>Bem aventurados os que morrem no Senhor, sim, disse o Espírito, pois suas obras os seguem”.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i>O que será de alguns bons cristãos, dos que estão aqui no Exeter Hall nesse momento, se o valor das coroas no céu se mede pelo número de almas que tenham salvado? Alguns de vocês possuirão uma coroa no céu sem nenhuma estrela. Há pouco tempo li algo a respeito: Um homem no céu com uma coroa sem nenhuma estrela. Não salvou nem um sequer! Desfrutava no céu de felicidade completa porque havia sido salvo pela Misericórdia divina, mas, oh! Estar no céu sem nenhuma estrela! Mãe, o que você diria se estivesse no céu sem alguns de teus filhos para decorar seus templos com uma estrela? Ministro! Que diria, sendo um orador refinado, que não possui uma estrela sequer? Escritor! Pareceria-te bem ter escrito tão gloriasamente como Milton, e então se encontrar no céu sem nenhuma estrela? Temo que prestamos muito pouca atenção a isso. Os homens escrevem enormes livros e tomos, para vê-los um dia em bibliotecas, e para que seus nomes sejam famosos para sempre. Mas quão poucos se preocupam de ganhar estrelas no céu! Esforça-te, filho de Deus, esforça-te, porque se desejas servir a Deus, o pão que se lança sobre as águas não se perderá para sempre. Se jogares a semente entre as patas do boi ou asno, obterá uma colheita gloriosa no dia em que Ele venha reunir seus escolhidos. O ministro não é responsável por seu êxito.</p>
<p style="text-align: justify;"> <b>III.</b> E em último lugar, PREGAR O EVANGELHO É UMA TAREFA ELEVADA E SOLENE. O ministério tem sido frequentemente rebaixado a uma profissão. Nestes dias se faz ministros de homens que foram bons capitães do mar, ou serviram muito bem para estar atrás de um mostrador, mas que nunca estiveram preparados para o púlpito. São escolhidos pelos homens, sobrecarregados de literatura, educados até certo nível, vestidos adequadamente, e o mundo lhes chama ministros. Desejo que Deus lhes faça triunfar, porque como dizia Joseph Irons: “Deus esteja com muitos deles, ainda que seja somente para reprimir-lhes a língua.” Os ministros feitos por homens não possuem utilidade nesse mundo, e quanto antes nos livrarmos deles, melhor. Aqui está sua maneira de proceder: preparam seus manuscritos detalhadamente, os leem no domingo com a maior doçura, em voz baixa e desta forma o povo fica satisfeito. Mas esse não é modo de pregar de Deus. Se assim fosse, me sinto capaz de pregar para sempre. Posso comprar sermões manuscritos por alguns centavos, quer dizer, que já foram pregados cerca de cinquenta vezes, e se os utilizo pela primeira vez valem um pouco mais. Mas essa não é a maneira. Pregar a Palavra de Deus não é como alguns creem, um simples jogo de crianças, um negócio ou profissão que qualquer um pode exercer. Um homem deve sentir, em primeiro lugar, que <i>têm um chamado solene</i>; depois, deve saber que <i>realmente possuí o Espírito de Deus</i> e que quando fala existe uma influência sobre ele que o capacita para pregar como Deus quer que ele pregue. De outra forma deve abandonar o púlpito imediatamente, porque não tem nenhum direito de estar nele ainda que a igreja seja sua propriedade. Não foi chamado para anunciar a verdade de Deus, e Deus lhe disse: “O que você tem para falar das minhas leis”?</p>
<p style="text-align: justify;"> Mas vocês dizem: “Que dificuldade existe na pregação do Evangelho de Deus?” Bem, deve ser algo duro, porque Paulo disse: “<i>E para estas coisas, quem é suficiente</i>?” Primeiro, antes de tudo, deixe-me dizer que é difícil, porque assim é feito para que não distorçam por preconceitos próprios a pregação da Palavra. Quando se tem de falar com severidade, o coração nos diz: “<i>Não o faças. Se falar desta maneira julgarás a ti mesmo”</i>; e então existe a tentação de não fazê-lo. Outra prova é que <i>tememos desagradar o membro rico de nossa congregação</i>. Desta forma, pensamos: “Se digo isto e outro, fulano e ciclano se ofenderão; aquele outro não aprova esta doutrina, será melhor eu abandoná-la.” Talvez suceda que recebamos o aplauso das multidões e não queremos dizer nada desagrável, porque se hoje gritam: “<i>Hosana</i>”, amanhã gritarão: “<i>Crucifica-o! Crucifica-o</i>!”. Todas estas coisas se passam no coração de um ministro.  Ele é um homem como vocês, e possui sentimentos. Também, está apontada nele a faca aguda da critíca e as setas daqueles que odeiam o ministro e seu Senhor, e, às vezes, não pode evitar sentir a ferida. Possivelmente colocará sua armadura e gritará: “Não me importam as critícas de vocês”, mas houve épocas em que os arqueiros afligiram penosamente até mesmo José. Então se encontra outro perigo, o de querer defender-se, porque quem procede assim comete uma grande loucura. O que deixe seus críticos sozinhos e, como à águia, que não faz caso do cantarolar do pardal ou o leão que não se molesta em sufocar o gemido do chacal, é um homem e será honrado. Mas o perigo está em que queiramos deixar estabelecida nossa reputação de justos. E, oh! Quem é suficiente para digir o navio livrando-se destas rochas perigosas? <i>“Para estas coisas</i>”, meus irmãos, “<i>quem é suficiente</i>?” Para levantar-se e anunciar, domingo após domingo e dia após dia, <i>“as insondáveis riquezas de Cristo</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;"> Ao chegar a este ponto, e para terminar, farei a seguinte conclusão, se o Evangelho é “<i>cheiro de vida para vida</i>”, e a labuta do ministro é um trabalho solene, quanto bem fará para todos os amantes da verdade orar por todos aqueles que a pregam, para que sejam “<i>suficientes para estas coisas</i>”. Perder minha devocional, como tenho lhes dito muitas vezes, é a pior coisa que pode me acontecer. Não ter ninguém que ore por mim me colocaria numa situação terrível. “Talvez”, disse um bom poeta, “o dia em que o mundo perecer será aquele em que não está embelezado com uma oração”; e talvez, o dia em que o ministro se apartou da verdade foi aquele que sua congregação deixou de orar por ele, e quando não se elevou uma só voz suplicando graça a seu favor. Estou seguro de que assim deve suceder comigo. Dê-me o numeroso exército de homens que tive o orgulho e a glória de ver em minha casa antes de vir para este local; dê-me aquela gente dedicada à oração, que nas tardes da segunda-feira se reúnem em grandes multidões para pedir a Deus que derrame sua benção sobre eles, e venceremos até o mesmo inferno apesar de toda a oposição. Nossos perigos não são nada, se temos orações. Porque ainda que aumente minha congregação; ainda que se formem gente nobre e educada; e ainda que eu possua influencia e entendimento, se não tenho uma igreja que ore tudo me sairá mal. Meus irmãos! Perderei alguma vez suas orações? Cessarão alguma vez suas súplicas? Nosso trabalho nesse grande lugar está quase terminado, e felizmente voltaremos ao nosso mui amado santuário. Cessarão então, por acaso, vossas orações? Temo que esta manhã não pronuninciaram tantas petições como deveriam; temo que não houve uma devoção tão ardente como seria necessária. Eu não senti o poder maravilhoso que experimento algumas vezes. Não os culpo por isso, mas não quero nunca que se diga: “Aquele povo que foi tão fervoroso, se tornou frio.” Não deixem que a <i>frieza </i>penetre em Sothwark, se há de estar em alguma parte, que seja bem longe daqui, no Fim do Leste; não a levemos com nós. “<i>Contendamos eficazemente pela fé que uma vez foi dada aos santos</i>”; e sabendo dos perigos em que se encontra o portador do estandarte, suplico que se reúnam ao seu redor, porque fará males no exército.</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>&#8220;Se o porta-bandeira cai, como bem pode cair.<br />
Porque tudo é de se esperar, nessa luta mortal&#8221;.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Levantem-se amigos! Empunhem o estandarte e mantenham-o no alto até que chegue o dia que nos encontraremos no último baluarte conquistado dos dominios do infeerno, e todos cantem: &#8220;<i>Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Porque reina o Senhor nosso Deus Todo-poderoso</i>!&#8221; Até lá, continuemos lutando.</p>
<p>_________________________</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVIFÍCO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"> <b>FONTE</b>: Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon26.html">http://www.spurgeon.com.mx/sermon26.html</a></p>
<p style="text-align: justify;"> Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 26 — Volume 1 do <i>The New Park Street Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: César Augusto Vargas Américo<br />
Revisão: Armando Marcos<br />
Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.<b><i><br />
</i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: justify;" valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Soberana Graça de Deus e a Responsabilidade do Homem</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Apr 2013 16:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[N0 207 Sermão pregado no Domingo, 1º de Agosto de 1858 Por Charles Haddon Spurgeon No Music Hall, Royal Surrey Garden, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM KINDLE “E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/04/a-soberana-graca-de-deus-e-a-responsabilidade-do-homem-c-h-spurgeon/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spur.jpg"><img class=" wp-image-7225 alignleft" alt="capa_model_spur" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/capa_model_spur-211x300.jpg" width="250" height="350" /></a></p>
<p class="sa" style="text-align: justify;" align="center"><strong>N<sup>0</sup> 207</strong><br />
Sermão pregado no Domingo, 1º de Agosto de 1858</p>
<p class="sa" style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p class="sa" style="text-align: justify;" align="center">No Music Hall, Royal Surrey Garden, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/ebook_soberania_deus_responsabilidade_homem_spurgeon.pdf"><b>BAIXE EM PDF</b></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/A%20Soberana%20Graca%20de%20Deus%20e%20a%20Responsabil%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub"><b>BAIXE EM EPUB</b></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/04/A%20Soberana%20Graca%20de%20Deus%20e%20a%20Responsabil%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi"><b>BAIXE EM KINDLE</b></a></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i><br />
“E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam. Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.”<br />
(Romanos 10:20-21, ACF)</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida, estas palavras referem-se principalmente à rejeição dos judeus e à escolha dos gentios. Os gentios eram um povo que não buscava a Deus, mas vivia em idolatria. Apesar disso, naqueles últimos tempos aprouve a Jeová enviar o Evangelho da Sua Graça a eles – enquanto aos judeus, os quais por muito tempo haviam desfrutado os privilégios da Palavra de Deus, foram repudiados por causa da sua rebelião e desobediência. Creio, no entanto, que embora este seja o principal objetivo das palavras do nosso texto, ainda, como diz Calvino, a verdade ensinada aqui é um tipo de fato universal. Como Deus escolheu o povo que não O conhecia,  também tem escolhido, na abundância da sua graça, manifestar a Sua salvação aos homens que estão fora do caminho, enquanto, por outro lado, os que continuam perdidos após terem ouvido a Palavra, assim continuam devido ao seu pecado deliberado. Pois Deus o dia todo “estende as suas mãos a um povo rebelde e contradizente.” <span id="more-7223"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A abordagem da Verdade não é uma linha reta, mas são duas. Ninguém nunca obterá uma visão correta do Evangelho até aprender como olhar para as duas linhas de uma vez. Em um livro sou ensinado a acreditar que o que semear, colherei. Em outro  sou ensinado que, &#8220;assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.” Em um lugar vejo a Providência de Deus governando tudo. E ainda assim vejo &#8211; e não posso deixar de ver &#8211; que o homem age como lhe agrada e que Deus tem, em grande medida, deixado seus atos à mercê da própria vontade dele. Então, se eu fosse declarar que o homem é livre para agir de modo que não existe a Providência de Deus sobre suas ações, seria levado sobremodo para perto do Ateísmo. E se, por outro lado, eu fosse afirmar que Deus domina tanto todas as coisas, como se o homem não fosse livre o suficiente para ser considerado responsável, sou levado imediatamente ao Antinomianismo ou ao fatalismo! A predestinação por Deus e a responsabilidade do homem são dois fatos percebidos por poucos e considerados inconsistentes e contraditórios. Mas não o são! A culpa está na nossa própria débil capacidade de julgamento. Duas verdades de Deus não podem se contradizer.  Se, então, uma parte ensina que tudo é pré-ordenado &#8211; é verdade. E se outra ensina que o homem é responsável por todas as suas ações &#8211;  é verdade. E é minha insensatez que me leva a imaginar que duas verdades de Deus podem, alguma vez, se contradizer. Acredito que estas duas verdades nunca poderão ser fundidas sobre nenhuma bigorna humana, mas como uma estarão na eternidade! São duas linhas quase tão paralelas que a mente que as buscar muito longe  nunca perceberá que convergem &#8211; mas <i>de fato convergem </i>e se encontrarão em algum lugar na eternidade, perto do trono de Deus de onde toda aVerdade emana!</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, esta manhã, eu estou a ponto de considerar as duas doutrinas. No versículo 20, aprendemos as <i>Doutrinas da</i><i> Graça Soberana:</i> “<i>E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam.</i>” No versículo seguinte, temos a <i>Doutrina da</i><i> culpa do homem por rejeitar a Deus</i>. “<i>Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;"><b>I.</b> Primeiro, então, a SOBERANIA DIVINA COMO EXEMPLIFICADA NA SALVAÇÃO. Se algum homem é salvo, assim o é pela Graça Divina e somente por ela. A razão da sua salvação não será encontrada nele, mas em Deus. Não somos salvos como resultado de algo que fazemos ou que desejamos – nossas ações e desejos são resultado da boa vontade de Deus e da obra da Sua graça em nossos corações! Nenhum pecador pode detê-Lo, isto é, não pode ir adiante dEle, não pode se antecipar a Ele. O Senhor vem primeiro na questão da salvação, antecede nossas convicções, desejos, medos e esperanças! Tudo o que é bom ou será bom em nós é precedido pela graça de Deus e é o resultado de uma ação divina em nós.<!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">Agora, nesta manhã, falando de atos graciosos de salvação por Deus, <i>noto primeiro que são totalmente imerecidos</i>. Você constatará que as pessoas aqui mencionadas, sem dúvida,  não mereceram a graça de Deus. Elas o encontraram, mas nunca O buscaram; Foi manifestado a elas, porém nunca perguntaram por Ele. Nunca houve nenhum homem salvo por merecimento! Perguntem para todos os santos de Deus e eles lhes dirão que sua vida pregressa foi desperdiçada em desejos da carne, que nos dias de sua ignorância se rebelaram contra Deus e se desviaram dos Seus caminhos; e então, quando foram convidados a voltar-se para Ele, desprezaram o convite e quando alertados, jogaram fora o alerta! Vão dizer-lhes que o fato de terem sido atraídos por Deus não foi  resultado de qualquer mérito antes da conversão, porque alguns, longe de terem direito a algo, foram os mais terríveis entre os terríveis! Se jogaram no poço absoluto do pecado. Não se envergonharam de todas as coisas das quais sentiríamos vergonha se somente fossem mencionadas. Eram líderes do cartel do crime, príncipes na hierarquia do inimigo. E assim mesmo a Graça Soberana veio sobre eles e foram levados a conhecer o Senhor. Vão afirmar-lhes que não foi o resultado de algo primoroso em sua disposição,  embora agora acreditem na existência de algo excelente implantado neles, ainda que nos dias da sua carne não puderam ver uma qualidade que não fosse  corrompida em favor do serviço de Satanás! Perguntem-os se pensam que foram escolhidos como resultado da sua coragem e lhe dirão que não. Se alguma coragem havia neles, era deformada, pois esta se inclinava para o mal! Perguntem-os se foram escolhidos de Deus por causa das suas aptidões e lhe dirão que não; havia neles aptidões, porém as prostituíam ao serviço de Satanás! Perguntem-os se foram escolhidos devido à franqueza e à generosidade de seu temperamento e lhe revelarão que estes os levou a mergulhar tão mais profundamente no pecado do que do contrário teriam feito,  pois eram “bons camaradas” de cada homem mal, prontos para beber e se juntar a todas as festanças que cruzassem seus caminhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não havia neles nenhuma razão para que Deus usasse de misericórdia em seu favor. E se maravilharam porque Ele não os rejeitou no tempo de seus pecados, não excluiu seus nomes do Livro da Vida e não os arrastou para dentro do abismo onde queima o fogo que irá devorar os ímpios! Mas alguns têm afirmado que Deus escolhe o Seu povo porque prevê que após elegê-los farão isto ou aquilo, e outras tantas ações meritórias e excelentes. Recorra novamente ao povo de Deus e lhes revelarão que desde sua conversão têm tido muitas razões para chorar. Embora possam alegrar-se com a boa obra que Deus começou em suas vidas, muitas vezes tremem com medo de que a obra possa não ser de Deus. Irão dizer-lhe que se às vezes abundam na fé, ainda há tempos em que superabundam na incredulidade! Se às vezes estão cheios de obras de santidade, ainda existem momentos em que choram profusamente por considerar que estes mesmos atos de santidade foram manchados pelo pecado! O cristão irá dizer-lhe que chora profusamente. Sente que há imundície mesmo nos melhores desejos – que precisa pedir perdão a Deus por suas próprias orações – pois existe pecado no meio de suas súplicas e que precisa de aspergir mesmo suas melhores ofertas com o sangue expiatório, porque nunca é capaz de trazê-las sem mancha ou defeito. Você pode recorrer ao mais iluminado dos santos, ao homem cuja presença em meio à sociedade retrata a presença de um anjo e ele assegurará ainda sentir vergonha de si mesmo. “Ah”, ele dirá, &#8220;você pode me elogiar, mas eu não posso elogiar a mim mesmo. Pode falar bem de mim, me aplaudir, mas se conhecesse meu coração, enxergaria razões suficientes para me considerar um pobre pecador salvo pela graça, destituído de motivos para se gloriar e constrangido a inclinar sua cabeça e confessar suas iniquidades perante Deus.” A graça é, portanto, totalmente imerecida.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez, a graça de Deus é <i>soberana</i>. Isto significa que Deus tem direito absoluto de dispensá-la como Lhe agrada. Não tem a obrigação de dá-la a ninguém, e se escolher concedê-la a um e não a outro, Sua resposta é: “Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia.” Então, quero que observe como está ilustrada no texto a Soberania da Graça Divina – “Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam.” Imagine se Deus fosse esperar que o homem o buscasse seriamente para poder concedê-la? Imagine se Ele, do mais alto dos céus, dissesse: “Tenho misericórdias, mas deixarei o homem só e quando delas necessitar e então se empenhar em me buscar com todo seu coração, dia e noite, com lágrimas, sacrifícios e súplicas, o abençoarei – mas não o farei antes disso.” Mas amados, Deus não diz tais coisas! Sim, é verdade que Ele abençoa aqueles que clamam por Ele, porém os abençoa <i>antes</i> de clamarem, porque Deus mesmo colocou esses clamores em seus lábios! Seus desejos não provêm deles, mas de boas sementes lançadas pelo Senhor no solo de seus corações. Deus salva homens que não O buscam! Oh, quantas maravilhas! É mesmo ato de misericórdia quando Ele salva quem o busca, mas não é esta misericórdia ainda mais gloriosa quando Deus mesmo salva os que não o buscam? Considere a parábola da ovelha perdida. Não diz assim: “Certo homem tinha cem ovelhas e uma delas se perdeu. Permaneceu em casa esperando e veja &#8211; a ovelha retornou. Ele a recebeu com alegria e disse aos seus amigos que se regozijassem pois a ovelha perdida havia retornado.” Não. Ele <i>saiu a buscá-la</i> porque nunca teria voltado por conta própria. Teria vagado cada vez mais distante. Ele <i>saiu a buscá-la. </i>Através das montanhas da dificuldade e dos vales do desalento, perseguiu seus passos errantes e a recuperou. Não a conduziu por esse caminho, não a liderou, mas a carregou ao longo dele, e quando a trouxe de volta para casa não disse: “A ovelha retornou”, mas “Encontrei a ovelha que se havia perdido.” Deus busca o homem primeiro, e não ao contrário! E se alguém o busca hoje é porque Ele o buscou primeiro! Se alguém o deseja, saiba que Ele o desejou primeiro; sua busca e desejos sinceros não provêm da sua salvação, mas dos efeitos da graça previamente concedida a você.</p>
<p style="text-align: justify;">“Bem”, alguém argumenta, “eu poderia ter pensado que, embora o Salvador não exija uma busca sincera e constante, suspiros e gemidos por Ele, ainda assim desejaria e demandaria que todo homem deva clamar pela Graça antes de recebê-la”. Amados, de fato esta situação parece natural e Deus <i>a concederá</i> aos que por ela clamarem. No entanto, observem no texto que Ele foi manifestado “<i>aos que</i> por Ele <i>não perguntaram</i>.” Ou seja, o Senhor nos concede Graça antes de pedirmos por ela! A única razão pela qual qualquer homem começa a orar é porque a Graça derramada anteriormente em seu coração o levou a isto. Lembro-me que quando me converti, eu era um Arminiano completo. Pensei que eu mesmo havia começado a boa obra e costumava me sentar e pensar: “Bem, busquei o Senhor por quatro anos antes de encontrá-lo”, e acho que comecei a me elogiar porque havia clamado por Ele insistentemente em meio a muito desânimo! Mas um dia me ocorreu um pensamento: “O que me levou a buscar a Deus?”, e num instante a resposta veio de minha alma: “Por quê? Por que Ele me conduziu a isto! Primeiro deve ter me mostrado minha necessidade Dele, senão eu nunca O teria buscado! Deve ter me mostrado Sua preciosidade, ou eu nunca teria achado que vale a pena buscá-Lo.” Então de uma vez enxerguei com a maior clareza possível as Doutrinas da Graça. DEUS deve começar! A natureza nunca poderá se sobrepujar. Coloca-se água em um reservatório e ela o encherá até um dado limite, mas nunca passará disto sozinha. Então, não está na natureza humana o buscar a Deus. Esta é depravada, logo, deve haver uma pressão excepcional do Espírito Santo sobre o coração para inicialmente nos levar a pedir por misericórdia. Mas veja, não percebemos nada disto durante a operação do Espírito! Clamamos como se fossemos responsáveis por desejarmos o Senhor e O buscamos como se o Espírito Santo não existisse; e embora não saibamos, deve existir um movimento prévio do Espírito em direção ao nosso coração antes de existir um movimento em nosso coração em direção a Ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>“<i>Nenhum pecador pode estar com o Senhor de antemão,<br />
Sua Graça é mais soberana, mais rica e mais livre.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Deixe-me dar um exemplo. Vê aquele homem montado em um cavalo cercado por seus soldados? Como está orgulhoso! Com quão consciente dignidade dali exerce controle! O que tens aí contigo, senhor? O que são essas expedições que entesouras com tanto apreço? “Oh, senhor, o que tenho em minhas mãos irá afligir a Igreja de Deus em Damasco. Arrastarei os membros, homens e mulheres, para a sinagoga. Açoitá-los-ei e forçá-los-ei a blasfemarem. E tenho esta comissão do sumo sacerdote de levá-los à força à Jerusalém para matá-los.” “Saulo! Saulo! Não tem amor por Cristo?” “Amor por Ele? Não! Quando apedrejaram Estevão, me encarreguei das roupas das testemunhas e tive prazer em fazê-lo. Como gostaria de ter participado da crucificação do seu mestre, pois os odeio profundamente e contra eles expiro ameaças e massacres.” O que você afirma deste homem? Se ele for salvo, não irá admitir que alguma soberania divina o converteu? Olhe para o pobre Pilatos, quanta esperança havia nele. Queria salvar o Mestre, porém temeu e tremeu. Se tivéssemos tido a chance, teríamos dito: “Senhor, salve Pilatos porque ele não quer matar Jesus e se esforça para livrá-lo. Mas mate o sanguinário Saulo – ele é o líder absoluto dos pecadores.” “Não”, exclama Deus, “farei com os meus como me for aprazível.” ”Os céus se abrem e o brilho da glória desce mais luminosa que o sol do meio-dia! Impressionado com a luz, Saulo cai no chão e uma Voz se dirigindo a ele é ouvida: “Saulo, Saulo, por que me persegues?  Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.” Ele se levanta. Deus aparece para ele:“Veja, porque és para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios.” Não é esta Soberania – Graça Soberana – desprovida de qualquer busca prévia? Deus foi achado por aquele que não o havia buscado! Se manifestou ao que não havia perguntado por Ele. Alguns dirão que aquilo foi um milagre, mas é um que se repete todos os dias da semana!</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez conheci um homem que não ia à casa de Deus por muito tempo. E num domingo de manhã, tendo ido ao mercado comprar dois patos para seu jantar, aconteceu de ver a casa de Deus aberta quando passava. “Bem”, pensou ele, “vou observar o que estes companheiros estão fazendo.” Ele entrou. O hino que cantavam prendeu sua atenção. Ouviu o sermão, esqueceu-se dos patos, descobriu seu próprio caráter – foi para casa e se pôs de joelhos perante o Senhor – e após certo tempo aprouve a Deus dar-lhe alegria e paz em crer! Para começar, aquele homem não tinha nada em si mesmo, nada que levasse alguém a imaginar que um dia ele poderia ser salvo! Mas simplesmente porque Deus quis assim, o homem foi alcançado com o sopro eficaz da Graça e levado a Jesus Cristo! No entanto, nós mesmos somos os melhores exemplos desta situação! Até hoje me assombro pois Deus nunca deveria ter me escolhido. Não consigo entender. E a minha única resposta para a pergunta é: &#8220;Sim, ó Pai, porque assim pareceu bem aos teus olhos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que agora anunciei a Doutrina de maneira bem clara. Deixe-me apenas dizer algumas palavras sobre ela. Algumas pessoas têm bastante medo desta verdade de Deus. Dizem: “É verdade, ouso dizer, mas mesmo assim você não deveria pregá-la para uma assembleia heterogênea. É muito confortável para o povo de Deus, mas deve ser manejada com cuidado e não deve ser pregada publicamente.” Muito bem, senhor, permito que resolva este assunto com meu Mestre. Ele me deu este grande livro para pregar, e não posso fazer uso de nenhuma outra fonte! Se Ele colocou algo na Bíblia que você considera inadequado, vá e reclame com Ele e não comigo. Sou um simples servo e se o que prego é ofensivo, não posso fazer nada. Se eu envio meu servo com uma mensagem e ele a entrega fielmente, <i>não merece</i> ser repreendido. Coloque a culpa <i>em mim</i>, e não em meu servo. Então eu digo: culpe meu Mestre porque eu somente proclamo Sua mensagem. “Não”, diz alguém, “não é para ser <i>pregada</i>.” Sim, é para ser pregada. Toda a Palavra de Deus é inspirada e útil para algum bom propósito. A Bíblia não ensina assim? Deixe-me dizer-lhes a razão pela qual muitas das nossas igrejas estão em declínio: é simplesmente porque esta Doutrina não tem sido pregada. Onde quer que ela tenha sido defendida, sempre foi “Abaixo o Papismo.” Os primeiros reformadores sustentaram esta doutrina e a pregaram. Bem disse um doutor da Igreja da Inglaterra a alguns críticos: “Olhem para o Lutero de vocês. Não o consideram o mestre da Igreja da Inglaterra? O que Calvino e outros reformadores ensinaram pode ser encontrado em seu Livro sobre a liberdade da vontade.”<a title="" href="#_ftn1">[1]</a> Além disso, podemos indicar-lhes uma série de ministros desde o início até agora. Falemos da sucessão apostólica! O homem que prega as Doutrinas da Graça é de fato um sucessor dos apóstolos! Não podemos traçar nossa genealogia através de toda uma linhagem de homens como Newton, Whitefield, Owen e Bunyan diretamente até chegarmos a Calvino, Lutero e Zwinglio? Deles então podemos voltar a Savonarola, Jerônimo de Praga, a Huss e então de volta a Agostinho, o pregador mais poderoso do cristianismo. E de Santo Agostinho até Paulo é somente um passo! Não precisamos sentir vergonha da nossa linhagem. Embora os Calvinistas agora sejam considerados heterodoxos, somos e sempre deveremos ser ortodoxos. É a antiga doutrina! Vão e comprem qualquer livro puritano e veja se conseguem encontrar nele o Arminianismo! Pesquisem todas as bancas de livros e veja se podem encontrar algum manuscrito antigo que possua algo diferente da Doutrina da Livre Graça de Deus. Permitam que esta seja trazida para nutrir a mente dos homens e desaparecerão as falsas doutrinas da penitência, confissão e do pagamento pelos seus pecados!</p>
<p style="text-align: justify;">Se a graça é livre e soberana nas mãos de Deus, a doutrina do clericalismo não se sustenta! A compra e venda de indulgências e coisas afins também não! São levados pelos quatro ventos dos céus e a eficácia das boas obras é reduzida em pedacinhos como Dagom diante da arca do Senhor! “Bem”, alguém comenta, “Gosto da Doutrina. Todavia, existem muito poucos que pregam-na e os que o fazem são muito elevados.” É bem provável, mas me importo pouco com o que dizem de mim. Tem muito pouca importância o que os homens falam a seu respeito. Suponha que o considerem “excitado, nervoso”- isto não o torna perverso, certo? Imagine que o julguem um antinomiano – isto não o torna um deles! No entanto, devo confessar que há alguns homens que pregam esta doutrina causando dez vezes mais mal do que bem porque não pregam sobre a próxima sobre a qual vou falar, e que é igualmente verdadeira! Possuem a primeira para ser a vela, mas não esta última para ser o lastro. Podem pregar sobre um lado da moeda, mas não sobre o outro. Podem concordar com a alta Doutrina, porém não falarão sobre a Palavra em sua totalidade. Tais homens caricaturam a Bíblia! Deixem-me comentar aqui o costume de certo grupo de hiper-calvinistas de chamar de “Calvinistas Híbridos” aqueles entre nós que ensinam que é dever do homem se arrepender e crer. Se vocês escutarem alguém dentre eles falar desta maneira, deem-nos meus mais respeitosos elogios e perguntem-nos se já leram os trabalhos de Calvino em suas vidas. Não que eu me importe com o que Calvino disse ou não disse, mas perguntem-nos se algum dia <i>leram suas publicações.</i> E se disserem “Não”, como provavelmente o farão porque existem 48 extensos volumes, digam-nos que o homem a quem chamam um “Calvinista Híbrido”, embora não tenha lido a totalidade dos volumes, já leu uma boa parte deles e conhece sua essência. E sabe que prega substancialmente o mesmo que Calvino, que toda doutrina sobre a qual ensina pode ser encontrada nos Comentários de João Calvino a respeito de uma ou outra parte das escrituras. Somos calvinistas verdadeiros! No entanto, este reformador não é ninguém para nós. Jesus Cristo e ele crucificado e a Bíblia tradicional são <i>nossos</i> pilares. Amados, aceitemos a escritura em sua totalidade! Se encontrarmos alta doutrina, que assim permaneça! Se for baixa doutrina, que permaneça também!<a title="" href="#_ftn2">[2]</a> Lancemos mão somente de padrões proporcionados pela Bíblia!</p>
<p style="text-align: justify;"><b>II.</b> Passemos agora ao segundo ponto. “Agora veja,” comenta meu hiper amigo, “ele vai se contradizer.” Não, meu Amigo, não vou! Vou contradizer você! O segundo ponto é a RESPONSABILIDADE DO HOMEM. “Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.” Então, esse povo que Deus abandonou havia sido cortejado, buscado, suplicado que fosse salvo. Mas se recusaram e uma vez que não foram salvos, o abandono foi o resultado de sua desobediência e oposição. Este fato é claramente encontrado no texto. Quando Deus envia os profetas a Israel e estende Suas mãos, qual Seu propósito? Por que desejava que o povo se voltasse para Ele? Ora, para serem salvos! “Não”, alguém diz, ”era para que recebessem misericórdias temporárias.” Não é assim, meu Amigo! O verso anterior diz respeito às misericórdias espirituais e este também, pois se referem à mesma coisa. Então, foi Deus sincero em sua oferta? Ele perdoa o homem ousado o suficiente para dizer que não! Sem dúvida o Senhor é sincero em todas as suas ações – enviou Seus profetas e rogou ao povo de Israel que se apegassem às coisas espirituais, mas se recusaram. E embora estendesse Suas mãos durante todo o dia, ainda assim permaneceram “um povo rebelde e contradizente”, e não receberam Seu amor. E sujaram as mãos com o próprio sangue!</p>
<p style="text-align: justify;">Deixe-me agora observar o cortejo de Deus e suas características. Em primeiro lugar, era o cortejo mais amoroso do mundo! Pecadores perdidos que se encontram ao som do evangelho não estão perdidos por falta do mais carinhoso dos convites. Deus diz que estendeu Suas mãos. Vocês sabem o que isto significa. Têm visto filhos desobedientes que não se voltam para seus pais. O pai estende suas mãos e diz: “Venham para mim, meus filhos, venhas, estou pronto a perdoar-lhes.” A lágrima está em seus olhos e seu coração se move de compaixão enquanto exclama: “Venham, venham.” Deus diz que Ele mesmo fez isto – “Ele estendeu as Suas mãos.” E assim tem agido com alguns de vocês, os quais se não são salvos hoje, são indesculpáveis, pois Deus lhes estendeu Suas mãos e disse: “Venham, venham.” Vocês têm estado ao som do evangelho por um longo tempo e têm sido fiel, eu creio, e têm chorado! Seu pastor não se esqueceu de orar por suas almas em secreto ou de chorar por vocês quando nenhum olho estava posto sobre ele, o qual tem lutado para convencê-lo como um embaixador de Deus! O Senhor é testemunha das vezes que estive neste púlpito e não poderia ter rogado com mais força por minha própria vida do que roguei pelas suas! Em nome de Jesus tenho clamado: “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Tenho chorado por vocês como fez o Salvador e usado Suas palavras em Seu nome: “<i>Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste</i>!” E vocês sabem que suas consciências têm sido tocadas com frequência, que vocês têm sido movidos, não puderam resistir. Deus foi tão gentil com vocês, convidou-os com tanto amor através da Palavra, ajudou-os com tanta mansidão através da Sua providência e Suas mãos estavam estendidas e vocês puderam ouvir Sua voz falando em seus ouvidos: <i>“Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês O têm ouvido clamar: “<i>Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas.”</i> Vocês O têm ouvido falar com todo o amor do coração de um pai: ”<i>Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.”</i> Oh, Deus implora para que o homem seja salvo e hoje Ele diz a cada um de vocês: “<i>Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados. Tornai-vos para mim, diz o Senhor dos Exércitos, considerai os vossos caminhos</i>.” E com amor Divino Ele o corteja como um pai corteja seu filho, estendendo Suas mãos e clamando: “<i>Tornai-vos para mim, tornai-vos para mim</i>.” “Não,” diz um doutrinário, “Deus <i>nunca</i> convida todos os homens a tornarem-se para Ele, mas somente alguns indivíduos.” Pare, senhor! Isto é tudo o que você sabe. Nunca leu sobre a parábola aonde é dito: “Meus bois e cevados já estão mortos, e tudo já está pronto; vinde às bodas.” E os que foram convidados <i>não quiseram ir</i>. E nunca leu que todos começaram a dar desculpas e foram punidos porque não aceitaram o convite? Então se os convites não são feitos para todos, mas somente para quem iria aceitá-lo, como esta parábola pode ser real? A verdade é que os bois e cevados estão mortos, o jantar preparado e o trompete ressoa: “Todos os que têm sede, vinde e comei, vinde e bebei.”Aqui está a distribuição das provisões, a total suficiência – o convite é de graça – é grande e sem limitação! “<i>E quem</i> tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” E este convite é expresso com palavras mansas: “Vinde a mim, filho meu, vinde a mim.” “Todo o dia estendi as minhas mãos.”</p>
<p style="text-align: justify;">E note de novo, este convite era muito <i>frequente</i>. As palavras “todo o dia” podem ser traduzidas por “diariamente.” “Diariamente estendi as minhas mãos.” Pecador, Deus não o chamou uma vez para ir e então deixá-lo só, mas <i>todos os dias</i> tem estado com você! Todos os dias a consciência fala com você. Todos os dias a providência o adverte e todo dia do Senhor a palavra de Deus o corteja! Oh, quantas contas alguns de vocês terão de prestar no tribunal de Deus! Não posso agora entender o seu caráter, mas sei que alguns julgamentos serão terríveis no final. Deus tem cortejado você durante todo o dia. Desde o seu primeiro amanhecer, ele o corteja através de sua mãe e ela costumava a juntar suas mãozinhas e ensiná-lo a dizer:</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> “Gentil Jesus, manso e humilde<br />
Olhe para esta criancinha,<br />
Compadeça-se da minha singeleza<br />
Permita-me correr para o Senhor.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">E durante sua infância Deus ainda estava estendendo as mãos em sua direção! Como sua professora da escola dominical empenhou-se em trazê-lo ao Salvador! Quão frequentemente seu jovem coração foi influenciado. No entanto, você deixou tudo isto de lado a ainda permanece intocado! Quantas vezes sua mãe lhe falou e seu pai o advertiu? E você se esqueceu das orações em seu quarto quando estava doente, quando sua mãe beijava sua testa queimando de febre, ajoelhava-se e pedia a Deus que poupasse sua vida e então orava mais: “Senhor, salve a alma do meu menino!” Lembre-se da Bíblia que ela te deu quando você começou seu aprendizado e a oração que escreveu naquela capa amarela. Quando ela o presenteou, talvez você não o soubesse, mas deve saber <i>agora</i> o quanto ela desejou seu novo nascimento em Cristo Jesus! Como ela o acompanhou com suas orações e como ela suplicou ao Deus dela por você! E com certeza você ainda não se esqueceu de quantos domingos e sermões desperdiçou e quantas vezes foi avisado! Todo ano escutava pelo menos 104 sermões e alguns de vocês mais, e ainda permanecem como sempre foram!</p>
<p style="text-align: justify;">Porém pecadores, escutar pregações é algo terrível a não ser que abençoe suas almas. Se Deus continua estendendo Sua mão todos os dias, durante todo o dia, será difícil quando você for justamente condenado não somente por suas brechas na Lei, mas por sua rejeição voluntária ao Evangelho! É provável que o Senhor continue estendendo Suas mãos até que seus cabelos fiquem grisalhos, ainda convidando-o continuamente – e talvez quando estiver beirando a morte Ele ainda dirá: “Vinde a mim, vinde a mim.” Se porém você ainda insistir em endurecer seu coração, se ainda rejeitar Jesus, eu imploro-lhe que não permita que nada o faça imaginar que continuará sem punição! Oh, eu tremo algumas vezes quando penso naquela classe de ministros os quais dizem aos pecadores que não são culpados por não buscarem o Salvador! Como serão considerados inocentes no Grande Dia do Senhor, eu não sei. Parece-me algo terrível o fato destes pastores estarem embalando pobres almas no sono enganoso por dizer-lhes que não é sua obrigação buscar a Cristo e arrepender-se – mas que podem comportar-se como desejarem a este respeito e quando perecerem não terão culpa a mais por terem ouvido a Palavra. Meu Mestre não disse isto! Lembre-se como Ele disse: “<i>E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti</i>.” Jesus não falou assim quando se dirigiu à Corazim e Betsaida – Ele afirmou: “<i>Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras</i>.” Não era como Paulo pregava. Ele não afirmava que não havia culpa em desprezar a cruz. Escute uma vez mais as palavras do apóstolo: “<i>Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;">Pecador, no Grande Dia do Senhor você deverá prestar contas por cada advertência que recebeu, por cada vez que leu a Bíblia, sim, e por cada vez que negligenciou sua leitura; por cada domingo quando a casa de Deus estava aberta e você negligenciou tirar proveito da oportunidade de ouvir a palavra de Deus e por cada vez que a ouviu e não a escutou! Vocês que são ouvintes desatentos estão jogando lenha na sua própria fogueira eterna! Vocês que ouvem e se esquecem imediatamente, ou ouvem de maneira frívola, estão cavando sua própria cova! Lembrem-se, só você será culpado por sua própria condenação no Último Grande Dia, ninguém mais. Deus não será responsável. “Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus – e este é um grande juramento &#8211; não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva.” Deus tem feito muito por você! Ele enviou-lhe Seu Evangelho! Você não nasceu numa terra pagã. Ele lhe deu o Livro dos Livros e uma consciência iluminada. Se você perecer ao som do ministério, perecerá de maneira mais temerosa e terrível do que se estivesse em qualquer outro lugar!</p>
<p style="text-align: justify;">Esta doutrina é tão bíblica quanto a outra. Você me pede para conciliar as duas. Respondo que elas não precisam de conciliação! Nunca tentei fazê-lo para mim mesmo por que nunca pude ver alguma discrepância. A discussão envolve ninharias, picuinhas, não posso responder nada. Ambas são genuínas! Não existem duas verdades inconsistentes entre si e o que podemos fazer é crer nas duas. Na primeira, o <i>santo</i> faz a maior parte. Deixe-o louvar a livre e soberana graça de Deus e abençoar Seu nome! Na segunda, o <i>pecador</i> faz a maior parte. Oh pecador, humilhe-se sob a poderosa mão do Senhor! Pense o quanto Ele tem demonstrado Seu amor por você convidando-o a voltar-se para Ele. Pense o quanto você tem desprezado Sua palavra e rejeitado Sua misericórdia! Pense como tem ignorado cada convite e seguido seu caminho de rebelião contra o Deus de amor e quantas vezes tem transgredido os mandamentos Daquele que o amou.</p>
<p style="text-align: justify;">Como concluirei então? Minha primeira exortação será <i>para os cristãos</i>. Queridos amigos, rogo-lhes que não se rendam a nenhum sistema de fé à parte da Palavra de Deus. A Bíblia, e somente a Bíblia, é a religião dos protestantes. Sou o sucessor do grande e venerado Dr. Gill, cuja teologia é quase universalmente recebida entre as igrejas calvinistas mais maduras. Mas embora eu venere sua memória e creia nos seus ensinamentos, ele ainda não é meu Mestre. O que você encontra nas escrituras é para acreditar e receber! Nunca tema uma doutrina e, acima de tudo, nunca tema um nome. Alguém comentou comigo outro dia que achava que a verdade de Deus encontra-se em algum lugar entre estes dois extremos. Foi correta sua intenção, mas creio que ele estava errado. Não acredito que a verdade de Deus esteja entre dois extremos, mas nos dois! Quando se trata de pregar a salvação, creio que quanto mais profundo o homem possa ir, melhor. A razão pela qual alguém é salvo é Graça, Graça, Graça! E neste ponto, quanto mais minúcias, melhor. Mas quando a questão é porque o homem está condenado, então o Arminianismo está muito mais certo que o Antinomianismo. Não me importo com denominações ou partidos – e sou tão profundo quanto Willian Huntingdon<a title="" href="#_ftn3">[3]</a> quando se trata da salvação – mas me pergunte sobre condenação e lhe darei uma resposta bem diferente. Não peço aplauso pela graça de Deus. Prego a Bíblia como ela é. Erramos quando o Calvinista começa a interferir na questão da condenação e interfere na justiça de Deus – ou quando o Arminiano nega a Doutrina da Graça.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha segunda exortação é: <i>Pecadores</i>, peço a cada pessoa não convertida e ímpia nesta manhã que repudie qualquer forma e estilo de desculpa que o diabo possa incutir em vocês a respeito de sua inconversibilidade. Lembrem-se que nenhum ensino no mundo pode desculpá-los de serem inimigos de Deus por praticarem o que é mau. Quando clamamos por sua reconciliação com o Senhor é porque sabemos que nunca estarão em seu próprio lugar até que isto aconteça. O Senhor Deus os fez. É certo que vocês o desobedeçam? Ele os alimenta todos os dias. Como pode sua insistente insubordinação estar correta? Lembrem-se: quando os céus estiverem em chamas, quando Cristo voltar para julgar o mundo com justiça e seu povo com equidade, não poderão lançar mão de nenhuma justificativa válida neste Último Grande Dia. Se você tentar argumentar: “Senhor, nunca ouvi a Palavra”, a resposta Dele seria: “Sim, a escutou claramente.” “Mas Senhor, minha vontade era má.” “Por sua boca o condenarei. Você conhecia sua vontade detestável e o condeno por ela. “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz porque as suas obras eram más.” “Mas Senhor”, alguns dirão, “eu não era predestinado.” “O que você tinha com isto? Agiu de acordo com sua vontade quando se rebelou. Não se voltou para Mim e agora o destruirei para sempre. Descumpriu a Minha Lei – sua culpa está sobre sua cabeça.” Se um pecador pudesse dizer no Último Grande Dia; “Senhor, não poderia ter sido salvo de qualquer modo”, seu tormento no inferno seria atenuado por este pensamento. Isto se encaixaria, porém, no mais extremo limite – “Sabia do seu dever e não o cumpriu, pisou em tudo o que era santo, se descuidou do Salvador e como escapará se negligenciar tão grande salvação?”</p>
<p style="text-align: justify;">Então, quanto a mim – alguns de vocês podem ir embora e afirmar que fui antinomiano na primeira parte do sermão e Arminiano no final. Não me importo! Imploro que pesquisem a Bíblia por si mesmos, quanto à Lei e ao Testemunho. Se não falo de acordo com Sua Palavra, é porque não há luz em mim. Prontifico-me a passar pelo teste. Não tenham nada a ver comigo onde não tenho nada a ver com Cristo! Onde me desassocio da palavra de Deus, lancem fora minhas palavras – mas se o que digo é ensinamento de Deus, incumbo-lhes, por Aquele que me enviou, de considerar estas coisas e de voltar-se para o Senhor com todo seu coração.<i> </i></p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="#_ftnref1">[1]</a> <b>seu Livro sobre a liberdade da vontade</b>: provável referência ao artigo X dos 39 Artigos da Religião da Igreja da Inglaterra, sobre o livre arbítrio (Confira <a href="https://www.dropbox.com/s/nwakukcizywv6ac/artigos.pdf">https://www.dropbox.com/s/nwakukcizywv6ac/artigos.pdf</a>)</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><a title="" href="#_ftnref2">[2]</a> Doutrina Alta, Doutrina Baixa: referência a consideração dos mistérios de Deus “altos” e daquilo que é comum “baixo” (nota do revisor)</p>
</div>
<div>
<p style="text-align: justify;"><a title="" href="#_ftnref3">[3]</a> William Huntington (2 de fevereiro de 1745 &#8211; 1 de Julho de 1813) foi um pregador Inglês ele era conhecido por pregar que a &#8221; lei moral &#8220;era desnecessária. Huntington foi um calvinista crente na dupla predestinação. (Wikipédia)</p>
<p><i>_____________________________________________</i></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>: Traduzido de <a href="http://www.spurgeongems.org/vols4-6/chs207.pdf">http://www.spurgeongems.org/vols4-6/chs207.pdf</a><br />
Todo direito de tradução protegido por lei internacional</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 207 — Volume 2 do <i>The New Park Street Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Adriana Braga Misiara Silva Rodrigues<br />
Revisão: Armando Marcos<br />
Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b>Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: justify;" valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b> </b></p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>O Senhor Ressuscitou Verdadeiramente (5º sermão especial de Páscoa)</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Mar 2013 18:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nº 1106 Sermão pregado na manhã de Domingo de 13 de Abril de 1873, Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOB “E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/03/o-senhor-ressuscitou-verdadeiramente-5o-sermao-especial-de-pascoa/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/O-Senhor-Ressuscitou-Verdadeiramente.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7213" alt="O Senhor Ressuscitou Verdadeiramente" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/O-Senhor-Ressuscitou-Verdadeiramente.jpg" width="271" height="384" /></a>Nº 1106</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na manhã de Domingo de 13 de Abril de 1873,</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><strong><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/ebook_senhor_ressuscitou_verdadeiramente_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/O%20Senhor%20Ressuscitou%20Verdadeiramente%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub"><strong>BAIXE EM EPUB</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/O%20Senhor%20Ressuscitou%20Verdadeiramente%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi"><strong>BAIXE EM MOB</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>“E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia.” Lucas 24:5-6</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O primeiro dia da semana comemora a ressurreição de Cristo, e, seguindo o exemplo apostólico, temos constituído o primeiro dia da semana como nosso dia de repouso. Isso não nos sugere que o repouso de nossas almas deve ser achado na ressurreição de nosso Salvador? Não é certo que uma clara compreensão da ressurreição de nosso Senhor é, através do Espírito Santo, o meio mais seguro de trazer paz as nossas mentes? Ser participante da ressurreição de Cristo é desfrutar desse dia de repouso que resta para o povo de Deus. Nós que temos crido no Senhor ressuscitado entramos no repouso, assim como Ele mesmo repousa a destra de Deus. Nele descansamos porque Sua obra foi consumada e Sua ressurreição é a garantia de que aperfeiçoou todo o necessário para a salvação de Seu povo, e nós estamos completos Nele. Eu confio que, pelo poder do Espírito Santo, sejam semeados nas mentes dos crentes alguns pensamentos condutores ao repouso, enquanto realizamos uma peregrinação ao sepulcro novo de José de Arimateia e vemos o lugar onde o Senhor esteve sepultado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>I.</b> Primeiro, nessa manhã irei falar-lhes sobre certas LEMBRANÇAS INSTRUTIVAS que se aglomeram em torno do lugar onde Jesus dormiu <i>“com os ricos na morte”. </i>Ainda que Ele não está ai agora, com toda certeza esteve ai uma vez, pois “<i>foi crucificado, morto e sepultado</i>”. Esteve tão morto como os mortos estão agora, a ainda que Ele não pudesse ver a corrupção, nem podia ser retido pelos laços da morte mais além do tempo predestinado, contudo, Ele esteve sem sombra de dúvida morto. Não restou nenhuma luz em Seus olhos, nem vida alguma em Seu coração. O pensamento fugiu de Sua fronte coroada de espinhas, e Sua boca de ouro emudeceu. Ele não morreu simplesmente em aparência, mas sim em realidade; a lança resolveu essa dúvida de uma vez por todas; portanto, tendo sido morto, foi colocado em um sepulcro como um idôneo ocupante da calada tumba. No entanto, como Ele não está ali agora, mas ressuscitou, nos corresponde recolher os objetos que nos recordam que Ele esteve ali. Não contenderemos com os sectários supersticiosos pelo “Santo sepulcro”, mas sim iremos recolher em espírito as preciosas relíquias do Redentor ressuscitado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Primeiro, Ele deixou no sepulcro <i>as especiarias</i>. Quando ressuscitou, não levou as custosas ervas aromáticas com as que Seu corpo tinha sido envolto, mas sim as deixou lá. José tinha trazido cerca de 100 libras de peso de mirra e aloés, cujo odor permanece ainda. Nosso Senhor Jesus encheu o sepulcro de sepulcro no mais doce sentido espiritual. Já não cheira a corrupção nem a fétida putrefação, mas sim que podemos cantar com o poeta do santuário –</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Por que teríamos de temer que depositem</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Nossos corpos no sepulcro?</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Ali esteve a amada carne de Jesus,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>E ela deixou um perfume duradouro.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Aquele humilde leito na terra está agora perfumado com custosas especiarias e se apresenta enfeitado com flores aromáticas, pois sobre sua almofada nosso Amigo mais verdadeiro apoiou Sua santa cabeça uma vez. Nós não retrocederemos com horror das câmaras dos mortos, pois o próprio Senhor as percorreu, e onde Ele esteve, o terror se dissipa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O Mestre deixou também <i>Seus lençóis</i> ao partir. Não saiu da tumba envolto com uma mortalha; não levava as vendas da tumba como um traje da vida; mas quando Pedro entrou no sepulcro, viu os lençóis sozinhos e cuidadosamente dobrados. Atrevo-me a dizer que Jesus os deixou ali para que fossem as cortinas do aposento real onde Seus santos se entregam ao sono. Olhem como eles encobriram nosso último leito! Nosso dormitório já não é sombrio e nu, como a cela de uma prisão, mas sim está decorado com um linho fino e com lindos estofados: é um aposento digno de príncipes! Iremos ao nosso último aposento em paz, porque Cristo o mobiliou para nós. Ó, se mudamos a metáfora, poderíamos dizer que nosso Senhor deixou esses lençóis para que os consideremos como garantias de Sua comunhão conosco em nosso humilde estado, e como lembranças de que assim como Ele despojou-se das vestes da morte, assim nós também o faremos. Ele levantou-se de Seu divã e deixou ali Seus pijamas em sinal de que quando nós despertemos, haverá também outras vestes prontas para nós.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mudarei de novo a figura, e direi que assim como temos visto velhas bandeiras esfarrapadas penduradas nas catedrais e em outros edifícios nacionais como lembranças dos inimigos derrotados e das vitórias conquistadas, assim também, na cripta onde Jesus venceu a morte estão penduradas Seus panos, como troféus de Sua vitória sobre a morte, e como nossa garantia de que todo Seu povo será mais que vencedor por meio Daquele que o amou. “<i>Onde está, ó morte, seu aguilhão? Onde está, ó sepulcro, sua vitória</i>?”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Logo, cuidadosamente enrolado em um lugar separado, nosso Senhor deixou <i>o sudário</i> que tinha coberto Sua cabeça. O sudário está agora por ali. O Senhor já não necessitava dele quando ressuscitou. Os que choram podem usá-lo como um lenço para enxugar suas lágrimas. Vocês, viúvas, e vocês órfãos – vocês irmãos que se lamentam e vocês irmãos que choram – vocês, vocês, Raqueis que não querem ser consoladas porque seus filhos pereceram, tomem aqui, tomem esse sudário com o qual envolveram o rosto de seu Salvador, e enxuguem suas lagrimas para sempre. O Senhor verdadeiramente ressuscitou e, portanto, assim disse Jeová: “<i>reprime do pranto tua voz, e das lágrimas teus olhos&#8230;. porque voltarão da terra do inimigo”; “Teus mortos viverão</i>”. Ó, você que guarda luto, seus seres queridos ressuscitarão conjuntamente com o cadáver do Senhor; portanto, não se aflijam como fazem o que não tem esperança, pois se vocês creem que Jesus morreu e ressuscitou, o Senhor levará consigo também aos que dormem em Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O que mais o Salvador ressuscitado deixou para trás? Nossa fé tem aprendido a recolher algumas doces recordações do leito do tranquilo sono de nosso Senhor. Bem, amados, Ele deixou <i>anjos</i> atrás de si, convertendo assim a tumba em –</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Uma cela onde os anjos estão</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Em ir e vi com novas celestiais.”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Os anjos não tinham estado antes na tumba, mas, em Sua ressurreição, desceram até lá; um deles rodou a pedra, e outros se assentaram onde o corpo de Jesus tinha sido colocado. Eles eram assistentes pessoais e a escolta do Grandioso Príncipe, e, portanto, lhe prestaram assistência em Sua ressurreição, vigiando a entrada e respondendo às perguntas de Seus amigos. Os anjos são cheios de vida e vigor, mas não duvidaram em se reunir no sepulcro para adornar a ressurreição da mesma forma que as flores enfeitam à primavera. Eu não leio que nosso Senhor tenha jamais retirado os anjos do sepulcro de Seus santos; e agora, se os crentes morrem, tão pobres como Lázaro, e tão enfermos e tão desprezados como ele, os anjos transportarão suas almas ao seio de seu Senhor, e seus corpos serão vigiados pelos espíritos guardiães tão certamente como Miguel guardou o corpo de Moisés e contendeu por ele com o inimigo. Os anjos são tão servidores dos santos viventes como são custódios de Seu povo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O que mais deixou nosso Amado para trás? Ele deixou <i>uma passagem aberta</i> desde o sepulcro, pois a pedra foi rolada; essa casa da morte está sem portas. Se o Senhor não vier logo, nós também desceremos ao calabouço da tumba. O que eu disse? Eu chamei de “calabouço”; mas, como chamar de calabouço se ele não tem mais ferrolhos nem trincas. Uma prisão é uma prisão se não ela tem nem mesmo uma porta que deixe preso seus ocupantes? Nosso Sansão arrancou as colunas e espatifou as portas da tumba com todas suas barras. A chave foi retirada do cinturão da morte e hoje é levada pela mão do Príncipe da Vida. O selo quebrado e os vigilantes desfalecidos são sinais que o calabouço da morte não pode reter mais seus cativos. Assim como Pedro, quando foi visitado pelo anjo, viu que suas cadeias se romperam e que as portas de ferro se abriram sozinhas, assim também os santos encontrarão um escape disponível na manhã da ressurreição. Dormirão por um tempo, cada um em seu lugar de descanso, mas se levantarão sem problemas, já que a pedra do sepulcro foi rolada. Um poderoso anjo rodou a pedra, pois era muito grande, e quando ele o fez, se sentou sobre ela. Suas vestes eram brancas como a neve, e seu rosto era como o relâmpago, e estando sentado sobre a pedra, ele parecia dizer à morte e ao inferno: “coloquem ela de volta se puderem” –</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“<b><i>Quem reconstruirá a prisão do tirano?</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>O cetro que caiu de suas mãos ficou quebrado;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Seu domínio acabou; o Senhor ressuscitou;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Os indefesos logo serão libertos de seus laços”</i></b>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Aventuro-me a mencionar mais uma coisa que meu Senhor deixou em Sua tumba abandonada. Visitei faz alguns meses vários dos grandes edifícios com nichos para urnas crematórias que se acham fora das portas de Roma. Você entra em um grande edifício, na terra, e desce muitos degraus, e conforme desce, observa nas quatro paredes da grande câmara, inumeráveis pequenos armários onde estão depositadas as cinzas de dezenas de milhares de pessoas que faleceram. Usualmente na frente de cada compartimento preparado para recepção das cinzas existe <i>uma lâmpada</i>. Eu vi centenas, se não milhares, dessas lâmpadas, mas todas estão apagadas, e certamente dão a impressão de jamais terem sido iluminadas. Não projetam nenhum raio sobre as trevas da morte. Porem, nosso Senhor entrou na tumba e a iluminou com Sua presença: “<i>a lâmpada de seu amor é nossa guia através da penumbra</i>”. Jesus trouxe a vida e a imortalidade à luz por meio do Evangelho; e agora existe luz nos pombais onde se colocam os cristãos; sim, em cada cemitério existe uma luz que arderá através das vigílias da noite da terra até que amanheça o dia e as sombras fujam e então desponte a manhã da ressurreição.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assim, então, a tumba vazia do Salvador nos deixa muitas doces reflexões que guardamos para nossa instrução.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>II.</b> Nosso texto fala expressamente das BUSCAS VÃS: “<i>por que buscais entre os mortos ao que vive? Não está aqui, mas ressuscitou</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Existem lugares onde os buscadores de Jesus não deveriam esperar encontrá-Lo, independente de quanto sejam diligentes sua busca e de que sincero seja seu desejo. Não se pode encontrar um homem onde ele não está, e existem certos lugares nos que Cristo não pode jamais ser achado. Nesse presente momento vejo muitos seres que buscam a Cristo entre os monumentos do <i>cerimonialismo</i>, ou no que Paulo chamou “<i>os débeis e pobres rudimentos”, pois eles “guardam os dias, meses, tempos e anos</i>”. Desde que nosso Senhor ressuscitou o judaísmo e toda forma de cerimônia simbólica não passam de nada mais que sepulcros, tipos foram ordenados pelo próprio Deus, mas que quando veio à substância mesma dessas coisas, se converteram em sepulcros vazios e nada mais. Desde então os homens inventaram outros símbolos que nem sequer tem a sanção da autoridade divina, e que só são tumbas de mortos. Nessa época presente o mundo foi loucamente atrás de seus ídolos, sendo enganado e iludido por aqueles que têm um zelo por Deus, mas não conforme a ciência. Certamente nunca houve um período, inclusive quando Roma era dominadora, em os homens se apegaram a cerimônias com tanta velocidade como que no presente dia; converteram o cristianismo em um julgo maior de servidão do que foi o próprio judaísmo; porem, uma alma sincera e desperta em vão esperará encontrar Jesus entre essas vãs representações. Elas podem deslizar-se de um dia santo a outro, e de um lugar santo a outro, e de palavras mágicas para outras, porem, não encontrarão ao Salvador em nada disso, pois Ele mesmo declarou assim: “<i>Nem nesse monte nem em Jerusalém adorareis ao Pai&#8230; Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.</i>” (João 4:23). Jesus rasgou o véu e aboliu a adoração cerimonial, e, no entanto, os homens buscam revivê-las, edificando os sepulcros que o Senhor demoliu. Ele repete aos nossos ouvidos a advertência nesse dia: “<i>Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o SENHOR, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher</i>;” (Deuteronômio 4:15-16).  No entanto, certos homens entre nós estão dedicados a levantar os altares que nossos piedosos antepassados derrubaram, e a obra dos reformadores e dos protestantes tem que ser realizada de novo agora. Que Deus nos envie um Knox ou um Lutero com um maravilhoso martelo para fazer pedaços dos ídolos que dos sacerdotes de Baal que estão se levantando! Buscam o vivo entre os mortos. Jesus não está em suas missas nem em suas procissões. Ele ressuscitou muito além de tal adoração carnal. Se Ele fosse um Cristo morto, tal adoração poderia até ser, talvez, um apropriado desfile sobre Sua tumba, mas para um que vive para sempre, deve ser insultante apresentar um serviço tão materialista.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas, ai, existem muitas outras pessoas que estão buscando a Cristo como seu Salvador entre as tumbas da <i>reforma moral</i>! Nosso Senhor comparou os fariseus com sepulcros caiados; internamente estava cheios de ossos, mas exteriormente estavam formosamente adornados. Ó, de que forma os homens tratam de se branquearem quando se colocam intranquilos quanto as suas almas! Renunciam algum pecado grave, não de coração, mas somente em aparência, e cultivam certas virtudes, não de alma, mas somente por ato externo, e assim esperam ser salvos ainda que sigam sendo inimigos de Deus, amantes do pecado e avarentos buscadores da paga da injustiça. Esperam que o exterior limpo do vazo e do prato satisfaça o Altíssimo, e que Ele não seja tão severo para revisar o interior e provar seus corações.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ó senhores, vocês buscam ao vivo entre os mortos? Muitos têm buscado paz para suas consciências por meio de suas reformas morais, mas se o Espírito Santo os convenceu verdadeiramente de pecado, logo eles descobrirão que estavam buscando um Cristo vivo entre as tumbas. Ele não está aqui, pois ressuscitou. Se Cristo estivesse morto, muito bem poderíamos dizer-lhes: “Vão e façam tudo que possam para serem seus próprios salvadores”; porem, entanto que Cristo está vivo, Ele não precisa de sua ajuda. Ele os salvará de princípio a fim, ou não o fará de forma alguma. Ele será o Alfa e o Ômega para vocês, mas se vocês colocarem suas mãos sobre Sua obra e pensarem que podem ajudar ao Senhor de alguma maneira, você já teriam desonrado Seu santo nome, e Ele não teria nada que ver com vocês. Não busquem uma salvação viva entre os sepulcros da formalidade externa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Muitíssimas pessoas também estão esforçando-se para encontrar o Cristo vivo entre as sepulturas que se aglomeram aos pés do Sinai; elas olham para <i>lei</i> buscando vida, mas o ministério dela é morte. Os homens pensam que devem de ser salvos guardando os mandamentos de Deus, que devem fazer o melhor que podem, e concebem que seus esforços sinceros serão aceitos, e que assim se salvarão por eles mesmos. Essa ideia de justiça própria é diametralmente oposta ao espírito do Evangelho. O Evangelho não é para você que crê que pode se salvar a si mesmo, mas para os que estão perdidos. Se você pode salvar a si próprio, anda a faz isso, e não burle do Senhor com suas hipócritas orações. Anda e tropeça entre as tumbas do antigo Israel, e pereça como eles pereceram no deserto, pois nem Moisés nem a lei podem conduzi-los ao repouso. O Evangelho é para os pecadores que não podem guardar a lei, que a quebrantaram e que incorreram em seu castigo, e que sabem o que o fizeram e o confessam. Para tais pessoas veio um Salvador vivo que apaga suas transgressões. Não busquem a salvação pelas obras da lei, pois por elas nenhuma carne vivente será justificada. Pela lei vêm o conhecimento do pecado e nada mais; mas a justiça, paz, vida e a salvação vêm pela fé no Senhor Jesus Cristo vivo e não por outros meios. “<i>Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”</i>; mas se o seu propósito for estabelecer sua própria justiça, com toda certeza você perecerá, porque terá rejeitado a justiça de Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Existem outros que buscam ao Jesus vivo entre as tumbas tratando de identificar algo bom <i>na natureza humana</i>, em seus próprios corações e em sua disposição natural. Posso vê-los agora, pois o conheci desde muito tempo, e essa tem sido sempre sua insensatez: você irá ao ossuário de sua própria natureza e perguntará: “Jesus está aqui?”. Amado, você está triste e deprimido, e isso não me surpreende. Olhe aqueles ossos secos e esses esqueletos embranquecidos. Olhe esse monte de podridão, essa massa de corrupção, esse corpo de morte; você pode tolerar o espetáculo? “Ah” você responde – “eu verdadeiramente sou um homem desventurado, mas anelo achar algo bom em minha carne”. Ó amado, suspiras em vão, pois olhar em sua própria natureza carnal para encontrar consolação equivale a vasculhar o inferno para encontrar lá o céu. E aqui, nesse dia, Deus abandonou à velha natureza e a entregou à morte. Sob a antiga lei, a circuncisão significava remover a imundícia da carne, como se depois que essa imundícia desaparecesse a carne pudesse ser melhorada, mas agora, sob o novo pacto, temos um símbolo muito mais profundo, pois “<i>Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida</i>”. (Romanos 6:3-4). O homem velho está enterrado como algo morto, de quem não pode sair nada de bom. “<i>Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado</i>” (Romanos 6:6). Deus não tenta renovar a velha mente carnal, mas faz de nós novas criaturas em Cristo Jesus. Se qualquer homem que pratica a introspecção com o alvo da consolação, bem poderia acumular blocos de gelo de Wenham com intenção de queimar uma cidade. Se vocês estão dando corda para seus corpos e sentimentos, para seus pensamentos e imaginações com o fim de descobrir consolo, é como se esperassem encontrar preciosos diamante varrendo as estradas. “<i>Não está aqui</i>”, diz a totalidade de nossa velha natureza. Não está aqui; ressuscitou; e para consolação, devem olhar unicamente para Ele, que está entronizado nos céus.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ademais, muitas pessoas tentaram encontrar Cristo no meio das sombrias catacumbas da <i>filosofia do mundo</i>. Por exemplo, no Domingo lhes encanta receber um sermão saturado de pensamento, e o significado moderno de pensamento é algo que está mais além, se não é que oposto, ao simples ensino da Bíblia. Se um homem fala para sua congregação do que encontra nas Escrituras, é dito que ele “fala banalidades”; mas se um homem diverte sua congregação com seus próprios sonhos, sem importar quão opostos pudessem ser dos pensamentos de Deus, então é considerado “um pensador”, é um “pregador altamente intelectual”. Poderia até existir alguns que amem as divagações dos sonhadores e as durezas dos céticos acima de todas as coisas. Se eles podem ouvir o que um professo infiel diz contra a Inspiração, se podem ser entretidos com a mais recente blasfêmia, alguns destes ouvintes sentem que estão logrando avanços nessa cultura mais sofisticada, que é tão alardeada em nossos dias. Porem, creiam-me, as cavernas frequentadas pelos morcegos da falsa filosofia e da pretendida ciência foram exploradas uma e outra vez, mas a salvação não habita nelas. Nos dias de Paulo havia gnósticos que andavam por todos os serpeantes lugares de erudição vangloriosa, mas só descobriram “outro evangelho que não era outro”. O mundo não conheceu a Deus pela sabedoria. Depois de perambular em meio das sombrias catacumbas da filosofia, regressamos a respirar ao fresco ar fresco da Palavra vida, e no tocante aos labirintos da ciência, expressamos com voz entrecortada a frase: “o Senhor não está aqui”. A razão não O encontrou em suas mais profundas minas, nem a especulação O achou em seus mais elevados voos, ainda que de verdade, Ele não está longe de nenhum de nós. Atenas tem seu Deus desconhecido, mas, no simples Evangelho, Deus é conhecido na pessoa de Jesus. Sócrates e Platão sustentam suas velas, mas Jesus é o sol. Nossos pensadores modernos criticam, disputam e, no entanto, em nosso meio, um Cristo vivo converte os pecadores, anima aos santos e glorifica a Deus. Se o Senhor fosse um tema morto para debate, a filosofia poderia nos ajudar; mas como Ele é um poder vivente, um grão de fé Nele é melhor do que montanhas de filosofia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ó vocês que não conhecem a vida interior, nem o Espírito vivificador, o que vocês têm haver com o Senhor ressuscitado? Que vocês se convertessem nos árbitros da verdade concernentes a Jesus nosso Senhor equivaleria que o verme da corrupção se convertesse em um juiz de querubins.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu ansiosamente desejo, verdadeiramente, que vocês que estiveram buscando a salvação em qualquer dessas direções renunciem a essa desesperada tarefa e entendam que Cristo está perto de vocês, e se vocês creem Nele com o coração e com a boca o confessam, serão salvos. <i>“Olhai para mim e seus salvos, todos os términos da terra, porque eu sou Deus e não há outro”</i>: esse é o clamor Dele para vocês. “<i>A fé é pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Deus”. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo</i>”, Jesus ainda vive, e pode salvar perpetuamente. Tudo o que se tem que fazer é simplesmente voltar para Ele o olhar de sua fé: por essa fé, Ele se converte seu, e você é salvo, mas, ó, não busque entre os mortos Aquele que vive, pois Ele ressuscitou.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>III.</b> Vamos mudar outra vez nosso teor e vamos considerar, em terceiro lugar, OS DOMICÍLIOS INADEQUADOS. Os anjos disseram às mulheres: “<i>não está aqui, mas ressuscitou</i>”. O que equivale a dizer: posto que Ele vive, não mora aqui. O Cristo vivo poderia ter ficado na tumba e converter o sepulcro em Seu lugar de repouso, mas isso não teria sido apropriado; e isso nos ensina hoje que os cristãos devem morar em lugares apropriados para eles. Vocês ressuscitaram em Cristo, portanto, não deveriam residir no sepulcro. Irei falar-lhes agora aos que, para efeitos práticos, vivem no sepulcro, ainda que tenham ressuscitado dos mortos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Alguns deles são excelentes indivíduos, mas seus temperamentos e talvez suas erradas convicções do dever lhes conduz a estarem perpetuamente sombrios e desanimados. Esperam ter crido em Cristo, mas não estão seguros; confiam que são salvos; mas não seriam o suficiente presunçosos para dizê-lo. Não se atrevem a ser felizes desfrutando da convicção de que são aceitos no Amado. Amam a corda lamentosa da harpa, e lamentam um Deus ausente. Esperam que as promessas divinas serão cumpridas; confiam que, talvez, em um desses dias eles poderão sair à luz e que verão um pouco da luminosidade do amor do Senhor, mas agora estão dispostos a se deter e, por hora, moram no vale da sombra da morte e sua alma está dolorosamente sobrecarregada.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Querido amigo, você pensa que essa é uma condição apropriada para um cristão? Eu não irei negar seu cristianismo nem por um momento, pois não tenho nem a metade das dúvidas sobre isso das que você mesmo têm; tenho uma melhor opinião de você do que você mesmo tem de você. O mais trêmulo crente em Jesus é salvo, e sua pouca fé o salvará; porem, realmente você crê que Cristo tinha a intenção de que você ficasse onde está, sentado na fria e silenciosa tumba, no meio do pó e das cinzas? Por quê você deveria se manter na clandestinidade? Por que não vir ao jardim do Mestre onde as flores exalam seu perfume? Por que não desfrutar da fresca luz da plena segurança e do doce alento das influências consoladoras do Espírito? O que habitava entre as tumbas era um louco; não o imite. Não diga: ‘eu fui tão pecador que isso é tudo o que mereço desfrutar’, pois ao falar de merecer, já tem deixado por completo o Evangelho. Eu sei que você crê em Jesus, e que não renunciaria sua esperança por nada nesse mundo; você sente, depois de tudo, que Ele é um Cristo precioso para ti; vem, então, regozija-se Nele, ainda que não possa se regozijar em você mesmo. Vem amado, sai dessa horrível cripta, a deixe de imediato! “<i>Ainda que vos tenhais deitado entre redis, contudo sereis como as asas duma pomba, cobertas de prata, e as suas penas, de ouro amarelo.</i>” (Salmos 68:13). Seu Senhor se aproxima de você nessa hora e lhe diz: “<i>Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa</i>.” (Cânticos 2:14). Membros do corpo de um Salvador ressuscitado, vocês irão ficar ainda na tumba? Levantem-se e saiam! Não duvidem mais. Ó crente, que motivo você tem para duvidar de seu Deus? Ele mentiu alguma vez? Não questione mais o poder do sangue precioso. Porque você haveria de duvidar Dele? Esse sangue não é capaz de lhe limpar do pecado? Não pergunte mais sobre se você é salvo ou de poder sê-lo; se você crê, você está tão seguro como Cristo está; se você está apoiado Nele, você não pode perecer mais do que Cristo pode perecer; Sua palavra o garantiu, Sua honra está envolvida nisso e Ele certamente o levará ao repouso prometido; portanto, você deve ser feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Vamos, eu conheço a um irmão que viveu enterrado nas catacumbas e nas criptas por tanto tempo que ele condena a seus irmãos porque eles vivem na luz do sol, e diz: “não posso entender que um homem fale tão confiadamente, não posso entendê-lo”. Meu querido irmão, que você não possa entendê-lo não quer dizer que esteja mal. Existe muito sobre as águias que as corujas não entendem. Você, que está inquietando-se e preocupando-se sempre dessa forma, está pecando contra Deus, está contristando Seu Espírito, está atuando inconscientemente com sua profissão de fé cristã, e, no entanto, ainda se atreve a julgar os outros que creem que Deus é verdadeiro e tomam Sua palavra em conta, e, portanto, obtêm gozo e consolo de Sua promessa. Jamais faça isso; seria algo malvado que você se colocasse como juiz. Em vez disso, ore pedindo ao Senhor que levante a luz de Seu rosto sobre ti, para que lhe dê gozo e paz na fé, pois Ele diz isso: “<i>Alegrai-vos no Senhor e gozai, justos; e cantai com júbilo todos vós os retos de coração</i>.” Saia da tumba, querido irmão, pois Jesus não está ali, e, se Ele não está lá, por que você deveria de estar? Ele ressuscitou. Ó, levante-se e seja consolado, também, no poder do Espírito Santo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Outro tipo de gente parece morar entre as tumbas: refiro-me a cristãos – e confio que sejam verdadeiros cristãos – mas que são muito, muito <i>mundanos</i>. Que um homem seja diligente nos negócios não é pecado, mas é uma lastimável falha quando a diligência nos negócios destrói o fervor do espírito e quando não se serve a Deus na vida cotidiana. Um cristão deveria ser diligente para prover coisas honestas aos olhos de todos os homens, mas existem alguns que não se contentam com isso. Eles têm o suficiente, porem, cobiçam mais, e quando tem mais, ainda estendem seus braços como mares para abraçar toda a costa, seu pensamento principal não é Deus, mas sim o ouro; não é Cristo, mas sim a riqueza.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ó irmãos, irmãos, permitam-me repreendê-los sinceramente, para que não recebam uma severa reprovação, na providência, em suas próprias almas. Cristo não está aqui! Ele não habita nos montes de prata. Vocês poderiam ser muito ricos, e, no entanto, poderiam não encontrar a Cristo em todas essas riquezas; e poderiam ser pobres, e ainda assim, se Cristo estivera com vocês, seriam felizes como os anjos. Ele não está aqui, ressuscitou! Uma tumba de mármore O reteria, nem uma tumba de ouro poderia contê-LO. Não permita que contenha você. Desenrole a mortalha encerrada em seu coração; lança todo seu cuidado sobre Deus que cuida de você. Deixe que sua conversa seja no céu. Não coloque seu afeto nas coisas da terra, e sim o coloque nas coisas de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Direi algo mais sobre esse ponto e é um tema mais doloroso ainda: existem alguns professos que vivem no depósito de <i>cadáveres do pecado</i>. No entanto, dizem que são membros do povo de Deus. Não, não direi que vivem no pecado, mas fazem algo que talvez seja pior: <i>buscam o pecado para encontrar nele seus prazeres</i>. Eu suponho que podemos julgar a um homem mais por aquilo em que ele acha prazer do que qualquer outra coisa. Um homem poderia dizer: “eu não frequento sempre os divertimentos do mundo; nem sempre me encontro onde o pecado se mescla com o júbilo, nem onde os mundanos dançam na beira do inferno; mas vou ali de vez em quando para desfrutá-lo às vezes”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não posso evitar a observação de Rowland Hill, quem, quando se reuniu com um professo que ia ao teatro e que era membro de sua igreja, disse: “Entendo que você vai ao teatro”. “Não” – lhe respondeu o professo – “eu só vou de vez em quando para satisfazer-me” “Ah”- disse o Sr.Hill – “isso piora tudo. Suponha que alguém diga: ‘o Sr.Hill é um ser estranho, pois come carniça’. Então me perguntariam: ‘é verdade, Sr. Hill, que você vive de carniça?’ ‘Não, eu não como carniça habitualmente, mas como um pratinho de carniça de vez em quando para matar a vontade’. Pois bem, você pensaria que eu sou mais sujo que o que teria sido se a comesse sempre”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Existe uma grande força nessa observação. Se tudo aquilo que beira o imundo e o lascivo é um deleite para você, então seu próprio coração é imundo, e você está buscando seu prazer e consolo entre os mortos. Existem algumas coisas das quais os homens derivam satisfação em nossos dias que só são idôneas para fazer os idiotas rirem e os anjos chorarem. Sejam seletivos, homens e mulheres cristãs, enquanto suas companhias. Vocês são irmãos de Cristo; por acaso irão se juntar com os filhos de Belial? Vocês são herdeiros da perfeição em Cristo; mesmo agora estão vestidos de linho imaculado e são formosos e belos aos olhos de Deus; vocês são um sacerdócio real, são os eleitos da humanidade; vocês arrastarão suas vestes na lama e se tornarão motivo de piadas dos filisteus? Vocês se juntarão com os necessitados filhos do mundo? Não; atuem de acordo com sua estirpe e a sua natureza nascida de novo, e não busquem jamais o vivo entre os mortos. Jesus nunca esteve ali; tampouco vocês se dirijam para lá. Ele não amou o ruído nem o barulho dos prazeres do mundo; Ele tinha alimentos de outro tipo. Que Deus lhes conceda sentir a sólida vida da ressurreição dentro de seus espíritos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>IV.</b> Porem, sigo adiante. Em quarto lugar, quero adverti-lhes contra OS SERVIÇOS IRRACIONAIS. Essas boas pessoas para quem os anjos disseram: “não está aqui, mas ressuscitou”, levavam uma carga, e o que era que levavam? Levavam libras de especiarias, as mais preciosas que puderam comprar. O que pretendem fazer? Ah, se um anjo pudesse rir, eu pensaria que ele deve de ter rido ao dar-se conta de que essas pessoas vinham embalsamar a Cristo. “Não está aqui; e mais; não está morto, ele não precisa ser embalsamado, Ele vive”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Talvez vocês tenham visto por toda Inglaterra na Sexta Feira Santa, e também no Domingo de Glória, as multidões de pessoas – não tenho nenhuma dúvida que são pessoas muito sinceras – que vem embalsamar a Cristo. Tocam um sino porque Ele está morto, e jejuam e cantam tristes hinos sobre seu Salvador morto. Eu bendigo ao Senhor porque meu Redentor não está morto, nem tenho que tocar um sino fúnebre por Ele. Ele ressuscitou, Ele não está aqui! Aqui vem multidões deles com seus linhos finos, e suas preciosas especiarias para cobrir um Cristo morto. Esses homens estão loucos? Porem, eles respondem, ‘nós só estávamos fazendo outra representação’. Ó, se tratava disso? Tratava-se de farsas práticas? Encenar a gloriosa expiação do Calvário como se fosse uma obra teatral! Então eu acuso os atores de blasfêmia diante do trono do Deus eterno que ouve minhas palavras; os acuso de irreverência por se atreverem a ensaiar em mímica o que foi feito uma vez e para sempre, e que não se deve jamais repetir. Não, não posso supor que tiveram a intenção de remendar o grandioso sacrifício, e, portando, concluo que pensaram que seu Salvador estava morto, e então eles disseram: “Toquem os sinos por Ele! Ajoelhem-se e chorem diante de Sua imagem na cruz”. Se eu cresse que Jesus Cristo morreu na Sexta Santa, eu festejaria todo o dia devido que Sua morte já passou; como Ele ordenou que o excelso festival da Ceia do Senhor seja Sua comemoração, e eu sigo Seu mandato, eu não guardo nenhum jejum. Quem se sentaria e choraria por um amigo que morreu, se soubesse que ele foi restaurado à vida e que foi exaltado em poder? Por que se inclinar aos mortos por um amigo vivo? No entanto, não condeno mais à boa gente do que os anjos condenaram àquelas santas mulheres, só que podem levar suas especiarias para casa e seu linho fino também, pois Jesus vive e não necessita dessas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Muitas pessoas exigentes fazem o mesmo de outras formas. Olhem como elas dão um passo a frente em defesa do Evangelho. Descobriu-se por meio da geologia e da aritmética que Moisés está equivocado. Na mesma hora muitos saem para defender Jesus Cristo. Argumentam a favor do Evangelho, e se desculpam por ele, como se agora ele estivesse um pouco rançoso, e como se necessitássemos mudá-lo para adequá-lo aos descobrimentos modernos e às filosofias da época presente. Isso me parece exatamente com se aproximar com seu linho fino e com suas especiarias preciosas para envolver Cristo. Leve-os embora. Eu me pergunto se Butler e Paley não criaram juntos mais infiéis do que jamais os curaram, e se a maioria das defesas do Evangelho não são puras impertinências. O Evangelho não precisa ser defendido. Se Jesus Cristo não estivesse vivo, e não pudesse pelejar Suas próprias batalhas, então o cristianismo estaria em uma situação de risco. Porem, Ele vive, e só temos que pregar Seu Evangelho em toda sua desnuda simplicidade, e o poder que sai com ele será a evidência de sua divindade. Nenhuma outra evidência jamais convencerá à humanidade. As apologias e as defesas têm boas intenções, sem dúvida, como também o embalsamento tinha boas intenções por parte dessas boas mulheres, mas são de pequeno valor. Dê espaço para Cristo, dê-lhe espaço e oportunidades para Seus pregadores pregarem o Evangelho, e deixem que a verdade seja levada em uma linguagem simples, e logo se ouvirá o Mestre dizer: “levem as especiarias, levem embora o linho! Eu estou vivo, e não preciso dessas coisas”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Vemos o mesmo tipo de coisa em outras boas pessoas que se apegam a formas passadas da moda e dos estereótipos; para elas tudo deve ser conduzido exatamente como sempre se conduziu há cem ou duzentos anos. A ordem puritana deve ser mantida, e não deve haver nenhuma divergência, e a maneira de expor o Evangelho tem que ser exatamente da mesma forma que foi exposto pelo bom ancião, o doutor Fulano de Tal, e no púlpito deve existir a mais terrível monotonia que possa ser traçada, e o pregador deve ser devotamente brando, e toda a adoração deve ser serenamente apropriada: muitas especiarias e linho fino com que cobrir a um Cristo morto. Já eu me deleito em fazer pedaços das coisas convencionais e apropriadas. É algo grandioso pisotear as meras regulações humanas, porque a vida não pode ser algemada com regulações apropriadas somente para os mortos. A morte jaz envolta como uma múmia no museu; mas a vida, a verdadeira vida, se manifestará de formas inesperadas. A vida dirá o que a morte não poderia dizer, surgirá onde não era esperada, e quebrará suas leis e regulamentos em mil pedaços. Porem, ainda vejo a boa gente levantando suas mãos em horror, e clamando: “Tragam aqui a goma arábica, a mirra e os aloés, tragam aqui o linho. Devemos cuidar de nosso amado Mestre morto”. Deixá-lo em paz, deixá-lo em paz, homem, Ele está vivo e não precisa que o cubram. Não duvido em dizer que grande parte da ordem da igreja entre os Dissidentes, os Episcopais, Presbiterianos e todo tipo de denominações, e uma boa parte do apropriado, do decoro, da regulação e do “assim como era no principio, agora e sempre será” não são nada que outras tantas especiarias e linho fino para um Cristo morto, mas Cristo está vivo, e o que ele precisa é de espaço! Não digo isso para meu próprio beneficio – por acaso não sou sempre correto? – mas digo em benefício de alguns sinceros irmãos evangelistas que, quando pregam aos pobres, usam uma linguagem extravagante e talvez, também, uma ação extravagante. Que o usem. Os críticos dizem que são teatrais. Houve alguma vez alguém que fosse a metade de teatral e dramático do que Ezequiel? Todos os profetas não fizeram coisas estranhas para ganhar a atenção do povo? Vamos, a mesma acusação foi apresentada contra Whitefield e Wesley: “essas pessoas estão completamente quebrando todas as regras” e etc. que benção quando os homens podem fazer isso!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O Sr. Hill foi para Escócia para pregar o Evangelho, e diziam que ele pisoteava sobre os lombos de toda ordem e decoro. Então ele disse: “vou chamar meu par de cavalos com esses nomes, para que seja certo”. Era certo; e sem dúvida ele cavalgou sobre os lombos da ordem e do decoro, mas ele levava às almas a Cristo com esses dois estranhos corcéis e com seu quebrantamento de todas as regras para chegar a homens e mulheres que nunca teriam sido alcançados de outra forma. Estejam preparados para deixar Cristo em liberdade, e deem a Seus servos liberdade para servir-lhe como o Espírito de Deis os guie.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>V.</b> Por último, queria falar-lhes sobre AS ASSOMBROSAS NOVIDADES que essas boas mulheres receberam: “Ele não está aqui, mas sim que ressuscitou”. Essas eram assustadoras novas para Seus inimigos. Eles diziam: “o matamos; o colocamos na tumba; tudo acabou para Ele”. Ah, escriba, fariseu, sacerdote, o que você fez? Sua obra foi revertida, pois Ele ressuscitou! Essas foram espantosas novas para Satanás. Ele, sem dúvida, sonhava que havia destruído ao Salvador, porem, Ele ressuscitou. Que estremecimento recorreu todas as regiões infernais! Que noticias foi para a tumba! Agora ela estava completamente destruída, e a morte tinha perdido seu aguilhão! Que noticia foi para os trêmulos santos: “<i>o Senhor ressuscitou verdadeiramente</i>”. Eles recobraram ânimo e disseram: “a boa causa é a correta, e vencerá, pois nosso Cristo vive e a encabeça”. Essa foi uma boa notícia para os pecadores. Sim, é uma boa notícia para todo pecador aqui presente. Cristo vive; se você o busca, o encontrará. Eu não lhes estou hoje os dirigindo a um Cristo morto. Ele ressuscitou; Ele pode salvar perpetuamente aos que por Ele se aproximam a Deus. Não existem melhores notícias do que essas para os homens tristes, para os homens desassossegados, desanimados e desesperados: o Salvador vive, e é ainda capaz de salvar e está disposto a lhe receber em Seu terno coração. Essas foram notícias alegres, amados, para todos os anjos e para todos os espíritos do céu; foram alegres novas, e viveremos em seu poder com a ajuda de Seu Espírito, e as contaremos a nossos irmãos para que se alegrem conosco, e jamais nos desesperaremos. Não daremos mais espaço às dúvidas e aos temores, mas diremos uns aos outros: “<i>o Senhor ressuscitou verdadeiramente</i>”. Que o Senhor os abençoe, e que ao aproximarem-se de Sua mesa – e confio que muitos membros de Seu povo se aproximarão – encontremos nosso Senhor ressuscitado. Amém</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>Porção da Escritura lida antes do sermão – Lucas 24.</b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"> <br clear="all" /> <b><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon1106.pdf">http://www.spurgeon.com.mx/sermon1106.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Título original: <i>THE LORD IS RISEN, INDEED</i></p>
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 1106 — Volume 19 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Armando Marcos Pinto</p>
<p style="text-align: justify;">Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados. Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Última Palavra de Cristo na Cruz (4º sermão especial de Páscoa)</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2013 19:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nº.2311 Sermão pregado na noite de Domingo, 9 de Junho de 1889 Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE EM MOBI Então Jesus, clamando em alta voz, disse: “Pai, em tuas &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/03/a-ultima-palavra-de-nosso-senhor-na-cruz/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A-Última-Palavra-de-Cristo-na-Cruz.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7200" alt="A Última Palavra de Cristo na Cruz" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A-Última-Palavra-de-Cristo-na-Cruz.jpg" width="271" height="384" /></a>Nº.2311</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na noite de Domingo, 9 de Junho de 1889</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/ebook_ultima_palavra_cristo_cruz_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A%20Ultima%20Palavra%20de%20Cristo%20na%20Cruz%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A%20Ultima%20Palavra%20de%20Cristo%20na%20Cruz%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE EM MOBI</a></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>Então Jesus, clamando em alta voz, disse: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito. E havendo dito isso, expirou”.</b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b>Lucas 23: 46.</b></p>
<p style="text-align: justify;">Estas foram as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo ao morrer: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”</i>. Poderia ser instrutivo que lhes recordasse que foram sete as palavras de Cristo na cruz. Se denominamos cada um de Seus clamores ou expressões com o título de: “uma palavra”, então falaremos das últimas sete palavras do nosso Senhor Jesus Cristo. Permitam-me repassá-las neste momento:</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira palavra, quando o cravaram na cruz, foi: “<i>Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem</i>”. Lucas preservou esta palavra. Mais tarde, quando um dos ladrões disse a Jesus: “<i>Lembra-te de mim quando entrares no teu reino</i>”, Jesus respondeu: “<i>De certo te digo que hoje estarás comigo no paraíso</i>”. Esta palavra também foi preservada cuidadosamente por Lucas. Mais adiante, estando em grande agonia, nosso Senhor viu Sua mãe, que estava junto à cruz com um coração quebrantado; observou-a com amor e dor indizível, e lhe disse: “<i>Mulher, eis aqui teu filho</i>”; e ao discípulo amado disse: “<i>Eis aqui tua mãe</i>”, e assim forneceu um lugar para ela quando partisse. Esta expressão foi preservada unicamente por João.<span id="more-7199"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A quarta e mais central das sete palavras foi: “<i>Eloi, Eloi, lama sabactani</i>?,<i> que traduzido é: Deus meu, Deus, por que me desamparaste?”</i> Esta foi a culminação de Sua dor, o ponto central de toda Sua agonia. Essa palavra, a mais terrível que jamais brotará de lábios de homens para expressar a quintessência de uma agonia agudíssima, é sabiamente colocada em quarto lugar, como se exigiu de três palavras na vanguarda e de três palavras na retaguarda como suas guarda-costas. Descreve a um homem bom, a um filho de Deus, ao Filho de Deus, desamparado por Seu Deus. Essa palavra no centro das sete se encontra em Mateus e Marcos, mas em Lucas e João não. A quinta palavra foi preservada por João e é: “<i>Tenho sede</i>”, a mais breve, mas, talvez, não a mais incisiva de todas as palavras do Senhor, ainda sob um aspecto corporal, possivelmente seja a mais dilacerante de todas elas. João entesourou também outra palavra preciosa de Jesus Cristo desde a cruz, aquela prodigiosa palavra: “<i>Está consumado</i>”. Essa foi a penúltima palavra: <i>“Está consumado</i>”, o resumo da obra de toda Sua vida, pois não deixava nada pendente, nenhum fio foi retalhado, toda a urdidura da redenção havia sido tecida igual Sua túnica: de cima até embaixo, e consumada a perfeição. Depois que disse: “<i>Está consumado”</i>, pronunciou a última palavra: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>”, que tomei como nosso texto essa noite, pelo qual nos aproximamos de imediato.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversos autores têm dito muitas coisas acerca destas sete palavras desde a cruz; e se bem eu li o que muitos deles escreveram, não poderia acrescentar nada ao que já foi dito, pois se deleitaram em refletir amplamente sobre estas sete últimas palavras; e a respeito disso, os escritores mais antigos da que seria chamada escola católica romana, não podiam ser superados, nem sequer pelos protestantes, em sua intensa devoção por cada letra das palavras agonizantes do nosso Salvador; e eles descobrem algumas vezes novos significados, mais ricos e mais raros que qualquer dos que se lhes poderia haver ocorrido às mentes mais engenhosas dos críticos modernos, que como regra são grandemente renomados com os olhos de uma topeira: são capazes de ver onde não há nada que se possa ver, mas são sempre incapazes de ver quando há algo digno de se ver. Se a crítica moderna – e o mesmo sucede com a teologia moderna – fosse localizada no Jardim do Éden, não veria nenhuma flor. É como o vento do Deserto que explode e queima, mas não tem orvalho nem unção; de fato, é totalmente o oposto dessas coisas preciosas, que é incapaz de agraciar os homens.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, em referência a estas sete palavras da cruz, muitos autores têm extraído delas lições concernentes a sete deveres. Escutem. Quando nosso Senhor disse: “<i>Pai, perdoa-os</i>”, nos disse a nós, Em vigor: “<i>Perdoai vossos inimigos</i>”, mesmo quando abusarem de ti malignamente e te causarem dor terrível, deves estar disposto a perdoá-los. Deves ser como a árvore do sândalo, que perfuma o machado que a derruba. Deves ser muito benevolente, amável e amoroso, e esta deve ser sua oração: “<i>Pai, perdoa-os</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">O seguinte dever é extraído da segunda palavra, e se trata <i>do dever de penitência e da fé em Cristo</i>, pois Ele disse ao ladrão moribundo: “<i>Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”</i> Você tem confessado seu pecado como ele o fez? Tem sua fé e devoção? Então, você será aceito igual ele foi. Aprenda, então, da segunda palavra, o dever da penitência e da fé.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando nosso Senhor, na terceira palavra, disse a Sua mãe: “<i>Mulher, eis aqui teu filho”</i>, nos ensinou o dever do amor filial. Nenhum cristão deve carecer de amor por sua mãe, por seu pai, por aqueles que são seus entes queridos pelas relações que Deus tem estabelecido que nós observássemos. Oh, pelo amor agonizante de Cristo, por Sua mãe, nenhum homem presente aqui deve despojar-se da sua condição de homem ouvindo a sua mãe! Ela te gerou; sustentá-la na velhice, e protegê-la amorosamente até o fim.</p>
<p style="text-align: justify;">A quarta palavra de Jesus Cristo nos ensina o dever <i>de nos agarrarmos a Deus e de confiar nEle:</i> “Deus meu, Deus meu”. Vejam como se apega a Ele com ambas as mãos: “<i>Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste</i>”? Não pode suportar ser abandonado por Deus; todo o mais lhe causa pouca pena em comparação com a angústia de ser desamparado por Deus. Então, aprenda a agarrar-se a Deus, sujeitar-se a Ele com as mãos da fé, se pensas que Ele tem te desamparado, clama a Ele, e Lhe diz: “Faz-me compreender por que contendes comigo, pois não posso suportar estar sem Ti”.</p>
<p style="text-align: justify;">A quinta palavra, “<i>Tenho sede</i>”, nos ensina a <i>valorizar altamente o cumprimento da Palavra de Deus</i>. “<i>Depois disto, sabendo Jesus que já estava tudo consumado, disse, para que a Escritura se cumpra: Tenho sede</i>”. Preste muita atenção, em toda Sua dor e debilidade, a preservar a Palavra de Deus, a obedecer ao preceito, a aprender a doutrina e a deleitar-se na promessa. Assim como o Senhor, em Sua grande angústia disse: “<i>Tenho sede</i>”, porque estava escrito que Ele diria isso, você tem que ter em consideração a Palavra de Deus, inclusive nas pequenas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">A sexta palavra, “<i>Está consumado</i>”, no ensina <i>obediência perfeita</i>. Agarre-se ao cumprimento do mandamento de Deus; não deixe de fora nenhum mandamento, e siga obedecendo até que possa dizer: “Está consumado”. Faz a obra de sua vida, obedeça seu Mestre, sofra ou sirva de acordo com a Sua vontade, mas não descanse até que possa dizer com teu Senhor: “<i>Está consumado</i>. Eu acabei a obra que disseste para fazer.”</p>
<p style="text-align: justify;">E a última palavra. “<i>Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito</i>”, nos ensina <i>renúncia</i>. Entregue todas as coisas, entregue inclusive seu espírito a Deus e a Seu mandato. Mantenha-se quieto e submeta-se plenamente ao Senhor, e que essa seja sua disposição do princípio ao fim: “Em tuas mãos, meu Pai, entrego meu espírito”.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu penso que esse estudo das últimas palavras de Cristo deveria interessá-los; portanto, permitam-me demorar um pouco mais no tema. Essas sete palavras da cruz nos ensinam também algo acerca dos <i>atributos e ofícios do nosso Senhor</i>. São sete janelas de ágatas e portões de cárbunculos³ através das quais podem vê-Lo e achegar-se a Ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, você quer vê-Lo como <i>Intercessor</i>? Então, Ele clama: “<i>Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem</i>”. Querem contemplá-lo <i>como Rei</i>? Então, olhe Sua segunda palavra: <i>“Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso</i>”. Quer identificá-lo como um terno <i>Guardião</i>? Olhem-no dizer a Maria: “<i>Mulher, eis aqui teu filho”</i>, e a João: “<i>Eis aqui tua mãe</i>”. Querem espionar dentro do abismo profundo das agonias de Sua alma? Olhem-no clamar: “<i>Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste</i>”? Quer entender a realidade e a intensidade de Seus sofrimentos corporais? Então, olhem-no dizer: “<i>Tenho sede</i>”, pois há algo diferente na tortura da sede quando essa é provocada pela febre das feridas sangrentas. Os homens que têm perdido muito sangue no campo da batalha são devorados pela sede, e nos comentam que é a pior de todas as torturas. “<i>Tenho sede</i>”, disse Jesus. Contemple o Sofrimento no corpo, e entenda como Ele pode identificar-se com quem sofre, já que sofreu tanto na cruz.</p>
<p style="text-align: justify;">Quer vê-lo como o Consumador de sua salvação? Então, escute seu clamor: “<i>Consummatum est</i>”, “<i>Está consumado</i>”. Oh, que nota tão gloriosa! Aqui você vê o bendito Consumador de sua fé. E, claro, quer dar mais uma olhada e entender quão voluntário foi Seu sofrimento? Então, olhem-no dizer, não como alguém que tem sua vida roubada, mas como alguém que toma Sua alma e a entrega para a custódia do outro: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por acaso não há muito a aprender dessas palavras da cruz? Certamente estas sete notas constituem uma assombrosa escala musical, se nós soubermos como escutá-las. Permitam-me recorrer à escala novamente. Aqui, primeiro, têm a comunhão de Cristo com os homens: “<i>Pai, perdoa-os</i>”. Ele está junto dos pecadores e tenta fazer uma apologia a favor deles. “<i>Não sabem o que fazem</i>”. Aqui temos, continuando, <i>Seu poder de Rei</i>. Ele abre largamente as portas do céu para o ladrão moribundo, e o faz passar. “<i>Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”</i>. Em terceiro lugar, contemplem <i>Sua relação humana</i>. Ele é nosso parente mui próximo! “<i>Mulher, eis aqui teu filho</i>”. Recordem como disse: “<i>Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, e irmã, e mãe”.</i> Ele é osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Ele pertence à família humana. É mais homem que qualquer homem. Tão certamente como Deus é Deus verdadeiro, Ele é também homem muito verdadeiro, tomando para Si a natureza, não somente de judeu, mas também de gentio. Pertencendo a Sua própria nacionalidade, mas elevando-se acima de todas, Ele é o Homem dos homens, o Filho do Homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam-No, em seguida, <i>removendo</i> <i>nosso pecado</i>. Vocês se perguntarão: <i>“Qual nota é essa?</i>” Bem, todas elas são para tal efeito; mas está o é principalmente: <i>“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”? </i>Foi porque Ele mesmo levou nossos pecados em Seu corpo, sobre o madeiro, que foi desamparado por Deus. “<i>Eloi, Eloi, lama sabctani</i>” Contemplem-no, em sua quinta palavra: “<i>Tenho sede</i>”, tomando, não apenas nosso pecado, <i>mas também nossa debilidade e todo o sofrimento de nossa natureza corporal.</i> Então, se vocês querem ver Sua plenitude, assim como Sua debilidade, e se querem ver Sua suficiência em tudo, assim como também Sua aflição, ouçam-no exclamar: “<i>Está consumado</i>”. Que plenitude maravilhosa há nessa nota! Toda a redenção está cumprida, toda ela está completa; toda ela é perfeita. Nada permaneceu pendente, nem uma só gota de amargura na taça do fel; Jesus bebeu até a última gota dela.  Nem meia nota deve ser somada ao preço do resgate; Jesus pagou por tudo. Contemplem Sua plenitude no clamor:</p>
<p style="text-align: justify;">“<i>Está consumado”</i>. E, logo, se vocês querem ver como Ele nos têm reconciliado com Deus, contemplem-no: o Varão se fez maldição por nós, retornando a Seu Pai com uma benção, e levando-nos com Ele, quando leva todos nós ao alto por essa última palavra amada: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Agora a Fiança e o pecador estão livres”.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Cristo retorna ao Pai, pois: “<i>Está consumado</i>”, e vocês e eu vamos ao Pai por meio de Sua obra perfeita.</p>
<p style="text-align: justify;">Só tenho praticado duas ou três músicas que podem ser tocadas com esta harpa, mas é um instrumento maravilhoso. Se não fosse uma harpa de dez cordas, seria, de qualquer maneira, um instrumento de sete cordas, e nem o tempo nem a eternidade seriam capazes de extrair jamais toda a música. Essas sete palavras agonizantes do Cristo sempre vivo tocarão para nós a melodia na glória ao longo de todas as idades da eternidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora vou pedir sua atenção por um breve tempo no mesmo texto: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Vê aí nosso Senhor? Mesmo morrendo, Seu rosto olha para o homem. Sua última palavra para o homem é este clamor: “<i>Está consumado</i>”. Poderia se encontrar uma palavra mais seleta com a qual Ele poderia dizer-te “Adieu” (Adeus) na hora da morte? Ele te disse que não há de temer que Sua obra seja imperfeita, que não tem de tremer porque poderia resultar em algo insuficiente. Ele fala e lhe declara com Sua palavra agonizante: “<i>Está consumado</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora que terminou de falar contigo, volta Seu rosto para outra direção. Pense nessas palavras, e que possam ser também <i>suas</i> primeiras palavras quando retornou para Seu Pai! Que você possa falar assim ao teu Pai Divino na hora da morte! As palavras foram muito manuseadas nos tempos dos católicos romanos; mas não se danificaram, nem sequer por isso. Elas costumavam ser expressas em latim pelos moribundos: “<i>In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum”</i>. (Senhor, em tuas mãos entrego meu espírito). Todo moribundo costumava tentar dizer estas palavras em latim, e se não o fazia, alguém tratava de dizê-las por ele. Foram convertidas em uma espécie de feitiço de feiticeira; e assim, em latim perderam essa doçura para nossos ouvidos, mas no idioma inglês sempre serão como a própria essência da música para um santo moribundo: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”.</p>
<p style="text-align: justify;">É digno de advertir-se que as últimas palavras que nosso Senhor expressou, foram tomadas das Escrituras. Esta frase é tomada &#8211; e me atrevo a dizer que a maioria de vocês o sabe &#8211; do Salmo 31, do versículo cinco. Jesus não era daqueles que tem pouca consideração pela Palavra de Deus. Estava saturado dela. Estava tão cheio da Escritura como a lã de Gideão estava cheia de orvalho. Não podia falar, nem sequer em Sua morte, sem citar a Escritura. Assim é como Davi o expressou: “<i>Em tuas mãos entrego meu espírito; tu me tens redimido, oh Jeová, Deus de verdade</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, amados, o Salvador alterou essa passagem, pois do contrário não se haveria adequado a Ele. Vocês vem que primeiro Ele foi obrigado a agregar-lhe algo, a fim de que se adequasse ao Seu próprio caso? Que foi o que lhe agregou? Pois bem, essa palavra: “Pai”. Davi disse: “<i>Em tuas mãos entrego meu espírito”</i>; mas Jesus disse: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>”. É um avanço abençoado! Ele sabia mais do que Davi sabia, pois Ele era mais Filho de Deus do que Davi poderia ser. Ele era o Filho de Deus em um sentido mui excelso e especial por filiação eterna; e assim começou a oração com: “Pai”. Mas logo ocultou algo. Era necessário que o fizesse. Pois Davi disse: “Em tuas mãos entrego meu espírito, tu tens me redimido”. Nosso bendito Mestre não foi redimido, pois Ele é o Redentor, e poderia ter dito: “<i>Em tuas mãos entrego meu espírito, pois redimi meu povo</i>”, mas decidiu não dizer isso. Ele simplesmente tomou aquela parte que se lhe adequava, e a usou como Sua: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”.</p>
<p style="text-align: justify;">Oh, meus irmãos, vocês não fariam nada melhor, depois de tudo, que citar a Escritura, especialmente em oração. Não há orações tão boas como aquelas que estão saturadas da palavra de Deus. Que toda nossa conversação estivesse temperada com textos! Eu desejaria que estivessem mais. Nós riamos de nossos antepassados puritanos porque os próprios nomes de seus filhos eram selecionados de passagens da Escritura, mas eu, de minha parte, preferiria que rissem de mim por falar muito da Escritura do que por falar tanto de novelas sem nenhum valor, romances com os quais – me envergonho dizer – são preenchidos muitos sermões de nossos dias, sim, preenchidos por novelas que não são aptas para serem lidas por homens decentes e que estão revestidas de tal maneira, que dificilmente se sabe se você está ouvindo acerca de um feito histórico ou unicamente de uma peça de ficção cientifica. Livra-nos, bom Deus, de tal abominação.</p>
<p style="text-align: justify;">Podem ver, então, quão bem o Salvador usou a Escritura, e como, desde Sua primeira batalha com o diabo no deserto até Sua última luta com a morte na cruz, Sua arma sempre foi: “Está escrito”.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora chego ao próprio texto, e vou pregar sobre ele somente por um breve espaço de tempo. Ao fazê-lo, aprendamos a doutrina da última palavra na cruz, em segundo lugar, cumpramos o dever, e, em terceiro lugar, desfrutemos do privilégio.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>I.</b> Primeiro, APRENDAMOS A DOUTRINA da última palavra do nosso Senhor na cruz.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual é a doutrina dessa última palavra do nosso Senhor Jesus Cristo? <i>“Deus é Seu Pai, e Deus é nosso Pai”</i>, pois o Pai é o Pai de Cristo em um sentido mais excelso do que é nosso Pai; contudo, Ele não é mais verdadeiramente Pai de Cristo do que é nosso Pai, se temos crido em Jesus “<i>Todos são filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus</i>”. Jesus disse a Maria Madalena: “<i>Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus</i>”. Creiam na doutrina da Paternidade de Deus quanto a Seu povo. Tal como lhes adverti antes, abominem a doutrina da paternidade universal de Deus, pois é uma mentira e um profundo engano.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, ela acerta punhaladas no coração da doutrina da adoção ensinada na Escritura, pois, como pode Deus adotar aos homens, se todos já são seus filhos? Em segundo lugar, acerta punhaladas no coração da doutrina da regeneração, que é certamente ensinada na palavra de Deus. Agora, é pela regeneração e pela fé que nos convertemos em filhos de Deus, mas, como poderia ser se já somos todos seus filhos? &#8220;<i>Para todos os que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus, que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus</i>&#8220;.  Como poderia Deus dar aos homens o poder de torná-los Seus filhos se já tinham esse poder? Não creiam nessa mentira do diabo,  mas antes, creiam na verdade de Deus: que Cristo e todos os que estão em Cristo mediante uma fé viva, podem regozijar-se na Paternidade de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Continuando, vocês devem aprender essa doutrina: que neste fato reside nosso principal consolo. Em nossa hora de tribulação, em nosso tempo de guerra, devemos dizer: “<i>Pai</i>”. Notem que a primeira palavra da cruz é semelhante à última; a nota mais alta é como a mais baixa. Jesus começa com: “<i>Pai, perdoa-os”</i>, e conclui com: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>” Peçam ajuda em qualquer dever rigoroso, clamando: “Pai”. Para receber ajuda num sofrimento agudo e na morte, clamem: “Pai”. Sua força principal reside em ser verdadeiramente um filho de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprendam a seguinte doutrina, <i>que morrer é ir para a casa de nosso Pai</i>. Não faz muito tempo, disse a um velho amigo: “O velho senhor ‘Fulano de Tal’ foi para a casa”. Quis dizer que havia morrido. Ele comentou: “Sim, onde mais haveria de ir?” Quando nossos cabelos envelhecem e nosso labor do dia está cumprido, para onde iríamos senão para casa? Então, quando Cristo disse: “<i>Está consumado</i>”, Sua palavra seguinte é, claro: “Pai”. Ele concluiu Sua vida terrena, e agora irá para a casa no céu. Assim como um filho corre ao peito de sua mãe quando está cansado e quer dormir, assim Cristo disse: “Pai”, antes de adormecer na morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprendam esta doutrina: que se Deus é nosso Pai, e nós consideramos como ir para casa quando morrermos porque vamos a Ele, então, Ele nos receberá. Não há nenhuma insinuação de que podemos entregar nosso espírito a Deus, e que, contudo, Ele não nos receberá. Recordem como Estevão clamou sob uma chuva de pedras: “<i>Senhor Jesus, recebe meu espírito”.</i> De qualquer maneira que morremos, temos de fazer dessa nossa última emoção ainda que não seja nossa última expressão: <i>“Pai, recebe meu espírito</i>”. Não receberá nosso Pai celestial a Seus filhos? Se vocês, sendo maus, recebem a seus filhos ao cair da noite quando voltam para casa para dormir, seu Pai que está no céu não o receberá quando seu dia de labuta esteja concluído? Essa é a doutrina que temos que aprender desta última palavra da cruz: a Paternidade de Deus e tudo o que provém dela para os crentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>II.</b> Em segundo lugar, CUMPRAMOS COM O DEVER.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse dever me parece que é, primeiro, <i>a renúncia</i>. Sempre que algo lhes turbar e alarmar, submetam-se a Deus. Digam: <i>“Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>”. Cantem com Faber:</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>“Eu me inclino à Tua vontade, oh Deus,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>E adoro todos os Teus caminhos;</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>E cada dia que eu viver buscarei</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Agradar-te mais e mais”.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Continuando, aprendam <i>o dever da oração</i>. Quando vocês estão mergulhados em dor, quando estão rodeados por amargas aflições, tanto da mente como do corpo, sigam orando. Não abandonem o “<i>Pai Nosso</i>”. Não permitam que seus choros sejam dirigidos ao vento; não permitam que seus gemidos sejam antes ao médico ou sua enfermeira, mas vocês devem clamar: “Pai”. Por acaso o menino não clama que se perdeu no caminho? Se ele estiver escuro na noite, e se desperta em uma habitação solitária, não grita: “Pai”; e por acaso o coração de um pai não é comovido por esse grito? Há alguém aqui que nunca tenha clamado a Deus? Há alguém aqui que nunca tenha dito: “Pai”? Então, meu Pai, ponha Teu amor em seus corações, e os conduza a dizer esta noite: <i>“Me levantarei e irei a meu Pai”</i>. Você será reconhecido como filho de Deus se ressoar esse clamor em seu coração e em seus lábios.</p>
<p style="text-align: justify;">O seguinte dever é <i>nossa entrega a Deus pela fé</i>. Entreguem-se a Deus, confiem em Deus. Cada manhã, quando se levantarem, tomem e ponham-se debaixo da custódia de Deus; encerrem-se, por assim dizer, no cofre da proteção divina; e cada noite, quando você tirar a chave da casa, antes de deitar-se para dormir, feche-a com a chave novamente, e ponham a chave na mão d’Aquele que é capaz de guardá-los quando a imagem da morte estiver em seu rosto. Antes de seu sonho, entreguem-se a Deus; quero dizer, façam isso quando não há nada que os aterrorize, quando tudo está tranquilo, quando o vento sopra suavemente do sul, e o barco se aproxima velozmente ao porto desejado, não se tranquilizem com sua própria tranquilidade. O que corta a carne por si mesmo, cortará os dedos e ainda terá um prato vazio. O que deixa que Deus trinche a carne por ele verá frequentemente espessos tutanos apresentados diante de si. Se puder confiar, Deus recompensará tua confiança de uma maneira que ainda não conheces.</p>
<p style="text-align: justify;">E logo cumpram outro dever, <i>o da experimentação contínua e pessoal da presença de Deus</i>. “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>”. “Tu estas aqui, eu sei que estas aqui. Percebo que estás aqui no tempo da aflição, e de perigo, e me ponho em Tuas mãos. Da mesma maneira que se alguém me atacasse, eu me entregaria à proteção de um policial, ou de um soldado, assim me entrego a Ti, Guardião invisível da noite, a ti, incansável Guarda do dia. Tu cobrirás minha cabeça no dia da batalha. Debaixo das tuas asas confiarei como um pintinho se esconde debaixo da galinha”.</p>
<p style="text-align: justify;">Observe, então, seus deveres. Consiste em submeter-se a Deus, em orar a Deus, em entregar-se a Deus, e descansar graças a sentir a presença de Deus. Que o Espírito de Deus te ajude na prática de tais deveres inestimáveis como estes!</p>
<p style="text-align: justify;"><b>III.</b> Agora, por último, DEVEMOS GOZAR DO PRIVILÉGIO.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, devemos gozar <i>do excelso privilégio de descansar em Deus em todos os tempos de perigo de dor</i>. O doutor acaba de anunciar que você terá que sofrer uma operação. Diga: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Existe toda a probabilidade de que essa sua debilidade, ou essa sua enfermidade, se agravará, e que imediatamente terás de repousar na cama, e permanecer ali, talvez, durante muitos dias. Então, diga: “<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”</i>. Não te agonies, pois isso não lhe ajudará. Entrega-te a Deus – é privilégio seu fazê-lo – para que seja guardado por essas amadas mãos que foram perfuradas por ti, para que sejas entregue ao amor desse amado coração que foi aberto pela lança para comprar tua redenção. É PORTENTOSO o descanso do espírito que Deus pode proporcionar ao homem ou a mulher que se encontram na pior condição. Oh, como alguns dos mártires cantaram na fogueira! Como se regozijaram sobre o poço de tormento! A carvoeira de Bonner, do outro lado da água, em Fulham, onde deixavam os mártires, era um lugar infeliz para estar numa noite de frio no inverno; mas nos é informado que: “eles se animavam na palha, quando estavam na carvoeira; com o canto mais doce proveniente do céu, e quando Bonner lhes dizia: “Que vergonha que façam tanto barulho”!, eles lhe responderam que ele também faria barulho semelhante se estivesse feliz como eles estavam”. Quando confiar seu espírito a Deus, então você poderá gozar de um doce descanso em tempos de perigo e de dor.</p>
<p style="text-align: justify;">O seguinte privilégio é o <i>de uma confiança valorosa no momento da morte, ou diante do temor da morte</i>. Fui conduzido a refletir sobre este texto, utilizando-o muitas vezes na noite de quinta-feira passada. Talvez nenhum de vocês esquecerá a noite de quinta-feira passada. Eu penso que nunca a esquecerei, ainda que chegue a ser tão velho como Matusalém. Daqui até que chegasse em casa, parecia que ia no meio de uma cortina de fogo, e quanto mais avançava, mais vívidos se tornavam os relâmpagos; mas quando finalmente cheguei próximo a Leigham Court Road, então os raios pareciam descer em barras do céu; e por fim, quando alcancei a última colina, se produziu um estrondo do tipo mais horripilante, e caiu uma torrente de granizo, pedras de granizo que não tentarei descrever, pois poderiam pensar que exagero, e então senti, e meu amigo sentiu o mesmo, que dificilmente poderíamos chegar vivos em casa. Encontramos-nos ali no próprio centro e no ápice da tormenta. Por todos os lados ao redor de nós, e por assim dizer, dentro de nós, não se via outra coisa que o fluído elétrico; e a destra de Deus parecia desnuda para a guerra. Eu pensei então: “<i>Bem, agora mui provavelmente irei para casa</i>”, e entreguei meu espírito a Deus; e a partir daquele momento, ainda que não pudesse dizer que sentia prazer com os estrondos dos trovões e os clarões dos raios, me senti tão tranquilo como me sinto aqui nesse momento; talvez estava um pouco mais tranquilo do que me sinto na presença de tantas pessoas, pois me sentia feliz ao pensar que, em um instante, poderia entender mais que tudo o que poderia aprender na terra, e ver num instante mais do poderia esperar ver se vivesse aqui durante um século. Eu somente podia dizer a meu amigo: “<i>Entreguemo-nos a Deus, sabemos que estamos cumprindo com nosso dever ao seguir adiante como o estamos fazendo, e tudo estará bem para nós</i>”. Então, só podíamos regozijar juntos diante da perspectiva de estarmos de imediato com Deus. Não fomos levados para a casa no carro de fogo; nos foi permitido seguir um pouco mais de tempo com a obra de nossa vida; mas experimentei a doçura de ser capaz de concluir com tudo, de não ter nenhum desejo, nenhuma vontade, nenhuma palavra, escassamente uma oração, e de somente elevar nosso coração e entregá-lo ao grandioso Guarda, dizendo: “Pai, cuida de mim. Debaixo do Teu cuidado hei de viver, e debaixo do Teu cuidado hei de dormir. A partir desse momento não tenho desejo de nada, há de ser como Tu queres. “Em tuas mãos entrego meu espírito”.</p>
<p style="text-align: justify;">Este privilégio não consiste unicamente em ter descanso no perigo e confiança diante da perspectiva da morte; está cheio também de <i>gozo consumado</i>. Amados, se soubéssemos como entregar-nos nas mãos de Deus, que lugar é para que estejamos ali! Que lugar para estar ali; nas mãos de Deus! Há miríades de estrelas; até o próprio universo; a mão de Deus sustém todos os seus pilares eternos, e não caem. Se nos colocamos nas mãos de Deus, chegamos onde todas as coisas se apoiam, e temos um lar e felicidade. Saímos do nada da criatura e entramos na suficiência do Criador para tudo. Oh, ponham-se ali, apressem-se para estar ali, queridos amigos, e a partir de agora, vivam nas mãos de Deus!</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<i>Está consumado</i>&#8220;. Vocês não concluíram, mas Cristo o fez. Tudo está consumado. O que terão de fazer será unicamente executar o que Ele já consumou para vocês, e mostrá-lo aos filhos dos homens em suas vidas. E posto que tudo está consumado, digam: &#8220;Agora, Pai, volto-me para Ti. Minha vida a partir de agora será estar em Ti. Meu gozo será nada na presença do Tudo em todos, morrer para entrar na vida eterna; fundir meu ego a Jeová, e deixar que minha humanidade, que minha condição de criatura viva unicamente para seu Criador, e manifeste unicamente a glória do Criador”. Oh, amados, terminem esta noite e comecem amanhã de manhã com: &#8220;<i>Pai, em tuas mãos entrego meu espírito</i>&#8220;. O Senhor esteja com todos vocês! Oh, se você nunca orou, que Deus te ajude a orar agora, por Jesus Cristo nosso Senhor! Amém.</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon2311.html">http://www.spurgeon.com.mx/sermon2311.html</a></p>
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 2311 — Volume 39 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Cesar Augusto Vargas Americo</p>
<p style="text-align: justify;">Revisão: Armando Marcos</p>
<p style="text-align: justify;">Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a><b><i></i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
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		<title>A Primeira Palavra de Cristo na Cruz (3º Sermão especial de Páscoa)</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Mar 2013 16:53:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Marcos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nº 897 Sermão pregado na manhã de Domingo, 24 de outubro de 1869, Por Charles Haddon Spurgeon No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. BAIXE EM PDF BAIXE EM EPUB BAIXE PARA KINDLE “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o &#8230; <a href="http://www.projetospurgeon.com.br/2013/03/a-primeira-palavra-de-cristo-na-cruz/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A-Primeira-Palavra-de-Cristo-na-Cruz.jpg"><img class="wp-image-7193 alignleft" alt="A Primeira Palavra de Cristo na Cruz" src="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A-Primeira-Palavra-de-Cristo-na-Cruz.jpg" width="316" height="448" /></a>Nº 897</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Sermão pregado na manhã de Domingo, 24 de outubro de 1869,</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><i>Por Charles Haddon Spurgeon</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/ebook_primeira_palavra_cristo_cruz_spurgeon.pdf">BAIXE EM PDF</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A%20Primeira%20Palavra%20de%20Cristo%20na%20Cruz%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.epub">BAIXE EM EPUB</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/03/A%20Primeira%20Palavra%20de%20Cristo%20na%20Cruz%20-%20C.%20H.%20Spurgeon.mobi">BAIXE PARA KINDLE</a></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b><i>“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Lucas 23:34</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Nosso Senhor estava suportando naquele exato momento as primeiras dores da crucificação; os verdugos acabaram de meter os cravos em Suas mãos e pés. Além disso, Ele deve ter ficado grandemente deprimido e reduzido a uma condição de extrema debilidade pela agonia da noite no Getsemani, e pelos açoites e as cruéis zombarias que tinha suportado de Caifás, de Pilatos, de Herodes e dos guardiões pretorianos no decorrer de toda aquela manhã. No entanto, nem a debilidade do passado nem a dor do presente impediram que Jesus continuasse em oração. O cordeiro de Deus guardava silêncio com os homens mas não com Deus. Emudeceu como ovelha diante de Seus tosquiadores, e não tinha nem uma palavra a dizer em defesa própria diante de homem algum, mas continuava clamando a Seu Pai em Seu coração, e nem a dor nem a debilidade podem calar Suas santas súplicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Amados, que grande exemplo nosso Senhor nos apresenta nesse ponto! Temos de continuar em oração enquanto nosso coração palpite; nenhum excesso de sofrimento deve nos apartar do trono da graça, mas antes deve nos aproximar dele –</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>“os cristãos devem orar no tanto que vivam,</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Pois só quando oram, vivem”</i></b></p>
<p style="text-align: justify;">Deixar de orar é renunciar às consolações que nosso caso requer.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todas as perturbações do espírito e opressões do coração, grandioso Deus, ajuda-nos a seguir orando, e que nossas pisadas, levadas pelo desespero, não se afastem jamais do propiciatório.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso bendito Redentor perseverou em oração ainda quando o ferro cruel rasgava Seus sensíveis nervos e os repetidos golpes do martelo faziam que Seu corpo todo tremesse com angústia; e essa perseverança se explica pelo fato de que tinha um hábito tão imaculado de orar que não podia deixar de fazê-lo; Ele tinha adquirido uma poderosa velocidade de intercessão que o impedia de se deter. Essas longas noites na fria borda do monte, os muitos dias que tinha passado em solidão, essas perpétuas aspirações que costumava elevar aos céus, todas essas coisas tinha desenvolvido Nele um hábito tão arraigado que nem mesmo os mais severos tormentos podiam deter sua força<span id="more-7192"></span>.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, era algo mais que um hábito. Nosso Senhor foi batizado no espírito de oração; esse espírito vivia Nele; tinha chegado a ser um elemento de Sua natureza. Ele era como essa preciosa espécie de árvore que, ao ser cortada pelo machado, não deixa de exalar seu perfume e que, de fato, produz com maior abundância devido aos golpes, já que não é uma qualidade externa e superficial, mas uma virtude interior essencial  a Sua natureza, que é extraída  pelos golpes que fazem com que revele Sua alma secreta de doçura.</p>
<p style="text-align: justify;">Como um feixe de mirra produz aroma ou como os pássaros cantam porque não sabem fazer outra coisa, assim Jesus também ora. A oração cobria Sua própria alma como se fosse um manto, e Seu coração saia vestido dessa forma. Eu repito que esse deve ser nosso exemplo e não devemos jamais cessar de orar, sob nenhuma circunstância, por grande que seja a severidade da tribulação ou por mais deprimente que seja a dificuldade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ademais, observem na oração que estamos considerando que nosso Senhor permanece no vigor da fé quanto a Sua condição de Filho. A extrema prova à qual se submetia agora não podia impedir que se apegasse firmemente a sua condição de Filho. Sua oração começa assim: “Pai”. Não foi algo desprovido de significado que nos ensinasse a dizer quando oramos: “Pai nosso”, pois nosso predomínio na oração dependerá muito de nossa confiança em nossa relação com Deus. Sob o peso de grandes perdas e cruzes, um é propenso a pensar que Deus não está tratando conosco como um pai com seu filho, mas sim mais bem como um juiz severo com um criminoso condenado; porém, o clamor de Cristo, quando é conduzido ao extremo que nós jamais experimentaremos, não delata nenhuma vacilação no espírito de Sua condição de Filho.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o suor sangrento caía rapidamente sobre o chão no Getsemani, Seu clamor mais amargo começou assim: “meu Pai”, pedindo que se fosse possível, o cálice de fel passasse dEle; argumentava com o Pai como Seu Pai, tal como o chamou uma e outra vez naquela escura e doída noite. Aqui disse outra vez, nessa, a primeira das sete palavras pronunciadas quando expirava: “Pai”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ó, que o Espírito que nos faz clamar: “Aba, Pai” não deixe nunca Suas operações! Que nunca sejamos conduzidos à servidão espiritual pela sugestão: “se és Filho de Deus”; ou se o tentador nos assedia, que possamos triunfar como Jesus o fez no deserto faminto. Que o Espírito que clama: “Aba, Pai”, expulse cada medo incrédulo. Quando somos disciplinados, como temos de ser (porque que filho é aquele a quem o pai não disciplina?), que possamos estar em uma amorosa sujeição ao Pai de nossos espíritos, e viver, mas que nunca nos voltemos cativos do espírito de servidão para duvidar do amor de nosso clemente Pai e de nossa porção de Sua adoção.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais notável, porém, é o fato de que a oração de nosso Senhor a Seu Pai não pedia algo para Si mesmo. É certo que na cruz Ele continuou orando por Si mesmo, e que Sua oração de lamento: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, mostra a personalidade de Sua oração; mas a primeira das sente grandiosas palavras pronunciadas desde a cruz não possui nem sequer uma escassa referência indireta a Si mesmo. Diz: “Pai, perdoa-lhes”. A petição é inteiramente para outros, e ainda que exista uma alusão às crueldades que estavam sendo aplicadas a Ele, ela é, no entanto, muito remota; e vocês observarão que não diz: “eu os perdoo” – isso é tido como certo – parece perder de vista o fato de que lhe estavam fazendo dano; em Sua mente está o mal que eles estavam fazendo ao Pai, o insulto que estavam lançando ao Pai na pessoa do Filho; não pensa em Si mesmo em nada. O clamor: “Pai, perdoa-lhes”, é completamente desinteressado. Ele próprio é, na oração, como se não fosse; tão completa é sua auto aniquilação que perde de vista Sua pessoa e Suas aflições.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus irmãos, se houvesse tido um tempo na vida do Filho do Homem quando este poderia ter confinado rigidamente Sua oração para Si mesmo, sem merecer nenhuma critica por fazê-lo, seguramente teria sido quando Suas angústias de morte estavam começando. Se um homem fosse submetido à fogueira ou cravado em uma cruz, não poderia assombrar-nos se sua primeira oração, e inclusive a última, e todas as suas orações fossem petições pessoais de apoio contra uma atribulação tão árdua.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, vejam, o Senhor Jesus começou pedindo por outros. Vocês não veem que grandioso coração é aqui revelado? Que alma de compaixão existia no Crucificado! Que semelhante a Deus, que divino! Alguma vez já houve alguém antes dEle que, ainda nas próprias dores da morte, oferecesse como sua primeira oração uma intercessão por outros? Esse mesmo espírito de abnegação deve estar em vocês também, meus irmãos. Que ninguém olhe por suas próprias coisas, antes, todo homem deve mirar pelas coisas dos demais. Amem a seus semelhantes como a vocês mesmos, e como Cristo colocou diante de vocês esse excelente modelo de abnegação, procurem seguir-lhe pisando sobre Seus passos.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, existe uma jóia suprema nesse diadema do glorioso amor. O Sol da Justiça se oculta no Calvário em um maravilhoso esplendor; mas em meio das brilhantes cores que glorificam Sua partida, existe uma em particular: a oração não era só pelos outros, mas sim que pedia por Seus mais cruéis inimigos. Seus inimigos, disse, porém deve-se considerar algo mais. Não era uma oração por inimigos que lhe tinham feito um mal anos antes, mas sim era por aqueles que estavam ali assassinando-o, nesse exato momento. Não foi a sangue frio que o Salvador orou, mas orava enquanto as primeiras gotas vermelhas de sangue manchavam as mãos que metiam-lhe os cravos, quando o martelo estava ainda salpicado de coágulos de cor carmesim, Suas boca bendita pronunciava a fresca e quente oração; “Pai, perdoa-os porque não sabem o que fazem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Digo também que essa oração não estava limitada a Seus verdugos imediatos. Eu creio que era uma oração de grande alcance que incluía aos escribas e aos fariseus, a Pilatos e a Herodes, aos judeus e aos gentios, sim, a toda raça humana em certo sentido, pois todos nós estávamos envolvidos nesse assassinato; mas certamente as pessoas imediatas, sobre as quais foi pronunciada essa oração como precioso perfume de nardo, eram aquelas que estavam ali naquele momento cometendo o ato brutal de cravá-lo no madeiro maldito.</p>
<p style="text-align: justify;">Que sublime é essa oração quando é considerada a partir desse enfoque! Ela é única e está sobre um monte de glória solitária. Nenhuma outra oração como essa tinha sido orada antes. É certo que Abraão, Moisés e os profetas tinham orado pelos malvados; porém, não por homens perversos que tinham perfurado suas mãos e pés. É certo que os cristãos ofereceram essa mesma oração daquele dia em diante, tal como Estevão clamou: “não lhes tome em conta esse pecado”; e as últimas palavras de muitos mártires na fogueira foram essas palavras de piedosa intercessão por seus perseguidores; mas vocês sabem de onde aprenderam isso. Mas deixem-me perguntar-lhes: onde Ele a aprendeu? Não foi Jesus o original divino? Ele não a aprendeu de nenhuma parte; isso brotou de Sua própria natureza semelhante a Deus. Uma compaixão peculiar para Si mesmo ditou a originalidade dessa oração; a íntima realeza de Seu amor lhe sugeriu uma intercessão tão memorável que pode nos servir de modelo, porém da qual não existia nenhum modelo antes. Penso que seria melhor que eu me ajoelhasse nesse momento diante da cruz de meu Senhor em vez de estar parado neste púlpito dirigindo-me a vocês. Quero adorar-lhe, quero venerar-lhe no coração por essa oração; ainda que não conhecesse nada mais exceto essa oração, devo adorar-lhe, pois essa súplica sem par pedindo misericórdia me convence da deidade de quem a ofereceu, de maneira sumamente contundente, e enche meu coração de reverente afeto.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma lhes apresentei a primeira oração vocal de nosso Senhor na cruz. Agora, com a ajuda do Espírito Santo de Deus, irei dar uma aplicação. Primeiro, a veremos como <i>uma oração ilustrativa da intercessão de nosso Salvador</i>; em segundo lugar, <i>consideraremos o texto como instrutivo para a obra da igreja</i>; em terceiro lugar, <i>a consideraremos como sugestiva para os não convertidos</i>.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>I.</b> Primeiro, meus queridos irmãos, vejamos esse texto tão maravilhoso como uma ILUSTRAÇÃO DA INTERCESSÃO DE NOSSO SENHOR.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele orou pelos Seus inimigos, e segue orando por Seus inimigos agora; o passado na cruz foi o sinal do presente no trono. Ele está agora em um lugar mais sublime e em uma condição mais nobre, mas Sua ocupação é a mesma; Ele continua ainda diante do trono eterno apresentando súplicas em favor dos homens culpados, clamando: “Pai, perdoa-lhes”. Toda Sua intercessão é, em certa medida, como a intercessão no Calvário, e as palavras do Calvário podem nos ajudar a adivinhar o caráter de toda Sua intercessão no alto.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro ponto em que podemos ver o caráter de Sua intercessão é esse: que é <i>muito misericordiosa</i>. Aqueles pelos quais nosso Senhor orou, de acordo com o texto, não mereciam Sua oração. Não tinham feito nada que pudesse motivar Nele uma benção como recompensa pelos seus esforços em Seu serviço; pelo contrário, eram pessoas muito indignas que tinham conspirado para sentenciá-lo à morte. O tinham crucificado e O fizeram de forma injustificável e malignamente; estavam inclusive tirando-lhe naquele momento Sua vida inocente. Seus clientes eram pessoas que, muito longe de serem meritórias, eram completamente indignas de um só bom desejo do coração do Salvador. Eles certamente jamais lhe pediram que Jesus orasse por eles; o último pensamento de sua mente era dizer-lhe: “Intercede por nós, moribundo Rei! Oferece petições em nosso favor, Filho de Deus!”. Eu me aventuro a crer que a própria oração, quando foi ouvida por essas pessoas, foi ignorada ou passada por alto com depreciativa indiferença. Ou talvez foi tomada como um tema de zombaria. Admito que pareceria demasiadamente severo para com a humanidade supor que seja possível que semelhante oração pudesse ter sido tema de risadas zombeteiras, e, no entanto, houve outras coisas implementadas em torno da cruz que foram igualmente brutais, e então posso imaginar que isso pode ter acontecido também.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, nosso Salvador orou por pessoas que não mereciam a oração, e, pelo contrário, mereciam uma maldição: eram pessoas que não solicitaram a oração e inclusive zombaram dela quando a ouviram. De igual forma o grandioso Sumo Sacerdote está lá no céu suplicando por homens culpados: por homens <i>culpados</i>, queridos ouvintes. Ele não suplica por ninguém se baseando na suposição de que verdadeiramente ela o merece. Está lá para interceder como o Justo em favor dos injustos. Não intercede como se alguém fosse justo, mas sim que “Se alguém tiver pecado, temos advogado para com o Pai”.</p>
<p style="text-align: justify;">Recordem também que nosso grandioso Intercessor suplica por aqueles que nunca lhe pediram que intercedesse por elas. Seus eleitos são objeto de Suas intercessões compassivas estando ainda mortos em delitos e pecados, enquanto eles zombam até mesmo de Seu Evangelho, Seu coração de amor está implorando o favor do céu para eles. Vejam, então, amados, se tal é a verdade, que seguros estão de ter sucesso para com Deus aqueles que lhe pedem sinceramente ao Senhor Jesus Cristo que interceda por eles. Alguns de vocês, com muitas lágrimas e muita veemência, estiveram pedindo ao Salvador que seja seu advogado. Por acaso Ele os rejeitará? É lógico pensar que possa fazê-lo? Ele intercede por aqueles que rejeitam Suas súplicas; com muito mais razão o fará por você que as valoriza mais que o ouro.</p>
<p style="text-align: justify;">Recorde, meu querido ouvinte, que se não existe nada bom em você e que existe todo o concebível que é maligno e mal, nada disso pode ser uma barreira para impedir que Cristo exerça o ofício de Intercessor por você. Ele suplicará inclusive por você. Vamos, coloque seu caso em Suas mãos, pois Ele encontrará súplicas que você não poderia descobrir por si mesmo, e apresentará seu caso diante de Deus como o fez por Seus assassinos: “Pai, perdoa-lhes”.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma segunda qualidade de Sua intercessão é: seu espírito cuidadoso. Notem isso na oração: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Por assim dizer, nosso Senhor revirou Seus inimigos para encontrar neles algo que pudesse ser argumentado em seu favor. Mas não pode ver nada até que Seus olhos sabiamente afetuosos pousaram em sua ignorância: “não sabem o que fazem”. Que cuidadosamente Jesus inspecionou as circunstâncias e as características daqueles por quem se importunava! O mesmo Ele faz agora no céu. Cristo não é um advogado negligente para com Seu povo. Ele conhece sua precisa condição nesse momento e o exato estado de seu coração em relação à tentação pela que atravessa; mais ainda, Ele vê antecipadamente a tentação que está lhe esperando, e em Sua intercessão toma nota do evento futuro que Seu olhar já contempla. “Satanás os pediu para cirandar como o trigo, mas eu roguei por ti, para que sua fé não falte.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ó, a condescendente ternura de nosso grandioso Sumo Sacerdote! Ele nos conhece melhor do que conhecemos a nós mesmo. Ele entende cada dor e cada gemido secreto. Você não precisa se preocupar sobre a fraseologia de sua oração, pois Ele retificará seu texto. E inclusive, quanto ao entendimento da petição exata, ainda que você falhe em entendê-la, Ele não pode falhar, posto que conhece a mente de Deus e também conhece o que está em sua mente. Ele pode espiar alguma razão para ter misericórdia de você que você mesmo não poderia detectar, e quando tudo está tão escuro e nublado em sua alma que não pode discernir um ponto de apoio para uma petição que pudesse solicitar ante o céu, o Senhor Jesus tem preparadas as súplicas que deverão ser formuladas, e tem as petições redigidas, e pode apresentar elas de forma aceitável diante do propiciatório. Observarão, então, que Sua intercessão é muito clemente e em segundo lugar, muito ponderada.</p>
<p style="text-align: justify;">Continuando, devemos notar sua <i>veemência</i>. Quem quer que leia essas palavras: “<i>Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem</i>”, não pode duvidar que traspassavam o céu em seu fervor.</p>
<p style="text-align: justify;">Irmãos, vocês estão seguros, inclusive sem pensá-lo, de que Cristo era terrivelmente veemente nessa oração. Mas existe um argumento para demonstrá-lo. As pessoas veementes são geralmente sagazes e de rápido entendimento para descobrir qualquer coisa que lhes ajude em seu propósito. Se estão pedindo por sua vida, e se lhes solicitasse um argumento para serem perdoadas, lhes garanto que pensariam em um quando ninguém mais poderia fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, Jesus estava tão ávido da salvação de Seus inimigos que recorreu a um argumento para misericórdia que um espírito menos ansioso não teria concebido: “Não sabem o que fazem”. Vamos, senhores, isso foi na mais estrita justiça, uma escassa razão para misericórdia; e verdadeiramente, a ignorância, se é deliberada, não atenua o pecado e, no entanto, a ignorância de muitos que estavam ao pé da cruz era uma ignorância deliberada. Eles deveriam ter conhecido que Ele era o Senhor da glória. Por acaso não foi Moisés suficientemente claro? Por acaso Isaías não tinha sido muito valente em Sua mensagem? Não eram os sinais e signos tão claros que duvidar desses argumentos de que Jesus é o Messias era duvidar de qual é o sol no firmamento? No entanto, apesar disso tudo, o Salvador, com maravilhosa veemência e conseguinte destreza, converte em um argumento o que não teria podido ser um argumento, e o expressa assim: “Pai, perdoa-lhes, <i>porque</i> não sabem o que fazem”. Ó, então, que poderosos em sua veemência são Seus argumentos no céu! Não suponham que Seu entendimento é mais lerdo ali, ou que Suas petições são menos intensas na veemência. Não, meus irmãos, o coração de Cristo ainda labora arduamente com o Deus eterno. Ele não é um intercessor adormecido, antes, pela causa de Sião não cala e não descansa, nem descansará, até que saia como resplendor Sua justiça, e Sua salvação se acenda como uma tocha.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante notar, em quarto lugar, que a oração ali oferecida nos ajuda a julgar Sua intercessão no céu no tocante a sua persistência, perseverança e perpetuidade. Como comentei antes, se nosso Salvador teve uma oportunidade de fazer uma pausa em Sua oração intercessora, certamente foi quando o cravaram no madeiro; quando eram culpados de atos diretos de violência mortal contra Sua divina pessoa, teria podido cessar então de apresentar petições em favor deles. Porém, o pecado não pode atar a língua de nosso Amigo intercessor. Ó, quanto consolo existe aqui!</p>
<p style="text-align: justify;">Você tem pecado, crente, você contristou ao Espírito, porém, você não detém a essa poderosa língua que intercede por você. Você foi infrutuoso talvez, meu irmão, e como a árvore estéril, merece ser cortada; todavia, sua falta de fertilidade não retirou o Intercessor de Seu lugar. Ele intervém nesse momento, clamando: “Deixa ela ainda esse ano”. Pecador, você tem provocado a Deus ao rejeitar por longo tempo Sua misericórdia e ao ir de mal a pior, mas nem a blasfêmia, nem a injustiça nem a infidelidade poderiam deter ao Cristo de Deus de litigiar o caso do primeiríssimo dos pecadores. Ele vive, e ao longo de sua vida Ele intercede; e enquanto exista um pecador na Terra que deva ser salvo, haverá um intercessor no céu que argumente em favor dele. Esses são só fragmentos de pensamento, mas eles o ajudarão a entender, espero, a intercessão de seu grandioso Sumo Sacerdote.</p>
<p style="text-align: justify;">E mais, pensem que essa oração de nosso Senhor na terra é semelhante a Sua oração no céu, em razão de sua <i>sabedoria</i>. Ele busca o melhor e o que Seus clientes necessitam: “Pai, <i>perdoa-lhes</i>”. Esse foi um grande ponto em questão; eles precisam, ali e então, do perdão de Deus. Ele não diz: “Pai, ilumina-lhes, pois não sabem o que fazem”, pois a simples iluminação não teria criado nada a não ser tortura de consciência e haveria acelerado seu inferno: mas clama: “Pai, perdoa-lhes”; e ao mesmo tempo que usava Sua voz, as preciosas gotas de sangue que estavam destilando então das feridas dos cravos, estavam intercedendo também, e Deus ouviu, e sem dúvida perdoou.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira misericórdia que é necessária para os pecadores culpados é o perdão do pecado. Cristo ora sabiamente pela benção mais necessária. O mesmo sucede no céu; Ele intercede sábia e prudentemente. Deixem-no tranquilo; ele sabe o que há de pedir da mão divina. Vá ao propiciatório, e derrama ali seus desejos da melhor maneira que possa, mas quando tenha feito isso, expresse-o sempre assim: “Ó, meu Senhor Jesus, não responda a nenhum de meus desejos se não são de acordo com Seu juízo; e se em algo que eu pedi falhei em buscar o que preciso, emenda minha súplica, pois Tu és infinitamente mais sábio que eu”. Ó, é doce ter um amigo na corte que arruma nossas petições antes que cheguem ao grandioso Rei.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu creio que o que se apresenta unicamente a Deus agora é uma perfeita oração; quero dizer que diante do grandioso Pai de todos nós, nenhuma oração de Seu povo sobe de maneira imperfeita; não resta nada fora, e não existe nada que deva ser apagado; e isso não porque as suas orações foram perfeitas em si mesmas originalmente, mas sim porque o Mediador as faz perfeitas por meio de Sua infinita sabedoria, e se elevam diante do propiciatório modeladas de acordo com a mente do próprio Deus, e Ele responderá com certeza a essas orações.</p>
<p style="text-align: justify;">Ademais, essa memorável oração de nosso Senhor crucificado era semelhante a Sua intercessão universal no assunto de seu predomínio. Aqueles pelos quais orou foram, muitos deles, perdoados. Vocês recordam que ele se dirigiu a Seus discípulos quando lhes ordenou a pregar: “comecem em Jerusalém”, e naquele dia quando Pedro se colocou de pé com os onze, e acusou o povo de que com mãos ímpias haviam crucificado e imolado ao Salvador, três mil pessoas que foram assim justamente acusadas de Sua crucificação se converteram em crentes Nele, e foram batizados em Seu nome? Essa foi uma resposta à oração de Jesus. Os sacerdotes estavam no fundo do assassinato de nosso Senhor, e eles eram os mais culpados, mas se diz que: “Muitos dos sacerdotes obedeciam à fé”. Aqui está outra resposta à oração. Posto que todos os homens participaram representativamente, gentios assim como judeus, na morte de Jesus, o Evangelho foi pregado logo aos judeus e em breve tempo foi pregado também aos gentios. Não foi essa oração: “Pai, perdoa-lhes”, como uma pedra lançada em um lago, que forma primeiro um estreito círculo, e logo um anel mais amplo, e logo uma esfera maior, até que todo o lago fique coberto com ondas em forma de círculos?</p>
<p style="text-align: justify;">Uma oração como essa, lançada em todo o mundo, criou primeiro um pequeno anel de judeus e de sacerdotes convertidos, e logo um círculo mais amplo daqueles que estavam sob a influência romana; e hoje sua circunferência é tão ampla como o globo todo, de tal forma que dezenas de milhares são salvos por meio do predomínio dessa precisa intercessão: “Pai, perdoa-lhes”. Sucede exatamente assim como Ele no céu; jamais intercede em vão. Com mãos sangrentas, teve êxito; com pés cravados ao madeiro, saiu vitorioso; desamparado por Deus e desprezado pelo povo, triunfou com Seus argumentos; quanto mais agora que a tiara cinge Suas têmporas, que Sua mão sustenta o cetro universal e Seus pés estão calçados com sandálias de prata, e que Ele é coroado Rei dos reis e Senhor dos senhores! Se as lágrimas e os clamores produzidos pela debilidade são onipotentes, muito mais poderosa tem de ser – se fosse possível – essa sagrada autoridade que, como Sacerdote ressuscitado, intercede quando está diante do trono do Pai e menciona o pacto que o Pai fez com Ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Ó, vocês, trêmulos crentes, confiem a Ele suas preocupações! Aproximem-se dEle, vocês que são culpados, e peçam que interceda por vocês. Ó, vocês que não podem orar, vamos, peçam-lhe que interceda por vocês. Corações quebrantados, cabeças rendidas e peitos desconsolados, aproximem-se dAquele que colocará Seus méritos de tal forma que se elevarão como o fumo do perfume, como uma fragrante nuvem para as narinas do Senhor Deus dos exércitos, que exala um doce aroma, onde serão aceitos você e  suas orações no Amado. Temos aberto agora um espaço mais que suficiente para suas meditações em casa nessa tarde, e, portanto deixamos esse primeiro ponto. Temos recebido uma ilustração, na oração de Cristo na cruz, do que são Suas orações no céu pela eternidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>II. </b>Em segundo lugar, o texto é INSTRUTIVO PARA A OBRA DA IGREJA.</p>
<p style="text-align: justify;">Como Cristo foi, assim Sua igreja tem de ser nesse mundo. Cristo veio ao mundo não para ser servido, mas sim para servir, não para ser honrado, mas sim para salvar a outros. Sua Igreja, quando entender sua obra, perceberá que não está aqui para acumular para si riqueza ou honra, ou para buscar qualquer engrandecimento e posição temporal; a igreja está aqui para viver abnegadamente, e se fosse necessário, para morrer abnegadamente para a libertação das ovelhas perdidas, para a salvação dos homens perdidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Irmãos, eu lhes disse que a oração de Cristo na cruz foi completamente desinteressada. Ele não se incluiu nela. Assim deveria ser a vida de oração da igreja, a ativa intervenção da igreja em favor dos pecadores. Não deve viver jamais para seus ministros ou para si mesma mas, pelo contrário, deve fazê-lo sempre para os filhos perdidos dos homens. Vocês imaginam por acaso que as igrejas são formadas para manter ministros? Vocês concebem que a igreja existe nessa terra para que simplesmente se possa dar certo salário aos bispos e diáconos, regalias e cúrias, e não sei mais que outras coisas?</p>
<p style="text-align: justify;">Meus irmãos, seria bom que a instituição inteira fosse abolida se esse fosse seu único objetivo. O objetivo da igreja não é prover alívio externo para os mais jovens filhos da nobreza; quando não tenham cérebro o suficiente para ganhar de alguma outra maneira seu sustento, devem permanecer nas habitações familiares. As igrejas não são estabelecidas para que os homens de fácil palavra se coloquem de pé aos domingos e falem, e assim obtenham de seus admiradores o pão diário.</p>
<p style="text-align: justify;">E mais, existe outro fim e objetivo distintos desse. Esses lugares de adoração não são construídos para que vocês possam se sentar confortavelmente, e ouvir algo que lhes faça passar seus domingos agradavelmente. Uma igreja em Londres que não exista para fazer o bem nos bairros baixos, e nas guaridas e cubículos da cidade, é uma igreja que não tem razão para justificar sua existência por mais tempo. Uma igreja que não existe para resgatar do paganismo, para lutar contra o mal, para destruir o erro, para derrubar a falsidade, uma igreja que não existe para colocar-se do lado dos pobres, para denunciar a injustiça e sustentar no alto a justiça, é uma igreja que não tem o direito de existir.</p>
<p style="text-align: justify;">Você não existe para si mesma, ó igreja, assim como tampouco Cristo existiu para Si mesmo. Sua glória consistiu em que deixou de lado Sua glória, e a glória da igreja se dá quando deixa de lado sua respeitabilidade e sua dignidade, e considera que sua glória é atrair os rejeitados, e que sua mais excelsa honra é buscar, em meio da lama mais imunda as joias inestimáveis pelas quais Jesus derramou Seu sangue. Sua ocupação celestial é resgatar do inferno as almas e conduzi-las a Deus, à esperança, ao céu. Ó, que a igreja sentisse isso sempre! Que ela tenha seus bispos e seus pregadores, e que sejam sustentados, e que tudo seja feito decentemente e em ordem por Cristo, mas o fim deve ser considerado, quer dizer, a conversão dos desviados, a instrução dos ignorantes, a ajuda aos pobres, a manutenção do bem, o abatimento do mal e o sustento a qualquer custo da coroa e do reinado de nosso Senhor Jesus Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, a oração de Cristo tinha uma grande espiritualidade de propósito. Vocês notarão que não se busca nada para essas pessoas exceto aquilo que concerne a suas almas: “Pai, perdoa-lhes”. E eu creio que a igreja faria bem em lembrar que luta não é contra carne e sangue, nem com principados e potestades, mas sim com a maldade espiritual, e que o que deve oferecer não é a lei e a ordem pela qual os magistrados possam ser respaldados, ou as tiranias demolidas, mas sim o governo espiritual por quem os corações são conquistados para Cristo, e os juízos são submetidos a Sua verdade. Eu creio que quanto mais a igreja de Deus se esforça, diante de Deus, pelo perdão dos pecadores, e quanto mais busque em sua vida de oração ensinar aos pecadores o que é o pecado, e o que é o sangue de Cristo, e o inferno que os espera se o pecado não é limpo, e o que é o céu que é garantido a todos aqueles que são limpos do pecado, quanto mais se apegue a isso, melhor será.</p>
<p style="text-align: justify;">Prossigam como um só homem, meus irmãos, para assegurar a raiz do assunto no perdão dos pecados. Quanto a todos os males que afligem a humanidade, custe o que custar, participem na luta contra eles; a temperança deve ser mantida, a educação deve ser apoiada; as reformas políticas e eclesiásticas devem ser levadas  adiante na medida do tempo e do esforço disponível, mas a primeira ocupação de cada cristão e de cada cristã está com os corações e as consciências dos homens quanto a sua posição diante do Deus eterno, ó, que nada os aparte de sua parcela de misericórdia para almas imortais. Esse deve ser seu único negócio: devem dizer aos pecadores que o pecado os condenará, que só Cristo pode tirar o pecado, e devem fazer disso a única paixão de suas almas: “Pai, perdoa-lhes, perdoa-lhes! Faça com que eles saibam como devem ser perdoados. Faça com que sejam realmente perdoados, e que eu não descanse a menos que eu seja o instrumento de condução dos pecadores para serem perdoados, inclusive os mais culpados deles”.</p>
<p style="text-align: justify;">A oração de nosso Salvador ensina à igreja que se bem é certo que seu espírito deve ser de abnegação e que seu propósito deve ser espiritual, <i>o alcance de sua missão</i> deve ser ilimitado. Cristo orou pelos malvados, e que reação vocês tem se eu digo que foi pelos mais malvados dos malvados, essa turba lasciva que rodeava Sua cruz! Ele orou pelos ignorantes. Por acaso não disse: “Não sabem o que fazem”? Ele orou por Seus perseguidores; as próprias pessoas que estavam mais contra Ele, estavam mais próximas de Seu coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Igreja de Deus, sua missão não está direcionada aos poucos seres respeitáveis que se congregam em torno de seus ministros para escutar respeitosamente suas palavras; sua missão não é para a elite e para os ecléticos, os inteligentes que criticarão suas palavras e farão juízos sobre cada sílaba de seu ensino; sua missão não é para aqueles que o tratam amavelmente, generosamente, afetuosamente, quero dizer, não somente para esses, ainda que certamente é para esses como parte do resto; mas seu grande encargo certamente é para a rameira, para a prostituta, para o ladrão, para o blasfemo e para o bêbado, para os mais depravados e pervertidos. Ainda que ninguém mais se preocupe por eles, a igreja sempre deve fazê-lo, e se alguém deve ocupar o primeiro lugar em suas orações, deveriam ser esses que, ai, são geralmente os últimos em nossos pensamentos. Devemos considerar diligentemente aos ignorantes. Não basta que o pregador pregue de tal forma que os que são instruídos desde sua juventude possam entendê-lo; ele tem que pensar naqueles para os quais as frases mais comuns da verdade teológica são tão carentes de significado como o gíria de uma linguagem desconhecida; ele tem que pregar com o objetivo de conseguir a mais mínima compreensão; e se os muitos ignorantes não se aproximam para ouvi-lo, ele deve usar os melhores meios que possa para induzi-los, e mais, para forçá-los a ouvir as boas novas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Evangelho também está dirigido para aqueles que perseguem a religião; aponte suas flechas de amor contra os corações de seus inimigos. Se existe alguns aos quais devemos buscar primeiro para levá-los a Jesus, deve ser justamente àqueles que estão mais longe e mais opostos ao Evangelho de Cristo. “Pai, perdoa-lhes, ainda que não perdoes a ninguém mais, agrade-se em perdoar <i>a eles</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">De igual forma, a igreja deve ser veemente como Cristo o foi; e se o fosse, advertiria rapidamente qualquer base de esperança naqueles com que trata e observaria qualquer argumento que pudesse usar para Sua salvação.</p>
<p style="text-align: justify;">A Igreja também tem de estar <i>cheia de esperanças</i>, e certamente nenhuma igreja teve jamais uma esfera mais esperançosa do que a igreja da época presente. Se a ignorância é um argumento para com Deus, olhem aos pagãos desse tempo; milhões deles jamais ouviram o nome do Messias. Perdoa-lhes, grandioso Deus, verdadeiramente eles não sabem o que fazem. Se a ignorância constitui alguma base para esperança, existe suficiente esperança nessa grande cidade de Londres, pois, por acaso não temos centenas de milhares para os quais as verdades mais simples do Evangelho seriam as maiores novidades?</p>
<p style="text-align: justify;">Irmãos, é triste pensar que esse país ainda está sob o manto da ignorância, mas o aguilhão de um fato tão terrível é entorpecido pela esperança quando lemos corretamente a oração do Salvador; ela nos ajuda a esperar enquanto clamamos: “<i>Perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem</i>”. A atividade da igreja tem de ser buscar aos mais caídos e aos mais ignorantes, e buscá-los perseverantemente. Ela não deve jamais deter sua mão de fazer o bem. Se o Senhor viesse amanhã, não existe razão para que vocês, pessoas cristãs, se convertam em meros faladores e leitores, reunindo-se para o consolo mútuo, e esquecendo-se das miríades de almas que perecem. Se fosse certo que esse mundo pode se fazer em pedaços em algumas semanas e que Napoleão III é a besta apocalíptica, ou se não fosse certo, não me importa absolutamente, isso não modifica meu dever em nada, nem muda meu serviço. Que meu Senhor venha quando queira, pois enquanto eu trabalhe para Ele, estou pronto para Sua vinda. O propósito da igreja segue sendo ainda de vigiar pela salvação das almas. Se ela ficasse contemplativa, como os profetas modernos gostariam que o fizesse, se estivesse disposta para entregar-se a interpretações especulativas, ela faria bem em temer a vinda de seu Senhor; porém, se você continua fazendo seu trabalho, e com um labor estafante busca as preciosas joias de seu Senhor, você não será envergonhada quando o Esposo vier.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu tempo foi muito breve para um tema tão vasto como o que eu abordei, mas gostaria de poder dizer umas palavras que fossem tão fortes como o trovão, com um sentido e uma veemência tão poderosa como o raio. Gostaria de poder motivar a cada cristão aqui presente e avivar nele uma ideia correta do que é seu trabalho como parte da igreja de Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus irmãos, vocês não devem viver para si mesmos; a acumulação de dinheiro, a educação de seus filhos, a edificação de casas, a obtenção de seu pão diário, tudo isso vocês podem fazer; mas tem de existir um propósito maior do que esse se vocês devem ser semelhantes a Cristo como deveriam, já que foram comprados com o sangue de Jesus. Comecem a viver para os outros, façam evidente para todos os homens que vocês mesmos não são o fim de tudo nem o ser de toda sua própria existência, mas antes gastem o que é seu e ainda vocês mesmo se gastarão do tudo para que pelo bem que fazem aos homens Deus seja glorificado e Cristo veja em vocês Sua própria imagem e fique satisfeito.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>III.</b> O tempo já me esgotou, mas o último ponto é uma palavra de SUGESTÃO PARA OS NÃO CONVERTIDOS.</p>
<p style="text-align: justify;">Escutem atentamente essas frases. As farei tão suaves e condensadas quanto seja possível. Alguns dos presentes aqui não são salvos. Agora, alguns de vocês foram muito ignorantes e quando pecaram não sabiam o que faziam; vocês sabiam que eram pecadores, sabiam disso, porém não conheciam o grande alcance da culpa do pecado. Não frequentaram a casa de oração por longo tempo, não leram suas Bíblias, não possuem pais cristãos. Agora estão começando a se ansiarem pelas suas almas. Lembrem que sua ignorância não os desculpa; de outra maneira Cristo não diria: “Perdoa-lhes”; pois inclusive aqueles que não sabem o que fazem tem de ser perdoados; daí que sejam individualmente culpados; mas ainda assim essa sua ignorância lhes dá justamente um pequeno raio de esperança. Deus passou por alto os tempos de ignorância, mas agora manda a todos os homens em todo lugar que se arrependam. Fazei, pois, frutos dignos de arrependimento. O Deus a quem esqueceram ignorantemente está disposto a perdoar e pronto a absolver. O Evangelho é justamente isso: confiem em Jesus Cristo que morreu pelos culpados, e serão salvos. Ó, que Deus os ajude a fazer isso essa manhã, e vocês se converterão em homens novos e mulheres novas; uma mudança terá lugar em vocês igual que a um novo nascimento; serão novas criaturas em Cristo Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, ah meu amigo, existem alguns presentes para os quais Cristo mesmo não poderia fazer essa oração, ao menos no sentido mais amplo: “<i>Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”</i>, pois vocês sabem o que fazem e cada sermão que ouvem, e especialmente cada impressão que é gravada em seu entendimento e em sua consciência pelo Evangelho aumenta sua responsabilidade, e lhes suprime a escusa de não saber o que fazem. Ah senhores, vocês sabem que aí estão o mundo e o Cristo, e que não podem ter a ambos. Vocês sabem que ai está o pecado e também Deus, e que não podem servir ambos. Vocês sabem que está ai o prazer do mal e os prazeres do céu, e que não podem ter aos dois. Ó, à luz que Deus lhes deu, que também se uma a Seu Espírito e lhes ajude a escolher aquilo que a verdadeira sabedoria os induzirá a escolher. Decidam hoje por Deus, por Cristo, pelo céu. Que o Senhor os conduza a decidir isso por causa de Seu nome. Amém.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>Porção da Escritura lida antes do sermão: Mateus 23:1-37</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA</i></b><i></i></p>
<p style="text-align: justify;"><b>FONTE</b>:</p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de <a href="http://www.spurgeon.com.mx/sermon897.pdf">http://www.spurgeon.com.mx/sermon897.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;">Titulo original: <i>La Primera Palabra desde la Cruz (THE FIRST CRY FROM THE CROSS)</i></p>
<p style="text-align: justify;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.</p>
<p style="text-align: justify;">Sermão nº 897 — Volume 15 do <i>The Metropolitan Tabernacle Pulpit, </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: Armando Marcos Pinto</p>
<p style="text-align: justify;">Capa: Victor Silva</p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>Projeto Spurgeon &#8211; Proclamando a Cristo crucificado. </b></p>
<p style="text-align: justify;">Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados. Acesse em<b>: </b><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/">www.projetospurgeon.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i> </i></b></p>
<table width="582" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="582"><i>Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Spurgeon” como fonte, bem como o link do site </i><a href="http://www.projetospurgeon.com.br/"><i>www.projetospurgeon.com.br</i></a><i>. Caso você tenha encontrado esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material</i></td>
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<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
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