O Convertido Acústico do Palácio de Cristal

Spurgeon uma vez contou:

“Em 1857, um dia ou dois antes de pregar no Palácio de Cristal, fui para lá decidir onde a plataforma de onde eu pregaria deveria ser fixada, e, a fim de testar as propriedades acústicas da construção, gritei em alta voz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo “. Em uma das galerias, um operário, que não sabia de nada do que estava sendo feito, ouviu essas palavras, que lhe veio como uma mensagem do céu para sua alma. Ele foi ferido com convicção por causa do pecado, guardou suas ferramentas, foi para casa, e lá, depois de uma temporada de luta espiritual, encontrado a paz e a vida por contemplar o Cordeiro de Deus. Anos depois, ele contou esta história a uma pessoa que o visitou em seu leito de morte. “

FONTE: http://www.reformationart.com/charles-spurgeon–.html

 

Permanecer no mundo, não fugir dele antes da hora (leituras matinais)

2 de maio
“Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” (Jo 17:15 ARC1995)
É este um acontecimento agradável e bendito que experimentarão todos os crentes no tempo próprio: o ir estar com Jesus. Em uns poucos anos mais os soldados do Senhor, que agora pelejam “a boa batalha da fé” terão terminado com o conflito e entrarão no gozo do Seu Senhor. Mas, posto que Cristo roga que o Seu povo esteja no fim com Ele, onde Ele está, não pede, entretanto, que ele seja levado de repente do mundo para o Céu. Ele deseja que o Seu povo fique aqui. Porém, quão frequentemente o cansado peregrino eleva esta oração: “Ah! Quem me dera asas como de pomba! Voaria e estaria em descanso.” Mas Cristo não ora assim; Ele deixa-nos nas mãos de Seu Pai até que, tal como o grão amadurecido, nos reunamos no celeiro do nosso Senhor. Jesus não roga pela nossa pronta partida por intermédio da morte, porque ficar na carne, se não é proveitoso para nós mesmos, é necessário para os demais. Ele pede que sejamos guardados do mal, mas Ele nunca pede que sejamos admitidos na herança da glória, até que cheguemos à velhice. Os Cristãos, quando têm alguma prova, normalmente desejam morrer. Perguntai-lhes o porquê, e dir-vos-ão: “Porque nós desejaríamos estar com o Senhor.” Tememos que não seja tanto o desejo de estar com o Senhor, mas o de ver-se livres da prova; de outro modo, eles sentiriam o mesmo desejo em tempos de bonança. Eles desejam ir para o lar celestial, nem tanto para estarem na companhia do Salvador, mas para estarem livres de aborrecimentos. É muito justo o desejo de partir, se o podemos fazer no mesmo espírito em Paulo que o fez, porquanto estar com Cristo é muito melhor; mas o desejo de fugir da aflição é egoísmo. Que a nossa preocupação e desejo seja antes glorificar a Deus em nossas vidas, neste mundo, enquanto Lhe agrade, mesmo que seja no meio de fadigas, de conflitos e de sofrimentos; e deixemos que Ele diga quando: “basta.”
FONTE
C. H. Spurgeon – “Leituras Matinais”
Tradução de Carlos António da Rocha

A Palavra de Deus, um cheque precioso (Leituras Matinais)

28 de abril
“Lembra-te da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar.” (Sl 119:49 ARC1995)
QUALQUER que seja a tua necessidade particular, podes achar, prontamente, na Bíblia, alguma promessa apropriada para ela. Estás abatido e deprimido porque o teu caminho é áspero e tu achas-te cansado? Aqui está a promessa: “Dá vigor ao cansado.” Quando achares uma promessa como esta, leva-a Aquele que a prometeu e pede-Lhe que a cumpra. Estás buscando Cristo e anseias ter uma comunhão mais íntima com Ele? Esta é a promessa que resplandece sobre ti como uma estrela: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.” Leva continuamente ao trono esta promessa; não rogues por nenhuma outra coisa, mas apresenta-te a Deus uma e outra vez com isto: “Senhor, Tu o hás dito; faz conforme a Tua promessa.” Estás triste por causa do pecado e carregado com a pesada carga das tuas iniquidades? Presta atenção a estas palavras: “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões e dos teus pecados me não lembro.” Não tens méritos próprios para invocar o Seu perdão, para que Ele te possa perdoar; mas, podes invocar o Seu compromisso escrito e Ele cumpri-lo-á. Temes não seres capaz de prosseguir até ao fim, ou que, depois de haveres crido no filho de Deus, sejas réprobo? Se passas por tal situação, leva a seguinte promessa ao trono da graça: “Porque as montanhas se desviarão e os outeiros tremerão; mas a minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha paz não mudará, diz o SENHOR, que se compadece de ti.” Se tens perdido a doce sensação da presença do Salvador, e O estás buscando com um coração pesaroso, recorda esta promessa: “Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós.” “Por um pequeno momento, te deixei, mas com grande misericórdia te recolherei.” Banqueteia a tua fé na própria palavra de Deus, e seja o que for que receies ou queiras, recorre ao Banco da Fé com a ordem de pagamento do teu Pai Celestial, dizendo: “Lembra-te da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar.”
FONTE:
C. H. Spurgeon – “Leituras Matinais”
Tradução de Carlos António da Rocha

Paciência (Sabedoria Bíblica)

Capítulo 5: Paciência

A paciência é melhor do que a sabedoria; trinta gramas de paciência valem mais que meio quilo de massa cerebral. Todos os homens louvam a paciência, mas poucos a louvam o suficiente para praticá-la. É um remédio bom para todas as doenças, como afirma toda senhora de idade, mas as ervas que produzem esse remédio não crescem em todos os jardins. Quando alguém, de carne e osso como nós, fica cheio de dores, é muito natural que murmure, como é natural um cavalo abanar a cabeça quando as moscas o incomodam, ou uma roda ranger quando perde um aro. Mas a natureza não deveria ser a regra para os cristãos ou, então, para que serve sua religião? Se um soldado não lutar melhor que um lavrador, tire seu casaco vermelho. Esperamos mais fruta de uma macieira que de um espinheiro e temos o direito de pensar assim. Os discípulos de um Salvador paciente também devem ser pacientes. O velho ditado aconselha: “Sorria e agüente”, mas cantar e carregar é muito melhor. Afinal, temos poucas marcas de chicote, considerando a péssima qualidade de gado que somos; e sempre achamos que nosso sofrimento vem cedo demais. A dor passada é prazer, além de trazer experiência. Nós não deveríamos ter medo de ir ao Egito quando sabemos que podemos voltar de lá com jóias, prata e ouro.

Pessoas impacientes lavam suas misérias e sulcam seu bem-estar; as tristezas são visitantes que chegam sem ser convidados, mas as mentes queixosas causam um vagão de problemas em sua casa. Muitas pessoas nascem chorando, vivem se queixando e morrem frustradas; elas mastigam a pílula amarga sem sequer saber não seria tão amarga se tivessem inteligência para engoli-la inteira, com um copo de paciência e água. Pensam que a carga dos outros homens é leve, e a delas pesa como chumbo. Dificilmente elas se cansam da própria opinião. Os dedos dos pés de ninguém são pisados pelo touro negro com tanta freqüência como os delas; a neve que cai em volta de sua porta é mais espessa, e o granizo faz um barulho mais forte em suas janelas. Contudo, se a verdade fosse conhecida, ficaria claro que é a fantasia delas, e não a má sorte, que faz parecer que as coisas vão mal, a ladainha poderia ser posta de lado se não pensassem apenas nisso. Se pomos um raminho da erva chamada contentamento em uma sopa bem rala ela terá um sabor tão bom como a torta do prefeito. João Lavrador cultiva a erva em seu jardim, mas o último inverno muito rigoroso danificou-a terrivelmente, e ele não conseguiu uma mudinha para dar aos seus vizinhos; eles deviam seguir Mateus 25.9 e procurar os que vendem e compram. A graça é um solo bom para o cultivo, mas precisa ser regada com a água da fonte da misericórdia. Ser pobre nem sempre é agradável, mas coisas piores que isso acontecem no mar. Sapatos pequenos são ótimos para apertar, mas não se o pé for pequeno; se temos poucos recursos, é ótimo que tenhamos desejos modestos. A pobreza não é vergonha, mas ficar descontente com ela é. Em algumas coisas, os pobres são melhores que os ricos, se um homem pobre tiver fome ele procura um alimento para matar a fome, já o rico que tem demais come além do que precisa para se alimentar. A mesa do pobre logo fica arrumada, e seu trabalho poupa-o de comprar molho. Os melhores médicos são o dr. Dieta, o dr. Sossego e o dr. Feliz, e muitos lavradores religiosos têm todos esses senhores para cuidar deles. A fartura causa gulodice, mas a fome não vê imperfeição no cozinheiro. O trabalho pesado proporciona saúde, e trinta gramas de saúde valem mais do que um saco de diamantes. Há mais doçura em uma colher cheia de açúcar que em um litro de vinagre. Não é a quantidade de nossos alimentos, mas a graça de Deus no que temos que nos faz verdadeiramente ricos. Os restos de uma maçã comum são melhores que uma maçã silvestre inteira; um jantar de verduras em paz é melhor que um com a carne de um boi confinado acompanhada de discussão, ter pouco com temor a Deus é melhor do que ter um grande tesouro acompanhado de problemas. Uma pequena quantidade de lenha aquece meu pequeno forno; por que, então, devo me lastimar se toda a lenha não for minha?

Quando as dificuldades aparecem, não adianta insultar Deus com pensamentos injustos sobre a providência; isso é o mesmo que dar murro em ponta de faca e se machucar. As árvores se curvam com o vento, e nós também devemos nos curvar. Cada vez que a ovelha bali, perde um bocado, e cada vez que nos queixamos, perdemos uma benção. Queixar-se é um mau negócio e não traz lucro, mas a paciência tem mãos de ouro, nossos males logo terminarão. Depois da chuva surge um brilho claro; corvos negros têm asas; cada inverno se transforma em primavera; cada noite rompe em manhã.

O vento não sopra sempre tão forte
No fim, ele se aquieta.

 

Quando uma porta se fecha, Deus abre outra, se as ervilhas não crescem bem; os feijões crescem, se uma galinha abandona seus ovos, outra choca toda a ninhada. Há um lado luminoso em todas as coisas, e um Deus bom em todos os lugares. Em um lugar ou outro, no meio da pior onda de problemas sempre há terra firme onde pôr nosso contentamento, e se não houver temos de aprender a nadar.

Amigo, como diziam os antigos, ponha paciência e água no mingau de aveia antes de apanhar os miseráveis e transmitir aos outros a doença pecaminosa de encontrar imperfeições em Deus. O melhor remédio para a aflição é submeter-se à providência. O que não pode ser curado, deve ser suportado. Se não pudermos ter bacon, louvemos a Deus, pois ainda temos alguns repolhos na horta. “O dever” é uma noz dura de quebrar, mas tem uma semente doce. “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam”.O que quer que caia do céu, mais cedo ou mais tarde, faz bem para a terra; o que quer venha de Deus tem valor, mesmo que seja um açoite. Por nossa natureza, não podemos gostar de dificuldades da mesma forma que um rato não cai de amores por um gato, contudo Paulo, pela graça, chegou à glória também em tribulações. Perdas e cruzes são pesadas de suportar, mas é maravilhoso como o fardo fica leve quando nosso coração está do lado direito de Deus. Temos de ir para a glória pelo caminho da Cruz das Lamentações; e como nunca nos foi prometido que iríamos para o céu em uma cama de plumas não podemos nos desapontar ao ver que a estrada é difícil, como nossos pais também acharam antes de nós. Tudo está bem quando termina bem, por isso, aremos o solo mais árido com os olhos na colheita e aprendamos a cantar durante nosso trabalho, enquanto os outros murmuram.

FONTE: Sheed Publicações

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

(PUBLICADO COM AUTORIZAÇÃO PELO PROJETO SPURGEON)

O novo caminho do véu rasgado do Templo (Leituras Matinais, de C.H.Spurgeon)

19 de abril

“E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.” (Mt 27:51 ARC1995)
NÃO foi um milagre insignificante o que se realizou no rompimento de um véu tão forte e grosso, mas ele não se realizou meramente como uma exibição de poder, pois ele ensina-nos aqui muitas lições. A antiga lei de cerimónias foi abolida, e, como um vestido gasto, foi roto e posto de lado. Quando Jesus morreu, todos os sacrifícios terminaram, porque todos ficaram cumpridos nEle, e, por consequência, o lugar onde esses sacrifícios eram apresentados, foi marcado com um sinal evidente de decadência. Aquele rasgão também revelou todas as coisas ocultas da antiga dispensação. Agora podia ver-se o propiciatório e a glória de Deus brilhava sobre ele. Pela morte do Senhor Jesus temos uma clara revelação de Deus, pois Ele “não era como Moisés que punha um véu sobre a sua face.” Vida e imortalidade saem agora à luz, e coisas ocultas desde a fundação do mundo são manifestas nele. A cerimónia anual da expiação foi assim abolida. O sangue da expiação, que uma vez por ano era aspergido dentro do véu, foi agora oferecida uma vez por todas, pelo grande Sumo Sacerdote, e, portanto, o lugar do rito simbólico foi derrubado. Agora não se necessita mais do sangue de bois nem de ovelhas, porquanto Jesus entrou dentro do véu com o Seu próprio sangue. Por este motivo, se permite o acesso a Deus agora, e é este o privilégio de cada crente em Cristo Jesus. Não há sequer uma pequena abertura pela qual possamos espreitar o propiciatório, exceto o rasgão que se estende de alto a baixo. Podemos acercar-nos com confiança ao trono da graça celestial. Vamos nós errar se dissermos que a abertura do Santo dos Santos foi feita desta maneira maravilhosa pelo último clamor de nosso Senhor, era o tipo da abertura das portas do paraíso para todos os santos, em virtude da Paixão? O nosso sangrento Senhor tem a chave do Céu; Ele abre e ninguém fecha; entremos com Ele nos lugares celestiais, sentemo-nos lá com Ele até que os nossos inimigos serão feitos o escabelo dEle.
FONTE:
C. H. Spurgeon – “Leituras Matinais”
Tradução de Carlos António da Rocha