Capitulo 62: A FÉ TRABALHA.
A fé sincera não pertence à tribo dos lazzaroni* que levam a vida de qualquer jeito e não se esforçam em nada. Esse é sim o acompanhamento do desespero, e não da confiança. Convencido da fertilidade do solo, o agricultor semeia; certo da vitória, o soldado luta; seguro do seu bom navio, o marinheiro se põe ao mar. Não podemos crer que Deus, que trabalha cada vez mais, pare de trabalhar. A fé nunca acredita ter alguma vantagem na ferrugem do inglorioso ócio. Não! A fé do dia-a-dia atinge os Alpes, une os mares, invade o desconhecido, desbrava os perigos; e quando se exercita na força do Senhor, ela afugenta os maus hábitos, aniquila as cobiças, reveste-se de abnegação e faz do homem um herói. Quanto mais fé maiores são as conquistas! Como a válvula que regula a quantidade de vapor que pode ser liberada, assim também a fé pelo seu declínio ou avanço diminui ou aumenta a força espiritual que é exercida em direção ao coração de Deus. Sem dúvida, este é um assunto do mais alto valor, pois não apenas temos que ter fé, mas temos que tê-la mais e mais abundantemente. A regra do Reino é “Seja segundo a tua fé.”
* Desocupados sem-teto de Nápoles, Itália, que viviam ao acaso ou da mendicância. Foram assim chamados por causa do Hospital de São Lázaro que lhes servia de refúgio.
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Livro A Dica do Labirinto: Considerações profundas sobre a fé e a dúvida
Tradução: Wesley Carvalho
Direitos reservados: Projeto Spurgeon – Proclamando a Cristo crucificado
