“O Que Eu Fiz?” um balanço espiritual de fim de ano

Nº 169

Sermão pregado na manhã de Domingo, 27 de Dezembro de 1857

por Charles Haddon Spurgeon

No Music Hall, Royal Surrey Gardens, Londres.

“O que eu fiz?” Jeremias 8:6 [1]

Talvez nenhuma outra figura que represente Deus sob uma luz mais agraciada, que essas figuras de linguagem que O mostram inclinando-se do Seu trono, e descendo do céu para suprir as necessidades e considerar as aflições da humanidade. Temos que amar esse Deus que, quando Sodoma e Gomorra transpiravam iniquidade, não queria destruir essas cidades, ainda que conhecesse sua culpa e sua maldade, até que não as tivesse visitado e transitado durante um tempo por suas ruas.

Penso que não podemos evitar derramar nosso coração em afeto por esse Deus, que inclina Seu ouvido desde a glória mais sublime, e o põe junto ao lábio do mais fraco indivíduo que expresse um desejo sincero.

Como poderíamos resistir ao sentimento que Ele é um Deus a quem devemos amar, quando sabemos que presta atenção a tudo o que diz respeito a nós, que conta os próprios cabelos de nossa cabeça, que pede aos anjos que protejam nossos passos para que nossos pés não tropecem nas pedras, que sinaliza nosso caminho e ordena nossos caminhos?

Mas esta verdade grandiosa se achega especialmente ao coração do homem, quando recordamos quão solícito é Deus, não meramente no que se refere aos interesses temporais de Suas criaturas, mas sim no concernente aos seus interesses espirituais. Deus é representado na Escritura como “aguardando para abençoar”, ou, na linguagem da parábola, como vendo a Seus filhos pródigos ainda quando estão longe, correndo e jogando-se em Seu pescoço e beijando-os. Ele está tão atento a tudo o que é bom no coração do pobre pecador, que para Ele há música em um suspiro, e beleza em uma lágrima; e neste versículo que acabo de ler, Ele se representa como vendo o coração do homem e escutando: escutando como se pudesse ouvir algo que fosse bom. “Eu escutei e ouvi, escutei; fiquei quieto e estive atento a eles.” E quão amigável se mostra Deus, quando é representado como que voltando-se para o lado, e por dizê-lo assim, exclamando com dor em Seu coração: “Em verdade escutei e em verdade ouvi; não falam o que é reto; ninguém há que se arrependa de sua maldade, dizendo: O que eu fiz?”

Ah, querido leitor, tu nunca acolhes um desejo para Deus que não anime a esperança de Deus; jamais pronuncias uma oração dirigida ao céu que Ele não esteja atento; e ainda que muito frequentemente tu tenhas sussurrado orações que foram como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada que logo se desvanecem, contudo, todas estas coisas comoveram as entranhas de Jeová; pois Ele tem escutado teu clamor e tem prestado atenção ao suspiro de tua alma, e ainda que tudo tenha se desvanecido, não passou despercebido, pois Ele lembra muito bem mesmo nesse momento.

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Perspectivas Divinas (A última mensagem de ano-novo pregada por C.H.Spurgeon)

Breve mensagem pregada em 1º de Janeiro de 1892

Em Menton, Sul da França

(e Editada da revista “The Sword of the Trowel” de Fevereiro de 1892),

Atravessando o umbral do ano novo nessa hora, olhamos para adiante e, o que é que vemos? Ainda que pudéssemos conseguir um telescópio que nos permitisse ver o fim do ano, teríamos sabedoria para usá-lo? Não creio. Desconhecemos os eventos que nos esperam – a vida e a morte, nossa ou de nossos amigos, as mudanças de posição, a enfermidade ou a saúde. Que grande misericórdia é que essas coisas estejam ocultas para nós!

Se víssemos antecipadamente nossas mais seletas bênçãos, essas perderiam seu frescor e sua doçura, enquanto estivéssemos as aguardando impacientemente. A antecipação se tornaria amarga, se converteria em desânimo, e a familiaridade geraria desdém. Se pudéssemos ver antecipadamente nossas tribulações, nos preocuparíamos por elas muito antes que efetivamente viessem, e nesse desassossego perderíamos o desfrute de nossas bênçãos presentes. A grande misericórdia estendeu um véu entre nós e o futuro, e o deixou dependurado lá.

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Libertação dos Pecadores por Meio do Sangue de Cristo

Sermão pregado na manhã de 1º de julho de 1860

por Charles Haddon Spurgeon,

na Igreja de São Pedro, no púlpito usado por João Calvino, em Genebra

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito” (1Pedro 3:18).

ORAÇÃO

“Ó Tu, que habitas no céu, nosso Deus e nosso Pai, dá-nos Teu Espírito para fazer-nos orar e crer. Podem existir alguns entre nós que nunca oraram; ensina-os a levantar a voz em preces, a levantar-se em sinal de penitência, obtendo misericórdia de Tuas mãos. ‘Esta é a casa de Deus, esta é a porta dos céus.’ Nós Te bendizemos, ó Senhor, nós que estamos nesse lugar onde homens bons aceitaram publicamente Tua Palavra, nos séculos que se passaram, onde Calvino esteve e orou. Nós queremos Te adorar, queremos Te dar louvor, pois Tu és bom. Ao Teu sorriso, todo o universo sorri; se lanças Teu severo olhar, a Terra treme e os céus vacilam. Os anjos cantam Tua grandeza Altíssimo – não temos o louvor dos serafins, mas o que temos, ó Senhor, isto te entregamos.

Glória ao Deus de nossa eleição! Glorificado seja Jesus, o Filho, o qual, em Seu amor, nos redimiu com Seu sangue. E glorificado seja o Espírito Santo, que renovou nosso coração. Assim, a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, nós louvamos e adoramos em sua Santíssima Trindade.

Da adoração, passamos à confissão. Estamos dispersos como ovelhas perdidas, não temos forças e não encontramos ajuda em nós mesmos. Sabemos que estamos arruinados: sentimos isso e suplicamos por auxílio. Oh! Deus, perdoa aqueles, se houver algum aqui, que não acreditam precisar disso, mas, oh!, conforta os verdadeiramente penitentes. Tem piedade de nós, e nos permita Te ouvir dizer: ‘Filho, tende bom ânimo, teus pecados estão perdoados.’

Oramos a Ti por aqueles de todas as posições e condições sociais aqui reunidos. Dá, ó Senhor, a Teus ministros língua de fogo e coração de amor para pregar Tua palavra a esses ouvintes. Há muitos aqui que creem com sinceridade nesta antiga nação. Ó Senhor, ajuda Teus servos no ministério deles. Não nos deixa nos curvarmos diante de sorrisos ou nos render a olhares severos; não permita que nosso coração se exaura na batalha. Dá-nos Tua força e Tua graça, dá-nos amor e zelo e, acima de tudo, dá-nos a imagem de Cristo. Faz com que ela seja estampada em nosso ser. Que tenhamos um sentimento verdadeiro dessa união real e vital com o Filho de Deus, a qual é dada aos crentes. Não nos deixa estar satisfeitos a não ser que estejamos diante da cruz Dele, com os braços ao redor dela e com a cabeça próxima de Seus pés cravados e com nosso coração, ó Senhor, inteiramente Teu!

Muitos homens de nosso país estão peregrinando nessa linda terra, mas há olhos cegos que estão abertos para o cenário magnífico, e há muitos ouvidos surdos que ouvem e desfrutam música e harmonia. Abra estes olhos e ouvidos para o amor de Cristo. Todos os santos unem-se a nós nessa oração para que Tu tragas a Ti mesmo os relutantes, os cativos, aos braços de amor de Jesus Cristo e os tragas submissos a Teus pés.

Ó Deus! Oramos a Ti: abençoa esta terra, abençoa este povo, abençoa nosso país. Abençoa o povo de cada nação e põe fim à tirania. Faz a liberdade prevalecer, faz a opressão cessar. Que cada nação seja livre e Te louve pela liberdade.

Oh! Vem, toma todas as coroas e reina Tu mesmo, Deus onipotente e Supremo Pastor. Ouve-nos, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, a quem, como a Ti, ó Deus, e ao Santo Espírito, seja a honra e a glória para sempre e sempre. Amém.

O SERMÃO

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Sem Sangue, Sem Remissão

Nº 3418

Sermão Pregado

por Charles Haddon Spurgeon,

no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres,

e Puclicado na Quinta Feira, 6 de agosto de 1914

“Sem derramento de sangue não há remissão.” Hebreus 9:22

Sob a antigua dispensação figurativa, era certo de que seus olhos se topavam em qualquer canto com o sangue. O sangue era o mais promeniente sob a economia judaica. Era raro que se observasse alguma cerimônia sem ela. Não era possivel adentrtar em nenhuma parte do tabernáculo sem que fosse visto os rastros de sangue ao pé do altar. O lugar era tão semelhante a um matadouro que visitá-lo não deve de ter sido nada atrativo para o gosto natural, e para deleitar-se nele, o homem precisava de um entendimento espiritual e de uma fé viva. O sacrificio de animais constituia a maneira de adorar: a efusão de sangue era o rito estabelecido e a difusão desse sangue sobre o piso, sobre as cortinas e sobre as vestes dos sacerdotes, era constante memorial.

Quando Paulo[1] diz que, sob a lei, quase todas as coisas eram purificadas com sangue, alude a algumas coisas que estavam isentas. Assim encontrarão em diversas passagens que o povo era exortado a lavar seus vestidos, e a certas pessoas que haviam ficado imundas por causas físicas, lhes era ordenado que lavassem seus vestidos com água. As roupas que os homens usavam eram sempre purificadas com água. Depois da derrota dos midianistas, que pode ser lida no livro de Números, o despojo que havia sido contaminado teve que ser purificado antes que fosse reclamado pelos vitoriosos israelitas. De acordo com a ordenança da lei que o Senhor ordenou a Moisés, alguns dos bens, tais como idumentárias e artigos confecionados com peles e com pelo de cabras, eram purificados com água, enquanto que outros objetos, que eram de metais resistentes ao fogo, eram purificados com fogo. Contudo, o apóstolo se refere a um ato literal quando diz que quase todas as coisas – só à excessão das roupas – eram purificadas com sangue sob a Lei. Logo, se refere a ela como uma verdade geral sob a antigua dispensação legal, dizendo que não havia jamais nenhum perdão de pecado, exceto pelo sangue. Unicamente em um caso havia uma aparente excessão, e ainda nesse caso servia para demosntrar a universalidade da regra, porque a razão para a excessão está plenamente explicada. O sacrifício pela culpa é mencionado como uma alternativa no versiculo 11 de Levitico 5, e podia ser uma oferta incruenta em casos de extrema pobreza. Se um homem era muito pobre para trazer uma oferenda do rebanho, deveria trazer duas rolinhas ou dois pombinhos – porem se era extremadamente necessitado até mesmo para isso, poderia oferecer a décima parte de um efa de flor de farinha como sacrificio pela culpa, sem azeite nem incenso, a qual era lançada sobre o fogo. Essa é a unica excessão solitária através de todos os tipos. Em cada lugar, em cada momento e em cada caso en que o pecado tinha que ser tirado, o sangue deveria fluir e a vida tinha que ser ofertada. A única exceção  que temos notado, recalca o estatuto que estabelece que “sem derramamento de sangue não há remissão.”

Sob o Evangelho não há nenhuma exceção, não existe nenhuma isolada exceção, como existia na Lei – não, nem mesmo para o mais indigente. Todos nós somos extremamente necessitados espiritualmente. Como nenhum de nós deve apresentar uma oferenda, nem tampouco dispomos de uma, todos temos que apresentar a oferenda que já foi ofertada e temos que aceitar o sacrifício que Cristo fez de Si mesmo em nosso lugar – não existe agora nenhum motivo nem base para isentar a nenhum homem nem nenhuma mulher, nem mesmo o haverá jamais, seja nesse mundo ou no futuro: “sem derramamento de sangue não há remissão.”

Com grande simplicidade, então, já que concerne a nossa salvação, peço amavelmente a atenção de cada um dos presentes para esse grande assunto que tem muito haver com nossos interesses eternos. Eu deduzo do texto, antes que nada, o fato animador de que:

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O Livro sem Palavras

Nº 3278

Sermão pregado na noite de quinta-feira, 11 de Janeiro de 1866

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

E publicado na quinta-feira de 30 de novembro de 1911

“Lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.” Salmo 51:7

Atrevo-me a dizer que a maioria de vocês já tomou conhecimento de um livreto que um velho teólogo sempre usava para estudar, e quando seus amigos se perguntaram sobre qual era o conteúdo do mesmo, ele lhes disse que esperava que todos o conhecessem e o entendessem, mas que não continha nem uma só palavra. Quando o revisaram, descobriram que só constava de três páginas: a primeira, que era negra, a segunda, que era vermelha, e a terceira que era completamente branca. O velho ministro sempre contemplava fixamente a folha negra para lembrar a si mesmo sua condição pecadora por natureza. Depois, contemplava a folha vermelha para trazer à memória o sangue precioso de Cristo. E depois olhava a folha branca que representava a perfeita justiça que Deus deu aos crentes, mediante o sacrifício expiatório de Seu filho Jesus Cristo.

Queridos amigos, quero que vocês leiam esse livro essa noite, e eu mesmo desejo lê-lo também. Que Deus o Espírito Santo, por misericórdia, nos ajude a fazê-lo para nosso proveito!

I. Primeiro, COMTEMPLEMOS A FOLHA NEGRA.

Há algo sobre isso no texto, pois a pessoa que usou essa oração disse: “Lava-me” – então, estava negro, e necessitava de limpeza – e a negrura era de um tipo peculiar, que necessitava de um milagre para ser limpa, de forma que se alguém que tinha estado negro se voltasse branco, o fosse de tal maneira que ficasse “Mais branco que a neve”.

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