Um Salmo para o Ano Novo – Sermão N° 427

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N° 427

Sermão pregado na manhã de Domingo, 5 de janeiro de 1862

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“Antes, cresçam na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória agora e para sempre”

2 Pedro 3:18

Considerem, amados, nossos riscos perenes. Aonde poderíamos ir para escapar do perigo? Para onde fugiríamos às pressas para evitar a tentação? Se nos aventuramos nos negócios, o mundanismo aí está. Se nos recolhemos em nossas casas, as provas nos esperam lá. Alguém poderia imaginar que nos verdes pastos da Palavra de Deus haveria uma segurança perfeita para as ovelhas de Deus; pensamos que, certamente, que não haverá nenhum leão ali e que nenhum animal feroz subirá até este lugar. Ai! Mas não é assim, pois, inclusive agora enquanto estamos lendo a Bíblia continuamos expostos ao perigo. Não que a verdade seja perigosa, mas que nossos corações corruptos podem encontrar veneno nas próprias flores do Paraíso. Atentem para o que diz nosso apóstolo acerca das cartas de São Paulo: “nas quais há algumas coisas difíceis de entender” (2 Pedro 3:16). E atentem para o perigo ao qual estamos expostos, não aconteça que, sendo ignorantes e instáveis, pervertamos inclusive a Palavra de Deus para nossa própria destruição. Ainda com a Bíblia ante nossos próprios olhos podemos cometer pecado e, meditando sobre as santas palavras da inspiração, podemos receber uma ferida mortal proveniente do “erro dos iníquos”. Ainda junto aos cantos do altar, necessitamos que Deus nos cubra com a sombra das Suas asas. É uma reflexão muito reconfortante que nosso benigno Pai tenha disposto um escudo que pode proteger-nos de todo o mal, e que o mal da heterodoxia encontre em nosso texto uma apropriada prevenção. Continue lendo

Uma Benção de Ano Novo – Sermão Nº 292

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Sermão pregado na manhã de Domingo, 1º de Janeiro de 1860,

por Charles Haddon Spurgeon.

Em Exeter Hall, Strand, Londres.

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“Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça.” 1 Pedro 5:10.

O apóstolo Pedro passa da exortação para a oração. Ele sabia que a oração marca o fim da pregação no ouvinte, mas que a pregação do ministro deve ir sempre acompanhada de oração. Havendo exortado os crentes a caminhar com firmeza, dobra os seus joelhos e os encomenda à vigilância zelosa do céu, implorando sobre eles uma das maiores bênçãos que o coração mais afetuoso alguma vez haja suplicado.

O ministro de Cristo deve exercer dois ofícios ao povo que está ao seu cargo. Deve lhes falar por Deus e falar a Deus por eles. O pastor não terá cumprido, todavia, com toda a sua sagrada comissão quando tiver declarado todo o conselho de Deus. Somente terá cumprido uma metade. A outra parte deverá desempenhar em segredo, quando carregar em seu peito, como o sacerdote nos tempos antigos fazia, as necessidades, os pecados, as provações e as súplicas de seu povo diante de Deus. O dever diário do pastor cristão consiste por um lado em orar por seu povo, e por outro em exortar, instruir e consolar a esse povo.

Há, contudo, situações especiais quando o ministro de Cristo se vê constrangido a pronunciar uma bênção incomum sobre seu povo. Quando um ano de tribulação passa e outro ano de misericórdia começa, podemos expressar nossos sinceros agradecimentos por Deus ter nos preservado, e nossas fervorosas súplicas por milhares de bênçãos sobre as cabeças daqueles a quem Deus encomendou debaixo do nosso cuidado pastoral.

Esta manhã, tomei este texto como uma bênção de ano novo. Vocês sabem que um ministro da Igreja da Inglaterra sempre me proporciona o tema para o novo ano. Ele ora muito antes de selecionar o texto, e eu sei que hoje está oferecendo esta precisa oração por todos vocês. Ele constantemente me favorece com um tema, e sempre considero meu dever pregar sobre ele, e desejar que meu povo o recorde ao longo de todo o ano para que sirva de apoio no tempo de sua tribulação, como um delicioso manjar, como uma bolacha com mel, como o pedaço do alimento de um anjo, que possa pôr sobre a sua língua e levá-lo até que finalize o ano, para logo recomeçar com outro doce texto. Que bênção maior poderia ter escolhido meu amigo ancião, de pé hoje em seu púlpito, levantando mãos santas para pregar ao povo em uma pacífica igreja camponesa? Que bênção maior poderia implorar ele para os milhares de Israel, que esta bênção que em seu nome pronuncio sobre vocês neste dia: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça.”

Ao pregar sobre este texto, terei que explicar: primeiro o que o apóstolo pede ao céu; e logo, em segundo lugar por que espera recebê-lo. A razão de sua esperança, de receber o que pede, está contida no título que utiliza para se dirigir ao Senhor seu Deus: “MAS O DEUS DE TODA A GRAÇA, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo”. Continue lendo

Não Havia Lugar para Cristo na Hospedaria – Sermão N° 485

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Sermão pregado na manhã de Domingo, 21 de Dezembro de 1862

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“E deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” Lucas 2:7

Era necessário que ficasse claramente comprovado, de maneira incontestável, que nosso Senhor procedia da tribo de Judá. Era necessário também que nascesse em Belém-Efrata, conforme a palavra de Deus, a qual havia falado por meio do Seu servo Miquéias. Mas, como se obteria um reconhecimento público da linhagem de um obscuro carpinteiro e de uma virgem desconhecida? Que interesse se supõe que poderiam ter os encarregados dos registros em duas pessoas tão humildes como elas? Quanto ao segundo ponto, Maria vivia em Nazaré da Galileia, e tudo parecia indicar que o nascimento aconteceria ali; na verdade, o período de dar a luz estava tão próximo que, a menos que se visse absolutamente obrigada, não era provável que fizesse uma viagem longa e tediosa à província meridional da Judéia. Como haveriam de conciliar esses dois pontos? É possível, lentamente, alcançar dois objetivos? Se pode fazer! Se fará! O selo oficial do Império Romano ficará estampado na árvore genealógica do Filho de Davi que haverá de nascer, e Belém contemplará Sua natividade. Para mostrar um espírito independente, um tirano menor, Herodes, ofende ao tirano maior, Augusto. Augusto lhe informa que não o tratará mais como amigo, mas como um servo, e ainda que Herodes se submeta à mais abjeta submissão, e ainda que seus amigos na corte de Roma intercedam por ele, Augusto, para mostrar seu desgosto, ordena que se faça um censo de todo o povo judeu, como preparação a um planejado regime tributário, o qual, contudo, não foi levado a cabo cerca de dez anos depois. Nem sequer os ventos e as ondas são mais inconstantes que a vontade de um tirano, mas o Governante das tempestades sabe como governar os perversos espíritos dos príncipes. Continue lendo

A Inclinação da Carne é Inimizade Contra Deus – Sermão nº 20

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Sermão pregado na manhã de domingo, 22 de Abril de 1855.

Por Charles Haddon Spurgeon,

no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

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“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus.”  Romanos 8:7

Esta é uma denúncia muito solene que o apóstolo Paulo formula contra a mente carnal. Ele a declara como inimiga de Deus; e quando relembramos o que o homem foi uma vez, considerado apenas um pouco menor do que os anjos, aquele companheiro que passeava com Deus no jardim do Éden durante o dia, quando pensamos que o homem foi criado à imagem de seu Criador, puro, sem mancha e imaculado, não podemos nos sentir nada menos do que amargamente aflitos ao descobrir uma acusação como esta, proferida contra todos nós como seres humanos. Devemos pendurar nossas harpas sobre os salgueiros ao ouvir a voz de Deus, quando fala solenemente à Sua criatura rebelde.

“Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Esteve no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura,… em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.” (Isaias 14)

Sentimos-nos extremamente tristes quando contemplamos as ruínas de nossa humanidade. Como o cartaginense ao olhar o lugar desolado de sua mui amada cidade, derramou lágrimas abundantes quando a viu convertida em escombros pelos exércitos romanos – ou como o Judeu que perambulava pelas ruas desertas de Jerusalém, enquanto lamentava que o arado terrível desfigurou a beleza e a glória dessa cidade que era a alegria de toda a terra, assim deveríamos doer em nós mesmos, e por nossa raça, quando contemplamos as ruínas dessa excelente estrutura que Deus formou, essa criatura sem rival em simetria, com um intelecto superado somente pelo intelecto dos anjos, esse poderoso ser, o homem, quando contemplamos como caiu, e caiu de sua elevada condição, convertido em uma massa de destruição. Continue lendo

Recrutas para o Rei Jesus – Sermão Nº 3533

RECRUTAS PARA O REI JESUSNº 3533

Um Sermão pregado por

Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

Publicado quinta-feira, 12 de outubro de 1916.

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“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele foi feito chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” 1 Samuel 22;1,2

 Davi, nas cavernas de Adulão é um tipo de nosso Senhor Jesus Cristo, que foi desprezado e menosprezado entre os filhos dos homens. Cristo é o ungido de Deus, porém os homens não percebem essa unção. Ele é perseguido por seu grande inimigo, o mundo, assim como Davi foi perseguido pro Saul, e agora prefere morar na caverna de Adulão a assentar-se em seu trono. Quando Davi experimentava sua desonra foi o momento preciso em que seus verdadeiros amigos ficaram em torno dele. Da mesma maneira, nesta hora quando o nome de Cristo é coberto de muita desonra e censura, é o momento preciso que os verdadeiros seguidores do Salvador se recolham em torno a Seu estandarte e defendam Sua causa. Unindo-se a Davi depois de que fora coroado rei, teria sido uma ação irrelevante; os filhos de Belial poderiam fazê-lo; porém aliar-se com Davi quando se viu obrigado a ocultar-se de seus cruéis inimigos nos refúgios do monte, comprovava que aqueles homens eram verdadeiros amigos e leais súditos de Davi.

Bem-aventurados aqueles a quem lhes é concedido alistar-se sob o estandarte de Cristo nesse presente momento; bem-aventurados aqueles que não têm vergonha de confessá-Lo diante dos filhos dos homens e nem de tomar valorosamente Sua Cruz, e bem-aventurados aqueles que sofrem as perdas e perseguições que a Sua providência lhe agrade ordenar que enfrentem. Posto que essa noite eu não me proponho a falar-lhes sobre Davi, senão sobre o mais grandioso Filho de Davi, permitam-me pronunciar algumas palavras iniciais, dirigidas a:

 1. QUEM JÁ SE ALISTOU NESSA TROPA BENDITA.

Entre aqueles membros da tropa de Davi, sobressaem os seus irmãos e os homens da casa de seu pai. Assim também, amados em Cristo, nós, os que temos sido chamados pela graça divina, somos considerados por Ele Seus irmãos e os homens da casa de Seu pai. Quando esteve aqui em baixo, olhando os discípulos ao seu redor, nosso bendito Senhor disse: “Aqui está minha mãe e meus irmãos. Porque todo aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe”. Tal a Sua condescendência, que não se envergonha de chamar-nos irmãos. Todos n quantos temos entregado nossos corações, todos quantos confiamos nele e lhe amamos, somos, real e verdadeiramente, Seus irmãos e os homens da casa de Seu Pai. Seu pai é nosso pai, Seu gozo é nosso gozo e Seu céu será nosso céu e breve.

Irmãos em Jesus Cristo, agora só lhes direi isso: ponhamos todo o empenho em confessar valorosamente nosso parentesco com Davi, nosso Senhor, e não nos envergonhemos nunca de defender a causa de Cristo. Há diferentes maneiras de fazer o papel de covardes; procuremos evitar todas elas. O ministro que tem suficiente valor quando prega diante da multidão, poderia sentir que seu lábio treme quando tem que falar a um indivíduo cara a cara. Oh, Deus, livra a Teus servos de essa forma de covardia! Também alguns entre vocês poderiam ser capazes de falar com uma ou duas pessoas, porém, talvez, se tivessem que se misturar com algum pequeno grupo promíscuo e tivessem que confessar sua lealdade a seu Senhor, permaneceriam calados e perderiam essa oportunidade por carecerem de valor. Deus livre também a Seus servos de essa outra forma de covardia. Em qualquer companhia, em qualquer ocasião e sob de qualquer circunstancias, sejam fiéis a seu Senhor. Não O neguem, antes o confessem abertamente diante dos filhos dos homens.

Quanto Ele merece ser reconhecido por nós, já que Ele se ocupou de nós e nos reconheceu quando éramos infinitamente indignos de que se fixar-se em nós! Oh, dez mil vergonhas deveriam cobrir nossos rostos ao pensar que, em qualquer momento, consideremos difícil reconhecer que ELE é nosso Deus e Senhor.

Orem pedindo força, meus irmãos; Eu estou certo de que isso nos faz falta. O valor parecia florescer naturalmente nos cristãos em tempos de perseguição; porém nesses dias brandos e sedosos de ressonante paz, vocês se misturam com a assim chamada sociedade que outorga tanta deferência à moda, e entram e saem de suas salas com tal presunção vã e conversam tão complacente com seus amigos, e são damas e cavalheiros tão bem educados em sua própria opinião, que frequentemente esquecem que são cristãos obrigados por honrar a guardar a fé e dar testemunho de Cristo.

Talvez seja mais fácil que os pobres confessem valorosamente o nome do Redentor, que as pessoas que desenvolvem em circunstância de maior prosperidade. Ai, ai! Se é que a boa fortuna põe em perigo sua fidelidade. Isto é perverso, na verdade. É lamentável ter que reprovar isto de um púlpito cristão. Deveria ser exatamente o contrário. Sua independência financeira não deveria escravizá-los. Deus livre àqueles que amam a Cristo, de qualquer coisa semelhante à timidez em conexão com o reino de Sua exaltada cabeça!

  Ao tempo que confessem valorosamente a Cristo, permitam-me exortá-los também a que se apartem do mundo e se unam a Cristo. Somos informados, quanto a Davi, que seus irmãos e os homens da casa de seu pai abandonaram o território de Saul e se foram à Adulão para estarem com os perseguidos. Façamos o mesmo.

  Ah, há uma conformidade demasiada com o mundo em torno de cada um de nós! Não vou tentar sinalar com o dedo a nenhum de meus irmãos, nem vou expor suas faltas, porém é necessário estar cego para não perceber que muitos cristãos fazem o mais que podem para serem tão mundanos como querem sê-lo, porém sendo consistentes com sua ideia de chegar ao céu ao final. Acaso não há muitas pessoas que em seu vestuário, no arranjo de suas casas e na condução de seus negócios, se conformam tão intimamente aos tempos e às modas, que se não foram conhecidos como cristãos por algumas outras evidências, jamais seriam classificados, por nenhum observador, como entre aqueles que estão ao lado do Senhor?

Não considero que seja possível que sejamos exageradamente desconformes com as máximas, os usos e as coisas vãs do presente século mal. Que significa este texto: “Saí de meio deles“? Acaso não bastava com isso? Não. “E apartai-vos“, não bastava com isso? Não: “e não toqueis no imundo”. A separação deve ser tão completa que tem que ocorrer um “Sair” e um “Cortar” de todo vínculo que mantenha alguma conexão com o mal, e devemos evitar a renovação de qualquer relação, incluindo a que for implicada pelo mais mínimo contato. Optem pela parte de Davi, vocês que amam a Davi. Renunciem a tudo por Davi, oh, vocês, homens cristãos! Se vocês amam a Jesus, devem saber que Ele vale dez mil mundos. Ele deve ser estimado mais que toda a pompa e alvoroço deste pobre mundo, ainda que seus encantos e seduções fossem multiplicados um milhão de vezes. Ele deve ser preferido infinitamente mais que a busca do sorriso dos grandes, ou do gozo do amor de seus amigos, ou da lisonja das boas opiniões de seus parentes. Portanto, lhes rogo que deixem tudo para seguir a Ele, e que abandonem todo o resto para agarrá-Lo, e somente a Ele.

Porém não estou me dirigindo, por acaso, à muitas pessoas que têm confessado a Cristo, que o confessam e que na verdade praticam mais ou menos cada dia de suas vidas uma abnegada desconformidade com o mundo? Oh, varões e irmãos, anelo que nosso sentido do dever se inflame até converter-se em um ardente entusiasmo! Não podemos fazer algo heróico ou enfrentarmos algo perigoso em sinal de nossa lealdade a Cristo? Meu coração se expande deveras por um forte desejo de ver neste lugar uma igreja que seja preeminente por sua consagração ao Capitão da nossa salvação. Acabo de orar pedindo isso. Se só déssemos algo de nossa vasta propriedade ou de nossa pouca ninharia, na medida em que todos nós devíamos dar, ou se só trabalhássemos para Cristo na medida em que Ele merece que o façamos, ou fizéssemos algo parecido a isso – se só vivêssemos para Cristo em qualquer medida em que a gratidão pudesse impulsionar-nos, que frente nós apresentaríamos e que poder exerceríamos!

Como uma grande igreja, como poderíamos influenciar esta grande cidade; que marca poderíamos deixar sobre nossa época! Porém, por que estou falando sobre toda a comunidade, quando eu mesmo, todavia, não tenho alcançado essa devoção pura? Ainda assim, Deus sabe que estou desejando seguir adiante. Pretendo esquecer o que há ficado para trás, entretanto meu esforço para avançar mais e seguir avançando.

 Irmãos, vocês recordam a história daqueles três valentes que, quando Davi suspirava por um gole de água do poço de Belém. Arriscaram suas vidas para consegui-lo. Acaso não há homens fortes aqui – homens de fé, homens de valor – que se atrevam a realizar proezas para meu Senhor? Ele clama pela conversão das almas; Nenhum de vocês se consagrará para essa obra? Acaso nenhum de vocês abrirá caminho através dos convencionalismos da sociedade em pós dos buscadores? Ele disse: “Dá-me de beber”, tal como lhe disse a mulher junto ao poço de Samaria, e Sua fé é saciada quando vê comprida a vontade de Seu pai. Acaso não há aqui homens fortes, valorosos e generosos que preguem a Cristo ai onde Ele nunca foi pregado antes? Houve outros homens entre os seguidores de Davi que realizaram façanhas como essas; um deles matou um leão em meio de um fosso, quando estava nevando, enquanto que de outro somos informados que matou a muitos filisteus e que o Senhor realizou uma grande vitória. E não poderíamos fazer algo que exceda e supere o serviço ordinário do Cristianismo Moderno? Me vergonha o cristianismo moderno. Seu ouro está virando opaco; seu ouro mais fino está mudando; sua glória tem partido.

Os primeiros cristãos estavam cheios de um entusiasmo que não poderiam tolerar a grande indiferença destes tempos. Eram tão devotos, tão intensos, tão apaixonados e tão cheios de um divino ardor pela extensão do reino do Redentor, que fizeram que sua influência fosse sentida onde quer que morassem, ou inclusive aonde estivessem em uma breve hospedagem. Que Deus nos envie agora algo desse sagrado zelo! Necessitamos mais do entusiasmo que ardia nos corações de Wesley e de Whitefield. Onde buscaremos agora o refulgente ardor e os incansáveis labores do Apóstolo Paulo? Onde estão agora os discípulos que imitam o zelo do bendito Senhor, cuja carne e cuja bebida era fazer a vontade daquele que o enviou? Que esse zelo seja dado a todos nós! Que Deus nos envie, que o envie agora, que nos envie aqui, que envie a mim, que envie a vocês, meus irmãos, e que Ele os enviem desde agora e ao longo de toda sua vida.

Não creio que precise dizer mais, a menos que seja para implorar-lhes que mantenham seu valor sabendo que estão envolvidos na causa de Cristo. Há uma grande luta que está acontecendo em nosso redor. A nação inteira se vê convulsionada de tempo em tempo por sérias perguntas nas quais estão grandemente envolvida a honra do Senhor Jesus Cristo. Que todos aqueles que O amam prossigam com resoluta integridade. Conveniência é a perversa palavra que descreve à moral elástica da época, porém, justiça é o principio eterno e sem desvios pelo o que o universo é governado. O reino de Cristo não é deste mundo. Deve a nós corresponder ajudar aos oprimidos, socorrer aos fracos e dá liberdade de consciência a todos os homens. Que Deus defenda o bem. Ele o defenderá. Se nossos nomes são suprimidos como malvados, se somos mal entendidos e mal interpretados, caluniados e difamados, que assim seja; não estamos surpresos nem nos sentimos desfalecidos. O bem deve ser mantido sempre, apesar da calúnia e do abuso. Porém, em nome de Deus, não sejamos medrosos nem covardes. Cumpramos sempre com nosso dever viril e legalmente. Mantenhamos nossa profissão alegremente. Estejamos de acordo com confiança e firmeza ao reino de nosso Senhor Jesus Cristo. A estrela de Davi está em ascensão e a casa de Saul se enfraquece mais e mais. Havendo-me dirigido assim aos soldados, passo agora, durante breves minutos a:

II. ATUAR COMO UM SAGERNTO RECRUTADOR

 

Além dos seus próprios parentes, havia outras pessoas que uniram a Davi. Agora, por que se uniram? Poderiam responder que por uma razão muito semelhante à que moveu muito de nós. Era porque tinham necessidade dele. Eles poderiam ter socorrido Davi porque seu caráter era muito bom e sua conduta muito reta. Poderiam ter o ajudado porque sua disposição era muito amável e benevolente. Eles poderiam ter se juntado sob seu estandarte porque era o ungido do Senhor. Eles ter unido sua sorte com Davi porque havia uma profecia e uma promessa de seu triunfo e de seu reino sobre a nação. Porém eles foram, realmente, influenciados por outros motivos. Vieram a Davi por três razões: Porque estavam afligidos, porque estavam endividados e porque se achavam em amargura de espírito. Eles buscaram refugio e socorro devido a um espantoso desânimo.

 Agora, talvez, haveria sido bom que eu lhes tivesse falado sobre o doce caráter do Senhor Jesus, porém, ainda que fizesse isso, vocês não viriam a Ele. Teria sido bom que lhes comentasse sobre as proezas do meu Senhor, e como venceu a Golias, e matou os inimigos que nos tiranizavam. Teria sido bom que lhes dissesse que Ele é o Salvador designado por Deus, que está destinado a reinar como Rei, e que quem lhe confessa agora será exaltado com Ele quando venha em Seu reino. Atrativo como poderia ser para algumas mentes, a atração principal é sempre que Ele é idôneo para vocês em suas presentes necessidades, nesses dilemas que agora pesam terrivelmente sobre suas almas. Então, me proponho dirigir-me aos três tipos de pessoas que são mais propensas a vir a Jesus, esperando que se aproveitem dessa hora propícia, e que se alistem sob Seu estandarte imediatamente, sem atraso nem dúvida.

  O primeiro tipo de pessoas que vieram a Davi foram o dos afligidos. Essas pessoas eram de “escassos recursos” como dizemos. Haviam gastado suas riquezas. Estavam em bancarrota. Tanto seus recursos como suas esperanças haviam se esgotado; portanto, vieram a Davi. Pareciam dizer: “Nosso caso é tão grave que não poderia ser pior; é melhor irmos à Davi”. O caso deles era como o de vocês, muito bem descrito em nosso hino:

“Poderia perecer se vou

 Porém estou resolvido a provar,

 Pois se permaneço longe, eu sei

 Que hei de morrer para sempre”

Eu sei que se encontram aqui algumas pessoas aflitas. Venho para recrutá-las para o andrajoso regimento do meu Senhor. É só assim que a esperança se dissipará, e só assim reviverá a esperança, pois sendo recrutados por Ele, podem recuperar o valor, embora pelejam Suas batalhas e recebam Sua benção.

 Vocês estão aflitos porque sentem que não têm nenhum mérito próprio. Esse sentimento é muito justo, pois não tem nenhum; nunca tiveram mérito algum e nunca terão nenhum. Em um tempo pensaram que eram tão bons com os demais, ou talvez pensaram mesmo ser melhores. Esse pensamento vão desapareceu agora. Suas boas obras, seus méritos, seus melhores empenhos, suas seletas orações, tudo isso se dissolve e já não se gloriam em nada. Venham a Cristo, então. Ele tem méritos para quem não tem nenhum. Sua causa é boa, ainda que a de vocês seja má. Vocês são o tipo exato de gente que Ele veio resgatar, a gente pela qual Ele morreu. Ele veio, não a chamar os justos, senão aos pecadores ao arrependimento. Na medida em que sejam evidentemente pecadores, venham; venham ao Salvador dos pecadores; coloquem sua confiança Nele, e vivam.

 Outros estão aflitos porque sentem que não possuem nenhum poder. Vocês dizem que não podem crer, que não podem se arrepender, de fato, dizem que não podem fazer nada que quiseram fazer. Entre mais o intentam, mais descobrem que são desprovidos de poder. Gostariam de orar, porém não pode fazê-lo; se sentem tão mortos, tão frios. Se tentam se mover, tudo parece acabar em uma decepção.

Bem, meus queridos ouvintes, Jesus Cristo morreu por aqueles que não tiveram nenhuma força, pois assim está escrito: “Porque Cristo, quando ainda éramos débeis, há seu tempo morreu pelos ímpios“. Oh, vocês, que não têm nenhum poder, tenham animo, porque Cristo é o poder de Deus! Há suficiente capacidade Nele para compensar toda a impotência de vocês. Venham, e se apóiem com toda sua atenuada debilidade sobre Seu irresistível poder e assim terão uma ministração para fornecer completamente tudo o que suas almas necessitam.

 Porém eu sei que há algumas pessoas presentes que estão afligidas porque, além de não terem nenhum mérito e nenhum poder, por não terem nenhuma sensibilidade. “Eu não sinto minha necessidade como deveria senti-la“. Disse outro. Oh, amado, Jesus Cristo veio para ressuscitar os mortos! Ele veio para dar sensibilidade a quem são inveterados e negligentes, e veio para converter os corações de pedra em corações de carne. Eu creio que aquelas pessoas que pensam que não sentem suas necessidades, são aquelas que realmente sentem mais sua necessidade. Não há um sentido de necessidade tão grande como quando um homem sente que não sente, e pensam que não percebe a profundidade de sua própria necessidade, pois então ele está evidentemente vivo quando a sua verdadeira condição. É possível que já existe dentro de vocês uma maior obra do Espírito Santo que em outras pessoas, cujo sentido de necessidade de amostra mais vividamente, ainda que se comprova ser menos duradouro. Não é depreciável essa profunda e terrível solicitação que os fazem temer porque não sentem, e que os fazem gemer porque não podem se afligir, pois, frequentemente, é uma experiência associada com as operações da graça do Espírito de Deus.

Se for assim em seu caso ou não, não dêem lugar ao desencorajamento, antes bem, creiam que Cristo pode salvá-los, pois Ele é capaz de fazê-lo e está disposto a fazê-lo. Se não podem vir com um coração quebrantado, venham por um coração quebrantado. Se não podem vir a Ele arrependidos, venha a Ele para receber o arrependimento, pois Ele é exaltado no alto para dar o arrependimento, assim como a remissão de pecados. Ele não exige nenhuma preparação da parte de vocês. Ele mesmo prepara toda a preparação requerida, que é a obra de seu Espírito em suas almas. Venham, então, vocês, que estão afligidos e desconfiados, vocês, que não têm nenhuma coisa boa que lhes recomende como criaturas, nem nenhum desejo bom que os façam menos pecadores; venham vocês, que são tão conscientemente maus que não se poderiam encontrar uma boa apologia para vocês, inclusive nem em sua própria estima, ainda se fossem torturados uma e outra vez. Venham a Jesus, tal como estão, todos os perdidos, arruinados, fracassados e golpeados pela pobreza; venham e confiem em meu Senhor, o Filho de Davi. A maneira de ser alistado no serviço de sua majestade, vocês o sabem, é “tomar o Xelim”[1]. A maneira de alistar-se no serviço de Cristo é simplesmente confiar nele. Não necessitas trazer nada nem pegar nada, senão simplesmente confiar Nele, e você se converterá em um soldado da Cruz.

As seguintes pessoas que vieram a Davi mencionadas no texto eram todas aquelas que estavam endividadas. Sinto-me constrangido a perdi-lhes aos que estão endividados que venham a Jesus. O homem que está muito endividado, diz: “tenho que pagar com minha vida; pequei, e Deus tem dito que o pecador tem que morrer. Entretanto, não posso permitir-me perder a vida. Como poderia atrever-me a morrer? Não tenho nenhuma esperança, nenhuma confiança com a qual atravessar as portas de ferro da morte; e logo, depois da morte, está o terror do juízo para minha alma, posto que tenho quebrantado a lei de Deus; e a lei me condena e exige meu exílio de Sua presença e minha destruição final. Que farei? Não posso pagar a dívida, e é terrível para mim o pensamento de ser jogado em uma prisão para sempre. Como, como, oh, digam-me como posso escapar?!

Ah bem! Eu estaria feliz, na verdade, se houvesse algumas pessoas aqui que reconhecessem, desta maneira, suas dívidas e sua incapacidade de pagá-las. Feliz o pregador que tenha que dirigir-se a uma audiência desperta desta maneira. Felizes os ouvintes que se sente comovidos por tais ansiedades esperançosas! Bem-aventurado seria em verdade nosso trabalho se sempre tivéssemos diante de nós aqueles que conhecem a dúvida do pecado, que sente sua aflição e demérito, e teme sua irremediável condenação. Aceitem o conselho, então; qualquer que seja sua dívida, seja grande ou pequena, venham e confiem em Jesus, e serão aliviados de sua responsabilidade. Venham e confiem Nele, que sofreu no lugar do pecador, e que foi castigado pelos ímpios, levando suas iniquidade em Seu próprio corpo no madeiro. Uma olhada para Ele, um olhar de fé, lhes revelara a transferência de toda dívida e de todo pecado de vocês para Ele. Vocês verão como os lança no Mar Vermelho de Seu sangue expiador, onde, ainda que fossem buscados, não serão encontrados nunca mais. Sinto-me constrangido a recrutar-te, pobre devedor, e vou tira-te da prisão do devedor para conduzir-lhe à mesa de meu Senhor. Os devedores em bancarrota constituem bons soldados para o rei; venham, então, sem maiores problemas, e alistem-se no exercito do Rei.

 Outra categoria de homens que vieram a Davi foi a daqueles que se acharam em amargura do Espírito. Existem essas pessoas, e não temos que ir longe para encontrá-las. Por lá está alguém a quem gostaria de falar agora: Há muito pouco tempo tu eras um jovem feliz. Podias manter todo o tipo de orgias, e tinhas pouca cautela contra o pecado, pois desfrutavas todos os teus pecados. Agora você não pode fazer isso. Não entendes a razão dele, porém o agudo fio de seu apetite parecia haver-se enfraquecido e seu gosto pela dissipação tem se dissipado. Aqueles companheiros que uma vez foram personagens especialmente joviais, hão cessado de alegrar-te com sua prática; agora já não desfruta da sua conversação incoerente, pois lhe parece muito  insípida, e rançoso e néscia. Já não pode riste de suas brincadeiras obscenas, nem beber a grandes goles da taça borbulhante, como costumava fazer antes. Tem estado atrás do cenário deste pobre mundo, e sentido lástima das pálidas bochechas que estão pintadas com o matriz de uma florescente juventude. Tem ouvido os pesados suspiros de quem lançam as joviais gargalhadas, e sido testemunha de tanto desfazer dissoluto que está cheio de um triste desgosto. Você tem visto o suficiente passa saber como haverá de acabar. Não é uma surpresa que esteja descontente. Você é homem que necessito, seu ouvido é o que quero interessar, seu coração é o que desejo alcançar. É algo bem-aventurado quando um homem se torna descontente com esse mundo vão, pois então, talvez, busque outro mundo, uma esfera mais brilhante e melhor. Quando está enfadado de si mesmo de seus néscios companheiros, então, tal vez, faça amizade com o exilado, porém ungido homem de Belém, e encontre Nele um amigo, um conselheiro que será seu ajudador que lhe fale amavelmente, que lhe aconselhe sabiamente e que guie-lhe triunfantemente, até chamá-lo a participa no reino de Sua glória.

Vocês estão descontentes de vocês mesmos. Suas próprias reflexões os repreendem amargamente. Quando se sentam para pensar um pouco – um hábito que, talvez, adotaram só recentemente – descobrem que as coisas estão fora de seu lugar. Não podem sentir-se satisfeitos. Estranhos esforços e múltiplas suspeitas os deixam perplexos, e não obtêm nenhuma paz. Por minha parte eu estou agradecido, mil vezes agradecido, porque vocês estão sendo conduzidos a estarem tão incomodados quando havia tantas causas para o desassossego. Agora há alguma esperança de que confiem seu futuro e seu destino ao Filho de Davi. Que alcancem os oferecimentos de Sua graça e que sejam salvos por Ele.

 Lembro-me de um velho marinheiro que, depois de haver sido um bêbado e um blasfemo e todo o que era mal, durante quase sessenta anos, ouviu um sermão evangélico que tocou seu coração, e quando passou à frente para fazer uma profissão de sua fé em Cristo, disse: “Tenho navegado durante sessenta anos para um empresário muito perverso, e debaixo de uma bandeira muito malvada, porém agora tenho levado ao convés uma nova carga, e me dirijo para um porto muito diferente, debaixo de um estandarte muito diferente” Confio que assim suceda rapidamente a alguns de vocês, a saber, que mudem sua carga, que mudem sua bandeira e mudem tudo.

 Depois de pregar um dia na Capela Wesleyana de Boulogne, faz algum tempo, uma pessoa me reconheceu, e comentava como havia encontrado a Cristo como resultado da leitura dos sermões e, naquele momento, um velho marinheiro aproximou-se e me disse: “Me reconhece? Meu nome foi uma vez ‘satanás’; eu o recordo bem de você. Agora, ‘satanás’ assistiu aqui um domingo pela manhã, e merecia justificadamente seu nome, pois era tão parecido com ‘Satanás’ como podia ser um homem.” Havia-se sentado alí, e depois do sermão, o Senhor tocou ao velho ‘Satanás’ e lhe deu outro nome. Aquele homem veio a Cristo porque estava descontente consigo mesmo, e então se entregou a Jesus, e foi salvo por Ele.

Acaso não há aqui nenhum velho marinheiro que faça isso agora? Não poderia ter algum marinheiro, algum soldado, algum forasteiro em algum lugar aqui, que diga essa noite: “Vou me aproximar do Rei, e vou pedir-lhe que me aceite, inclusive a mim?”. Se não lhe aceitasse, por favor, faça-nos saber, porém todavia não encontramos nunca um caso em que Jesus rejeita um pobre pecado que veio à Ele. Ele disse: “Ao que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.” Se lhe deixasse fora, seria algo novo que ocorreria debaixo do céu. Porém Ele não pode fazê-lo. Ainda que você estivesse negro por ter manchado-se pelo pecado, porém, se você viesse à Ele, você seria conduzido ao peito do salvador, seria lavado na fonte repleta de sangre, seria lançado à uma nova corrida, e seria ajudado a servi-Lhe todos os seus dias.

Porém tenho que chegar a uma conclusão. Até aqui tenho me dirigido ao povo do Senhor; tenho estado insistindo para conseguir recrutas para o Rei Jesus, e agora quero:

III. Dizer aos recrutas algo SOBRE O SERVIÇO, e logo concluirei. Lembrem das últimas palavras do texto: “E foi feito chefe deles”. Quem quer, então, que venha a Cristo, tem que submeter-se às regras de Cristo. Quais são? Uma das primeiras regras é: “Você não deve ser absolutamente nada, e o Rei Jesus deve ser tudo” Você se submeteria a isso: que não tenha honra, que não assuma nenhum crédito, que nunca se apoiará em sua própria força ou sabedoria, senão que tomará Jesus para que seja feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção? Espero que não dê coices contra isso.

 Outra das regras de nosso Senhor em Seu reino é que: Se o ama, deves guardar Seus mandamentos. Depois de confiar Nele, tem de obedecê-lo. Um dos mandamentos é, que deve ser batizado. Não tropece nisso! Eu penso que se existe algo claro nas Escrituras, só posso falar por mim mesmo, pois não posso falar por mais ninguém, é que todo crente deve ser submergido em água como uma confissão de sua fé. Penso que é a mesma dúvida que a deidade de Cristo tenha sido declarada, como duvidar que o batismo do crente seja obrigatório, pois o primeiro me parece que é revelado tão claramente nas Escrituras, como o segundo. Rogo-lhe, irmão, que não desobedeça aos mandamentos do Senhor, antes bem, que recorde o Evangelho que pregamos: “o que crê é for batizado, será salvo“. Apegue-se aos dois pontos, e reivindiquem a promessa.

Em seguida virá a Mesa do Senhor, da qual, se vocês se unem a Cristo, têm o direito de participar. Não o esqueçam. Docemente lhes lembrará de tudo o que seu Salvador tem feito e sofrido por vocês. Não é nada mais que um lembrete; porém cuidem-se de não negligenciar um memorial tão bendito. Todos os preceitos e estatutos do nosso Senhor Jesus Cristo têm de ser obedecidos de coração. Ainda que Cristo abra um hospital para todos os enfermos, Ele não tem a intenção de que vocês sejam sempre uns desabilitados, senão que Seu propósito é sará-los, e depois disso, é ensinar-lhes como caminhar. Ele funda o Seu reino como Rômulo fundou Roma. Ele recebe a todos os vagabundos da vizinhança, porém então os converte em homens novos. Da mesma maneira, aqueles que são recolhidos entre os marginais, deverão ser convertidos em pessoas fiéis em Cristo Jesus.

Bêbado, tem que acabar com suas taças. Blasfemo, sua boca deve ser limpa; não deve expressar mais seus sujos juramentos. Vocês que têm se entregado aos prazeres carnais, devem ser expurgados de todas suas impurezas. Vocês, que têm sido frívolos e joviais, devem renunciar a essas coisas vãs e perseguir os interesses eternos, solenes e essenciais. Vocês, que antes tinham corações duros, precisam pedir ao Mestre que os faça brandos, e qualquer coisa que Ele lhes diga, têm que fazê-la.

 Agora, meu jovem recruta, que dizes disso? Vocês, que querem levar o nome de Cristo e chegar ao céu, estão dispostos a vir a Ele e se entregarem a Ele, abandonando a partir de agora todos seus pecados? Aquele que não renuncia a seus pecados comete um grave erro se pensar escapar da irar de Deus, ou se espera encontra graça a Seus olhos.

  Oh, você não quer renunciar a teus pecados? São víboras; unicamente envenenaram Sua alma; destruirão-lhe. Oh, homem, renuncie a Eles! Renuncie a eles, pois de que te serviria conservá-los, se perdesse sua própria alma? Vem a Jesus primeiro. Confia em Seu mérito; apoie-se em Seu sangre precioso e logo, com Sua ajuda, renuncie a todo caminho mau, e busca obedecer-lhe, que têm lhe redimido com Seu sangue. Assim, a benção do Senhor estará contigo para sempre. Amém.

ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

FONTE

Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon3533.pdf

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público

 

Sermão nº 3533— RECRUITS FOR THE KING,  do volume 62 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,

Tradução: Felipe Araujo

Revisão e diagramação: Armando Marcos Pinto

Capa: Victor Silva


[1] Tomar o xelim: termo usado no século 18 e 19 que significava que um homem concordou em servir como um soldado ou marinheiro; Xelim era uma unidade financeira inglesa equivalente a centavos no sistema brasileiro (N.R)

A Membresia da Igreja – Sermão Nº 3411

CAPA a membresia da igrejaNº 3411

Sermão pregado na noite de 24 de Outubro de 1869

por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.
E publicado em 18 de Junho de 1914

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“E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus. 2 Coríntios 8:5.”

Algumas pessoas estão tratando sempre de comprovar o que é costume na igreja cristã. Em todo o tempo, estão buscando exemplos e precedentes. O pior do caso é que muitas dessas pessoas buscam coisas antigas que não são suficientemente antigas; as coisas antigas da Igreja de Roma, por exemplo, seus costumes e ordenanças medievais, que não são outra coisa senão um autêntico disparate. Se quisessem coisas verdadeiramente antigas e sólidas, elas deveriam regressar aos tempos apostólicos. O melhor livro de história da Igreja para fazer cópia do ritual, do verdadeiro ritual, é o livro dos Atos dos Apóstolos, e quando a Igreja cristã apelar para esse livro, ao invés de inquirir sobre o que os cristãos primitivos dos séculos dois e três fizeram, então sim, se aproximarão muito mais do real conhecimento do que devem fazer.

Agora, nosso texto nos fala de um antigo costume dos dias dos apóstolos. Aqueles que se convertiam em cristãos se entregavam primeiramente ao Senhor, e logo em seguida se entregavam à Igreja, de acordo com a vontade de Deus. Vamos ponderar essas coisas na sua ordem. Claro que iremos refletir primeiro sobre o ponto central e mais importante: esta ação de valor e beleza a tudo que segue e é seu fruto: Continue lendo

Segurança Garantida em Cristo – Sermão N° 908

Segurança Garantida em CristoN° 908

Sermão pregado na manhã de Domingo, 2 de Janeiro de 1870

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“Eu sei em quem tenho crido, e estou seguro que é poderoso para guardar meu depósito para aquele dia.”

2 Timóteo 1:12.

No estilo dessas palavras apostólicas há uma certeza sobremaneira revigorante nessa época entregue a dúvida. Em certos círculos da sociedade é raro encontrar-se hoje em dia com alguém que creia em algo.

O filosófico, o correto, o que está na moda em nossos dias é duvidar de tudo que geralmente é aceito; certamente quem sustém algum credo, do tipo que seja, são catalogados pela escola liberal como dogmáticos antiquados, como pessoas superficiais de um intelecto deficiente e mui defasados com respeito a sua época.

Os grandes homens, os homens de pensamento, os homens de cultura elevada e gosto refinado consideram que é sábio suspeitar da revelação; e escarnecem qualquer solidez de crença. Os condicionais “se” e “mas”, os “talvez” e os “porventura” são o deleite e o supremo dessa época. Havia de nos surpreender que os homens encontrem que tudo é incerto quando recusam submeter seus intelectos as declarações do Deus da verdade? Continue lendo

Um Apelo Urgente Por Uma Resposta Imediata – Sermão N° 2231

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Sermão pregado na noite de Domingo, 10 de maio de 1891

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newingon, Londres

E destinado para leitura no dia 22 de Novembro de 1891

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(COM CARTA DO SR. SPURGEON AOS LEITORES DESSE SERMÃO ANEXA)

“Agora, pois, se haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se não, declarai-mo, para que eu vá, ou para a direita ou para a esquerda”. (Gênesis 24.49)

O capítulo de onde o texto é extraído está repleto de particularidades. Há um extraordinário paralelismo entre Eliezer procurando uma esposa para Isaque e os ministros de Cristo procurando almas para Jesus. É mais que uma alegoria. É, de fato, uma parábola bastante instrutiva de como devemos lidar com as almas de homens e mulheres para o nosso Senhor. Assim como Abraão enviou seu servo para buscar uma noiva para seu filho, nós também somos comissionados a buscar aqueles que serão trazidos a Igreja para, finalmente tomarem assento na festa das bodas, como noiva de Cristo, no País de Glória celestial! Continue lendo

O Remédio Universal – Sermão Nº 834

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Sermão pregado na manhã de Domingo de 4 de outubro de 1868,

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“Pelas suas pisaduras fomos curados.” Isaías 53:5

 

Recebi em um dia desta semana um breve comunicado que dizia o seguinte: “Se busca um remédio para uma fé débil e insegura, especialmente para quando Satanás remove o desejo de orar”. Avidamente desejoso de prescrever alguns remédios para tais enfermidades e para quaisquer outros males que pudessem aborrecer o povo do Senhor, comecei a considerar quais eram os remédios sagrados para um caso como esse, e só pude me lembrar de um: “As folhas da árvore eram para saúde das nações”. Nosso Senhor Jesus é uma árvore de vida para nós, e todas as folhas – suponho que o Espírito Santo quis dizer os atos, as palavras, as promessas e as leves aflições de Jesus – são para a cura de Seu povo. Logo veio à minha mente o seguinte texto: “Pelas suas pisaduras[1] fomos curados.” Não somente Suas feridas sangrentas nos curam, mas mesmo as contusões de Sua carne; não somente a obra dos cravos e da lança nos cura, mas a tarefa cruel da vara e do chicote.

Dentre toda essa multidão de crentes, não há ninguém aqui que está completamente livre de algumas enfermidades espirituais; alguém poderia dizer: “Minha enfermidade é uma fé débil”; outro poderia confessar: “Minha doença é entregar-me a pensamentos fantasiosos”; outro poderia exclamar: “Meu mal é a frieza do meu amor”; e uma quarta pessoa poderia ter que lamentar sua impotência na oração.

Um remédio universal não bastaria para curar todas as enfermidades em um plano natural, no instante em que o médico começa a proclamar que sua medicina cura tudo, vocês podem supor sagazmente que não cura nada. Mas nas coisas espirituais não sucede da mesma maneira, pois há uma panaceia, isto é, há um remédio universal que é fornecido pela palavra de Deus para todas as enfermidades espirituais a que o homem pode estar sujeito, e esse remédio está contido nas poucas palavras do meu texto: “Por suas pisaduras fomos curados”.

I. Então, esta manhã irei convidá-los a considerar, antes de mais nada, A MEDICINA QUE ESTÁ PRESCRITA AQUI: as chicotadas do nosso Salvador. Não se trata de acoites que deviam ser aplicados às nossas próprias costas, nem de torturas infligidas em nossas mentes, mas a dor que Jesus suportou por conta daqueles que confiam Nele. O profeta entendia aqui, sem dúvida, que a palavra “pisadura” significava, primeiro, literalmente, esses chicotes reais que caíram sobre os ombros de nosso Senhor, quando foi flagelado pelos judeus e quando foi posteriormente açoitado pelos soldados romanos.

Mas a intenção das palavras vai muito mais além disso. Não há dúvida de que, com seu olho profético, Isaías viu os chicotes que vinham empunhados pela mão invisível do Pai, que não caia sobre a carne de Jesus, mas sobre sua natureza mais nobre e íntima, quando Sua alma era açoitada pelo pecado, quando a justiça eterna foi o lavrador e cavava sulcos profundos em Seu espírito, quando o chicote era descarregado com uma força terrível, uma, e outra e outra vez mais sobre a alma bendita Daquele que se fez maldição por nós, para que Nele fossemos feitos justiça de Deus. Eu entendo que o termo “pisaduras” abrange todos os sofrimentos físicos e espirituais de nosso Senhor, com referência especial a esses castigos de nossa paz que a precederam ou, antes, que causaram Sua morte expiatória pelo pecado; é por essas feridas que nossas almas são curadas. Continue lendo

O Senhor Ressuscitou Verdadeiramente – Sermão Nº 1106

O Senhor Ressuscitou VerdadeiramenteNº 1106

Sermão pregado na manhã de Domingo de 13 de Abril de 1873,

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia.” Lucas 24:5-6

O primeiro dia da semana comemora a ressurreição de Cristo, e, seguindo o exemplo apostólico, temos constituído o primeiro dia da semana como nosso dia de repouso. Isso não nos sugere que o repouso de nossas almas deve ser achado na ressurreição de nosso Salvador? Não é certo que uma clara compreensão da ressurreição de nosso Senhor é, através do Espírito Santo, o meio mais seguro de trazer paz as nossas mentes? Ser participante da ressurreição de Cristo é desfrutar desse dia de repouso que resta para o povo de Deus. Nós que temos crido no Senhor ressuscitado entramos no repouso, assim como Ele mesmo repousa a destra de Deus. Nele descansamos porque Sua obra foi consumada e Sua ressurreição é a garantia de que aperfeiçoou todo o necessário para a salvação de Seu povo, e nós estamos completos Nele. Eu confio que, pelo poder do Espírito Santo, sejam semeados nas mentes dos crentes alguns pensamentos condutores ao repouso, enquanto realizamos uma peregrinação ao sepulcro novo de José de Arimateia e vemos o lugar onde o Senhor esteve sepultado. Continue lendo