Uma Pergunta de Natal – Sermão N° 291

Nº 291

Sermão pregado na manhã de domingo,
25 de dezembro de 1859

por Charles Haddon Spurgeon

Exeter Hall, Strand, Londres.

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Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado.”  (Isaías 9:6)

Em outras ocasiões expliquei a parte principal deste versículo: “e o governo está sobre os seus ombros, e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte.” Se Deus me permitir, em alguma ocasião futura, espero pregar sobre os outros títulos, “Pai eterno, Príncipe da paz.” Mas esta manhã, a porção em que poremos nossa atenção é esta: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu.” A frase é dupla, porém, não contém nenhuma tautologia. O leitor cuidadoso logo descobrirá uma distinção; é uma distinção que mostra uma diferença. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu.”

Como Jesus Cristo foi um menino em Sua natureza humana, nasceu gerado pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria. Nasceu como sendo verdadeiramente um menino, como qualquer outro homem que tenha vivido sobre a face da terra. Então, Ele é em Sua humanidade um menino nascido. Mas como Jesus Cristo é o Filho de Deus, não é nascido, mas dado, gerado por Seu Pai desde antes de todos os mundos, gerado, não criado, da mesma natureza que o Pai. A doutrina da eterna condição de Filho de Deus deve ser recebida como uma verdade indubitável da nossa santa religião. Porém, quanto a dar uma explicação para isso, nenhum homem deveria se aventurar a fazê-lo, pois permanece em meio às coisas profundas de Deus: na verdade é um desses solenes mistérios que os anjos não se atrevem examinar nem desejam esquadrinhar. Um mistério que não devemos tentar examinar a fundo, pois está totalmente fora do entendimento de qualquer ser finito. É o mesmo que um mosquito tentar beber o oceano, uma criatura finita tentar compreender o Deus Eterno. Um Deus que pudéssemos compreender não seria Deus. Se nós pudéssemos agarrá-Lo, não poderia ser infinito: se pudéssemos entendê-Lo, então, não seria divino. Portanto, eu digo que Jesus Cristo, como um Filho, não nos é nascido, mas dado. Ele é uma dádiva que nos é concedida, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou Seu Filho Unigênito ao mundo.” Ele não nasceu neste mundo como Filho de Deus, mas foi enviado, ou foi dado, de tal forma que vocês podem perceber que a distinção é muito sugestiva e nos transmite verdade em grandes quantidades. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu.” Continue lendo